Ela tinha uma mania específica, adorava colocar os dedos
entre os cabelos e enrolá-los, do nada se percebia fazendo este gesto. Talvez
fosse algo que trouxesse desde a infância. Seus cabelos sempre foram foco de
interesse, em alguns momentos percebia-se sentido o comprimento do fio,
alisando-o com a mão. Num determinado dia, o ato de enrolar e sentir o fio já
não era mais suficiente, começou a arrancar fio a fio, sentia prazer em separar
um único fio e puxá-lo, em seguida ficava contemplando o mesmo, observando cada
detalhe... e foi assim que deparou-se no espelho com cicatrizes em sua cabeça,
havia locais em que seus cabelos não cresciam mais...
O nome lembra “tricô”, mas na verdade essa palavra
cunhada pela dermatologista francês Henri Hallopeau nos arremate a um transtorno
antes característico apenas em adultos, mas que de uns tempos vem sendo
percebida em crianças e adolescentes. O termo Tricotilomania, TTM, (trhix em
grego significa cabelo etillein refere-se a arrancar) aparece na literatura científica
como casos em que o indivíduo “arranca cabelo”. As áreas mais comuns para puxar
cabelo são o couro cabeludo, cílios e sobrancelhas, mas pode envolver o cabelo
em qualquer parte do corpo. Em crianças, a tricotilomania ocorre igualmente em meninos
e meninas. Em adultos, é mais comum em mulheres do que em homens.
Segundo Toledo alguns podem arrancar só fios que estão
nascendo ou os mais curtos, os mais grossos, os longos, os com textura ou cor
diferentes, o grosso ou o escuro. Alguns arrancadores de cabelos demonstram
interesse no cabelo alisando-o, sentindo o fio na mão, correndo o fio entre os
lábios, mordendo a raiz ou comendo o fio ou parte dele. Crianças com TTM
frequentemente se ocupam de outros comportamentos impulsivos, como onicofagia (roer
unha), arrancar a cutícula ou cutucar ferimentos (skin picking), contrair a
face, morder as juntas dos dedos, chupar o dedo polegar, bater no rosto,
mastigar ou morder a língua, bruxismo (ranger os dentes), bater a cabeça na
parede, masturbar-se, beliscar, morder ou torcer os lábios e balançar o corpo.
Episódio de arrancar o cabelo podem ocorrer em qualquer
lugar e durar minutos ou horas. Em crianças com TTM pode ser passageira,
episódica ou contínua, e podem durar semanas ou meses até interromper o
comportamento, levando a acreditar que está completamente livre, mas inesperadamente
ter um súbito e inexplicado retorno da TTM. Como qualquer transtorno, há graus
de severidade. Para alguns a perda pode ser mínima; para outros, o dano pode
ser extenso, até mesmo chegar à calvície total.
Muitas crianças planejam e desenvolvem seu próprio
tratamento antes de buscar ajuda formal. Elas reconhecem a necessidade de
manter as mãos ocupadas ou de ficar com elas quietas enquanto fazem atividades
como ler para impedir que uma das mãos inicie o ato de arrancar cabelo, pois a
TTM teria a função calmante, semelhante a outros comportamentos ( p. ex. chupar
dedo). Entretanto quando estas tentativas falham, principalmente em
adolescentes, começa a tentativa de disfarçar os danos causados (perda do
cabelo) fazendo penteados especiais, maquilagem, uso de chapéus, bonés,
lenços...
Conforme Rufer, a tensão interna causada por medos, inibições
sociais, dificuldades de expressão de emoções e estados depressivos faz com que
os sintomas sejam mantidos. E frequentemente acrescenta-se a ele a força do
hábito: arrancar cabelos torna-se um ritual diário, por exemplo, ao dirigir,
ler ou telefonar, que ocorre de forma inconsciente e automática, sem um
desencadeador concreto. Além desses fatores psicossociais, causas biológicas,
como o genótipo, por exemplo, parecem desempenhar papel importante: estudos
mostram que o transtorno surge com frequência de 5% a 8% acima da média se
outro membro da família já sofre do mesmo problema. O quadro, no entanto, não
pode ser atribuído apenas à herança genética; também pode ser explicado como
comportamento aprendido.
A tricotilomania é muito mais que uma 'mania' de arrancar
os fios de cabelo. É um distúrbio sério que vem acompanhado de outros problemas
e merece muita atenção e que pode trazer danos irreversíveis ou de difícil
tratamento.
Fonte:
TOLEDO. Edson Luiz. TARAGONO, Rogéria. CORDÁS, Táki. Tricotilomania. São Paulo: Revista Psiquiatrica
Clínica. Vol 37, nº 6. 2010. Disponível online em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832010000600003
TOLEDO. Edson Luiz.
Tricotilomania. In PETERSEN. WAINER. Terapias Cognitivo
Comportamentais para Crianças e Adolescentes. Porto Alegra: Artmed, 2011.
RUFER, Michael. Arrancando os cabelos. Disponível online
em http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/arrancando_os_cabelos.html


EU TENHO ISSO E NAO CONSIGO CONTROLAR, SINTO VERGONHA, EU TENHO 38 ANOS E A UNS 15 OU MAIS TENHO ISSO, MEUS CABELOS E TÃO POUCO E RALOS, QUE TENHO VERGONHA DE SAIR A RUA, E DEPRIMENTE
ResponderExcluirGostaria muito de ajuda. Faço isso e chupo 2 dedos até hj, 44anos.
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