O cérebro humano é, talvez, a máquina mais complexa que se
tem investigado, os fatores genéticos,
neurológicos, ambientais e situacionais que resultam em comportamento humano, especialmente na área psicológica, são
pontos importantes que nos permitem entender o motivo de termos este ou aquele
comportamento diante às situações apresentadas.
Existem alguns destaques experimentais que servem de base
para muitos estudos psicológicos. Um deles é o famoso teste do marshmallow ,
criado por Walter Mischel, na
Universidade de Stanford. Sendo que o teste foi baseado em suas observações feitas
em suas filhas.
Na final dos anos 60, Mischel tinha três meninas com
idades entre 2 e 5 anos. Como muitos pais provavelmente notam, muitas mudanças
acontecem no comportamento das crianças por volta dos 4 anos. Quando uma das
suas filhas fez 4 anos, ela adquiriu repentinamente a capacidade de retardar a
gratificação imediata. Andando no mercado, a menina fazia um escândalo porque
queria alguma coisa e tinha que ser na hora. Depois dos 4 anos, passou a
entender que se esperasse ao chegar em casa, poderia negociar algo melhor.
Mischel observou esse tipo de autocontrole acontecer com todas as suas filhas,
como se estivessem programadas pra isso.
Baseado nestes pressupostos Mischel começou seus estudos
com conotação cientifica, sendo que a primeira série de tais estudos foi publicada em 1972, onde o psicólogo criou o famoso “Teste de Marschmallow”, sendo que o
mesmo media o autocontrole e a capacidade de adiar recompensas. Um grupo de
crianças recebia um prato com um um
delicioso “marshmallow” (um tipo de doce, muito apreciado por lá), com a
seguinte explicação: “Você pode comer o doce a hora que quiser, mas se
conseguir resistir por 15 minutos e não comê-lo, ganhará dois doces” .
O pesquisador retirava-se da sala e deixava a câmera
filmando as reações das crianças. Ao analisar os vídeos de seu experimento,
Mischel chegou à conclusão de que: as crianças que conseguiram resistir ao
marshmallow apresentaram uma estratégia de atenção. Ao fechar os
olhos, esconder-se debaixo da mesa ou cantar uma canção, essas crianças
estariam tirando o foco da tentação. Elas eram capazes de distrair-se pensando em outra coisa ou praticavam
outra atividade como forma de adiar a recompensa por mais tempo. Mischel estava
inicialmente interessado nos vários estilos cognitivos que as crianças iriam
usar para adiar a gratificação e obter mais sucesso.
O que podemos concluir a partir deste estudo é que
algumas crianças apresentaram melhores estratégias e eram mais capazes de controlar
seus impulsos imediatos para uma recompensa de longo prazo. O estudo não
demonstrava se essas habilidades foram aprendidas ou eram inatas.
Das 600 crianças participantes, somente uma minoria comeu
o doce imediatamente. E cerca de um terço das restantes conseguiu resistir à
tentação durante os 15 minutos e ganhar o segundo “marshmallow”. Mas este não foi o fim do teste, pois Mischel acompanhou o crescimento dos participantes procurando verificar de que forma suas vidas foram se estruturando. Em um posterior estudo de 1989 ele descobriu que:
As crianças que aos 4 anos de idade conseguiram atrasar a
recompensa, durante seu crescimento, mostraram-se adolescentes mais competentes
tanto cognitivo quanto socialmente, alcançaram maior desempenho escolar e evidenciaram
lidar melhor com a frustração e o estresse. Também, observou-se que mais tarde,
estas crianças foram mais bem sucedidas na escola, nas suas
carreiras, nos seus casamentos e na vida. Este simples teste tinha
profundas implicações no mundo real, e isso é um dos fatos que o torna um dos
mais famosos dentro da área psicológica.
Outros pesquisadores apontaram para outra linha de
pesquisa: o desempenho no teste de marshmallow prevê o índice de massa corporal
30 anos mais tarde.
Outra série de estudos descobriu que as crianças mais
velhas são mais capazes de adiar a recompensa do que as mais jovens (nenhuma surpresa),
porém quanto maior a recompensa, mais a criança se esforça para poder alcançá-la
(assim recompensas realmente grandes resultarão em grande capacidade de adiar a
gratificação). Em outras palavras, até as crianças passam por um cálculo mental
de despesa e recompensa e são capazes de adiar a gratificação se a recompensa é
grande o suficiente.
Psicólogos consideram a capacidade de autocontrole e recompensa
adiada como parte importante do que é chamada de função executiva, a função do
lobo frontal, que é o controle do comportamento, onde estratégias de decisões
de longo prazo demonstram controle sobre o comportamento de manter e atingir
metas. Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) apontam para um
déficit na função executiva. Portanto, não é surpreendente que as crianças com
TDAH apresentem pior desempenho no teste do marshmallow.
De fato, os resultados que Mischel para aqueles que não
conseguiram adiar a recompensa, futuramente mostraram-se pessoas com TDAH – onde
apresentaram dificuldades acadêmicas, na carreira, no casamento, enfim, na vida.
No entanto, os estudos com este teste ainda continuam,
por exemplo: pesquisadores observaram que exercer autocontrole em uma área
diminui o autocontrole em outras, é como se as pessoas gastassem um
reservatório finito de autocontrole. Mas
outras linhas de pesquisa apontam que o teste de marshmallow pode ser uma
combinação de personalidade inata com o comportamento aprendido, a partir do
ambiente. Enfim, este é um estudo que não se esgota e terá sempre interessantes
pesquisas relacionadas a ele.
Fonte: Neurologic.blog
Para quem ainda não teve a oportunidade de conhecer o teste, eis o vídeo do mesmo:

Amei !!!! Nós estudamos tanto, cuidamos e fazemos de tudo para desenvolver os filhos dos outros, e nessa matéria consegui enxergar demais o meu filho, entendê-lo !!!!!
ResponderExcluirQue bom que gostaste Giselle,pois apesar do teste ter muitos anos, ele trouxe muitas contribuições a cerca do comportamento das pessoas! Abçs
ExcluirIsso pode mudar o modo de educarmos nossos filhos.
ResponderExcluirImpressiona o comportamento diferente das crianças. Mesmo que vários não comam o doce ,eles têm também cmportamentos diferentes diante do doce. Mostra controle, principalmente e obediência.Muita contribuição para pais e professores.
ResponderExcluirAchei perfeito
ResponderExcluirAchei perfeito
ResponderExcluir