quarta-feira, 25 de abril de 2012

Diversidade cognitiva...cada indivíduo é único

Ana Lúcia Hennemann- Abril/2012


Nas últimas décadas grandes são os investimentos em estudos que contribuem para a compreensão do processo de aprendizagem. Cientistas e educadores estão na construção de um possível diálogo, procurando pontes sólidas de interação que permitam buscar espaços de discussão contribuindo assim para a compreensão dos processos de aprendizagem. Dentro desta linha, vem a abordagem da neurociência intensificando  informações importantes a respeito das bases biológicas da cognição. Segundo Nicolelis (2011) em entrevista para o Jornal Diário Regional, “o neurocientista estuda como o cérebro aprende, esse diálogo com os educadores é fundamental, porque os educadores estão tentando ensinar cérebros.” 
Entender o funcionamento do cérebro  está longe de ser a visão generalista de que existem dois hemisférios e que cada um tem funções diferentes, pois se fosse assim, Louzada (2011, p.48) menciona que “os alunos poderiam ser divididos em grupos, de acordo com o hemisfério cerebral que mais utilizam”. Falar sobre o cérebro é perceber que  cada um pensa diferente, age diferente, percebe diferente. Existe uma diversidade cognitiva, ou seja, modos, velocidade,  ritmos diferentes de aprendizagem.
Na abordagem da Psicologia Cognitiva, pesquisadores, tais como Howard Gardner proporcionam informações importantes para que o desenvolvimento mental da criança seja melhor estimulado. Através de seus estudos, demonstra que não existe somente um tipo de inteligência, mas sim, múltiplas inteligências. Paula (2009, p.144) explicitando as idéias de Gardner, enfatiza que

...os professores precisam buscar meios para desenvolver várias inteligências nos alunos. Entretanto, no planejamento devem ser previstos meios para ajudar os alunos a atingirem uma competência, uma habilidade ou um papel desejado. Para ele, alunos talentosos devem ser orientados para aperfeiçoar seus talentos. Para alunos que apresentam dificuldades na escola, ou mesmo patologias que lhes atrapalham o aprendizado, devem ser desenvolvidos mecanismos e adaptações que auxiliem a adquirir habilidades. Nesse processo, é preciso identificar as propensões biológicas e psicológicas dos seres humanos, os seus universos culturais, e trabalhar essa diversidade.

Somente ter o conhecimento da diversidade cognitiva existente no ambiente escolar por si só não basta, se faz necessário intensificar a diversidade na prática educativa, pois a sala de aula nunca é homogênea, mas sim carregada de diferenças, de  adaptações ao currículo, de envolvimento de todos que fazem parte do processo educativo. Minetto (2009, p.67) nos faz a seguinte colocação,

Muitas vezes, de forma equivocada, achamos que só há um tipo de aprendizado, esquecendo-nos das diversidades, das necessidades individuais. Seria importante o professor e os demais profissionais da escola perguntarem: o que esse aluno precisa nesse momento? É ser alfabetizado em um ano? É fazer grandes cálculos? Ou seria aumentar sua autoestima? Ou seria ganhar autonomia?

 Também nesse sentido, Louzada (2011, p. 48) no intuito de intensificar o trabalho com a diversidade cognitiva, ressalta que “Ao planejar uma estratégia pedagógica o educador deve levar em consideração aspectos relacionados à aprendizagem, à linguagem, às emoções, à atenção e assim por diante”.
Entendendo que os educadores, não educam para o ontem, mas sim no hoje, porém, com vistas para o amanhã, se faz necessário, acompanhar os avanços da neurociência e trabalhar em conjunto, buscando melhores métodos para otimizar a diversidade cognitiva, bem como, melhores métodos de intervenções precoces, procurando de forma prazerosa transformar informações em conhecimento. Louzada (2011, p. 49) nos alerta para as modificações do cérebro, uma vez que "Nosso cérebro, portanto, é plástico, modifica-se ao longo de toda a vida. Por esse motivo, nenhum cérebro é idêntico ao outro, assim como amanhã ele não será igual ao que era ontem”.



REFERÊNCIAS:


LOUZADA, Fernando. Neurociência e educação: um diálogo possível? Revista Mentecérebro. Nº 222 Julho. São Paulo: Ediouro Duetto Editorial Ltda, 2011.
MINETTO, Maria de Fátima Joaquim ET ALL. Diversidade na aprendizagem de pessoas portadoras de necessidades especiais. Curitiba: IESDE Brasil S. A., 2010. 284 p.
OLIVEIRA, Fernando de. Um novo mundo através da neurociência.Santa Cruz do Sul: Diário Regional, 2011. Disponível online em: <
PAULA, Ercília Maria de.; MENDONÇA, Fernando Wolff. Psicologia do Desenvolvimento. 2 ed. Curitiba: IESDE Brasil S.A. , 2009.164 p.


Um comentário:

  1. Um olhar atento até pode identificar aspectos de relevância cognitiva no sujeito, como bem foi citado no texto, mas potencializar isso é o "nó" da questão. Pressupõe um fazer criativo para lidar com formas variadas de inteligências.
    Ah, gostaria que trouxesse virtualmente (rss) considerações sobre a PLATICIDADE NEURAL OU PLASTICIDADE NEURONAL.
    Até mais.

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