Por Sérgio Freitas
Há séculos os navios nórdicos já singravam os oceanos ao
ritmo dos tambores e já tinham nisto um impulso a mais para manter seu destino
em foco. Mesmo extenuados os guerreiros encontravam forças para continuar
remando ao seu objetivo. Sabiam eles que muito se devia ao rufar da baqueta no
couro do tambor.
Muitos anos depois pesquisadores identificaram que uma
trilha sonora tem efeito estimulante e pode diminuir a sensação de desconforto
na hora de treinar. Como nosso sistema nervoso tem uma capacidade limitada de
processar informações, ouvir música faz com que se preste a atenção nela e não
no cansaço e na dor provocado pelo exercício. Como a música gera uma sensação
de prazer, ela pode concorrer com o desconforto gerado com a fadiga.
Com o ritmo certo, a música libera um hormônio chamado
endorfina, que é responsável pelo bem estar e prazer, o que reduz nossa
percepção de estresse e dor. Para isto acontecer o cérebro recebe as ondas
sonoras através do ouvido que passa pelo tímpano e é processada pelo lobo
temporal chegando até a hipófise, glândula responsável pela liberação deste
hormônio, esta substância entra na corrente sanguínea embebendo o corpo com
sensação de prazer. Estudos recentes apontam que a endorfina pode ter tanto um
efeito sobre áreas cerebrais responsáveis pela modulação da dor, do humor,
depressão, ansiedade como pela inibição do sistema nervoso simpático
(responsável por diversos órgãos como coração, intestino etc...). Ela pode
também regular a liberação de outros hormônios como adrenalina e cortisol.
Um estudo da década de 70 com ciclistas já mostra que
cadenciar a música com o ritmo das pedaladas podia aumentar e muito a
resistência física do atleta, isso por que nosso corpo tende a sincronizar seu
ritmo com o do som que esta sendo ouvido, fazendo assim sobrepor as dores e
fadigas para acompanhar aquela música. Quando isso não acontece é por que a
música não está sincronizada com nosso ritmo do corpo, então é fundamental que o
playlist seja de acordo com o momento do seu treino e principalmente com o
gosto musical de quem ouve.
Importante sempre é manter um nível de sonoridade dentro de
padrões de segurança para seus ouvidos, ou seja, nunca ouvir músicas acima de
80 decibéis, assim você mantém o ritmo em alta sem colocar sua saúde em risco.

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