domingo, 13 de janeiro de 2013

Demência



Deficiência cognitiva persistente e progressiva caracterizada pela perda da capacidade de memorizar, de resolver os problemas do dia a dia, que vão interferindo nos relacionamentos e atividades sociais e profissionais de indivíduos. Esse é o quadro característico da demência, sendo que esta não é apenas uma doença, mas sim uma síndrome.  O diagnóstico de demência é eminentemente clínico, necessitando-se, para isso, observação atenciosa, análise da história do paciente e dos familiares, além de uma avaliação abrangente que engloba o exame  físico geral, neurológico e psiquiátrico, avaliação neuropsicológica, laboratorial e, se possível, exames de neuro – imagem.
Conforme Steele (2011)  mais de 27,7 milhões de pessoas no mundo têm demência; - aos 65 anos, aproximadamente 7% dos indivíduos têm demência, sendo que o percentual dobra em 16 % nas idades entre 75 e 85 anos.
 Para que se entenda um pouco mais sobre demência, observe a gravura do cérebro, identificando os lobos cerebrais e após observe na tabela abaixo:


Tabela da funções cerebrais: cérebro normal x cérebro com demência:
STEELE, Cynthia D. Cuidados na Demência em Enfermagem
Causas de demência
STEELE, Cynthia D. Cuidados na Demência em Enfermagem

DEMÊNCIA DE ALZHEIMER
O  Alzheimer é a causa mais comum, apresentando-se como uma doença neurodegenerativa incurável. Sua fisiopatologia característica inclui a presença de placas amiloides e emaranhados neurofibrilares no cérebro. Também há o encolhimento geral do cérebro e a redução de neurônios com função. Os tratamentos disponíveis podem afetar os sintomas, mas não retardam o processo da doença.
Indivíduos com Alzheimer podem apresentar:
Amnésia: perda de memória
Afasia: prejuízos de comunicação
Apraxia: comprometimento na realização de movimentos motores
Agnosia: prejuízo no reconhecimento de informações recebidas por meio das estruturas sensitivas
Estágios do Alzheimer:
1º estágio
Amnésia: perda de memória de curto prazo.
2º estágio
 Afasia: dificuldade de comunicação, tanto na produção da linguagem quanto no seu entendimento. Discurso vago, vazio.
Apraxia: dificuldade com movimentos já aprendidos, colocar a chave na fechadura ou abotoar roupas.
Agnosia: dificuldade em reconhecer o mundo ao seu redor. Incapacidade de reconhecer pessoas próximas, como parentes.
3º estágio:
- Perda de memória de curto e longo prazo;
- Capacidade de articular apenas algumas palavras;
- Impossibilidade de realizar manobras de autocuidado;
- Dificuldade de mastigação e deglutição;
- Dificuldade na marcha.

DEMÊNCIA FRONTOTEMPORAL-
Devido a região cerebral atingida, as manifestações clínicas deste tipo de demência costumam ser quase exclusivamente do tipo cognitivo. Poderão ocorrer oscilações de caráter de forma brusca e frequente, mudanças de personalidade, apatia perante temas que o paciente costumava achar interessantes, sintomas afetivos (depressão, ansiedade), conduta social desorientada, desinibida e mesmo imprópria, perda da preocupação com a higiene pessoal e com a aparência e alterações na capacidade de raciocínio.
 Esse tipo de Demência é as vezes chamada de Complexo de Pick, e é caracterizada por atrofia do cérebro nas regiões frontal e temporal.
O diagnóstico por imagem pode exibir uma atrofia focal das áreas frontais e/ou temporais, que é frequentemente assimétrica. Embora possam ser necessários testes neuropsicológicos mais complexos para o diagnóstico da DFT, privilegia-se uma boa entrevista com familiares sobre alterações de personalidade.

DEMÊNCIA COM CORPOS LEWY (DCL)
Os problemas de memória podem ser desde um simples esquecimento leve até um prejuízo severo a ponto de não se recordar da própria identidade. É caracterizada pelo declínio cognitivo progressivo, sendo demais  sintomas  são: - flutuação nos níveis de consciência (é evidenciada por períodos de sonolência, letargia e olhar perdido no espaço); - alucinações visuais recorrentes ( para eles as alucinações parecem tão reais que podem descrevê-las com detalhes); - sintomas motores parkinsonianos(resultam em movimento lento e equilíbrio precário, levando em alguns casos, a quedas e rigidez muscular).


DEMÊNCIA VASCULAR

Resulta da perda de suprimento de sangue ao cérebro, sendo que a causa mais comum é uma série de pequenos acidentes vasculares encefálicos, muitos deles não detectáveis. Os acidentes interrompem o fluxo de sangue, oxigênio e nutrientes para a área afetada.
Os sintomas variam de acordo com a área do cérebro danificada, mas as características que evidenciam a doença vascular como causa da demência são:
- tontura; - sinais neurológicos focais, tais como paresia em um braço ou uma perda; - labilidade emocional (alterações de humor); capacidade funcional flutuante, muitas vezes com a intercalação de dias bons e ruins; - aumento da probabilidade de desenvolvimento da depressão; - autopercepção de problemas mentais e físicos até estágios avançados da doença; - comprometimento de qualquer artéria do organismo, como as coronárias.


Conforme Steele (2011) para que um indivíduo seja diagnosticado com demência se faz necessário:
- histórico da doença; - testes cognitivos para determinar seu declínio; - avaliação psiquiátrica para descartar depressão e outros transtornos mentais; - avaliação neurológica para excluir acidente vascular encefálico, doença de Parkinson e outras condições neurológicas; - exames laboratoriais para detectar anormalidades metabólicas, tais como doenças da tiroide; - exames de imagem do cérebro para detectar tumores; - avaliação médica, incluindo revisão cuidadosa de medicamentos com prescrição, de venda livre e fitoterápicos.


Referência bibliográfica:

CAIXETA, Leonardo. Demências do Tipo não Alzheimer: Demências Focais Frontotemporais. Porto Alegre, Artmed, 2010.
STEELE, Cynthia D. Cuidados na Demência em Enfermagem. Porto Alegre, Artmed, 2011.

Um comentário: