quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Autismo


   O autismo pode ser considerado um distúrbio do desenvolvimento caracterizado por  quadro comportamental que envolve sempre as áreas da interação social, da comunicação e do comportamento em graus variáveis de severidade.
    As crianças com autismo apresentam uma variedade de sintomas, incluindo pouco interesse em outras pessoas, deficiências acentuadas na linguagem e padrões peculiares de movimento, muitas vezes tendo retardo mental.
   Mercadante (2006) disse que: O que se sabe é que os cérebros de autistas são diferentes em três áreas principais: a amígdala, ligada à emoção e ao comportamento social, o giro fusiforme e o sulco temporal superior. As duas últimas costumam ser ativadas quando se olha para a face de alguém ou se escuta uma voz humana. Os autistas, ao verem ou ouvirem alguém, ativam outra área, responsável pela identificação de objetos.

IMAGEM FAPESP

     Schwartzman aponta as seguintes desordens de indivíduos com autismo:
- isolamento social; - pobre contato visual; - distúrbios da comunicação; - falta de empatia; - dificuldades na compreensão de metáforas; - compreensão literal da linguagem; - dificuldades em imitar ações dos outros; - preocupação extrema com detalhes; - aversão a certos sons. O autor coloca que uma vez que eles tendem ao isolamento social e a falta de empatia ocorrendo uma falta de atividade nos neurônios espelho em várias regiões do cérebro. Nesse sentido, ele nos traz como questionamento se a possibilidade de restauração desta atividade poderia aliviar alguns dos sinais e sintomas do quadro do Autismo.


    Em junho de 2011, a Revista Fapesp publicou a reportagem “O cérebro no autismo” , a qual falou das alterações no córtex temporal e os prejuízos na percepção para a interação social. Zorzetto, menciona que:  O primeiro grupo a identificar o funcionamento anormal no cérebro de crianças autistas foi o da médica brasileira Monica Zilbovicius, pesquisadora do Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica (Inserm) da França. Usando um aparelho de tomografia por emissão de pósitrons, que mede o fluxo sanguíneo e, portanto, o nível de atividade de diferentes regiões do sistema nervoso central, Monica analisou o cérebro de 21 garotos com autismo e 10 sem o problema – o autismo é quatro vezes mais comum em meninos do que em meninas. Inicialmente se acreditava que o lobo temporal fosse importante apenas para a percepção dos sons. Estudos mais detalhados mostraram, porém, que tanto o sulco temporal superior como outra área do lobo temporal, o giro fusiforme, estavam envolvidos no processamento de dois tipos de informações relevantes para as interações sociais. Eles captam informações auditivas, sobre a voz do interlocutor, e visuais, como os movimentos dos olhos, os gestos e as expressões faciais, processam-nas e as distribuem para outras áreas cerebrais associadas às emoções e ao raciocínio lógico. Essas descobertas levaram Monica a propor em 2006 que modificações nessas regiões do cérebro durante o desenvolvimento seriam responsáveis pelo sintoma mais frequente do autismo: a dificuldade de interação social.

 Epidemologia:
   A taxa média de prevalência do transtorno autista em estudos epidemiológicos é de 15 casos por 10 mil indivíduos, com relatos de taxas variando de 2 a 20 casos por 10 mil indivíduos.  É encontrado em todo o mundo e em famílias de qualquer configuração racial, étnica e social. No Brasil, ainda não se dispõem de estatísticas oficias. Quanto ao gênero, observa se uma prevalência do autismo no sexo masculino havendo uma estimativa de que ele acomete de três a quatro meninos para cada menina.  Mas as meninas tendem a ser mais seriamente afetadas e a ter comprometimento cognitivo.
     A idade média para a detecção do quadro é em torno dos três anos, embora o diagnóstico já possa ser bem estabelecido em torno dos 18 meses de idade.

Na escola: maximizando o que eles têm de melhor

    Falar sobre métodos e técnicas disso e daquilo é um tanto quanto arriscado, pois a meu ver cada indivíduo é único, e quando o mesmo se encontra dentro do ambiente escolar, se faz mais necessário ainda, ter isso bem esclarecido.
      Mas acredito que quando algo deu certo, pode servir de sugestão para outros...
     Em uma das oportunidades que tive de interação com uma criança  autista, no processo de alfabetização, utilizei-me da estratégia de observar o que ela mais gostava: LIVROS, ela tinha predileção por alguns livros, eram sempre os mesmos... o que demonstrava a necessidade da sequência, da rotina. O que fiz: - cópias ampliadas das páginas do livro e utilizei-me da “repetição”. Muitos condenam os métodos tradicionais, mas tem certas situações em que se fazem necessário...
   Na primeira semana, mostrei a mesma página (ampliada) e lia com ele o texto, até chegar ao ponto em que o mesmo tinha “decorado”. Na segunda semana, recortei o texto em frases, íamos lendo e tentando montar a sequência que se encontrava desordenada. Juntamente com ele, recortamos as frases e tentava encaixar a sequência de uma frase na outra, enfim, remontar uma nova frase.
     Destas, comecei a retirar palavras chaves (acompanhadas de gravuras que as representassem), e foi o mesmo processo de memorização, das palavras, recorte de sílabas, até que  se começou o processo de formação de novas palavras e lógico a tendência inicial era sempre tentar montar a palavra já conhecida, mas utilizando-se de outras atividades: jogo de memória, bingo, colagem de texturas nas sílabas que poderiam indicar novas palavras, o progresso foi rápido.
    O aluno era ótimo, logo foi identificando as sílabas em demais palavras e lendo diversos contextos... O que motivava as demais crianças a interagirem com ele, lhe instigando a ler o que elas lhes mostravam ou tentavam montar para que ele lesse. Lendo o contexto, pode passar a impressão de que isso levou muito tempo... que nada, em um mês ele já estava lendo tudo que via pela frente, claro ALFABETICAMENTE, pois letramento é outra etapa. Mas o prazer de ver aquele amado lendo, não tem preço que pague, e olha que era uma leitura fluente...
    Se o método que usei foi certo, talvez sim, talvez não, tudo depende da concepção de quem analisa os fatos, mas foi desse modo que funcionou, e acho que educação é isso, é observar constantemente, investir no ser humano e procurar formas que o levem para a aprendizagem... Lógico, confiar na sua proposta e investir nela. E novamente reforço, foi apenas o jeito que fiz, o que não quer dizer que isso seja eficaz com todas as crianças que tenham autismo, pois cada indivíduo é único e deve ser visto como tal, o importante é procurar maximizar o que cada um tem de melhor, e a partir daí construir novos objetivos, novas estratégias de aprendizagem, procurando interagir no mundo do autista e com ele aprender.


Fonte:

LAGE, Amarílis. Autistas usam remédios para controlar aspectos da doença. Disponível online em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u4160.shtml

SCHWARTZMAN, José S. Neurônios Espelho e Autismo. Disponível online em http://www.schwartzman.com.br
ZORZETTO, Ricardo. O cérebro no autismo. Disponível online em: http://revistapesquisa.fapesp.br/2011/06/16/o-c%C3%A9rebro-no-autismo/

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