Existe uma “palavrinha” que conheci em minha pós, e achei
muito interessante, porém como vem aparecendo com maior frequência em diversas
publicações de artigos, achei importante falar sobre a mesma. É a
EPIGENÉTICA. Mas afinal de contas do que se trata?
A ideia de que o ambiente pode alterar nossa herança celular
não é nova e tem nome: epigenética. Ela é um campo da biologia que estuda
interações causais entre genes e seus produtos que são responsáveis pela produção
de fenótipo. Ela investiga a informação contida no DNA, a qual é transmitida na
divisão celular, mas que não constitui parte da sequência do DNA. A epigenética
trata de modificações no DNA que sinalizam aos genes se eles devem se expressar
ou não. Esses marcadores não chegam a alterar nossa genética, mas deixam uma
marca permanente ao ditar o destino do gene: se um gene não se expressa, é como
se ele não existisse.
Enquanto a genética está associada à sequência do DNA, o
termo epigenética refere-se às informações reversíveis que são introduzidas nos
cromossomos e replicadas estavelmente durante as divisões celulares, mas que
não modificam as sequências de nucleotídeos e dessa forma alteram o fenótipo
sem mudar o genótipo (KENDREW, 1994). Mais recentemente, a epigenética foi
definida como o estudo de processos que produzem um fenótipo herdável, mas que
não dependem estritamente da sequência de DNA (LIEB et al., 2006). Este termo (epigenética)
deriva do prefixo grego epi, que significa literalmente "on" ou
"acima", e assim define o que está ocorrendo no suporte físico dos
genes, a cromatina. (A cromatina é uma estrutura presente em todas as
células que possuem núcleo. Na cromatina se encontra o DNA – a sede da
informação genética – em um complexo com proteínas que inclui as histonas, as
proteínas não histônicas e, possivelmente, pequenos RNAs. Quando uma célula não está se dividindo, chamamos esse conjunto de
cromatina. Quando a célula está se dividindo, chamamos esse conteúdo de
cromossomos)
Em um artigo publicado pela Veja, em 12.12.2012, Carvalho, traz a seguinte explicação para a
epigenética: Epigenética — Imagine o
material genético humano como um manual de instruções. Os genes formariam o
conteúdo do livro, enquanto as epimarcas ditariam como esse texto deveria ser
lido. "A epigenética altera e regula a forma como os genes se
expressam", explica a geneticista Mayana Zatz, do departamento de Genética
e Biologia Evolutiva da Universidade de São Paulo (USP). É por meio dos
comandos epigenéticos, por exemplo, que o pâncreas fabrica apenas insulina,
apesar de as células nesse órgão terem genes para a produção de muitos outros
hormônios. Acreditava-se que os traços da epigenética não eram hereditários,
sendo apagados e recriados a cada passagem de geração. Como pesquisas nas
últimas décadas mostraram que uma fração de epimarcas é, sim, passada de pais
para filhos, Friberg, Rice e Gavrilets julgaram ter encontrado a peça que
faltava para montar o quebra-cabeça.
Mas o que é um
fenótipo herdável?
Para entender esse fato se faz necessário lembrar que o genótipo = o padrão de genes herdados (o
mapa genético) e fenótipo = as
características observáveis do indivíduo.
Os genes são transmitidos dos
pais para os filhos de acordo com relações complexas que incluem o padrão
dominante-recessivo, herança poligênica, imprinting genético, herança
mitocondrial e herança multifatorial.
Em 1905, o geneticista britânico, Wiliam Bateson (1861-1926)
cunhou o termo da genética como o termo relacionado à hereditariedade e
variação dos organismos, baseado nos trabalhos de Gregor Mendel (1822-1884).
Três décadas depois (1942), o geneticista, biólogo e filósofo Conrad Hal
Waddington (1905-1975) definiu "epigenética" como "o ramo da biologia
que estuda as interações causais entre genes e seus produtos, que trazem o
fenótipo a ser". Quando Waddington cunhou o termo paisagem epigenética
(“epigenetic landscape”), a natureza física dos genes e seu papel na
hereditariedade não eram conhecidos, ele usou-a como uns modelos conceituais de
como os genes podem interagir com o ambiente para produzir um fenótipo. E
demonstrou que as ideias de herança apresentadas por Jean-Baptiste Lamarck
(1744-1829) poderiam, pelo menos em princípio, ocorrer. Todas estas teorias
foram fundamentadas nos estudos de Lamarck sobre assimilação de caracteres
adquiridos por informação ambiental.
Epigenética pode ser a chave para muitas doenças humanas
Além da formação do comportamento, a epigenética também pode
estar envolvido em doenças cerebrais e desordens. Um exemplo é a síndrome de
Rett, uma doença genética que afeta quase exclusivamente as jovens e, atualmente,
não tem cura. Em seus estágios iniciais, a síndrome de Rett provoca comportamentos
semelhantes ao autismo, porém em fases posteriores, as meninas com síndrome de
Rett podem perdem a capacidade de falar ou controlar o movimento.
A pesquisa mostrou a síndrome de Rett foi causada por uma
mutação no gene MECP2. A proteína MeCP2 se liga e desliga genes com marcas
epigenéticas. Sem função MeCP2 adequada, alguns genes ficar fora de sincronia.
Ao identificar e manipular outras proteínas que desempenham funções semelhantes
às MeCP2, os pesquisadores esperam que um dia melhorar as opções de tratamento
para a síndrome de Rett.
Investigação em curso é saber que epigenética pode ser um
fator chave na outras doenças cerebrais, como a esquizofrenia, autismo, e
doença de Alzheimer, o que indica a importância de identificar padrões
epigenéticos por todo o genoma e como elas são alteradas pela doença. Ao contrário de mutações genéticas, as
marcas epigenéticas podem ser revertidas. Na verdade, os EUA Food and Drug
Administration já aprovou várias drogas que trabalham para melhorar os
resultados de saúde, modificando estas marcas.
Como muito do que sabemos agora sobre epigenética, muitas
dessas drogas foram inicialmente identificadas por pesquisadores de câncer. Os cientistas do cérebro estão trabalhando para desenvolver drogas mais seguras e eficazes para melhorar a função
cognitiva e do comportamento nas pessoas.
Fonte:
BEE, Helen. A Criança em Crescimento. Porto Alegre: Artmed, 2011.
CARVALHO, Ricardo. Homossexualidade
pode ser influenciada pela epigenética. Disponível on line em: http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/homossexualidade-pode-ser-influenciada-pela-epigenetica
GARCIA, Eloi. Epigenética: além da
sequência do DNA. Disponível online em: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=30541
KENDREW, J. The encyclopedia of
molecular biology. Oxford: Blackwell Science, 1994.
LIEB, J. D.; BECK, S.; BULYK, M. L.; FARNHAM, P.; HATTORI, N.; HENIKOFF,
S.; LIU, X. S.; OKUMURA, K.; SHIOTA, K.; USHIJIMA, T.; GREALLY, J. M. Applying whole
genome studies of epigenetic regulation to study human disease. Cytogenetic and Genome Research, v.
114, n. 1, p. 1-15, 2006.

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