domingo, 10 de fevereiro de 2013

Quem é você?


Nova pesquisa mostra que os traços de personalidade são espelhados por mudanças em nossos cérebros. Essas mudanças definem quem somos. Para alterar a sua personalidade você precisa reconfigurar seu cérebro!



O CÉREBRO DINÂMICO

Nas artes marciais, assim como em outros esportes, há um fenômeno chamado "memória muscular[1]". Um movimento especial que é praticado repetidas vezes - lentamente no início, mas depois a velocidade vai aumentando. 


Eventualmente, um impulso complexo ou um movimento defensivo que envolve muitos passos precisos está codificado nos músculos do corpo, onde ele pode ser executado perfeitamente, sem pensamento consciente. Nossas atitudes e emoções são assim também. Nós aprendemos como reagir ao mundo exterior, muitas vezes sem ter que tomar decisões conscientes.
Mas e se nossas reações não são positivas e estão causando problemas, como fazer se está deprimido ou autodestrutivo? E se a nossa personalidade nos mantém sentindo solitário ou instiga conflitos com a nossa família, os amigos? Nada pode ser feito?

Recentemente Colin G. DeYoung, da Universidade de Minnesota, publicou o resultado de um estudo que abordava os traços de personalidade e as mudanças em regiões específicas do cérebro.
DeYoung utilizou-se de estudos anteriores feitos Janina Boyke, usando malabaristas adultos, pois conforme ele:
"Primeiro de tudo, é incorreto dizer que os neurônios não aumentam em número, após determinada idade. Há neurogênese mesmo em cérebros adultos ..."


Um total de 93 indivíduos idosos de ambos os sexos foram rastreados para qualquer história de demência, doença de Parkinson, diabetes, ou hipertensão.
Os participantes foram divididos em dois grupos – o primeiro recebeu seis semanas de treinamento de malabarismo e praticaram a atividade 30 minutos por dia. O segundo grupo permaneceu sem a atividade.
Para identificar as possíveis mudanças no cérebro dos adultos, os pesquisadores realizaram exames de ressonância magnética nos participantes no início e no final das seis semanas.
Os resultados indicam que os adultos que praticaram malabarismo apresentaram um aumento de 5% na chamada massa branca. O aumento foi identificado na parte posterior do cérebro chamada de sulco intraparietal, que contém nervos que reagem quando tentamos alcançar objetos incluídos na visão periférica.

 Segundo DeYoung, o estudo com os malabaristas adultos prova que o cérebro configura os neurônios para processar nossa capacidade de lidar com o meio ambiente. Isso vai além de malabarismo. Nossos cérebros mudam sua estrutura de acordo com o nosso comportamento:

"Aquele que eu alimento mais."

Isto significa que a nossa reação ao mundo - as características que fazem de nós o que somos (personalidade) - tornam-se “hardwired” de acordo com os tipos de comportamento que acoplamos dentro de nós. Isso significa que, se estamos em situações que permitem recompensas positivas de socialização, então vamos nos tornar uma pessoa extrovertida, cheio de otimismo. Pelo contrário, se somos obrigados a lidar constantemente com o perigo, o medo e a dor, vamos desenvolver estruturas que reportam a sermos mais  pessimistas e negativos.

A pesquisa mais impressionante sobre os efeitos de comportamento no cérebro humano foi feito por Daniel G. Amen, MD, neurologista clínico e psiquiatra, em seu livro "Transforme seu cérebro, transforme sua vida." Meticulosamente comprovado através de varreduras do cérebro, a partir de um número de pacientes que sofriam de dependência, depressão, obsessão, raiva e impulsividade, o Dr. Amen prova que estes comportamentos estão ligados a regiões específicas do cérebro.
Mas isso não foi tudo o que o Dr. Amen descobriu. Ele observou que a terapia bem sucedida pode ser alcançada através da alteração do comportamento que propiciem certas regiões do cérebro para reconfigurar-se. Este, então, é a definição biológica de uma "cura" para a doença mental. O Dr. Amen descobriu que o cérebro não pode discriminar entre o comportamento real e o imaginário.
Assim, imaginando um comportamento, tais como em técnicas de visualização, é um método terapêutico eficaz para a cura da doença e alterar a patologia em algumas personalidades.

Um livro que se tornou viral, em alguns anos atrás, chamado "O Segredo", tinha como premissa básica a visualização, uma espécie de técnica de meditação em que um indivíduo evoca imagens visuais de um objetivo desejado, e que de alguma forma, faz com que este objetivo venha a ser alcançado. O livro foi comercializado como um meio de ganhar "o amor,  a riqueza e felicidade." Eventualmente, o livro foi criticado onde se afirmava que as únicas pessoas gerando riqueza e felicidade através do livro foram o autor e as editoras. Isso criou certa descrença à proposta do livro.
Mas, na verdade, a visualização correta é um método eficaz para a mudança de personalidade.
Mas, o assunto poderá ser abordado em uma próxima postagem...

FONTE: Viewzone.com



[1] Uma das dicas de jiu-jitsu  descritas no site  APRENDA JIU- JITSU é justamente sobre a memória muscular:       10) Faça seu dever de casa: Essa é uma das dicas que considero mais importantes. Repense seu treino em casa, e tente lembrar tudo que você fez certo, e o que fez errado. Tente, por mais que seja complicado no começo, pensar em novas soluções. Sabe-se que ao visualizar a si próprio na luta, seu cérebro manda impulsos elétricos para os músculos envolvidos em cada movimento. É o que alguns chamam de “memória muscular”, e ajuda você a lembrar-se do que fazer na próxima vez.

2 comentários:

  1. Ma música, tambem utiliza-se a memória muscular. Eu posso pegar uma partitura e simplesmente, lê-la várias vezes, ate memorizá-la. Mas, se não executá-la no instrumento, nao desenvolvo a memória muscular. Posso conhecer cada compasso, cada nota, cada detalhe. Posso ouví-la e dizer onde esta sendo executado errado, mas eu mesmo não conseguirei executá-la, pois não foi criada a memória muscular através do treino.

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    1. Oi!
      Está corretíssima sua contribuição, pois a memória muscular justamente é exercitada através do treino, é essa a pesquisa que DeYoung apresenta. Entretanto, Daniel G. Amen aponta que existem certas situações em que através do "técnicas de visualizações" é possível mudar a estrutura cerebral para a busca de resultados mais satisfatórios. Inclusive o autor Cortella, enuncia em muitas de suas palestras que Pelé, além dos treinamentos diários juntamente com seus colegas o futebol, dedicava momentos antes do jogo para visualizar jogadas em que se via fazendo o gol.

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