domingo, 7 de abril de 2013

Ganhar na loteria faria de você uma pessoa mais feliz?


 


     O fascínio por aquilo que o dinheiro pode ofertar às pessoas mexe com seus imaginários. Faz sonhar alto, visualizar soluções rápidas para situações necessárias. Alguns mostrariam despreparo para tal situação, outros lidariam com naturalidade. Mas, a pergunta inicial não gerava em torno do que fazer com o dinheiro, mas sim com um estado individual que todos anseiam: FELICIDADE.
     É um estado alimentado por transitórios prazeres simples, bem como as recompensas mais constantes de atividades que só fazem sentido a partir de uma perspectiva de anos ou décadas.

“Nossa tendência é compararmos nosso jardim com o do vizinho que tem mais flores, parece que tudo ali floresce com maior facilidade, porém esquecemos que o ano tem 12 meses, e nem todas as flores exaltam sua beleza ao mesmo tempo, no mesmo lugar.”

     Um famoso estudo feito pelos psicólogos Philip Brickman e Donald Campbell, mostrou que ganhadores de loteria voltavam aos níveis de satisfação anteriores em menos de um ano, o que chamaram de “Esteira hedonista”, ou seja, não importa o quanto corremos em busca do prazer, ficamos sempre no mesmo lugar, pois bens materiais dão prazer transitório, porque nos adaptamos ao novo padrão de vida ou ao bem adquirido, seja pelo fato de ele perder a capacidade de satisfazer rapidamente ou porque nosso nível de exigência tenha crescido e deixamos de dar o mesmo valor a ele.
   Outros estudo feitos com pessoas que já experimentaram acontecimentos extremamente positivos(1) ou extremamente negativos(2) e até trágicos, evidenciou que as pessoas do primeiro grupo nem sempre eram as mais felizes do que as do segundo. Por exemplo, ganhar na loteria daria uma alegria imensa, mas em pouco tempo dependendo da vida anterior dessa pessoa, seu nível de humor voltaria ao mesmo de antes. No segundo caso, pode-se citar o caso de alguém que fica paraplégico (paralisado da cintura para baixo), retorna em grande parte a seus níveis basais de felicidade alguns meses após o acidente. (Silver, 1982)
    Também existe o mito de que dinheiro pode comprar felicidade, porém a revista Forbes, pesquisou a vida de quatrocentos norte-americanos milionários e conclui que o nível de satisfação com a vida deles variava entre uma escala entre 5 a 7 postos, ou seja, não era tão diferente daqueles que tem uma renda média.
     Brickam e Campbell enfatizaram que para ser feliz é preciso ter dinheiro suficiente para ter conforto e bem-estar, pois é difícil ser feliz quando precisamos nos preocupar em colocar comida na mesa ou pagar o aluguel do próximo mês. A conclusão à qual chegaram é que se as pessoas possuem dinheiro para satisfazer as suas necessidades básicas, os torna mais felizes do que aquelas que receberam um grande prêmio.
    Embora as circunstâncias da nossa vida certamente possam afetar a nossa felicidade em curto prazo, grande parte da nossa alegria em longo prazo é surpreendentemente independente o que nos acontece. Mais do que gostaríamos de admitir, a felicidade é, pelo menos, tanto o resultado do que fazemos das nossas vidas quanto as nossas próprias vidas. Para o psicólogo e especialista em felicidade, Ed Diener, “uma pessoa encontra satisfação nos prazeres porque está feliz, e não o contrário”.

Fonte: SCOTT, O. Lilienfeld. Os 50 maiores mitos populares da psicologia: famosos equívocos sobre o comportamento humano. São Paulo: Ed Gente, 2010.

Um comentário:

  1. Ganhar na loteria me faria muito feliz sim!

    Eu possuo uma mente equilibrada e concerteza saberia usar muito bem essa quantia.

    Abração!

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