sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Cafeína e sua atuação no cérebro

   
 A cafeína funciona alterando a química do cérebro. Ela bloqueia a ação natural de um componente químico do cérebro associado ao sono. É assim que funciona.

    A cafeína é um composto químico, conhecido cientificamente por trimetilxantina de fórmula C8H10N4O2, é o principal componente do nosso famoso café. Segundo estudos, essa bebida estimula o sistema nervoso e causa efeitos como: aumento da concentração, atenção e memória.
     Os efeitos da cafeína no organismo variam de pessoa para pessoa. Alguns fatores influem no resultado como a idade, o peso e a capacidade do fígado de digerir esta substância. Em média, uma xícara de café já é suficiente para deixar um adulto alerta de 3 a 6 horas.
    A cafeína bloqueia a adenosina (essa substância age como um sonífero natural)  e aumenta a excitação dos neurônios no cérebro. A hipófise percebe toda essa atividade e pensa que algum tipo de emergência deve estar ocorrendo, então libera hormônios que ordenam que as glândulas supra-renais produzam adrenalina (epinefrina). A adrenalina é, sem dúvida, o hormônio do alerta "lutar ou correr" e tem vários efeitos em seu corpo:

v suas pupilas dilatam;

v seus tubos respiratórios se abrem (é por isso que algumas pessoas que sofrem ataques graves de asma tomam injeção de epinefrina);
v seu coração bate mais rápido;
v os vasos sanguíneos na superfície se contraem para diminuir o fluxo de sangue de cortes e aumentar o fluxo para os músculos; a pressão sanguínea aumenta;
v o fluxo sanguíneo para o estômago diminui;
v o fígado libera açúcar na corrente sanguínea para obter energia extra;
v os músculos se enrijecem para se movimentarem.
    Isto explica o motivo de, depois de tomar uma xícara grande de café, suas mãos esfriarem, seus músculos se enrijecerem, você fica agitado e pode sentir as batidas de seu coração aumentarem.
    A cafeína também aumenta os níveis de dopamina, da mesma forma que as anfetaminas (a heroína e a cocaína também manipulam os níveis de dopamina ao diminuir a taxa de reabsorção dessa substância). A dopamina é um neurotransmissor que ativa o centro de prazer em certas partes do cérebro. É óbvio que o efeito da cafeína é muito menor que o da heroína, mas o mecanismo é o mesmo. Suspeita-se que o efeito da dopamina contribui para a dependência à cafeína.

    É compreensível por que o corpo aprecia a cafeína, especialmente se você não deve dormir e precisar ficar em atividade:

v a cafeína bloqueia a recepção da adenosina e então você se sente alerta;
v ela provoca injeção de adrenalina no sistema para te dar força;
v e também manipula a produção de dopamina para que você se sinta bem.
    O problema com a cafeína são os efeitos a longo prazo. Por exemplo, quando a adrenalina se acabar, você sentirá fadiga e depressão. Então o que você vai fazer? Vai tomar mais cafeína para que a adrenalina volte. Como você pode imaginar, manter seu corpo em um estado de emergência o dia todo não é muito saudável, e pode fazer com que você fique nervoso e irritado.

    O maior problema a longo prazo é o efeito que a cafeína tem no sono. A recepção de adenosina é importante para o sono, especialmente para o sono profundo. A meia-vida da cafeína em seu corpo é cerca de seis horas. Isso quer dizer que se você consome uma xícara grande de café com 200 mg de cafeína às 3 da tarde, então às 9 da noite ainda há cerca de 100 mg de cafeína em seu organismo. Você pode conseguir dormir, mas seu corpo vai provavelmente sentir falta dos benefícios do sono profundo. Este déficit se acumula rapidamente. No dia seguinte você se sente pior, então precisa de cafeína assim que sai da cama. O ciclo continua a cada dia.

    É por isso que 90% dos americanos consomem cafeína todos os dias. Uma vez que você entra nesse ciclo, tem que continuar a tomar a droga. E pior ainda, se você tentar parar de usar cafeína, fica cansado, deprimido e com uma dor de cabeça horrível, pois os vasos sanguíneos do cérebro se dilatam. Estes efeitos negativos o forçam a voltar para a cafeína mesmo que você queira parar. 
   Além do café, a cafeína também é encontrada em outras bebidas, em proporções menores, tais como naquelas bebidas contendo cacau, cola, chocolate, além do chá e de alguns remédios do tipo analgésico ou contra gripes. Devido à diversidade de produtos que contém cafeína, presente em mais de 60 espécies de plantas do mundo, ela é, seguramente, a droga psicoativa mais popular no mundo (Glass,1994; Palfai e Jankiewiez, 1991).
     Dizem que um dos motivos de tantos refrigerantes conterem cafeína é para que você fique dependente. Da mesma forma que a dependência de nicotina torna o cigarro um ótimo produto para as empresas tabagista, a cafeína dos refrigerantes de cola ajuda nas suas vendas.
      Entretanto, consumindo com moderação ela pode trazer alguns benefícios...

Imagem : Tribunacianorte

Fonte: UOL

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