quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O cérebro já não é mais o mesmo

Marrocos & Porto

     Em recentes comprovam este novo conceito do cérebro. Uma das pesquisas mais emblemáticas foi conduzida pelo médico português António Damásio, um dos grandes nomes da neurociência e professor da University of Southern California. Ele forjou a invasão de uma casa com homens  encapuzados, que assaltaram as pessoas.
      Nenhum dos presentes viu o rosto dos supostos ladrões. Depois ele criou uma situação para que um dos “assaltantes” passasse na rua ao lado de uma das pessoas que estavam na residência. Ela teve uma sensação horrorosa, algo que não estava na elaboração mental dela, mas, sim, em seu corpo. Automaticamente, ela vinculou aquele sujeito a seu lado a um episódio de estresse e angústia.
      Essa associação comprovada pela experiência feita por António Damásio apenas revelou a importância de um mecanismo fundamental para o entendimento desta nova concepção sobre o funcionamento do sistema nervoso e, mais especificamente, do cérebro: os marcadores somáticos. Segundo a tese de Damásio, os marcadores somáticos podem guiar o processo emocional, o comportamento,  principalmente a tomada de decisões. São  associações entre estímulos e um estado  afetivo e fisiológico, capazes de interferir em  nosso processo cognitivo.
      A tese de António Damásio apenas reforça a ideia  de que o cérebro está  em todas as partes, ou  seja, há um sistema  integrado que rege as  reações nervosas e emocionais. Nosso corpo é cheio de marcadores somáticos, sensores que  captam deslocamentos táteis, vozes, gestuais,  enfim, qualquer fenômeno externo capaz de criar uma resposta interna. Essas sensações  são enviadas para as diversas regiões do  cérebro, que funciona como uma espécie de  satélite e retransmite o sinal para o corpo.
[...]
     Quando disse que o  homem pinta com o cérebro e não com as  mãos, Michelangelo atirou no que viu e  acertou no que não viu. A partir desta nova  concepção do sistema nervoso, cérebro e  mãos funcionam como um só órgão.

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