As emoções estão presentes em todo desenrolar
da história humana, embora algumas vezes tentam passar despercebidas, pois somos sujeitos “treinados”
a não demonstrá-las. Expressões tais como: - “o que acontece em casa, não se
leva ao trabalho, nem o que acontece no trabalho se leva para casa”, são
indicadores que temos que nos “robotizar”. Contudo, a própria ficção científica vem querendo “humanizar”
seus robôs, atribuir-lhes sentimentos. Por exemplo: A.I. Inteligência
Artificial é um filme em que uma equipe de cientistas decidiu construir robôs
crianças com sentimentos humanos, sendo que o garoto David Swinton
(interpretado por Haley Joel Osment) passou por uma jornada emocional intensa. No caso aqui, tratava-se de um robô, mas e quanto a nós, quantas jornadas emocionais enfrentamos
no contexto. Ainda conseguimos distinguir emoções de trabalho separadas das do
lar? Será que somos tão equilibrados quanto realmente demonstramos ser?
Falar de emoções não é falar de nenhuma novidade, pois
Platão já as considerava como parte de uma metáfora em que o cocheiro tenta
controlar dois cavalos: um é facilmente domável e não precisa ser conduzido,
enquanto o outro é selvagem e possivelmente perigoso. Alvarenga (2007, p. 15)
ao falar da importância das emoções nos diz que:
Para diminuir a força
das emoções, fomos educados, ou melhor, domesticados como qualquer animal
selvagem. Classificadas como processos de segunda classe, nossos pais e
professores nos ensinaram a conter a manifestação de nossas emoções. Uma vez
treinados e domesticados, sentimos vergonha e culpa, quando, sem querer, as
expressamos diante dos outros; de outra forma: fomos treinados para domar o
animal que habita o interior do organismo. Presos à classificação dual (bom e
mau, Deus e Demônio, bonito e feio, forte e fraco, inteligente e idiota), fomos
incentivados a expressar o visto como oposto às emoções, ou seja, nossos
pensamentos. Classificamos e passamos a acreditar na nossa categorização que a
razão (cognição) é a parte divina nossa, a valorizada e importante para o ser
humano.
No entanto são nossas
emoções que nos trazem lembranças de nossas necessidades, nossas frustrações,
alegrias e projeções, nos levam a fugir de situações difíceis ou querer ficar
acolhidos dentro de situações que nos dão prazer. Entretanto alguns sentem
sobrecarga de suas emoções e em muitos momentos tem dificuldades de lidar com elas
e eis aí que surge a necessidade da regulação emocional, pois o contrário, a desregulação
emocional pode levar o indivíduo a queixar-se, provocar e atacar ou isolar-se se
afastando dos outros. Muitos podem achar que conseguem por si só, fazer este
reequilíbrio, mas por outro lado pode levar a um caminho mais doloroso, pois o
fato de tentar descobrir o que está acontecendo consigo, pode levar o indivíduo
à depressão, ao isolamento, à inatividade, a um processo de ruminação (pensamentos
negativos, repetidos sobre o passado ou o presente). A desregulação emocional
seria a dificuldade ou inabilidade de lidar com experiências ou processar as
emoções, podendo se manifestar como intensificação excessiva quanto desativação
excessiva das emoções.
Por exemplo, Leahy,
Tirch & Napolitano (2013) explicam que a intensidade emocional pode se
tornar tão insuportável para alguns que um “tempo limite” autoimposto é, às
vezes, a intervenção de primeira linha, como no caso do comportamento de
automutilação, onde a desregulação emocional utiliza-se deste mecanismo negativo
como forma de reduzir as emoções intensas. A automutilação libera endorfinas,
que temporariamente reduzem a intensidade emocional negativa da ansiedade e da
depressão.
Todos vivenciamos
emoções de vários tipos e tentamos lidar com elas de maneiras tanto eficazes
quanto ineficazes. Leahy, Tirch & Napolitano (2013) nos dizem que o verdadeiro
problema não é sentir ansiedade, e sim nossa capacidade de reconhecê-la,
aceita-la, usá-la quando possível e continuar a funcionar apesar dela. Sem
emoções, nossas vidas não teriam significado, textura, riqueza, contentamento e
conexão com outras pessoas. As emoções nos lembram de nossas necessidades,
nossas frustrações e nossos direitos – nos levam a fazer mudanças, fugir de
situações difíceis ou saber quando estamos satisfeitos. Ainda assim, há muitas
pessoas que se sentem temerosas dos sentimentos e incapazes de lidar com eles
por acreditar que a tristeza e a ansiedade impedem um comportamento efetivo.
O avanço neurocientífico
nos traz informações sobre a neurobiologia das emoções, sugerindo quais as
regiões interrelacionadas no cérebro podem funcionar como circuitos reguladores
das emoções, tais como a amígdala, o hipocampo, a ínsula, o córtex cingulado
anterior e as regiões dorsolaterais e ventrais do córtex pré-frontal, contudo o
que estes estudos na realidade não relatavam é justamente o como regular nossas
emoções, como nos tornar mais equilibrados frente determinadas situações.
Na atualidade, está
muito em voga a questão da inteligência emocional onde percebemos nossas emoções,
procuramos ter habilidades de usá-las para tomar decisões, compreendemos a
natureza das mesmas, a fim de descartar interpretações negativas em torno deste
assunto e dessa forma poder manejá-las e controlá-las em nosso benefício. Um
dos mais consagrados autores que abordam esta questão se faz presente na figura
de Daniel Goleman, mas entre ler o como tornar nossas emoções mais “controladas”
e ter alguém que nos oriente de como fazer isso, com certeza a segunda opção é
a melhor.
Estudos voltados à
neurociência emocional, na teoria do apego e aos conceitos de inteligência
emocional apontam para a terapia focada na emoção (TFE) que é uma terapia
experimental e humanística, ela é baseada em evidências e empiricamente fundamentada,
o terapeuta também pode atuar como um treinador (coach) emocional que ajuda os pacientes
a serem mais efetivos e adaptativos no processamento de suas reações
emocionais. A TFE sugere que as emoções influenciam a cognição, bem como a
cognição influencia as emoções, sendo que as experiências emocionais envolvem
alto nível de atividade sintetizada e sincronizada entre os sistemas biológicos
e comportamentais humanos.
Fonte:
ALVARENGA, Galeno. O poder das
emoções. 2007. Disponível online em www.galenoalvarenga.com.br
LEAHY, Robert. TIRCH, Dennis. NAPOLITANO, Lisa. Regulação
Emocional em Psicoterapia: Um Guia para o Terapeuta. Porto Alegre: Artmed,
2013.

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