domingo, 27 de outubro de 2013

Neurociência no Contexto Histórico

       A Neurociência é um campo novo, entretanto, possui influências de longas datas históricas; pautada em estudos científicos e não científicos que são descritas desde a filosofia grega até os modernos exames de imagens atuais. Perguntas tais como: "onde está a mente?" e "como a mente interage com o corpo" deram vazão a muitas pesquisas que constituíram alicerces importantes do que hoje se entende por neurociência, entre os quais podem ser destacados os seguintes fatos:


Período Neolítico:

Trepanações cerebrais para expulsar os demônios do corpo. Era utilizado um trépano (uma ferramenta de pedra) para cortar fora uma seção do crânio da pessoa, supostamente para fazer sair do corpo os espíritos malignos que causavam transtorno.

Grécia:
Surgem as perguntas mais sistematizadas sobre onde está a mente e como ela interage com o corpo.
Demócrito (460 – 370 AC)  e Hipócrates sugerem que a mente está no cérebro e que os nervos são ocos. Essas intuições filosóficas foram baseadas na instrumentação clínica, pois à época, não se dissecava os cadáveres.
- Hipócrates (460 – 379 AC) acreditava que o cérebro estava envolvido com as sensações e que era a sede da inteligência.
- Aristóteles (384 – 322 AC) propôs que o coração era a sede da inteligência e o cérebro, uma espécie de radiador responsável pelo resfriamento do sangue. Pelo coração ter alterações durante eventos emocionais, só podia ser nele a origem da mente. Ele tinha essa ideia por observação, pois uma pessoa com uma emoção forte fica com o coração acelerado, por exemplo. Disso ele fez a associação inversa de causa e efeito. Essa constatação Aristotélica tem heranças até hoje. Por exemplo, quando falamos que decoramos um texto de cor, significa que decoramos o texto de coração, situando a memória também no coração e não no cérebro.

Idade Média
Galeno pela primeira vez refuta o que diz Aristóteles a partir da dissecação de animais. Na época, o animal que ele tinha como escolha era o Boi. Galeno (130 – 200 DC) aceitou as idéias de Hipócrates
- sugeriu que o cérebro fosse responsável pelas sensações e o cerebelo pelo controle dos músculos;
Galeno associou a imaginação, a inteligência e a memória com a substância cerebral, atribuindo ao cérebro o papel fundamental de sede de todas as faculdades mentais.

Raio X:
Poucos acontecimentos na história da ciência provocaram impacto tão forte quanto a descoberta dos raios X, por Wilhelm Konrad Roentgen, professor de física na Universidade de Würzburg. A 22 de dezembro de 1895, Roentgen obteve a primeira chapa radiográfica da história: a mão de sua mulher.

Tomografia Computadorizada:
Em 1972, a primeira máquina de tomografia é criada, que é um método de imagem que utiliza raios-x para captação de imagens de estruturas crânio-encefálicas.
Em vários congressos, a palavra Neurociência começa a surgir.

Tomografia Computadorizada por Emissão de Pósitrons:
Em 1973, o primeiro PET, porém, devido o alto preço, seu uso ficou limitado até 1990. Também conhecida pela sigla PET, é um exame imagiológico da medicina nuclear que utiliza radionuclídeos que emitem um positrão no momento da sua desintegração, o qual é detectado para formar as imagens do exame.. A PET é um método de obter imagens que informam acerca do estado funcional dos órgãos e não tanto do seu estado morfológico como as técnicas da radiologia propriamente dita. A PET pode gerar imagens em 3D ou imagens de "fatia" semelhantes à tomografia computorizada.

Década do cérebro:
Em 1990, Bush declara que estamos, oficialmente, na década do cérebro. A partir daí vários projetos de pesquisa iniciaram-se com o objetivo de mapear o cérebro, pois a pesquisa e o interesse em neurociências tem crescido em resposta à necessidade de, não somente entender os processos neuropsicobiológicos normais, mas também ajudar àqueles que sofrem de distúrbios neurológicos.

Projeto Conectoma:
Termo criado em 2005, por Olaf Sporns, professor da Universidade de Indiana – USA. Trata-se das pesquisas científicas realizadas na tentativa de se mapear a rede neural (o conjunto das ligações entre os neurônios) do cérebro.
A Neurociência busca compreender o funcionamento do sistema nervoso, integrando suas diversas funções (movimento, sensação, emoção, pensamento etc).
Compreender como o sistema nervoso - e em particular o córtex cerebral – funciona é um importante passo para aperfeiçoarmos suas diversas funções, intervindo de forma eficaz no processo de aprendizagem.

           De modo mais agradável, segue o vídeo elaborado pelo Dr Renato Sabbatini retratando toda a história inicial da Neurociência...




Fontes consultadas:
TABACOW, Luiz Samuel. Contribuições da Neurociência Cognitiva para a formação de Professores e pedagogos. Campinas; PUC, 2006.
GAZZANINGA. Neurociência Cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 2006.

Um comentário: