sábado, 20 de julho de 2013

Neuropsicopedagogia e aprendizagem

Ana Lúcia Hennemann
 

      Entender as regiões cerebrais, saber qual área é responsável por determinadas funções nos faz ter vistas para abordagens de intervenções possíveis a serem realizadas. Na atualidade, com grande enfoque na aprendizagem, o Neuropsicopedagogo através de uma abordagem neurológica, psicológica e pedagógica pautado no estudo de distúrbios, incapacidades e processos normais de aprendizagem tem a possibilidade de realizar avaliações de processos na estrutura, na organização e no funcionamento cognitivo do sistema nervoso central, assim como posterior planejamento e ação interventiva.
      Este profissional, dentro do espaço da saúde e da educação, por si só, não faz todo um trabalho de maneira complementar é necessário uma equipe interdisciplinar que o acompanhe, entretanto um dos fatores diferenciais que privilegiam a atuação neuropsicopedagógica é justamente a compreensão do papel do cérebro do ser humano em relação aos processos neurocognitivos e possíveis aplicações de estratégias pedagógicas nos diferentes espaços da escola e da saúde.
   No livro Neurônios da Leitura, Dehaene, traz a abordagem neurocientífica para problemáticas que anteriormente eram retratadas somente como um indivíduo que tivesse dificuldade de aprender, muitos deles eram deixados à margem do contexto escolar, repetindo seguidamente o ano, sem que nenhuma intervenção fosse realizada no intuito de promover a aprendizagem daquele ser, um dos exemplos a serem citados seria o caso dos disléxicos, portanto, os estudos deste neurocientista nos mostram que atrás daquele indivíduo existe todo um trabalho neuropsicopedagógico a ser realizado, ou seja, precisamos entender qual região cerebral se encontra lesada e a partir disto ter propostas de intervenções, pois precisamos acionar dispositivos que forneçam novas rotas neuronais para que a aprendizagem ocorra:
As neurociências da leitura mostram que cada cérebro de criança dispõe de circuitos neuronais capazes de aprender a ler. [...] Mesmo para uma criança disléxica, ou para um adulto analfabeto existem soluções. A plasticidade cerebral é tal que é possível contornar as dificuldades da leitura por vias cerebrais incomuns. Estamos, contudo, apenas nos primeiros balbucios da ciência da leitura. A melhor compreensão do desenvolvimento da leitura, o aparecimento de softwares educativos e a adaptação ótima ao cérebro da criança oferecem grandes esperanças a todos aqueles para quem ler permanece uma prova. [...] À medida que emerge um consenso científico sobre os mecanismos da leitura, seu ensino deveria progressivamente se transformar numa autêntica “neuro-psico-pedagogia”: a ciência unificada e cumulativa onde a liberdade de ensino não é negada, mas voltada para a pesquisa pragmática de um ensino melhor estruturado e mais eficaz. (DEHAENE, 2012, p. 344,345)

      A terminologia Neuropsicopedagogia abrange justamente esta visão de Dehane; - neuro oriundo do grego  neûron = nervo: ; - psico em latim Psiché que significa Alma: ; - pedagogia do grego antigo paidagogós, era inicialmente composto por paidos (“criança”) e gogía (“conduzir” ou “acompanhar”).  Então a neuropsicopedagogia abarca justamente o conduzir, o acompanhar o indivíduo em todo seu processo de aprendizagem, preocupando-se com o seu todo.
        A mesma compõe-se de conhecimentos propostos pela neurociência, pela psicologia e pela pedagogia tendo como objetivo central: potencializar o processo de ensino-aprendizagem das pessoas com quem interagem. O profissional de neuropsicopedagogia, portanto, é um dos elementos mais importantes para desenvolver e estimular novas "sinapses", para um verdadeiro processo de ensino aprendizagem.
      Com o intuito de promover a aprendizagem, o neuropsicopedagogo trabalha inicialmente com a observação, procurando observar quais são as potencialidades a serem estimuladas em determinada pessoa, qual o melhor método de aprendizagem para tal indivíduo, que estratégias usar que tornem a aprendizagem daquele indivíduo realmente eficaz. Às vezes pequenos ajustes podem ser de grande valia a um indivíduo, por exemplo: um aluno que por volta de seus 8 anos, demora para realizar a cópia das atividades, distrai-se com facilidade, poderia ser simplesmente ser encaminhado com a suspeita de déficit de atenção, entretanto num olhar mais sistematizado, analisando o todo deste caso, nota-se que a leitura do mesmo não está fluente, portanto na hora da cópia, o aluno vai focalizando sílaba por sílaba, ao invés do todo da palavra, evidenciando aí que o trabalho de intervenção deste indivíduo se dará justamente no entorno “fluência de leitura”, ou seja, serão feitas atividades que buscam a excelência desta área, procurando dessa forma otimizar várias outras questões que aparentemente se mostram deficitárias.
     Dessa forma, o neuropsicopedagogo é o profissional que tem clareza política e pedagógica sobre as questões educacionais e a capacidade de interferir no estabelecimento de novas alternativas e encaminhamentos no processo educativo, procurando compreender e analisar o aspecto da aprendizagem como uma forma sistêmica, abrangendo a todos os educandos com dificuldades de aprendizagem e procurando auxiliá-los na reestruturação de sua forma de aprender.

Fonte bibliográfica:
DEHAENE, Stanislas. Os Neurônios da Leitura: Como a Ciência explica a nossa capacidade de ler. Porto Alegre: Penso Editora, 2012.



Nenhum comentário:

Postar um comentário