quinta-feira, 18 de julho de 2013

Reservas Cognitivas



    Quantos caminhos que o seu cérebro tem? Nossos pensamentos se deparam com uma grande e diversificada rede de vias sinápticas, com trilhões de sinapses, que formam um incrível número de conexões possíveis.
    Cada cérebro humano tem mais potenciais combinações sinápticas do que átomos no universo, porém,  infelizmente, doenças podem devastar essas conexões.  A doença de Alzheimer e outras demências são pelo menos parcialmente causadas ​​pelas placas que se acumulam nos espaços entre as células nervosas, inibindo suas comunicações. Os cientistas que estudam a doença teorizam que, quando as vias neurais importantes ficam bloqueadas, o cérebro faz exatamente o que fazemos quando nos deparamos com um obstáculo: procuramos outro caminho para seguir em  frente.
      A capacidade de nossos cérebros para religar-se dessa forma é uma parte importante do que os cientistas chamam de reserva cognitiva. Simplificando, a reserva cognitiva é o número potencial de rotas alternativas no atlas do nosso cérebro. Pessoas com uma elevada quantidade desta reserva têm diversas e extensas redes neurais flexíveis que permitem que os seus cérebros se adaptem  e procurem encontrar maneiras de contornar deficiências cognitivas.
    Conforme Ricardo Marchesan, sócio-fundador do Cérebro Melhor, “A reserva cognitiva pode ser entendida como o conjunto de circuitos alternativos do cérebro que, na falta súbita de algum circuito, permite que outros sejam recrutados para dar conta do recado. Isso explica, por exemplo, por que algumas pessoas permanecem em forma e pensando com clareza ao longo de toda a vida enquanto outras pessoas não”.
     Para  manter as reservas cognitivas precisamos estar em  constante aprendizagem, conforme  o site Cérebro Melhor, a educação formal ajuda muito nas melhorias cognitivas:De fato, o maior fator de proteção contra a demência senil e a demência neurodegenerativa é simplesmente a educação formal: quanto mais tempo se passa na escola, menor se torna a probabilidade de um dia ter sinais da doença de Alzheimer, por exemplo.

     Falando sobre Reserva Cognitiva, Nick Fox, um cientista do Instituto de Neurologia de Londres conta que: Um professor universitário chegou à sua clínica relatando que sua memória estava debilitada. Porém, os testes psicométricos indicavam que ele estava bem, e sua família comentou que não notavam nada de diferente no comportamento dele. Mas o professor disse que quando ele jogava xadrez, costumava pensar que nove movimentos à frente, e agora ele só conseguia pensar cinco anos à frente. Algumas semanas mais tarde ele veio a falecer e através da autópsia constatou-se que ele tinha Alzheimer, num nível bem avançado. Apesar disso, seu cérebro ativo tinha reserva suficiente para amortecer quase todas as manifestações da doença.
     Citando ainda Nick Fox: se seus pensamentos sempre viajam pela mesma estrada, um dia, que a estrada está fechada, você poderá ficar em apuros. Se uma pessoa vive uma vida de rotina, geralmente faz a mesma coisa dia após dia e não é desafiado por seu trabalho, certamente não vai ter um cérebro tão flexível como alguém que vive em um ambiente estimulante, desafia a si próprio, mantém curiosidade sobre o mundo, e busca a aprendizagem ao longo de sua vida.
     Desenvolvendo a sua reserva cognitiva não quer dizer que irá impedir a doença de Alzheimer, mas as pessoas com alta reserva cognitiva podem viver com a doença durante anos sem sofrer nenhum sintoma. Os cientistas dizem que os cérebros com recursos vão encontrar novas maneiras de realizar as funções necessárias. Enquanto uma pessoa com baixa reserva cognitiva pode começar a ter perda de memória de curto prazo dentro de alguns meses, logo que começar a desenvolver a doença. Porém, uma pessoa com alta reserva cognitiva pode viver entre cinco ou seis anos antes de se detectar qualquer evidência de imparidade.
     Pessoas que estão em constante aprendizagem, cuidam de sua alimentação, procuram comer vegetais verdes, frutas com antioxidantes, peixe e nozes, que são ricos em ácidos graxos ômega-3 e também fazer exercícios regularmente terão muita reserva cognitiva e muita saúde no decorrer de sua vida!
Imagem: Cérebro Melhor

Fonte:
BARROS, Nicole. MIRANDA, Marco, PIERINA, Fernanda. As reservas cognitivas tornam o cérebro mais resistente aos danos decorrentes do envelhecimento, ou de doenças. Disponível online em http://www.fisiobrasil.com.br/main.asp?link=noticia&id=642
CÉREBRO MELHOR. Por que funciona: Reservas Funcionais. Disponível online em http://www.cerebromelhor.com.br/reservas_funcionais.asp

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