quarta-feira, 22 de maio de 2013

Manual dos Transtornos Escolares


    Ao falar sobre neurociências e educação, falamos sobre padrões de comportamento humano: como os alunos aprendem, de que modo podemos tornar sua aprendizagem mais eficiente. Recordo que há pouquíssimo tempo, os alunos que apresentavam um padrão diferencial dos demais eram praticamente fadados à repetência escolar e assim sucessivamente sendo poucas as propostas realmente eficazes visando tornar o indivíduo como um ser de aprendizagem.
     Após muitas décadas de investimento no contexto educacional e no desenvolvimento científico podemos dizer que progredimos. Já não somos mais os mesmos, nos reconhecemos como seres inacabados e imperfeitos. Através das ciências descobrimos o que muitos teóricos do âmbito educacional já nos alertavam: os alunos precisam de estímulos, de pessoas que acreditem no seu potencial e que são capazes de criar condições para que ocorra a neuroplasticidade.
      Por outro lado, a escola se viu repleta de situações que  requerem muita perspicácia, estudo e comprometimento dos profissionais que por ali se encontram. Ainda tenho guardado recortes de palestras onde uma das frases mais enfatizadas eram: "precisamos entender o aluno como um ser biopsicossocial"... Entretanto hoje, precisamos mais, muito mais... Nestes recortes de palestras, também me veio a lembrança de que: "um excelente professor deveria ter sempre um bom dicionário", afinal de contas, somos mestres em nosso ofício...
Manual dos Transtornos Escolares - pág 141
      Mas hoje, qual seria o melhor dicionário? Talvez, ele não deveria conter apenas palavras, mas sim instruções, propostas de aprendizagem, um ótimo dicionário seria aquele que nos orientasse em como lidar com diversas situações que ocorrem no dia a dia, como compreender este ser “neurobiopsicossocial” que tem diversas facetas, diversos modos de ser, diversas maneiras de aprender... Em certas ocasiões ainda tenho minhas dúvidas sobre o que fazer com o aluno que não está aprendendo, o aluno que copia lento demais "quando todos já estão prontos há muito tempo", ou mesmo, no caso de uma determinada síndrome, qual a melhor proposta de aprendizagem para este indivíduo?

     Certo tempo atrás me deparei com um excelente “dicionário”, daqueles que não podem faltar em casa, na escola, na vida de qualquer profissional que trabalha com melhorias de aprendizagem. O nome por si só já diz muito “Manual dos Transtornos Escolares”, cujo autor é o Dr. Gustavo Teixeira. Numa leitura prazerosa e esclarecedora, repleta de fatos atuais, a narrativa do livro vem recheada de exemplos, propostas de intervenções tanto para pais, quanto para professores, bem como para qualquer profissional que atue na área do desenvolvimento humano.
     Além de conceituar diversos transtornos, síndromes e dificuldades de aprendizagem o livro nos arremete ao entendimento neurocientífico e o comprometimento de ações que  realizadas entre escola, família e profissionais da saúde podem levar a significativas melhorias. Bem, o livro é muito interessante mesmo, daqueles que começamos a ler e não queremos parar enquanto não chegarmos ao final, mas com certeza ele será muitas vezes folheado e utilizado como pesquisa, pois quando trabalhamos com seres humanos, precisamos entender como este ser pensa, de que forma podemos ajudá-lo e como tornar nossas práticas de ensino mais eficazes. Como profissionais de educação somos seres que trabalham com melhorias, então precisamos ser os melhores, estar em constante busca do melhor, pois muitos dependem de nossos conhecimentos para obter verdadeiras alavancas em suas vidas.

Manual dos Transtornos Escolares (Editora Best Seller, R$19,90), sexto livro da carreira do psiquiatra, foi baseado em um curso que o especialista oferece na Brigdewater State University (universidade do estado de Massachusetts, nos Estados Unidos) sobre psicoeducação. A ideia, segundo ele, foi unir o conhecimento adquirido no exterior com sua experiência clínica do Brasil.

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