Há dois tipos de MEMÓRIA EXPLÍCITA ( memórias do indivíduo- também
chamada memória declarativa: é a memória de longo prazo de conhecimentos
factuais e experiências pessoais, e requer lembrança consciente).
As MEMÓRIAS SEMÂNTICAS são as memórias de conhecimentos
factuais que valem para todo o mundo (significado que damos as coisas)
As MEMÓRIAS EPISÓDICAS são memórias de experiências pessoais
de vida, seria um álbum que vamos compondo ao longo dos anos (p. ex., uma
determinada festa que tivemos ou fomos)
PERGUNTA: O QUE CONSTRUÍMOS PRIMEIRO: MEMÓRIA SEMÂNTICA OU
MEMÓRIA EPISÓDICA?
Realmente fiquei na dúvida por este motivo é que coloquei a
questão de Vamos pensar juntos, mas o fato é que esta dúvida foi gerada devido
a um artigo que li no blog Aprendente
onde o autor do blog transcreve um
trecho do livro de Umberto Eco (A Misteriosa Chama da
Rainha Loana, p. 18):
Temos diversos tipos de memória. Uma se chama
implícita e nos permite executar sem esforço uma série de coisas que
aprendemos, como escovar os dentes, ligar o rádio e dar nó na gravata. [...]
Quando a memória implícita nos ajuda, não temos nem consciência de que
recordamos, agimos automaticamente. Depois tem a memória explícita, com a qual
recordamos e sabemos que estamos recordando. Mas essa memória explícita é
dupla. Uma é aquela que a tendência agora é chamar de memória semântica, uma
memória coletiva, aquela através da qual se sabe que uma andorinha é um
pássaro... [...] Essa é a primeira que se forma, mesmo na criança; a criança
aprende rapidamente a reconhecer uma máquina, ou um cão, a formar esquemas
gerais [...] Mas, por outro lado, a criança leva mais tempo para elaborar o segundo
tipo de memória explícita, que chamamos de episódica ou autobiográfica. Não é
capaz, por exemplo, de recordar de imediato vendo um cachorro, de que no mês
anterior esteve no jardim da avó e viu um cão e que foi ela própria que viveu
as duas experiências. É a memória episódica que estabelece um nexo entre o que
somos hoje e o que fomos, senão, quando disséssemos eu, estaríamos nos
referindo apenas àquilo que sentimos agora, não ao que sentíamos antes.
Até aí, aparentemente, tudo bem, mas diante outro artigo intitulado
“Divisão
da memória semântica e da memória episódica” fiquei na dúvida, pois Drews
nos diz que : “ Juntas, a memória semântica e a memória episódica formam a
memória declarativa, ou seja, a memória factual. Evidentemente que toda a
memória semântica se origina de algum episódio onde se dá a aprendizagem.” E
confirmando o que Drews enunciou, também encontrei nos estudos de Fank e& Landeira-Fernandez(2006) a seguinte explicação:
...a memória pode
ser episódica ou semântica. A memória episódica refere-se ao passado, sendo
mais específica em termos do contexto e do tempo, ou seja, onde e quando.
Atravessa o tempo, permitindo a continuidade da identidade individual, a
evocação de fatos da história pessoal, como na memória autobiográfica. A
memória semântica é voltada para o presente e contém o acervo de fatos e
informações sobre o mundo do indivíduo, desde o conjunto de conhecimentos sobre
sua linguagem, vocabulário, regras de gramática, como conceitos e significados
diversos. É um acervo dinâmico de informações, mas no geral não requer a
evocação temporal e de detalhes contextuais. É muito duradoura e bem mais
refratária a disfunções corticais. Exemplificando, os relatos sobre um
determinado acidente de automóvel são dados episódicos, já a explicação sobre
acidentes de automóveis é uma informação de teor semântico e menos rica de
evocação episódica. As fronteiras entre estes sistemas de memória são sujeitas
a mudanças pela vontade do sujeito. Por exemplo, podemos iniciar um relato com
dados mais semânticos, presentes, e dar continuidade evocando instâncias
específicas que requerem um acesso episódico aos dados do passado.
Pensando sobre o assunto... relacionando com educação, e, dentro desta perspectiva, percebendo que a construção de nossas memórias de aprendizagem (explícitas) principalmente nos anos iniciais, necessitam muito do uso de material concreto, por exemplo: se estou alfabetizando uma
turma de alunos e dentro de determinado assunto que estou trabalhando, apareça
a seguinte frase: ‘Maria comeu toda a canjica!”, o que para alguns representaria
a palavra canjica? Seria uma memória episódica ou semântica? A tal canjica é
algo de um contexto coletivo, mas poderia tal criança entender o conceito de
canjica e evocar sua memória se ela não teria construído uma relação episódica com tal elemento? Então, nesse sentido creio que tudo que aprendemos, inicialmente, deveria provir da
memória episódica, e o uso de materiais concretos nas séries iniciais da
educação são os meios que ajudam a construção desta memória. A criança até pode saber que existe uma tal canjica, mas esse tal elemento somente terá forma, cor ou sabor se ela teve algum momento de contato com a mesma.
Posso estar equivocada, mas de acordo com o vídeo abaixo onde a
neurocientista Drª Silvia Cardoso, mostra de forma bem sucinta a questão das
memórias episódicas e semânticas, creio que o que escrevi faz algum sentido...

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