Iniciou a série Cérebro-Máquina de Aprender, apresentada pelo
Jornal da Globo. A primeira parte desta série já abordou alguns tópicos importantes
para o contexto educativo, os quais seguem algumas anotações e algumas dicas para a área educacional.
Um dos tópicos que aguardava ver abordado aqui nesta
reportagem era justamente a interface Neurociência X Educação, e este foi o
tópico de abertura da série, onde mostrava a realidade de uma professora e os
mecanismos de aprendizagem que a mesma utilizava, dois quais destaco três itens
importantes: - Observar e acompanhar cada aluno; - Ensinar brincando; -
Utilizar-se de atividades que ativam várias áreas do cérebro.
Outro tópico abordado foi a questão da estrutura cerebral,
de como ele é formado, a conexão entre os neurônios, as sinapses. Sendo que
aqui se comparou o cérebro com o trabalho de um escultor, onde nascemos com
bilhões de neurônios, mas ao longo da vida, nosso cérebro vai “esculpindo” e
aprimorando determinadas regiões conforme as que mais utilizamos.
O neurocientista Nicolelis enfatizou que somente o fazer
palavras cruzadas por si só, não aumenta nossas sinapses, é necessário estar
sempre se desafiando, modificando nossas rotinas.
E na questão aprendizagem, também foi dado o enfoque para os
taxistas
de Londres que apresentam grande desenvolvimento cognitivo, pois necessitam
armazenar muitas informações e com isso aumentaram o seu hipocampo - região importante para a memória espacial - particularmente desenvolvida, muito mais que o resto das pessoas, pois a exercitavam mais, memorizando a cada dia ruas e caminhos. Suas capacidades para memorizar não diminuía, mas aumentava com o passar dos anos.
“O cérebro muda de forma, segundo as áreas que mais
utilizamos, conforme a atividade mental."
Porém, voltando ao enfoque Neurociência x Educação apresentado
no início da reportagem ressalto que em poucas palavras foi abordado muitas
coisas: - Observar e acompanhar cada
aluno, pois cada aluno tem seu modo de aprender, o que “funciona” para
um pode não ser adequado para o outro, então o professor deve ser um constante
observador e deveria ter o hábito de fazer registros de acompanhamento de seus
alunos, pode ser por meio de anotações ou ficha de acompanhamento, onde nas
mesmas estejam listadas objetivos que estão propostos para tal período e nela
procura-se registrar o desenvolvimento de cada aluno.
Na hora de corrigir uma atividade, se verificou que o aluno
costuma trocar determinada letra por tal letra, já faz a anotação e começa a
pesquisar, que tipo de atividades podem ser realizadas para que esse aluno
possa melhorar esta dificuldade.
- Ensinar
brincando sempre – O conhecimento se consolida através do corpo. É
inconcebível que um aluno passe por longos períodos somente realizando
atividades que exigem “ o ouvido e a mão”.
Pois quem já se deu o trabalho de passar por várias salas de aula, sabe que
é mais fácil encontrar alunos sentados ouvindo o professor falar, ou então eles
copiando ou fazendo alguma atividade em folhas fotocopiadas ou caderno. (obs.: não
há nada errado nestas atividades, são muito importantes, mas desde que, essas
não sejam as únicas ferramentas do professor). É preciso mesclar, brincar,
muito material concreto, independente do ano em que se encontram, pois tudo o
que nos arremete aos sentidos (tocar, sentir, ver, ouvir, falar) proporcionam
melhor e mais rápida aprendizagem. E não importa a idade, o brincar, o lúdico,
é essencial.
- Utilizar-se de
atividades que ativam várias regiões do cérebro - Observem a gravura do cérebro, que segundo o
neurologista SILVA, está didaticamente dividido:
![]() |
| Imagem: Edson Lopes |
Cada região
corresponde a determinadas partes que movimento em meu corpo, portanto o ideal
é procurar dentro de um mesmo período escolar (manhã, tarde ou noite)
proporcionar atividades que contemplem todas estas áreas, bem como proporcionar
atividades em que o aluno possa
trabalhar em grupo e também individualmente.
Recebo constantemente e-mail de pessoas interessadas em como
conciliar a questão da inclusão dentro do ensino regular envolvendo os
conhecimentos da neurociência, aí sempre coloco o que digo aos pais, o problema
não é a inclusão, pois todos os alunos apresentam sua especificidade, tem dias
em que todos estão agitados, mas a tendência das pessoas é somente olhar para aqueles que já apresentam algo que nos alerte para isso. O importante é ter
discernimento, é ensinar aqueles que têm maiores facilidades de aprendizagem a
serem seus coautores e irem orientando aos que necessitam de ajuda. Também
evitar a linha de “coitadinho” e enxergar possibilidades, pois de certa forma assumimos
aquilo que os outros nos dizem, se alguém escuta constantemente que fulano é
especial e não pode fazer tal coisa, é lógico que fulano irá se posicionar
neste sentido. TODOS SÃO ESPECIAIS, porém alguns apresentam maior facilidade em
determinadas áreas, mas se nos ajudarmos com certeza tudo flui melhor, é isso
que acredito e isso que procuro enfatizar aos alunos.
Outro enfoque é que temos a estrutura de uma aula linear,
onde todos fazem a mesma coisa, num determinada tempo. Mas existe a possibilidade
de fazer combinações com os alunos, onde durante a semana, a professora faz
alguma atividade diferente com determinado grupo de alunos contemplando suas
necessidades, enquanto outros executam outra atividade, porém todos precisam
ser contemplados para este momento mais individual, mesmo que não tenham
nenhuma dificuldade especifica.
Na verdade, a neurociência numa perspectiva educacional só vem confirmar o que Piaget,
Wallon, Vygotsky e tantos outros já nos ensinaram, entretanto o ar de todo encantamento (o trabalhar as emoções) é internalizar Rubem Alves. É praticar a amorosidade naquilo que se faz. É
fazer a “fruição da aprendizagem”. Fazer com que os alunos tenham prazer em se
tornarem inteligentes, pois Alves, em algumas de suas entrevistas, faz esta analogia:
“... realmente a inteligência se parece muito com
o pênis, porque o pênis é um órgão de duas funções, tem uma função excretora,
ridícula e está lá, flácido, mas se ele for excitado por alguma coisa, então
transformações hidráulicas fantásticas acontecem, e ele tem a possibilidade de
ter prazer e de dar vida! E assim é a inteligência. Muitas crianças estão
com a inteligência adormecida, quietinha, flácida. E dizem: “Burrinho!” Burrinho
nada! Burrinho porque a inteligência e a criança ainda não foram provocadas,
portanto a inteligência não teve a sua ereção. Eu acho que a função fundamental
do professor é provocar a ereção da inteligência dos alunos. E quando a gente
faz isso...”
Fonte: Jornal Globo
Fonte: Jornal Globo




Excelente a série da Globo, Cérebro a Máquina de Aprender. Seria interessante e benéfico para o povo que houvesse uma campanha educacional de como aproveitar o grande potencial do cérebro humano, utilizando o avanço da neurociência. Muitos mitos, fantasias e crenças seriam desmistificados.
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