terça-feira, 11 de setembro de 2012

Por que é tão difícil sair do Facebook?


Imagem: www.mediaspin.com

Há menos de uma década atrás o Facebook nem existia... As maiores preocupações de pais, pedagogos, psicólogos, enfim todos que interagem com crianças e adolescentes giravam em torno da Internet e jogos de computadores, pois esses sim representavam um “risco viciante” para essa geração.  Nesta recente época nem se cogitava compartilhar detalhes íntimos de nossas vidas em frações de minutos.
Hoje isso tudo mudou. São milhões de pessoas que possuem páginas no Facebook. São pessoas dos mais diferentes perfis, idades, condições econômicas, grau de escolaridade, sem enumerar as diversas profissões. E o interessante é que para se utilizarem dos recursos disponíveis pelo Facebook, todos devem passar pelo caminho da experimentação, observação e enfim aprendizagem ou seria processo de “alfabetização facebookiana”?!
 Aprender a curtir, compartilhar, enviar mensagens, o que para alguns parece algo fácil e corriqueiro, para outros requer certo tempo de aprendizagem.  Mas, como tudo é alvo de pesquisas, na Universidade de Chicago “Booth School of Business”, um recente estudo concluiu que “twittar” ou verificar e-mails podem ser muito mais difícil de resistir do que deixar o vício de cigarros ou álcool, e alguns dos entrevistados revelaram que sente mais vontade de estar nas mídias sociais do que dormir ou manter relações sexuais.


E o Facebook?

Bem, o Facebook apresenta um lado bom, positivo, pois segundo Deborah Serini[1], ele serve como um caminho para recuperar o atraso, marcos importantes de amigos... familiares, verificar as fofocas ou experiências dos outros. É como se fosse um jogo de controle social, ou seja, uma forma de nos ligar com os outros.
 Para Elika Kormeill[2], a razão pela qual o Facebook se mostra tão viciante é devido à gratificação instantânea que ele oferece: existe um sentimento de satisfação cada vez que alguém “curte” ou comenta sua atualização de status, aumentando assim nossa autoestima e alimentando dessa forma o ciclo do Facebook.

Para Kormeill, “as pessoas são criaturas sociais que anseiam interação humana, e a mídia social nos permite encontrar informações sobre os outros de uma maneira que é socialmente aceitável e, na maior parte desconhecida para outros. Podemos  nos conectar com nossos amigos, familiares, encontrar pessoas com estilos de vida semelhantes aos nossos, o que nos dá a noção de que o mundo não parece ser um lugar tão grande e solitário.”

Enfim, você nunca sabe quando  poderá ter uma nova mensagem, solicitação de amizade ou ver uma atualização de status de alguma outra página. Há sempre um convite para voltar, não se demonstrando muito diferente de uma máquina caça-níquel: Você coloca o dinheiro e nunca sabe quando poderá ganhar, pode ser agora ou quem sabe a partir de determinado momento. O reforço ocasional ou a vitória é o que fornece a esperança para manter você jogando...

As pessoas através do Facebook criam uma identidade online selecionada, pois de certa forma estão sempre mostrando o que há de melhor nelas. Escolhem suas melhores fotos, pensamentos com mensagens positivas, criando  nos outros uma “imagem” ou “memória” de alguém completamente seletivo.

Alguns terapeutas comentam casos de pacientes que passam horas e horas tentando criar frases para postar em seu status, como forma de impressionar seus “amigos” do Facebook.



Mas qual a relação Cérebro X Facebook?



Logo que se faz o logon no Facebook, o sistema de recompensa do cérebro é ativado, subindo os níveis de neurotransmissores dopaminérgicos, os quais nos trazem sensação de  bem estar. O problema é que para alguns isso dura pouco tempo, então para ocorrer nova sensação de prazer, eles necessitam de mais experiências sociais, verificando com frequência, quantos curtiram, compartilharam ou comentaram suas postagens.

Um estudo recente por neurocientistas da Harvard descobriu que falar de nós mesmos nos traz uma espécie de prazer semelhante ao que sentimos ao comer, fazer sexo ou receber dinheiro.  Quanto mais envolvimento a pessoa tem no Facebook, mais feedback e atenção vai ter,  o que reforça a necessidade de continuamente gastar tempo em  melhorar a sua imagem no Facebook.  

Em crianças, isso pode levar a resultados problemáticos, pois o cérebro não está completamente desenvolvido, então quando elas logon em uma rede social esperando elogios, comentários positivos, pode mexer com suas mentes.

Nota: numa recente pesquisa, cerca de quatro em cada cinco estudantes experimentaram sofrimento mental, pânico, confusão e isolamento extremo quando forçados a desligar da tecnologia por um dia inteiro. 
Obs.: O texto acima encontra-se com boa parte traduzida da postagem "Why is Facebook so hard to quit?" onde as demais fontes me serviram de fundamentação para  leitura e entendimento de algumas das questões abordadas pelos pesquisadores acima. Na postagem "Science Why We Brag So Much" existe a possibilidade de ver através de gravura de neuroimagem as áreas ativadas quando as pessoas falam de si mesmas, seja em uma conversa pessoal ou em sites de mídia social tais como o Facebook e o Twitter. Para fazer um teste de quanto está seu comprometimento com as redes sociais, baste acessar a postagem "Seu cérebro pode estar viciado no Facebook" e a relação sexo X mídias sociais, pode ser lida com maior fundamentação na postagem "Postar no Facebook, para o cérebro, é igual fazer sexo". 


Fontes de pesquisa:

HOTZ, Robert. Science Reveals Why We Brag So Much. Disponível on line em: http://online.wsj.com/article/SB10001424052702304451104577390392329291890.html?mod=rss_Health
MURDOCH, Cassie. Seu cérebro pode estar viciado no Facebook. Disponível online em http://jezebel.uol.com.br/seu-cerebro-pode-estar-viciado-no-facebook/
RELPH, Mridu. WHY IS FACEBOOK SO HARD TO QUIT? Disponível online em: http://brainworldmagazine.com/why-is-facebook-so-hard-to-quit



[1] Conferencista, professora, terapeuta e autor do livro “Vivendo com Depressão”;
[2] terapeuta clínica em Los Angeles

5 comentários:

  1. Voce deveria ter ressaltado que seu texto é praticamente uma tradução do terceiro link das fontes.

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  2. OK, Sem problemas, irei reformular a postagem e agregar essa informação...abçs

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  3. a vertente do consideravel prazer em participar de todas as interações socias do facebook entra em conflito com o estigma de não conseguir atende-las, ou seja, se a sensação de mundo solidário acabou, veio agora a sensação de mundo lotado, cheio, onde não é possivel estar sozinho. o Facebook cria um compromisso com o social, e as vezes, esse compromisso se torna irremediavel e obrigatório para se atender a tantas relações e interações. E de tudo, talvez isso nâo seja o pior, (é claro que em minha opnião, que derrepente nao signifique nada srsr) o pior é quando neste mundo cheio, você ainda se sente sozinho, ou vazio. Entre vantagens e desvantagens somos bem vindos ao mundo moderno.

    enoque.letra@yahoo.com.br

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    1. Acho que na primeira frase você resumiu tudo, pois quem não quer se sentir incluído? O grande problema que este estudo alertou é a questão do vício, da própria formação da autoestima da criança,que cada vez mais cedo tem entrado nestas mídias,pois faz parte da realidade delas. E como tudo no mundo digital é muito rápido, nos envolvemos com muita facilidade e nem sempre temos a dimensão de que tudo que está inserido neste contexto. Abçs

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    2. "sensação de mundo *solitário* acabou" (correção)

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