sábado, 17 de novembro de 2012

Plasticidade Cerebral de crianças nascidas prematuras

Adolescentes nascidos prematuramente podem ter dificuldades cognitivas e de aprendizagem devido a alterações sutis na neuroquímica cerebral, microestrutura e / ou conectividade neural. Adolescentes nascidos antes ou na  37ª semana também têm baixos níveis de cortisol, um hormônio que desempenha um papel crucial na consolidação de novos conhecimentos.


   Uma nova pesquisa da Universidade de Adelaide tem demonstrado que os adolescentes nascidos prematuramente podem sofrer problemas de desenvolvimento cerebral que afetam diretamente a sua memória e capacidade de aprendizagem. Esta pesquisa, conduzida por doutores  da Universidade de Adelaide Robinson Institute, mostra reduzida "plasticidade" nos cérebros de adolescentes que nasceram prematuros (antes ou às 37ª semanas de gestação). Os resultados da pesquisa foram publicados hoje no Journal of Neuroscience .
     "Plasticidade do cérebro é fundamental para o aprendizado e a memória por toda a vida", diz a Drª. Jarro. "Ele permite que o cérebro  reorganize-se, respondendo às mudanças de comportamento, meio ambiente e estímulos, modificando o número e a força das conexões entre os neurônios e áreas diferentes do cérebro. Plasticidade é também importante para a recuperação de danos cerebrais".
    "Nós sabemos de pesquisas anteriores que crianças nascidas pré-maturas, muitas vezes, apresentam dificuldades no desenvolvimento motor, cognitivo e  na aprendizagem. O crescimento do cérebro é rápido entre as 20ª e 37ª semanas de gestação, e nascer prematuro pode alterar significativamente a microestrutura do cérebro, conectividade neural e neuroquímica".
     "No entanto, os mecanismos que ligam esta fisiologia cerebral alterada com resultados comportamentais - como problemas de memória e de aprendizagem - têm permanecido desconhecido", diz a Drª. Jarro.
     Os pesquisadores compararam os adolescentes nascidos prematuros com os nascidos em tempo normal. Usaram uma técnica não-invasiva de estimulação magnética do cérebro, induzindo respostas do cérebro para se obter uma medida da sua plasticidade. Os níveis de cortisol, normalmente produzidas em resposta ao stress, também foram medidos para melhor compreender as diferenças químicas e hormonais entre os grupos.
     "Os adolescentes nascidos prematuros mostraram claramente neuroplasticidade reduzida em resposta à estimulação do cérebro," diz a Drª. Jarro. "Adolescentes prematuros também tinham níveis baixos de cortisol na saliva, o que foi altamente preditivo desta resposta cerebral reduzida. Muitas vezes as pessoas associam o aumento do cortisol ao estresse,  mas flutua acima e abaixo normalmente, ao longo de cada período de 24 horas e isso desempenha um papel crítico na aprendizagem, na consolidação de novos conhecimentos na memória e na posterior recuperação dessas memórias. Isso pode ser importante para o desenvolvimento de uma possível terapia para superar o problema neuroplasticidade”, diz ela.
     Portanto, as alterações cognitivas de bebês nascidos prematuros, em geral surgem mais tardiamente, afetam especialmente funções cognitivas, como a memória e/ou linguagem, envolvendo principalmente a função de processamento simultâneo e o processamento de informações complexas que requerem raciocínio lógico e orientação espacial e que podem estar associadas a perturbações de déficit de atenção.
     O presente estudo vem ressaltar o que Zomignani et al (2009, p. 203) já haviam publicado sobre o desenvolvimento cerebral de recém- nascidos prematuros,
... a prematuridade pode levar a alterações anatômicas e estruturais do cérebro devido à interrupção das etapas de desenvolvimento pré-natal, a qual prejudica a maturação desse órgão no período pós-natal. Tais alterações podem causar déficits funcionais e as crianças nascidas prematuramente estão mais sujeitas a problemas cognitivos e motores, assim como às suas repercussões nas atividades de vida diária e nas atividades escolares, mesmo na adolescência e idade adulta.


Fonte:
ZOMIGNANI, Andrea. ZAMBELLI, Helder. ANTONIO, Maria. Desenvolvimento cerebral em recém-nascidos prematuros. Revista Paul Pediatrica. 2009. Disponível on line em > http://www.scielo.br/pdf/rpp/v27n2/13.pdf

Um comentário:

  1. Tem como diagnosticar Neuroplasticidade Cerebral na fase adulta? Ou um exame específico que mostra a deficiência do Cortisol no organismo?

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