quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O tempo anda destravado




    E não mais que de repente no último dia do mês do ano: dezembro, com pompa e circunstância. Você dirá: “Este ano passou muito rápido!”. E todos concordamos, ao menos parece, que o relógio anda mais rápido, os dias voam e, quando se vê, a semana e o mês se foram. Sinal dos tempos? O tempo anda destravado, a vida está turbinada, e vivemos o tempo da aceleração. A única certeza que temos que antigamente (nem faz raro tempo assim!) o processo era mais lento, tínhamos tempo para curtir cada tempo, e a gente ficava esperando o próximo acontecimento marcante, como Natal, Páscoa, férias escolares. O aniversário da gente demorava muito a chegar.
     Cada tempo tinha seu tempo. As famílias tinham tempo para visitar os vizinhos e amigos de noite ou no fim de semana. Celebravam-se os aniversários, dedicando um dia inteiro para isto. Era um dia de celebrar a vida. Mas o que será que andou acontecendo com a gente? Os relógios agora estão turbinados a pilha nova e antes era à base da corda? Já imaginou dar corda no seu relógio de pulso hoje!
    O que na verdade aconteceu foi que ocupamos todos os espaços e já não reservamos tempo para nós e o convívio com nossos amados familiares e amigos. Antes havia tempo de fazer e receber visitas; agora as pessoas deixam-se acorrentar a programas televisivos, especialmente novelas, e a visita se torna inoportuna, porque  atrapalha o próximo capítulo, que gera  tensões a partir da noite anterior.
    O tempo passa rápido demais, porque nos ocupamos demais: assumimos cada vez mais compromissos, porque a condição tecnológica permite transferir tarefas do trabalho pra casa, e a gente fica na pressão psicológica de conferir e-mails, publicar artigos e assim por diante. O tempo não passa mais depressa, nós é que colocamos mais coisas a fazer dentro da mesma medida de tempo. Bom ou ruim, o futuro dirá.

*Osvino Toillier- presidente da SINEPE/RS

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