sexta-feira, 8 de março de 2013

A neurociência está pop



Diariamente vem crescendo o número de blogs, fanpages e sites falando de neurociências. No campo educacional esta busca vem se demonstrando mais intensa, parece que toda informação em torno deste assunto se torna o diferencial da prática pedagógica.
Expressões tais como: “meu cérebro não está funcionando direito”, “fulano está deprimido por causa de um desequilíbrio químico no cérebro”, “ falta de dopamina no cérebro”, mostram - se comuns no dia a dia.
Experiências desagradáveis ​​do mal-estar de traumas à doença mental são reenquadradas como problemas neurológicos, principalmente, enquanto a arte e a música são avaliadas por seu efeito neuroquímico.
Mas, o mais notável é como o popularismo da neurociência tomou conta das pessoas. As especulações nas diferenças entre o cérebro masculino e o feminino são objeto de frequentes manchetes na mídia. Os jovens estão cada vez mais alertas para tudo que se relacione a games e seus benefícios ou não do cérebro, enquanto os “jovens há mais tempo” são incentivados a "treinar o cérebro" para não perder suas funções em algum momento de sua vida.
Um dos grandes fatores que contribuíram para este popularismo é o fato que todos estão procurando aprender, entender o mecanismo cerebral. E a evolução da neurociência trouxe-nos importantes tratamentos médicos para doenças mentais e distúrbios neurológicos, enquanto o estudo de pacientes com lesões cerebrais tem demonstrado que os circuitos cerebrais individuais contribuições especializadas para nossas emoções e comportamentos. O desenvolvimento da tecnologia de mapeamento cerebral, nos anos 80 e 90 permitiu aos cientistas ver, pelo menos vagamente, a atividade cerebral em indivíduos saudáveis ​​e como funciona em determinadas tarefas.
Entretanto, estes exames cerebrais coloridos são os favoritos da mídia, pois são atraentes aos olhos e aparentemente fáceis de entender, mas na realidade, eles representam apenas algumas das informações científicas. Eles não são mapas de atividades, mas os mapas do resultado de complexas comparações estatísticas, de fluxo de sangue que se relacionam de forma irregular para o funcionamento do cérebro real.

Alguns dos  equívocos relacionados à neurociências são:

- O "cérebro esquerdo" é racional, o "cérebro direito" é criativo

Os hemisférios têm especializações diferentes (à esquerda normalmente tem áreas de linguagem, por exemplo), mas não há divisão racional-criativo, pois precisamos de ambos os hemisférios para ser bem sucedidos. Você não pensa somente com o lado direito do cérebro assim como também não utiliza  somente a parte traseira do cérebro para pensar.

- A dopamina é uma substância química do prazer
 A dopamina tem muitas funções do cérebro, de concentração, de regulação da produção de leite materno. Mesmo, que em seu funcionamento mais associado é geralmente considerado de estar envolvido na motivação (querer), em vez do que a sensação de prazer em si.

- Baixos níveis de serotonina causa depressão
Um conceito quase inteiramente promovido por empresas farmacêuticas na década de 1980 e 90, a fim de vender drogas, assim como o Prozac para aumentar o nível de serotonina.

- Jogos de videogame, a violência na TV, pornografia ou qualquer outro espectro social do momento "reestrutura o cérebro"
Tudo "reestrutura o cérebro", pois o cérebro funciona por fazer e refazer  conexões. Isso é muitas vezes usado de forma contraditória sugerindo que o cérebro é particularmente suscetível a mudanças, mas uma vez alterado, não pode mudar de volta.

- Nós não temos nenhum controle sobre o nosso cérebro, mas podemos controlar nossa mente
A mente e o cérebro são a mesma coisa descrita de maneiras diferentes e que nos fazem quem somos.
                                                                      
Fonte: The Guardian

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