sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Mentes que Mudam: A Arte e a Ciência de Mudar as Nossas Ideias e as dos Outros



A instigadora interação com o mundo nos proporciona aprendizagens. Entretanto, podemos aprender:

- por tentativa e erro ou acertos;
- por imitação;
- ou quando alguém ensina.

Quando crianças estamos sempre abertos para novas aprendizagens, quando adultos criamos certas resistências e nem sempre nos abrimos para novas possibilidades, novos pensamentos e é sobre este processo que transcrevo os apontamentos feitos por Gardner...

O psicólogo Howard Gardner, conhecido pela sua teoria das inteligências múltiplas, tem diversos livros publicados, e em especial cito Mentes que Mudam: A Arte e a Ciência de Mudar as Nossas Ideias e as dos Outros (2005, Editora Artmed)
A leitura é muito agradável abordando a pesquisa de Gardner sobre a melhor forma de convencer os outros (ou você mesmo) para adotar um ponto de vista diferente em vários cenários, incluindo os negócios.
Gardner enfatiza que as pessoas subestimam o quão difícil é mudar mentalidades. Quando somos criança, nossa mente muda muito rapidamente, mesmo que não nos damos conta disso; entretanto, à medida que envelhecemos e adquirimos mais conhecimento, tanto formal, quanto informal, tornamo-nos mais resistentes às mudanças. A maioria das pessoas, no momento em que são adultas, não só se acostumam a certa maneira de pensar, mas acreditam ser muito trabalhoso mudar. Por natureza, a mente humana prefere as mordomias da estabilidade às incertezas da mudança. Por outro lado também, diante o fator mudança, as pessoas subestimam o quão poderoso as resistências são, pois a maioria das mudanças mentais são graduais e ocorrem por longo períodos de tempo. Também, há uma tendência dos indivíduos em voltar às suas maneiras anteriores de pensamento. Há fatores que dificultam e outros que facilitam a mudança de nossos pensamentos. Por exemplo:

É mais fácil as pessoas mudarem quando:
- Estão num ambiente novo, cercadas por iguais que pensam diferente. Ex.: uma universidade.
- Passam por uma experiência difícil. Ex.: um acidente, divórcio, perda de emprego.
- Encontram personalidades que julgam luminosas.

E, é difícil mudar quando:
- Cultivamos uma ideia por muito tempo;
- Defendemos em público nossos pontos de vista;
- Estamos emocionalmente envolvidos em determinadas ideias.

Nesse sentido, Gardner aponta que não deveríamos desistir de mudar, mas sim estabelecer estratégias de mudanças, ter criatividade na descoberta de diversas maneiras de mudança criar alavancas para isso. Em seu livro, ele identifica as sete características em comum que potencializam o discurso persuasivo. O autor chama essas características de "vetores da mudança" (change levers), e garante: qualquer pessoa que souber manejá-los tem potencial para se tornar mais influente:

1.      Razão –  apresentação lógica e racional do pensamento. Quando estamos a tentar persuadir os outros, a razão desempenha um papel fundamental, especialmente entre aqueles que se consideram educados.
2.      Pesquisa: utilização de informações relevantes e dados objetivos na argumentação. A abordagem científica coleta de dados relevantes e analisa de forma sistemática (muitas vezes estatístico) para verificar ou lançar dúvidas sobre as tendências promissoras.
3.      Ressonância: a ideia deve parecer correta ao público, que, muitas vezes, se identifica com a mensagem.
4.      Redescrição: contar uma boa história usando diferentes “embalagens”, ter retórica a audiência precisa ser reduzida e acreditar que ganha alguma coisa – dinheiro, obras, etc.
5.      Recursos e recompensas: a pessoa precisa enxergar claramente as recompensas da mudança, as chances de alternar as opiniões de uma pessoa aumentam quando se oferece a ela a oportunidade de "experimentar" a transformação. Em termos psicológicos, isso é conhecido como o reforço positivo.
6.      Eventos do mundo real (fatos realistas): crises, guerras, tudo o que pode levar á mudança de conceitos.
7.      Resistências: devemos estar preparado para elas e saber enfrentá-las. Qualquer esforço para compreender o processo de mudança de mente deve levar em conta o poder de resistência.

Um comentário:

  1. Muito bom!
    Estava procurando algo sobre isso!
    Otimo livro de Gardner!

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