sábado, 2 de fevereiro de 2013

Pega na mentira!!!



   Uma vez por semana encontrava certa pessoa, ela sempre com histórias fascinantes, com riqueza dos detalhes, precisão dos dias, horários do acontecido, se foi num dia de sol, ou chuva... enfim, me dei conta de que se  fossemos testemunhas de um crime, com certeza o depoimento dela seria o mais preciso...
    Mas nem tudo que reluz é ouro...e uma destas fascinantes histórias foi o rapto de sua filha por um casal estrangeiro. Essa história ficou latejando em meus pensamentos, pois foi incrível como ocorrera, mas teve um final feliz, pois a criança foi encontrada. E a verdade também...
   Numa oportunidade frente aos familiares desta pessoa, comentei o quanto tinha achado maravilhoso terem encontrado a criança...mas eles me olhavam sem entender nada... achei estranho e fui fazendo toda a narrativa novamente... lógico, "a pessoa" foi tentando de tudo que era jeito mudar de  assunto, mas diante os olhares dos familiares, ela simplesmente olhou e disse:
- Isso foi um sonho que contei para ela!
   Ora pois, “Sonho”, muitos sonhos, toda semana tinha um sonho diferente...que ela nunca lembrava de me falar que eram sonhos...
     Mas a grande verdade é que essa pessoa era uma mitomaníaca e dizer a verdade para ela era um sofrimento. Contava histórias como forma de consolo. Porém o discurso dela é muito diferente daquele do mentiroso ou do fraudador, que tem finalidades práticas. Para estes, o objetivo não é a mentira, sendo esta apenas um meio para outros fins.
     De um lado, o mitômano sempre sabe no fundo que o que ele diz não é totalmente verdadeiro. Mas ele também sabe que isso deve ser verdadeiro para que lhe garanta um equilíbrio inferior suficiente. Em determinado momento, o sujeito prefere acreditar em sua realidade mais que na realidade objetiva exterior. Ele tem necessidade de contar essa história para se sentir tranquilizado e de acordo consigo mesmo.

     A mitomania não pode ser considerada como uma mentira compulsiva, e sim como uma doença que se não tratada pode causar transtornos sérios á pessoa que possui. Em geral, essa manifestação  deve-se à profundida necessidade de apreço ou atenção.
  A maioria dos casos de mitomania, ao serem expostos, tornam-se vergonhosos. Todavia, os que buscam ajuda por vontade própria, pedindo a seus familiares e principalmente aos amigos, são considerados extremamente raros.
   Os mitomaníacos relutam em procurar ajuda psicológica, por isso a importância dos familiares que convivem com ele; pois casos evoluídos  podem levar a distúrbios de bipolaridade e esquizofrenia.
·        Uma criança com tendência a mitomania pode mentir para as coleguinhas que ela teve um final de semana maravilhoso visitou tal lugar, fez isso e aquilo. Então, ela mente especificamente sobre a relação dela com o passeio, como uma necessidade de compensação por uma falta. E, claro, se isso começa a se repetir, a ficar intenso, os pais precisam tomar uma providência de levar aquela criança para fazer uma avaliação.
·        Um homem que nunca se deu bem com as mulheres, que teve dificuldades com relacionamentos interpessoais, ele conta para os amigos que fez isso ou aquilo e que a namorada dele é isso ou aquilo, mas é mentira. E ele não necessariamente mente sobre outros pontos. Ele pode ser muito honesto com relação a questão financeira ou a outras coisas, mas sobre isso ele mente.
·        Adultos têm plena consciência dos nossos atos, mas aqueles que persistem em manter a mentira para benefício da sua imagem pública, para seduzir, para obter algum benefício ou até mesmo para evitar um sentimento de vergonha, há de parar e pensar o que querem da sua própria vida, para onde os leva o caminho que estão seguindo, e se, de fato, é isso que querem.
    Dalgalarrondo (2008), faz menção a uma diferenciação entre mitomania (em menor grau) com “pseudologia fantástica” que tem sido considerada por diferentes autores ora como transtorno da imaginação ou da memória, ora como transtorno do pensamento.  Os indivíduos com pseudologia fantástica têm uma enorme ânsia pela estima dos outros, uma tendência à vida imaginativa muito intensa e, em contraposição, o sentido de realidade relativamente frágil. Além disso, suas personalidades são dotadas de certa teatralidade e sugestionabilidade. A pseudologia fantástica pode ser tanto transitória e passageira como duradoura e estável. A situação clássica é a de um indivíduo solitário, sem familiares ou amigos, que, tarde da noite, aparece no pronto-socorro de um hospital de uma cidade estranha, relatando histórias (às vezes, bizarras) referentes à sua grande importância, sobre como tem sido injustiçado e sobre os infortúnios pelos quais tem passado (Sims, 1995). Ocorre geralmente por sugestão autoinduzida (Sá Júnior, 1988), com mais frequência em pacientes com transtornos da personalidade (principalmente histriônica e borderline).

Fonte:
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologias e semiologias dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2008.

Um comentário:

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