quinta-feira, 5 de abril de 2012

A IMPORTÂNCIA DA NEUROCIÊNCIA NA EDUCAÇÃO

Vera Lucia de Siqueira Mietto


           Os avanços e descobertas na área da neurociência ligada ao processo de   aprendizagem é sem dúvida uma revolução para o meio educacional. A  Neurociência da aprendizagem, em termos gerais, é o estudo de como o cérebro  aprende. É o entendimento de como as redes neurais  são estabelecidas no  momento da aprendizagem, bem como de que maneira os estímulos chegam ao  cérebro, da forma como as memórias se consolidam e de como temos acesso a  essas informações armazenadas.  
         Quando falamos em educação e aprendizagem, estamos  falando em  processos neurais, redes que se estabelecem, neurônios que se ligam e fazem  novas sinapses. E o que entendemos por aprendizagem? Aprendizagem, nada mais  é do que esse maravilhoso e complexo processo pelo  qual o cérebro reage aos  estímulos do ambiente, ativa essas sinapses (ligações entre os neurônios por onde  passam os estímulos), tornado-as mais “intensas”. A cada estímulo novo, a cada repetição de um comportamento que queremos que seja consolidado temos circuitos  que processam as informações que deverão ser então consolidadas. 
             A neurociência nos vem descortinar o que antes desconhecíamos sobre o  momento da aprendizagem. O cérebro, esse órgão fantástico e misterioso, é  matricial nesse processo do aprender. Suas regiões, lobos, sulcos, reentrâncias tem  sua função e real importância num trabalho em conjunto, onde cada um precisa e  interage com o outro. Mas qual o papel e função de cada região cerebral? Aonde o  aprender tem realmente a sua sede e necessita ser estimulada adequadamente?   Conhecer o papel do hipocampo na consolidação de nossas memórias, a  importância do sistema límbico, responsável pelas nossas emoções, desvendar os  mistérios que envolvem a região frontal, sede da cognição, linguagem e escrita,  poder entender os mecanismos atencionais e comportamentais de nossas crianças  com TDAH, as funções executivas e o sistema de comando inibitório do lobo pré-frontal é hoje fundamental na educação, assim como, compreender as vias e rotas  que norteiam a leitura e escrita (regidas inicialmente pela região visual mais  específica (parietal), que reconhece as formas visuais das letras e depois acessando  outras áreas para que a codificação e decodificação dos sons sejam efetivas. Como  não penetrar nos mistérios da região temporal relacionado a percepção e  identificações dos sons onde os reconhece por completo? (área temporal verbal que  produz os sons para que possamos fonar as letras).  Não esquecendo a região  occipital que tem como uma de suas funções coordenar e reconhecer os objetos assim como o reconhecimento da palavra escrita. Assim, cada órgão se conecta e  se interliga nesse trabalho onde cada estrutura com seus neurônios específicos e  especializados desempenham um papel importantíssimo nesse aprender. 
          Podemos compreender desta forma que o uso de estratégias adequadas em  um processo de ensino dinâmico e prazeroso provocará, consequentemente,  alterações na quantidade e qualidade destas conexões sinápticas, afetando assim o  funcionamento cerebral de forma positiva e permanente com resultados  extremamente satisfatórios. 
          Estudos na área neurocientífica, centrados no manejo do aluno em sala de  aula, vem nos esclarecer que a aprendizagem ocorre quando dois ou mais sistemas  funcionam de forma inter relacionada. Assim, podemos entender, por exemplo, como  é valioso aliar a música e os jogos em atividades escolares, pois há a possibilidade  de se trabalhar simultaneamente mais de um sistema: o auditivo, o visual e até  mesmo o sistema tátil (a música possibilitando dramatizações).  
           Os games (adorados pelas crianças e adolescentes), ainda em discussão no  âmbito acadêmico, são fantásticos na sua forma de manter nossos alunos plugados  e podem ser mais uma ferramenta facilitadora, pois possibilita estimular o raciocínio  lógico, a atenção, a concentração, os conceitos matemáticos e através de  cruzadinhas e caça-palavras interativos, desenvolver a ortografia de forma  desafiadora e prazerosa para os alunos. Vários sites na internet nos disponibilizam  esses jogos. 
           Desta forma, o grande desafio dos educadores é viabilizar uma aula que  'facilite' esse disparo neural, as sinapses e o funcionamento desses sistemas, sem  que necessariamente o professor tenha que saber se a melhor forma de seu aluno  lidar com os objetos externos é: auditiva, visual ou tátil. Quando ciente da  modalidade de aprendizagem do seu aluno, (e isso não está longe de termos na  formação de nossos educadores) o professor saberá quais estratégias mais  adequadas utilizar e certamente fará uso desse grande e inigualável meio facilitador  no processo ensino – aprendizagem. 
        Outra grande descoberta das neurociências é que através de atividades  prazerosas e desafiadoras o “disparo” entre as células neurais acontece mais  facilmente: as sinapses se fortalecem e redes neurais se estabelecem com mais  facilidade.  
           Mas como desencadear isso em sala de aula? Como o professor pode ajudar  nesse “fortalecimento neural”? Todo ensino desafiador ministrado de forma lúdica  tem esse efeito: aulas dinâmicas, divertidas, ricas em conteúdo visual e concreto,  onde o aluno não é um mero observador, passivo e distante, mas sim, participante, questionador e ativo nessa construção do seu próprio saber.  
            O conteúdo antes desestimulante e repetitivo para o aluno e professor ganha  uma nova roupagem: agora propicia novas descobertas, novos saberes, é dinâmico  e flexível, plugado em uma era informatizada aonde  a cada momento novas  informações chegam ao mundo desse aluno. Professor  e aluno interagem  ativamente, criam, viabilizam possibilidades e meios de fazer esse saber,  construindo juntos a aprendizagem. 
        Uma aula enriquecida com esses pré-requisitos é mágica, envolvente e  dinâmica. É saber fazer uso de uma estratégia assertiva onde conhecimentos  neurocientíficos e educação caminham lado a lado. Mas como isso é possível? O  que fazer em sala de aula? A seguir veremos algumas sugestões que podem ser  adotadas: 

1- Estabeleça regras para que haja um convívio harmonioso de todos em sala de  aula, fazendo com que os alunos sejam responsáveis pela organização, limpeza  e utilização dos materiais. Opinando e criando as regras e normas adotadas,  eles se sentirão responsáveis pela sala de aula.

2- Faça uso de materiais diversificados que explorem todos os sentidos. Visual:  mural, cartazes coloridos, filmes, livros, filmes educativos; Tátil: material  concreto e objetos de sucata planejados. Há uma riqueza de sites na internet  que nos disponibilizam atividades muito ricas e prazerosas. A criatividade aflora  e a aula se torna muito divertida; Auditivo: música e bandinhas feitas com  material de sucata, sempre com o conteúdo inserida  nelas. A criação de  músicas sobre conteúdos é uma forma divertida de aprender. Talentos  apareceram em sala de aula. E quem não gosta de cantar? A aula fica muito rica  e prazerosa!  

3- Reserve um lugar com almofadas e tapete, para momentos de descanso e  reflexão. O “cantinho da leitura” é fundamental na sala de aula na ausência de  uma biblioteca. Relaxar após o trabalho prazeroso significa dar tempo para o  cérebro escanear todo o conteúdo que vai ser assimilado, ativar o hipocampo  (região responsável pelas memórias) e consolidar o que se aprendeu. 

4- Estabeleça rotinas onde possam realizar trabalhos individuais, em dupla e em grupo. Rotinas estabelecidas reforçam comportamentos assertivos e organização. Crianças  com TDAH, que apresentam mal  funcionamento das funções executivas se beneficiam com rotinas e regras pré estabelecidas). O trabalho em equipe  é extremamente prazeroso, ativa  as regiões límbicas (responsáveis pelas emoções) e como sabemos que o aprender está ligado à emoção, a consolidação do conteúdo se faz de maneira mais efetiva. (hipocampo) 

5- Trabalhar o mesmo conteúdo de várias formas possibilita aos alunos oportunidades de vivenciarem a aprendizagem de acordo com suas possibilidades neurais. Dê aos mais rápidos, atividades que reforcem ainda mais esse conteúdo, que os mantenham atentos e concentrados, para que aqueles que necessitem de maior tempo para realizar as atividades não sejam prejudicados com conversas e agitação dos mais rápidos. 


6- A flexibilidde em sala de aula permite uma aprendizagem mais dinâmica e melhor percebida por todos os alunos. O professor que ministra bem os conflitos em sala de aula, que tem "jogo de cintura" e apresenta o conteúdo com prazer, mantém seus alunos "plugados" na aula. 
     Desta forma, sabedores deste mecanismo neural que impulsiona a aprendizagem, das estratégias facilitadoras que estimulam as sinapses e consolidam o conhecimento, desta magia onde cada estruturacerebral se interliga para que todos os canais sejam ativados. Assim, como numa orquestra afinadíssima, onde a melodia sai perfeita, estar de posse desses importantes conhecimentos e descobertas será como reger esta orquestra, onde o maestro saberá o quão precisamente estão ainados seus intrumentos e como poderá tirar deles melodias harmoniosas e suaves! 
       A neurociência se constitui assim em atual e uma grande aliada do professor para poder identificar o indivíduo como ser único, pensante, atuante, que aprende de uma maneira toda sua, única e especial. Desvendando os mistérios que envolvem o cérebro na hora da aprendizagem, a neurociência disponibiliza ao educador moderno (neuroeducador), impressionantes e sólidos conhecimentos sobre como se processam a linguagem, a memória, o esquecimento, o desenvolvimento infantil, as nuances do desenvolvimento cerebral desta infância e os processos que estão envolvidos na aprendizagem a ele proporcionada. Tomarmos posse desses novos e fascinantes conhecimentos é imprenscindível e de fundamental importância para uma pedagogia moderna, ativa, contemporânea, que se mostre atuante e voltada às exigências do aprendizado em nosso mundo globalizado, veloz, complexo e cada vez mais exigente.
            Conceitos como neurônios, sinapses, sistemas atencionais (que viabilizam o  gerenciamento da aprendizagem), mecanismos mnemônicos (fundamentais para o entendimento da consolidação das memórias), neurônios espelho, que possibilitam a espécie humana progressos na comunicação, compreensão e no aprendizado e plasticidade cerebral, ou seja, o conhecimento de que o cérebro continua a desenvolver-se, a aprender e a mudar não mais estarão sendo discutidos apenas por neurocientistas, como até então imaginávamos.  Estarão agora, na verdade, em sala de aula, no dia a dia do educador, pois uma nova visão de aprendizagem está a se delinear. O fracasso e insucesso escolar têm hoje um novo olhar, já que uma nova e fascinante gama de informações e conhecimentos está á disposição do educador moderno. 
           Graças a neurociência da aprendizagem, os transtornos comportamentais e da aprendizagem passaram a ser mais facilmente compreendidos pelos educadores uma vez que proporciona mais subsídios para a elaboração de estratégias mais adequadas a cada caso. Um professor qualificado e capacitado, um método de ensino adequado e uma família facilitadora dessa aprendizagem são fatores fundamentais para que todo esse conhecimento que a  neurociências nos viabiliza seja efetivo, interagindo com as características do cérebro de nosso aluno. Esta nova base de conhecimentos habilita o educador a ampliar ainda mais as suas atividades educacionais, abrindo uma nova estrada no campo do aprendizado e da transmissão do saber.

Retirado  do site: 

3 comentários:

  1. Muito bonito... mas vá pôr em prática nas nossas escolas públicas e depois me conta se funcionou.

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  2. Com essa mentalidade, este assunto ou qualquer outra situação em sua vida que tente aplicar, provavelmente não conseguirá por em prática.

    "Quem quer de verdade dá um jeito!... Quem não quer.. dá desculpas!"

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  3. Também acho ,existem professores que não gosta do novo ,reclamam de tudo acham tudo muito difícil estratégias nós professores temos que procurar fazer por mais que existem alguns alunos que não queira nada mas há outros que tem sede para aprender e vamos lutar por esses

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