segunda-feira, 27 de março de 2017

Habilidades Matemáticas – Cruz Alta - RS


Em meados de março,  lecionei na cidade de Cruz Alta, a disciplina de Fundamentos e Prática Multiprofissional V- Habilidades Matemáticas. Nesta cidade a gestora é a Cristina Librelotto Rubin, que por falar em habilidades, ela tira de letra.
 Imagem vocês que ela se encontrava fora do país, mas se fazia presente em todo e qualquer momento da aula. É muita dedicação provinda destas gestoras do Censupeg, no caso da Cristina, toda a organização do ambiente se encontrava impecável, tudo pensando com muito carinho para que nossas pós-graduandas pudessem estudar com tranquilidade. E também, volta e meia se ouvia uma das meninas anunciando que ela estava solicitando notícias do dia!!!
A disciplina de Habilidades Matemáticas, como já foi mencionada em outras publicações, estuda alguns pré-requisitos que as crianças precisam ter desenvolvido para que a aprendizagem flua com maior facilidade.
Já nos primeiros anos de vida a criança já vai adquirindo noções de quantidade numérica, por exemplo: quando os cuidadores da mesma pedem para ela mostrar com os dedos quantos anos ela tem ou então contar determinados objetos, estas atividades proporcionam a noção de número, ou seja, consciência numérica.
Outro fator importante é que a criança desenvolva a percepção visuoespacial, e aí os jogos de encaixe podem auxiliar e muito, pois ela precisa ter noção de virar as peças para que as mesmas sejam inseridas no local certo. Do mesmo modo, também é fundamental que já no ambiente familiar se trabalhe noções de perto, longe, por exemplo, quando alguém diz: - vem para perto da mamãe...próximo do papai...ao lado da titia...através de instruções como estas, a criança já vai aumentando a sua percepção visuoespacial.
Outro fator de destaque é a linguagem matemática, que aparece através de símbolos, representação por escrito dos números e interpretação de enunciados. Então, desde placas que aparecem na rua, ou mesmo, teclas de computador, celular, há a possibilidade de despertar o interesse da criança por esta linguagem. Leitura de livros, jornais, revistas, jogos com números e seus respectivos nomes apresentam-se como recursos lúdicos capazes de fazer a interação: criança x linguagem matemática.
O que se destaca em todas as habilidades de aprendizagem é questão da atenção. Se a criança apresenta dificuldade atencional, certamente ela terá muita dificuldade em ter a “concentração” necessária para aprender matemática. E isto também se relaciona com as funções executivas, pois a inibição de comportamento é um tópico importante para a aprendizagem.
Quantas vezes, nos deparamos com indivíduos que começam a atividade e insistem em resolver a questão do mesmo modo, modo este que talvez já tenha se mostrado incorreto. Nesse sentido, o bom funcionamento das funções executivas faz com que os indivíduos tenham um planejamento, uma organização sequencial, consigam fazer autocorreção da atividade que estão desempenhando.

Enfim, estes foram apenas alguns pequenos tópicos da aula, no entanto, há muito mais, por isso que o Censupeg é a referência número um em curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia, porque investe na excelência educacional.

Fundamentos e Prática em Equipe Multiprofissional – Igrejinha - RS

     

Me sentindo em débito com as amadas de Igrejinha!!!

     A aula ocorreu no início de março, no entanto o encanto dessas meninas pela neuropsicopedagogia é algo contagiante que perpassa a barreira do tempo/espaço.
    Igrejinha, cidade aqui do Rio Grande do Sul, na qual os cursos de pós-graduação do Censupeg ocorrem sob a responsabilidade da gestora Sigrid Becker. Gente, essa mulher é um show! Está presente em muitos momentos da aula procurando auxiliar em tudo que for necessário tanto para os alunos quanto os professores. Nela também fica evidente o “jeito Censupeg de ser”.
    Antes que me perguntem: - Afinal de conta que jeito é esse? Já esclareço com propriedade que existem muitas definições para o “jeito Censupeg de ser”, sendo que, uma em especial carrego dentro do meu coração, a mesma ecoa através das palavras do diretor presidente Sandro A. Albano, quando ele diz: [...]o que não dá para faltar em educação é AMOR e CARÁTER [...] quando você aprende que fazer o bem é muito gostoso e que ajudar os outros fica perfume nas suas mãos, a gente vai entender que dá para fazer um mundo melhor, como a gente já está fazendo.
    Como professora, amante da profissão, tento dar o meu melhor, contudo jamais posso deixar de perceber que aqueles que estão dentro da sala de aula, também estão dando o melhor deles, buscando melhorar sua qualificação para “perfumar a vida de tantos outros”, e é isso que estas amadas neuropsicopedagogas de Igrejinha me fizeram perceber durante as disciplinas de Fundamentos e Prática em Equipe Multiprofissional IV e V, ou seja Linguagem e Habilidades Matemáticas. Foram dois dias de estudo, prática profissional, exercício de aplicação de testagens e interpretação dos resultados obtidos como forma de sistematizar quais as intervenções a serem propostas.
    A estrutura curricular do curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia, proposta pelo Censupeg, apresenta ao todo 5 disciplinas de Fundamentos, todas elas voltadas a áreas que o neuropsicopedagogo deverá avaliar e intervir, fundamentadas desde a base neurobiológica, desenvolvimento típico e atípico, bem como quais instrumentos podem ser utilizados na avaliação e intervenção.  
    Nossos alunos são orientados em conformidade com o Código de Ética Técnico Profissional de Neuropsicopedagogia, a Nota Técnica 01/2016 e o livro Neuropsicopedagoga Clínica da Drª Rita Russo. Nesse sentido, como instituição, temos certeza de que estamos formando profissionais altamente qualificados e que farão a diferença no contexto neuropsicopedagógico, principalmente porque  foram ensinados nos princípios do AMOR e CARÁTER. 

domingo, 26 de março de 2017

Avaliação e Intervenção Neuropsicopedagógica - Clínica

     Santa Cruz do Sul - RS
    Na cidade de Santa Cruz do Sul -RS os cursos de neuropsicopedagogia estão em alta, graças a dedicada gestora Marcia Gewehr (http://cursoposneuro.com.br/ ) que tem um “jeito Censupeg de ser”, ou seja, apresenta um cuidado especial para com todas as turmas que estão sob sua responsabilidade procurando atender as especificidades de cada turma, mas sem esquecer que há todo um conjunto de orientações maiores a serem cumpridas.
     Em especial, esta sala de aula composta de 36 neuropsicopedagogas, há dois anos vem se preparando para desempenhar com maestria esta nova profissão. São horas e horas de aula, estudo, empenho, dedicação, atenção seletiva (foco no que realmente deve ser feito) e eliminação de distratores. Enfim, precisam dizer não, a muitas coisas que também são essenciais, para que se tenha pleno êxito acadêmico.
     E a “bola da vez” foi a disciplina de Avaliação e Intervenção Neuropsicopedagógica, onde o Censupeg, instituição que administra o curso, tem uma preocupação que os alunos realmente saibam quais são os tópicos essenciais para uma boa avaliação e intervenção. A disciplina visa preparar o neuropsicopedagogo para a futura prática clínica, trazendo a contextualização e aprendizagens de todas demais disciplinas da grade curricular do curso.
    Portanto, para que isso aconteça, se faz necessário que os alunos tenham o conhecimento do conteúdo da Nota Técnica 01/2016, que atendendo Resolução 03/2014 (capítulo II)  descreve os princípios fundamentais e diretrizes para a ação do neuropsicopedagogo.
     Do mesmo modo, o Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia, em seu artigo 31, que descreve a atuação do Neuropsicopedagogo Clínico, priorizando a:
d) Utilização de protocolos e instrumentos de avaliação e reabilitação devidamente validados, respeitando sua formação de graduação; 
     Nesse sentido, cabe ressaltar que quando temos o entendimento que um dos princípios da avaliação neuropsicopedagógica é a investigação das funções cognitivas, entendemos o porquê do uso de instrumentos padronizados, pois não há como avaliar habilidades de linguagem, raciocínio, atenção, percepção, abstração, memória, aprendizagem, funções motoras e executivas, pautado apenas na subjetividade, se faz necessário ter parâmetros de comparação embasado na cientificidade.
     Um dos elementos primordiais desta disciplina, se dá através da leitura dos capítulos IV  e V, do livro Neuropsicopedagogia Clinica – Introdução, Conceitos, Teoria e Prática, o qual traz detalhadamente o “como, para que e porquê”, fazer a avaliação e intervenção neuropsicopedagógica. Também é importante salientar que na atualidade este livro é o único chancelado pela SBNPp, pois sua escrita está de acordo com o Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia.
   Nesse sentido, não há como ser neuropsicopedagogo sem saber o conteúdo descrito nestes materiais. E certamente essa turma de Santa Cruz do Sul, aproveitou cada minuto da aula para aprimorar a sua qualificação. 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Pão e circo cativando seus neurônios-espelho

Ana Lúcia Hennemann[1]

“[...] quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhece-se nas imagens dominantes da necessidade, menos ele compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo.” Guy Debort

      Já aconteceu com você estar passando por algum local e de repente uma ou duas pessoas começam a olhar para algum ponto no céu e sem perceber você imita o gesto? É algo instintivo. Há um vídeo no youtube intitulado “Face the Rear” que retrata o seguinte cenário: alguém entra no elevador e em seguida 2 ou 3 atores entram e se posicionam de costas, inicialmente a pessoa olha com indignação, mas aos poucos o indivíduo vai virando e fica na mesma posição que os demais.
Imagem: Revista MeuCérebro/ Fev_2015
       Já imaginou se alguém ou um grupo se utilizasse de todo esse conhecimento para uma grande massa social? Induzissem pessoas a imitarem outras? Chorar quando outras chorassem, rir quando elas rissem, ficar indignado se elas passassem por situações de injustiça, enfim se preocuparem com a vida alheia e esquecer suas próprias vidas? Pois bem, isso aconteceu há muito tempo em Roma e ficou conhecida como a política do “Pão e Circo”.
        O povo trabalhava demais para sustentar o luxo de poucos; a comida escassa, mas recebiam trigo gratuitamente, então satisfazia as necessidades básicas; haviam livros, entretanto apenas alguns dominavam a arte da leitura. Os mais ousados começaram a criticar a forma de governo e perguntar sobre o valor dos impostos arrecadados; os reis, governantes da época perceberam a desmotivação e entenderam que precisavam agir, não poderiam abdicar de todo aquele luxo para satisfazer as vontades alheias.
       Naquele tempo não se entendia nada sobre cérebros humanos, de como se processava os pensamentos, de neurônios-espelho, rapport, empatia, projeção, mas era necessário modificar o padrão de pensamento, as conexões neurais daqueles indivíduos, caso contrário a insatisfação iria tomar conta de seus corpos e como eram muitos poderiam acabar com o privilégio da minoria.
        Os governantes reuniram-se e logo concluíram que o povo precisava de entretenimento, algo com o que se identificassem, sofredores, guerreiros em busca de vitória, liberdade, desejo de vencer a todo custo. Mas não eram todos que venceriam, somente alguns, aqueles que conquistassem a admiração de todos e mostrassem garra para esta conquista...e foi assim que corpos esculpidos apareceram em plateias de 50.000 mil a 90.000 mil espectadores. Em troca da tão sonhada liberdade, presentes caros, fama e glória, os gladiadores submetiam-se às exposições vis e banhadas de sangue e suor. E o povo ali, apenas dando uma espiadinha, rindo, divertindo-se em família, achando graça do infortúnio alheio. Projetando seus sonhos, suas necessidades, esquecendo suas angústias.
      Aos poucos, o sentimento de descontentamento era trocado pelo desejo de ver quem sairia vitorioso na próxima batalha, quem seria derrotado pelos demais, alguns criticavam toda essa artimanha, mas eles já não tinham voz, pois o povo em geral estava feliz.  Mas lógico, isso tudo ocorreu num século onde as pessoas da época não tinham os recursos e conhecimentos que temos na atualidade para entender todo o entorno que se passa por trás dos bastidores.
       No século XXI, o cenário modificou, mas as estratégias usadas no primeiro século continuam as mesmas: “Pão e circo” ativando os neurônios-espelho! Dentro do nosso cérebro temos regiões especificas que quando ativadas faz com que sentimos emoções e sentimentos de outros como se fossem nossos. É o sentir com o outro e como o outro. Estas células especializadas nos fazem perceber expressões, sentimentos e antever reações de outros indivíduos. Conforme o neurocientista Rizzolatti:  "Os neurônios-espelho nos permitem captar a mente dos outros não por meio do raciocínio conceitual, mas pela simulação direta. Sentindo e não pensando."
      Assim como na Roma antiga, milhares de pessoas sentiam simpatia e desprezo pelos gladiadores, hoje temos de forma mais mascarada o mesmo espetáculo, os famosos reality shows. Mesmo que for para dar a famosa espiadinha, o fato é que muitos se deixam contagiar pelo enredo deste grande circo. Os neurônios-espelho são ativados e fazem com que o povo comece a vivenciar as reações de seu “jogador” preferido.
      Goleman, no livro Inteligência Social, menciona que em 1970 uma equipe de pesquisadores de Israel reuniu um grupo de voluntários para assistir vários clipes de filmes procurando entender parte dos mecanismos neurais envolvidos entre a tela e o espectador. Exames de ressonância magnético funcional eram realizados simultaneamente entre todos os envolvidos e percebeu-se que o cérebro dos espectadores agia como se a história imaginária estivesse acontecendo com eles, evidenciando assim que o cérebro faz pouca distinção entre realidade virtual (imaginária) e real. Conforme Goleman (2011, p.23), “quando o cérebro reage a cenários imaginados da mesma maneira que reage aos cenários reais, o imaginário tem consequências biológicas.[...] quanto mais notável e surpreendente o acontecimento, maior a atenção do cérebro.”
       Quando as pessoas estão aborrecidas e entediadas, tornam-se disfuncionais, começam a perceber fatos que desagradam todo o sistema à sua volta. Todavia, quando dominadas pelas emoções, focando a atenção em pequenos grupos, projetam-se ali, nem que seja apenas para uma “espiadinha”. Séculos se passaram e o homem ainda não dominou a arte de dominar a si mesmo. isso traz significativas consequências sociais. De agora em diante é preciso lembrar que “Pão e o Circo” anseiam dissimuladamente pelos seus neurônios-espelho.

Referências:
GOLEMAN, Daniel. Inteligência social: o poder das relações humanas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
GUARINELLO, Norberto. Violência como espetáculo: http://migre.me/orEaQ
Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L.   Pão e circo cativando seus neurônios-espelho. Novo Hamburgo, 25 fevereiro/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/02/pao-e-circo-cativando-seus-neuronios.html




[1] Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. Professora de Pós-Graduação pelo CENSUPEG / Membro do Conselho Técnico Profissional da SBNPp - whatsApp - 51 99248-4325

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

“Pseudo”- transtornos específicos de aprendizagem

Ana Lúcia Hennemann[1]

Talvez não tenha conseguido fazer o melhor, mas lutei para que o melhor fosse feito. Não sou o que deveria ser, mas graças a Deus, não sou o que era antes. (Marthin Luther King)

Toda criança ao cursar os primeiros anos de escolaridade formal evoca, naqueles que interagem com ela, expectativas relacionadas ao processo de aprendizagem. Será um período de continuidade do todo o trabalho já desenvolvido na Educação Infantil, no qual a criança no findar dos três primeiros anos do Ensino Fundamental I deverá ter condições de ler, escrever, interpretar, calcular, ou seja, adquirir habilidades básicas que servirão de suporte para os demais anos acadêmicos.
Enfatizamos uma educação que tenha o olhar na individualidade do aluno, mas também é na escola que as crianças estão inseridas num ambiente de coletividade e muitas vezes os seus pares (seus colegas) é que servem de parâmetro para identificar como está o processo de aprendizagem de cada indivíduo. E quando esta aprendizagem se mostra mais lenta comparada aos demais, se faz necessário um olhar mais abrangente dos profissionais da educação principalmente procurando investigar se há ou não critérios que sinalizam um Transtorno Específico de Aprendizagem.
Os Transtornos específicos de aprendizagem são aqueles onde há déficits específicos relacionados a capacidade do indivíduo perceber ou processar informações com eficiência e precisão. Eles geralmente se manifestam durante os primeiros anos de escolaridade formal, cujas características marcantes são as dificuldades persistentes e prejudiciais nas habilidades acadêmicas de leitura, escrita  e/ou  matemática.
Numa leitura superficial, certamente muitas crianças poderiam aí ser classificadas; e percebe-se que muitas delas são enviadas ao atendimento especializado pautados nas dificuldades persistentes das habilidades acadêmicas. O DSM-V (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais), que inicialmente era material de referência para aqueles que trabalham na área da saúde, atualmente, tem se mostrado leitura obrigatória para todos aqueles que atuam na área educacional principalmente porque nele há a descrição detalhada dos Transtornos específicos de aprendizagem.
O DSM-V, traz critérios de classificação destes transtornos, subdivididos em 4 níveis e especificados em subitens, o que faz com se tenha bem claro a diferença entre crianças com dificuldades das que realmente apresentam transtornos. Por exemplo: logo no critério A, existe a questão dos sintomas a serem elencados persistirem durante 6 meses APÓS INTERVENÇÃO.
Não há muita clareza, sobre quais os tipos de intervenções a serem realizadas, no entanto elas abrangem desde o contexto educacional e até mesmo o clínico. Mousinho e Navas (2016, p. 39) observam que
O texto que inicia o critério A traz uma das maiores novidades dessa edição do DSM para os transtornos específicos de aprendizagem, que é a inclusão da proposta de resposta à intervenção (response to intervention – RTI). Trata-se de um modelo em que o diagnóstico não é dado a priori; inicialmente, pode ser estabelecida uma hipótese diagnóstica, que deve ser confirmada após um período de intervenção eficaz e cientificamente embasada.
Quando a criança não está aprendendo devemos sim, investir em todos recursos necessários para entender o que está dificultando a sua aprendizagem, contudo, como professores não podemos nos eximir do nosso dever de ensinar e também proporcionar qualidade neste ensino para que a mesma venha obter resultados satisfatórios. Cada indivíduo tem seu próprio ritmo de aprendizagem, sendo que muitas vezes isto é desconsiderado, avaliando todos utilizando-se de mesmo critérios. Por exemplo: digamos que uma criança provenha de um lar onde não há estímulo para a leitura, onde talvez a linguagem entre os moradores deste local seja pobre de conteúdo e não exista hábitos de estudo. Certamente, esta criança vai apresentar um ritmo de aprendizagem diferente das crianças que tenham qualidade de estímulos, talvez a escrita dela apresente frases curtas e com muitos erros ortográficos, mas isto não quer dizer que ela tenha um transtorno de aprendizagem, mas sim que ela necessita de maior intervenção pedagógica. E o interessante aqui é verificar o quanto esta criança, ao longo do tempo, melhorou seu desempenho acadêmico usando como parâmetro ela mesma.
Salles et al (2013) em seu artigo “Normas de desempenho em tarefa de leitura de palavras/pseudopalavras isoladas (LPI) para crianças de 1º ano a 7º ano” comprovam que o desempenho das crianças em leitura melhora no decorrer dos anos escolares, através de boas intervenções. E também outro dado significativo deste artigo é que crianças de escolas públicas no primeiro ano de educação formal apresentam índices mais baixos de leitura comparadas às de escola privada, no entanto quando chegam ao final do terceiro ano, o desempenho delas se igualam, o que nos leva a perceber o quanto a educação promove a neuroplasticidade das crianças, ou seja, é o “meio modificando o meio”.
Jaime Luiz Zorzi, em seu livro “Aprendizagem e distúrbios da linguagem escrita: Questões clínicas e educacionais” utiliza uma expressão que há muito tempo me inquieta e tem sido fruto de longas reflexões e debates com outros colegas da área. O autor menciona sobre os “Pseudo Distúrbios de Aprendizagem”, ou seja, quando todas as deficiências do ensino aprendizagem são depositadas no aprendente. Como o livro foi publicado em 2003, e o DSM-V em 2013, poderíamos dizer que Zorzi faz menção aos “Pseudo- transtornos específicos de aprendizagem”
Pseudo transtornos de aprendizagem ocorrem quando deixamos de proporcionar nosso melhor na educação, quando pensamos que cada criança tem seu tempo de aprender e nos “poupamos” de prover recursos que promovam a aprendizagem desta criança.
Esta situação nos faz perceber o quanto se faz necessário qualificar ainda mais os profissionais que trabalham nos anos iniciais, que são os voltados ao período de alfabetização e isto não se redireciona somente a leitura e escrita, mas sim a todos os comprometimentos que envolvem este contexto.
 A educação escolar poderia ser comparada como a construção de um edifício onde a educação infantil deveria se preocupar com todo a estrutura que fica abaixo da terra, que dará o suporte para as etapas posteriores do prédio, mas logo em seguida, se as primeiras paredes não forem bem assentadas, que é justamente o papel dos anos iniciais, este prédio pode não resistir aos primeiros vendavais, trepidações e assim por diante. Os andares posteriores do prédio correspondem ao ensino fundamental, ensino médio, graduação, pós-graduação ou seja, cada andar necessita ser bem-acabado para dar suporte ao próximo. Mas também temos que ter o entendimento que se ocorreram lacunas de anos anteriores, não adianta procurar quem falhou, mas sim, quais são as falhas e de que modo elas podem ser remediadas, pois educação é acima de tudo investimento no ser humano.
Devemos lembrar que existem sim, transtornos de aprendizagem, mas jamais devemos confundi-los com os pseudo transtornos, como forma de justificar algo que deixamos de fazer.

Referências Bibliográficas:

MOUSINHO, Renata, NAVAS, Ana. Mudanças apontadas no DSM-5 em relação aos Transtornos Específicos de Aprendizagem em leitura e escrita. Disponível online em: http://www.abp.org.br/rdp16/03/RDP_3_201604.pdf

SALLES, Jerusa. Et al. Normas de desempenho em tarefa de leitura de palavras/pseudopalavras isoladas (LPI) para crianças de 1º ano a 7º ano. Disponível online em: http://www.revispsi.uerj.br/v13n2/artigos/pdf/v13n2a02.pdf

ZORZI, Jaime. Aprendizagem e distúrbios da linguagem escrita: Questões clínicas e educacionais. Porto Alegre, Artmed, 2003.

Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L.  “Pseudo”- transtornos específicos de aprendizagem. Novo Hamburgo, 23 fevereiro/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/02/pseudo-transtornos-especificos-de.html







[1] Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem.  Professora de Pós-Graduação pelo CENSUPEG / Membro do Conselho Técnico Profissional da SBNPp  - whatsApp - 51 99248-4325