Diariamente vem crescendo o número de blogs, fanpages e
sites falando de neurociências. No campo educacional esta busca vem se
demonstrando mais intensa, parece que toda informação em torno deste assunto se
torna o diferencial da prática pedagógica.
Expressões tais como: “meu cérebro não está funcionando
direito”, “fulano está deprimido por causa de um desequilíbrio químico no
cérebro”, “ falta de dopamina no cérebro”, mostram - se comuns no dia a dia.
Experiências desagradáveis do mal-estar de traumas à
doença mental são reenquadradas como problemas neurológicos, principalmente,
enquanto a arte e a música são avaliadas por seu efeito neuroquímico.
Mas, o mais notável é como o popularismo da neurociência tomou
conta das pessoas. As especulações nas diferenças entre o cérebro masculino e o
feminino são objeto de frequentes manchetes na mídia. Os jovens estão cada vez mais
alertas para tudo que se relacione a games e seus benefícios ou não do cérebro,
enquanto os “jovens há mais tempo” são incentivados a "treinar o
cérebro" para não perder suas funções em algum momento de sua vida.
Um dos grandes fatores que contribuíram para este
popularismo é o fato que todos estão procurando aprender, entender o mecanismo
cerebral. E a evolução da neurociência trouxe-nos importantes tratamentos médicos
para doenças mentais e distúrbios neurológicos, enquanto o estudo de pacientes
com lesões cerebrais tem demonstrado que os circuitos cerebrais individuais
contribuições especializadas para nossas emoções e comportamentos. O
desenvolvimento da tecnologia de mapeamento cerebral, nos anos 80 e 90 permitiu
aos cientistas ver, pelo menos vagamente, a atividade cerebral em indivíduos
saudáveis e como funciona em determinadas tarefas.
Entretanto, estes exames cerebrais coloridos são os
favoritos da mídia, pois são atraentes aos olhos e aparentemente fáceis de
entender, mas na realidade, eles representam apenas algumas das informações científicas.
Eles não são mapas de atividades, mas os mapas do resultado de complexas
comparações estatísticas, de fluxo de sangue que se relacionam de forma
irregular para o funcionamento do cérebro real.
Alguns dos equívocos relacionados à neurociências são:
- O "cérebro
esquerdo" é racional, o "cérebro direito" é criativo
Os hemisférios têm especializações diferentes (à esquerda
normalmente tem áreas de linguagem, por exemplo), mas não há divisão
racional-criativo, pois precisamos de ambos os hemisférios para ser bem
sucedidos. Você não pensa somente com o lado direito do cérebro assim como
também não utiliza somente a parte traseira
do cérebro para pensar.
- A dopamina é uma
substância química do prazer
A dopamina tem muitas
funções do cérebro, de concentração, de regulação da produção de leite materno.
Mesmo, que em seu funcionamento mais associado é geralmente considerado de
estar envolvido na motivação (querer), em vez do que a sensação de prazer em
si.
- Baixos níveis de
serotonina causa depressão
Um conceito quase inteiramente promovido por empresas
farmacêuticas na década de 1980 e 90, a fim de vender drogas, assim como o Prozac
para aumentar o nível de serotonina.
- Jogos de videogame,
a violência na TV, pornografia ou qualquer outro espectro social do momento
"reestrutura o cérebro"
Tudo "reestrutura o cérebro", pois o cérebro
funciona por fazer e refazer conexões.
Isso é muitas vezes usado de forma contraditória sugerindo que o cérebro é
particularmente suscetível a mudanças, mas uma vez alterado, não pode mudar de
volta.
- Nós não temos
nenhum controle sobre o nosso cérebro, mas podemos controlar nossa mente
A mente e o cérebro são a mesma coisa descrita de maneiras
diferentes e que nos fazem quem somos.
Fonte: The
Guardian

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