sábado, 23 de fevereiro de 2013

Há um período crítico para a aquisição da linguagem?


Em 1970, uma menina de 13 anos chamada Genie (nome fictício) foi descoberta em um subúrbio de Los Angeles. Vítima de violência por parte do pai, ela foi confinada por quase 12 anos em um pequeno quarto na casa dos pais, amarrada a uma espécie de “troninho”(vaso sanitário) e isolada do contato humano normal. Ela pesava só 29,5 kg, não conseguia esticar braços ou as pernas nem mastigar, não tinha controle sobre a bexiga e os intestinos e não falava. Reconhecia apenas seu nome e a palavra sorry (desculpe).
Exatamente três anos antes, Eric Lenneberg sugeriu que há um período crítico para a aquisição da linguagem, que começa no início do primeiro ano de vida e termina próximo à puberdade. Lenneberg argumentou que seria difícil, ou até impossível, uma criança que ainda não tivesse adquirido a linguagem fazê-lo após aquela idade.
A descoberta de Genie acabou propiciando um teste da hipótese de Lenneberg. Genie poderia aprender a falar, ou já era muito tarde?
EXPRESSE SUA OPINIÃO SOBRE O CASO...

   O National Institutes of Mental Health (NIMH) iniciou um estudo, e um grupo de pesquisadores assumiu o comando dos cuidados de Genie, aplicando-lhes vários testes e treinamento intensivo da linguagem.
   O progresso de Genie durante os anos seguintes (antes de o NIMH suspender o financiamento e a mãe recuperar a custódia e isolá-la do contato com os profissionais que a ensinavam) tanto desafia quanto sustenta a ideia de um período crítico para a aquisição da linguagem. Genie aprendeu algumas palavras simples e podia juntá-las em sentenças primitivas, mas regradas. Ela também aprendeu os fundamentos da linguagem de sinais. No entanto, nunca usou a linguagem normalmente, e “seu discurso permaneceu, na maior parte, como um telegrama um tanto confuso”. Quando sua mãe, incapaz de cuidar dela, a entregou a diversos lares adotivos violentos, ela retornou ao silêncio total.
   Estudos de caso como os de Genie e Victor, o menino selvagem de Aveyron, ilustram a dificuldade de aquisição da linguagem depois dos primeiros anos de vida; entretanto, por haver tantos fatores complicadores, eles não permitem chegar a conclusões definitivas sobre a possibilidade dessa aquisição. Por causa da plasticidade do cérebro, alguns pesquisadores consideram os anos que antecedem a puberdade um período mais sensível que crítico para o aprendizado da linguagem.  As pesquisas de imagens do cérebro revelam que, apesar de as partes do cérebro mais adequadas ao processamento da linguagem  serem danificadas no desenvolvimento da linguagem próximo ao normal pode continuar à medida que outras partes do cérebro assumem o comando.
    De fato, acontecem mudanças na organização e na utilização do cérebro ao longo do aprendizado normal da linguagem. Neurocientistas também observaram diferentes padrões da atividade cerebral durante o processamento entre pessoas que aprendem Língua de Sinais, como linguagem nativa e aquelas que aprenderam como segunda língua, após a puberdade.
    Outra pesquisa concentrou-se em um período mais curto no começo da vida. Em algum momento, entre 6 e os 12 meses, os bebês normalmente começam a se “especializar” em perceber os sons de suas línguas. Em um estudo, bebês que, aos 7 meses, já tinham desenvolvido essa percepção fonética especializada, dois anos mais tarde apresentaram habilidades de linguagem mais avançadas do que bebês que aos 7 meses eram mais capazes de discriminar sons não nativos. Essa pesquisa, sugerem os pesquisadores, pode apontar para a existência de um período crítico para a percepção fonética: se os bebês não começam a se concentrar exclusivamente nos sons de suas línguas nativas durante aquele período, seu desenvolvimento da linguagem é desacelerado. Isso talvez explique por que o aprendizado de uma segunda língua na idade adulta não é tão fácil quanto nos primeiros anos da infância.
    Se existe um período crítico quanto um período sensível para o aprendizado da linguagem, o que explica isso? Os mecanismos do cérebro para a aquisição da linguagem declinam à medida que o cérebro amadurece? Isso poderia parecer estranho, já que outras habilidades melhoram. Uma hipótese alternativa é que esse aprimoramento na sofisticação cognitiva interfere na capacidade de um adolescente ou de um adulto aprender um idioma. As crianças pequenas adquirem a linguagem em pequenos blocos, que podem ser prontamente aprendidos. Os mais velhos, quando começam a aprender um idioma, tendem a absorver grande quantidade de uma vez e podem ter problemas para analisar e interpretar essas informações.

Estudo de caso extraído do livro O mundo da Criança

O acompanhamento completo do caso de Genie, se encontra neste link (porém em inglês) http://kccesl.tripod.com/genie.html
E para quem deseja saber mais sobre as alterações da linguagem na infância, tem este outro link aqui (também em inglês) www.alphadictionary.com/articles/ling001.html

Crônica da loucura

Imagem: Amor louco/Tumblr

O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos.
Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros  loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.
Durante quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.
O melhor da terapia é chegar antes, alguns minutos e  ficar  observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco.
Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura. E  eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no  mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão,  vejamos:
Na última quarta-feira, estávamos:

1. Eu
2. Um crioulinho muito  bem vestido,
3. Um senhor de uns cinquenta anos e
4. Uma velha gorda.

1) Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o  problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do  princípio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.
(2) O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país  racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até  aquela poltrona de vime. Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba"? notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou  suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro.
Podia  ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.
(3) E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos  também pretos?
Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo. Corno, na certa. E  manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como  era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o  Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa.
Claro, abandonado  pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
4) Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e  baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava no quinto cigarro em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve  ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.
Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista.
Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera.
Ele ri, .....  ri muito, o meu psicanalista,  e diz:
O Ditinho é o nosso office-boy.
O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.
- E você, não vai ter alta tão cedo...

Luis Fernando Veríssimo

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O ato de aprender não depende só do cérebro, mas da saúde em geral.




Exercícios físicos – aumentam a quantidade de fatores neurotróficos[1] que contribuem para estabilização das sinapses e para manutenção de memórias.



Alimentação – uma dieta balanceada, incluindo proteínas, carboidratos, gorduras, sais minerais e vitaminas, possibilita o funcionamento das células nervosas, a formação de sinapses e a formação de mielina, estrutura que participa da condução das informações entre redes neurais.



- Problemas respiratórios que perturbam o sono, anemia que reduz a oxigenação do neurônios, dificuldades auditivas e visuais não facilmente detectadas, entre outros fatores, podem dificultar a aprendizagem.

    Há outros fatores que também influenciam na aprendizagem: - Aprendizes privados de material escolar adequado, de ambiente para estudo em casa, de acesso a livros e jornais, de incentivo ou estímulo dos pais e/ou dos professores, e pouco expostos a experiências sensoriais, perceptuais, motoras, motivacionais e emocionais essenciais ao funcionamento e reorganização do sistema nervoso, enfim tudo isso pode levar à não aprendizagem sem que apresentem alguma alteração cerebral.

                                                                                GUERRA/2011




[1] Fatores neurotróficos são polipeptídicos que através de receptores específicos agem no:
- desenvolvimento; - sobrevivência; - manutenção de neurônios.
- são essenciais para a sobrevivência do sistema nervoso central e do periférico em desenvolvimento
- a classe de fatores neurotróficos mais conhecida é a das neurotrofinas: quatro principais neurotrofinas foram isoladas de mamíferos:
- o NGF (nerve growth factor)
- o BDNF (brain-derived neurotrophic factor)
- a neurotrofina 3 (NT-3)
- a neurotrofina 4/5 (N 4,5)
                                           Copray et al., 2000

O que fazemos não afeta uma rua, mas o planeta


     Estamos vivendo três poderosas revoluções. Uma delas é a globalização. As pessoas trabalham em empresas multinacionais e mudam de país, o que é bem diferente de quando as populações não tinham contato umas com as outras. A segunda revolução é a biológica. Todos os dias, o conhecimento científico se aprimora e isso afeta a maneira de ensinar e de aprender. O cérebro das crianças poderá ser fotografado no momento em que estiver funcionando, permitindo detectar onde estão os pontos fortes e os fracos e a melhor forma de aprender. A terceira revolução é a digital, que envolve realidade virtual, programas de mensagens instantâneas e redes sociais. Tudo isso vai interferir na forma de pensar a Educação no futuro.
    Portanto, ampliar a consciência humana é essencial, pois podemos fazer de nosso conhecimento tanto um uso construtivo, edificador, criativo, como também amplamente destrutivo, aniquilador, mortal. As vivências de compreensão que realmente importam são as que fazemos como seres humanos em um mundo imperfeito, que podemos afetar positiva ou negativamente.

Fonte: Cinco Mentes para o Futuro, Howard Gardner, Ed. Artmed.

Mentes que Mudam: A Arte e a Ciência de Mudar as Nossas Ideias e as dos Outros



A instigadora interação com o mundo nos proporciona aprendizagens. Entretanto, podemos aprender:

- por tentativa e erro ou acertos;
- por imitação;
- ou quando alguém ensina.

Quando crianças estamos sempre abertos para novas aprendizagens, quando adultos criamos certas resistências e nem sempre nos abrimos para novas possibilidades, novos pensamentos e é sobre este processo que transcrevo os apontamentos feitos por Gardner...

O psicólogo Howard Gardner, conhecido pela sua teoria das inteligências múltiplas, tem diversos livros publicados, e em especial cito Mentes que Mudam: A Arte e a Ciência de Mudar as Nossas Ideias e as dos Outros (2005, Editora Artmed)
A leitura é muito agradável abordando a pesquisa de Gardner sobre a melhor forma de convencer os outros (ou você mesmo) para adotar um ponto de vista diferente em vários cenários, incluindo os negócios.
Gardner enfatiza que as pessoas subestimam o quão difícil é mudar mentalidades. Quando somos criança, nossa mente muda muito rapidamente, mesmo que não nos damos conta disso; entretanto, à medida que envelhecemos e adquirimos mais conhecimento, tanto formal, quanto informal, tornamo-nos mais resistentes às mudanças. A maioria das pessoas, no momento em que são adultas, não só se acostumam a certa maneira de pensar, mas acreditam ser muito trabalhoso mudar. Por natureza, a mente humana prefere as mordomias da estabilidade às incertezas da mudança. Por outro lado também, diante o fator mudança, as pessoas subestimam o quão poderoso as resistências são, pois a maioria das mudanças mentais são graduais e ocorrem por longo períodos de tempo. Também, há uma tendência dos indivíduos em voltar às suas maneiras anteriores de pensamento. Há fatores que dificultam e outros que facilitam a mudança de nossos pensamentos. Por exemplo:

É mais fácil as pessoas mudarem quando:
- Estão num ambiente novo, cercadas por iguais que pensam diferente. Ex.: uma universidade.
- Passam por uma experiência difícil. Ex.: um acidente, divórcio, perda de emprego.
- Encontram personalidades que julgam luminosas.

E, é difícil mudar quando:
- Cultivamos uma ideia por muito tempo;
- Defendemos em público nossos pontos de vista;
- Estamos emocionalmente envolvidos em determinadas ideias.

Nesse sentido, Gardner aponta que não deveríamos desistir de mudar, mas sim estabelecer estratégias de mudanças, ter criatividade na descoberta de diversas maneiras de mudança criar alavancas para isso. Em seu livro, ele identifica as sete características em comum que potencializam o discurso persuasivo. O autor chama essas características de "vetores da mudança" (change levers), e garante: qualquer pessoa que souber manejá-los tem potencial para se tornar mais influente:

1.      Razão –  apresentação lógica e racional do pensamento. Quando estamos a tentar persuadir os outros, a razão desempenha um papel fundamental, especialmente entre aqueles que se consideram educados.
2.      Pesquisa: utilização de informações relevantes e dados objetivos na argumentação. A abordagem científica coleta de dados relevantes e analisa de forma sistemática (muitas vezes estatístico) para verificar ou lançar dúvidas sobre as tendências promissoras.
3.      Ressonância: a ideia deve parecer correta ao público, que, muitas vezes, se identifica com a mensagem.
4.      Redescrição: contar uma boa história usando diferentes “embalagens”, ter retórica a audiência precisa ser reduzida e acreditar que ganha alguma coisa – dinheiro, obras, etc.
5.      Recursos e recompensas: a pessoa precisa enxergar claramente as recompensas da mudança, as chances de alternar as opiniões de uma pessoa aumentam quando se oferece a ela a oportunidade de "experimentar" a transformação. Em termos psicológicos, isso é conhecido como o reforço positivo.
6.      Eventos do mundo real (fatos realistas): crises, guerras, tudo o que pode levar á mudança de conceitos.
7.      Resistências: devemos estar preparado para elas e saber enfrentá-las. Qualquer esforço para compreender o processo de mudança de mente deve levar em conta o poder de resistência.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Vamos pensar juntos...(construção das memórias semânticas e episódicas)




Há dois tipos de MEMÓRIA EXPLÍCITA ( memórias do indivíduo- também chamada memória declarativa: é a memória de longo prazo de conhecimentos factuais e experiências pessoais, e requer lembrança consciente).
As MEMÓRIAS SEMÂNTICAS são as memórias de conhecimentos factuais que valem para todo o mundo (significado que damos as coisas)
As MEMÓRIAS EPISÓDICAS são memórias de experiências pessoais de vida, seria um álbum que vamos compondo ao longo dos anos (p. ex., uma determinada festa que tivemos ou fomos)
PERGUNTA: O QUE CONSTRUÍMOS PRIMEIRO: MEMÓRIA SEMÂNTICA OU MEMÓRIA EPISÓDICA?

Realmente fiquei na dúvida por este motivo é que coloquei a questão de Vamos pensar juntos, mas o fato é que esta dúvida foi gerada devido a um artigo que li no blog Aprendente  onde o autor do blog transcreve um trecho do livro de Umberto Eco (A Misteriosa Chama da Rainha Loana, p. 18):

Temos diversos tipos de memória. Uma se chama implícita e nos permite executar sem esforço uma série de coisas que aprendemos, como escovar os dentes, ligar o rádio e dar nó na gravata. [...] Quando a memória implícita nos ajuda, não temos nem consciência de que recordamos, agimos automaticamente. Depois tem a memória explícita, com a qual recordamos e sabemos que estamos recordando. Mas essa memória explícita é dupla. Uma é aquela que a tendência agora é chamar de memória semântica, uma memória coletiva, aquela através da qual se sabe que uma andorinha é um pássaro... [...] Essa é a primeira que se forma, mesmo na criança; a criança aprende rapidamente a reconhecer uma máquina, ou um cão, a formar esquemas gerais [...] Mas, por outro lado, a criança leva mais tempo para elaborar o segundo tipo de memória explícita, que chamamos de episódica ou autobiográfica. Não é capaz, por exemplo, de recordar de imediato vendo um cachorro, de que no mês anterior esteve no jardim da avó e viu um cão e que foi ela própria que viveu as duas experiências. É a memória episódica que estabelece um nexo entre o que somos hoje e o que fomos, senão, quando disséssemos eu, estaríamos nos referindo apenas àquilo que sentimos agora, não ao que sentíamos antes.

Até aí, aparentemente, tudo bem, mas diante outro artigo intitulado “Divisão da memória semântica e da memória episódica” fiquei na dúvida, pois Drews nos diz que : “ Juntas, a memória semântica e a memória episódica formam a memória declarativa, ou seja, a memória factual. Evidentemente que toda a memória semântica se origina de algum episódio onde se dá a aprendizagem.” E confirmando o que Drews enunciou, também encontrei nos estudos de Fank e& Landeira-Fernandez(2006) a seguinte explicação:

...a memória pode ser episódica ou semântica. A memória episódica refere-se ao passado, sendo mais específica em termos do contexto e do tempo, ou seja, onde e quando. Atravessa o tempo, permitindo a continuidade da identidade individual, a evocação de fatos da história pessoal, como na memória autobiográfica. A memória semântica é voltada para o presente e contém o acervo de fatos e informações sobre o mundo do indivíduo, desde o conjunto de conhecimentos sobre sua linguagem, vocabulário, regras de gramática, como conceitos e significados diversos. É um acervo dinâmico de informações, mas no geral não requer a evocação temporal e de detalhes contextuais. É muito duradoura e bem mais refratária a disfunções corticais. Exemplificando, os relatos sobre um determinado acidente de automóvel são dados episódicos, já a explicação sobre acidentes de automóveis é uma informação de teor semântico e menos rica de evocação episódica. As fronteiras entre estes sistemas de memória são sujeitas a mudanças pela vontade do sujeito. Por exemplo, podemos iniciar um relato com dados mais semânticos, presentes, e dar continuidade evocando instâncias específicas que requerem um acesso episódico aos dados do passado.

Pensando sobre o assunto... relacionando com educação, e, dentro desta perspectiva, percebendo que a construção de nossas memórias de aprendizagem (explícitas) principalmente nos anos iniciais, necessitam  muito do uso de material concreto, por exemplo: se estou alfabetizando uma turma de alunos e dentro de determinado assunto que estou trabalhando, apareça a seguinte frase: ‘Maria comeu toda a canjica!”, o que para alguns representaria a palavra canjica? Seria uma memória episódica ou semântica? A tal canjica é algo de um contexto coletivo, mas poderia tal criança entender o conceito de canjica e evocar sua memória se ela não teria construído uma relação episódica com tal elemento? Então, nesse sentido creio que tudo que aprendemos, inicialmente, deveria provir da memória episódica, e o uso de materiais concretos nas séries iniciais da educação são os meios que ajudam a construção desta memória. A criança até pode saber que existe uma tal canjica, mas esse tal elemento somente terá forma, cor ou sabor se ela teve algum momento de contato com a mesma. 
 Posso estar equivocada, mas de acordo com o vídeo abaixo onde a neurocientista Drª Silvia Cardoso, mostra de forma bem sucinta a questão das memórias episódicas e semânticas, creio que o que escrevi faz algum sentido...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Otimize seu sistema límbico...


Construindo uma biblioteca de boas lembranças...


Sempre que você se lembrar de um evento em particular, seu cérebro libera agentes químicos parecidos com aqueles liberados quando o evento de fato ocorreu. Lembrar traz de volta estados de espírito e sentimentos semelhantes, pois evoca memórias visuais, auditivas, olfativas, táteis, gustativas, proprioceptivas, cinestésicas....


Qualquer semelhança é mera coincidência...será?




      Um princípio simples de neurônios espelho é "o macaco vê, o macaco faz"...
     E quantas vezes nos vemos justamente imitando comportamentos daqueles que estão mais próximos ou, quantas vezes nos deparamos com pessoas que sentem tanta empatia pela nossa pessoa que querem se "apropriar" de nossos comportamentos...
       E dentro desta perspectiva, cabe a cada um olhar para dentro de si e pensar: "que modelos quero seguir, ou que modelos de comportamento estou emitindo aos que me seguem"...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Cada vez mais os ”feeds” tem invadido seu cérebro

Tente se lembrar da última linha do mais recente livro que você leu.  Ou, se você não é um grande leitor, procure lembrar o rosto da última pessoa que você conheceu. Agora tente lembrar sua última atualização de status no Facebook.
Se você lembrou mais rapidamente da última proposta, então você aumentaria o índice da pesquisa publicada na revista Memory & Cognition....


      De acordo com um novo estudo publicado nesta revista, nosso cérebro pode lembrar com mais facilidade as atualizações de status do Facebook, ao invés  de trechos de livros ou rostos. A autora principal do estudo,  Dr. Laura Mickes do Departamento de Psicologia da Universidade de Warwick, disse: "Ficamos realmente surpresos quando vimos o quanto mais forte eram as memórias de mensagens do Facebook, comparado a outros tipos de estímulos."
    Pesquisadores dizem que essas descobertas podem mudar a forma como nos relacionamos com a educação, a comunicação e a publicidade. Eles também revelam algo surpreendente sobre a evolução da mente humana. Nosso cérebro é evolutivo, então a teoria dos pesquisadores é que as mensagens on-line são gravadas em um formato que os torna mais digerível pelo nosso cérebro. Elas tendem a usar o discurso mais casual e mais direcionadas para a ação. Conforme os autores “ Escrita que é fácil e rápida de gerar, também é fácil de lembrar “.  
   Estaríamos voltando ao “tempo das cavernas”? Pois apesar de parecer banal, a linguagem online parece que está nos trazendo de volta às nossas raízes... A maioria daqueles “rabiscos” em cavernas e pirâmides eram curtos e de ação, baseados em relatórios sobre os acontecimentos do dia. Isso soa familiar?


    Mas o que isto  está querendo nos mostrar? Nossa linguagem será reduzida a uma série de curtidas em status? Não haverá mais leitura de livros? Não lembraremos mais de rostos que não sejam virtuais?
     Nada disso, pois no geral, a indústria de livros está crescendo, graças à tecnologia moderna. Além disso, a leitura de livros é benéfica para a nossa capacidade cognitiva. Ler boas obras literárias podem, obviamente, aumentar as habilidades memória de longo prazo também.
     Por outro lado, os pesquisadores apontam que os livros em si apresentam uma linguagem mais “polida”, uma fala melhor elaborada, onde muitos ainda têm a dificuldade da compreensão desta leitura. A conclusão? Os cérebros tem maior facilidade de processar rapidamente  a linguagem comum.  E as mensagens do Facebook se prestam a isso.
          Nesse sentido o  estudo aponta que as mensagens online tendem a chegar direto ao ponto. Ou seja, nossa atenção está cada vez menor e não estamos conseguindo ficar focado em algo por  mais de 30 segundos. Entretanto, voltando ao “tempo das cavernas”:  nossos ancestrais descobriram  que era simplesmente demasiado perigoso manter o foco por um logo período de tempo, pois os predadores poderiam pegá-los desprevenidos, então de certa forma parece que estamos diante de um subproduto de nossa evolução... Será?
    Algo interessante desta pesquisa é que as pessoas têm interagido mais e lembrado de artigos e comentários de notícias publicados no “face”.
    Como na maioria das coisas na vida, o segredo está no equilíbrio, pois através desta pesquisa talvez devêssemos tomar mais cuidado sobre o que postar no Facebook, ou em outras redes sociais, porque estas postagens ao que tudo indica serão lembradas com maior facilidade.

Fonte: digitaltrends.com

Autodidatismo amigável ao cérebro: três pilares


Tudo leva a crer que as mudanças na educação finalmente terão que acontecer, seja pela evolução da escola atual ou pelo seu colapso.  No entanto, o sistema formal de ensino é um organismo gigantesco e complexo, que tem seguidamente mostrado dificuldades em incorporar os avanços da ciência e da tecnologia no seu dia-a-dia no ritmo necessário. É conhecida a piada que diz que se um cidadão do século XIX viajasse no tempo e viesse parar nos dias de hoje, a única coisa que ele reconheceria sem dificuldades seria a sala de aula...
Enquanto isso, o mundo caminha a passos largos para um futuro onde a capacidade de digerir e apreender grandes quantidades de informação será tão fundamental quanto a capacidade de ler e escrever é hoje em dia. Para tornar a situação um pouco mais complicada, a quantidade de dados novos sendo gerada a cada instante pela humanidade tende ao infinito. A cada minuto, nós produzimos mais informação do que é humanamente possível consumir em um ano. Ou seja, precisamos saber aprender muito, e rápido.
Mas enquanto isso não acontece, o que nós -- filhos dos últimos suspiros do sistema educacional "industrial" -- fazemos para lidar com esse "admirável mundo novo"?
A resposta está na busca da autonomia cognitiva: precisamos aprender a aprender sozinhos ou com bem pouca ajuda. As gerações atuais não podem se dar ao luxo de esperar que os educadores passem a ser realmente mais um auxílio e menos um empecilho a nossa aprendizagem. Em outras palavras, precisamos ser autodidatas e construir nossos próprios caminhos de aprendizagem.
O primeiro passo nessa direção é entender como nossos cérebros aprendem, e, a partir desse conhecimento, criar para nós mesmos as condições que a escola de hoje não consegue proporcionar para aprender de forma eficiente e eficaz. Mas em que a neurociência contemporânea pode ajudar neste desafio de nos tornarmos os nossos próprios educadores?
Um pouco de história
A década de 90 ficou conhecida como a década do cérebro, e a principal responsável pelo início daquela que foi uma verdadeira revolução no conhecimento desta pequena maravilha que temos entre as duas orelhas foi invenção da ressonância magnética funcional (RMF). Capaz de registrar o funcionamento do cérebro em imagens, e sem a necessidade do uso de radiação, a RMF tornou possível o estudo extensivo e ao vivo de cérebros saudáveis, enquanto as pessoas realizavam diferentes atividades cognitivas.
Não demorou muito para que educadores e pessoas interessadas em aprendizagem se interessassem pelas novidades que estavam sendo descobertas todos os dias nos laboratórios dos neurocientistas. Afinal, o sistema educacional no mundo todo já dava sinais da imensa crise que atravessa hoje, e era natural que se começasse a procurar saídas.
A seguir, são discutidas algumas das principais descobertas da neurociência que afetam diretamente a aprendizagem. Em seguida são apresentadas algumas ideias de como pessoas autodidatas podem utilizar esses conhecimentos para aprender mais e melhor por conta própria.
Sinto, logo existo
Está cada vez mais claro que as emoções afetam diretamente e de forma mensurável a capacidade de aprender. Esta descoberta que não chega a surpreender, já que confirma aquilo que qualquer aprendiz já sabe por experiência própria: estudar irritado com a discussão havida ontem com o colega de trabalho não funciona muito bem. Nesse caso, é melhor usar os neurônios buscando soluções para o problema, para depois retomar o estudo com mais foco e concentração. 
Mas é possível ir um pouco além do óbvio aqui: a relação entre emoções e capacidade de aprendizagem deixa claro que uma vida equilibrada é fundamental na conquista da autonomia cognitiva. Estudar horas a fio e deixar outros aspectos importantes da vida sem a devida atenção normalmente é menos eficiente que estudar por um tempo menor. Claro, supondo que usamos o restante do tempo para garantir as condições psicológicas necessárias para nos concentrarmos naquilo que estamos tentando aprender.
Formação da Memória
Apesar da má-fama da tenebrosa "decoreba", o fato é que sem memória, não há aprendizagem. A diferença é que a "decoreba" é a memorização mecânica e sem significado, que se perde rapidamente após alguns dias. Já uma boa memória de longo prazo (MLP) é essencial para aprendizagem e se constrói através de associações significativas com aquilo que já se conhece, além de repetições que reforcem a rede neuronal responsável por essas novas associações.
Uma das descobertas de aplicação prática mais imediata nesta área é o papel fundamental do sono na consolidação da MLP. Ou seja, dormir mais tarde para estudar pode não estar sendo tão proveitoso quanto você imagina: você pode até estudar mais tempo, e eventualmente aumentar a sensação de "dever cumprido", mas na prática acaba aprendendo menos. 
Outro fator fundamental para uma memorização eficiente é o intervalo entre as repetidas exposições à mesma informação. A consolidação da memória é, essencialmente, um processo químico, e como tal, não acontece instantaneamente. Ao contrário, as pesquisas mostram que é preciso um intervalo de tempo significativo para uma certa quantidade de informação "assentar" nos nossos neurônios. Esse "assentamento" se traduz concretamente no engrossamento da camada de mielina que recobre o caminho neuronal recém-formado. E quanto mais mielina em uma rede de neurônios, mas rapidamente a informação trafega nesse caminho, e menos esforço é necessário para nos lembrarmos das informações contidas nele.
Experimentos práticos com estudantes como os da aprendizagem espaçada(link) mostram que intervalos em torno de 10 minutos entre sessões de estudo podem multiplicar muitas vezes a eficiência da memorização de grandes quantidades de informações.
Em resumo, para termos uma boa memória (e portanto aprender mais) precisamos revisar as novas informações em intervalos regulares e dormir tudo o que o nosso cérebro tem direito.
Para aprender, tem que se mexer!
Neste item, as escolas estão totalmente na contramão da ciência. A movimentação do corpo aumenta o fluxo sanguíneo no cérebro, melhorando a sua nutrição e oxigenação, o que comprovadamente melhora a aprendizagem. Ou seja, do ponto de vista do nosso cérebro, as famigeradas filas de carteiras apertadas onde os estudantes são obrigados a ficar sentados por horas a fio estão bem longe de representar o cenário ideal para a aprendizagem.
Isso também vale para aquela escrivaninha em que passamos horas e horas sem sequer levantar para beber água. Além de não dar os intervalos necessários para a formação da memória, essa situação pode, literalmente, deixar seu cérebro dormente!
A incorporação dessa informação na nossa vida de autodidatas pode ser feita sob dois pontos de vista: um deles é a prática de exercícios regulares. O outro é a movimentação durante pelo menos alguns dos nossos períodos de estudo. Ou seja, por incrível que pareça, aquela caminhada no parque que você faz ouvindo uma aula gravada pode ser bem mais produtiva que ouvir o mesmo material na própria sala de aula ou deitado no sofá. Não só porque você está aproveitando o tempo, mas também porque o seu cérebro está em melhores condições de capturar a informação.
Neurogênese: nunca é tarde para aprender
As descobertas mais festejadas dos últimos anos giram em torno da neurogênese, o processo de formação de novos neurônios. Até bem pouco tempo atrás, acreditava-se que neurônios só eram formados durante a infância. Mas hoje, está comprovado que a neurogênese ocorre durante toda a vida. Na vida adulta, ela se concentra em uma área do cérebro chamada de hipocampo, que é justamente onde a memória de longo prazo é formada. Ora, se aprender é armazenar informações significativas na memória de longo prazo, a consequência é óbvia desse fato é: podemos sim, aprender coisas completamente novas a partir de qualquer idade. As universidades da Terceira Idade estão aí para comprovar.
Neuroplasticidade: nem tudo está perdido
Atualmente sabe-se que, além de formar novos neurônios, o cérebro é capaz de modificar a sua estrutura em qualquer momento da vida. Novas conexões entre os neurônios são formadas o tempo todo, e redes cerebrais inteiras podem literalmente "migrar" de um lugar para o outro em caso de necessidade.
A neuroplasticidade significa que grande parte dos danos físicos  que podem acontecer ao cérebro tem boas chances de ser recuperados com “re-treinamento” da pessoa para as funções afetadas, que passam pouco a pouco a ser controladas por outras regiões diferentes daquelas originalmente utilizadas. É o caso de pessoas que ficam cegas e passam a usar o córtex visual para funções de tato, por exemplo.
A palavra-chave do parágrafo anterior é "re-treinamento". Quando estamos falando de aprendizagem, a neuroplasticidade comprova a nossa capacidade virtualmente ilimitada para aprender coisas novas, mesmo em áreas onde a pessoa inicialmente não tenha uma grande habilidade previamente desenvolvida.
Em termos concretos, a neuroplasticidade significa que é possível sim -- através do treinamento consistente -- aprender uma segunda língua depois de adulto ou tornar-se proficiente em leitura ou matemática mesmo com um histórico de dificuldades nessas áreas. A esse  "treinamento consistente", dá-se o nome de prática deliberada, expressão que se consagrou e popularizou nos últimos anos com a publicação do livro "Fora de Série", de Malcom Gladwell, seguido depois por vários outros autores.
Os três pilares
Da discussão anterior é possível resumir três grandes pilares para um autodidatismo competente e eficiente:
·       ter uma vida equilibrada - física e emocionalmente
·       estudar sempre, revisando de forma intervalada
·       fazer uso de técnicas de prática deliberada para consolidar novos conhecimentos e habilidades
É importante ressaltar que esses pilares -- aparentemente simples -- não são técnicas de “autoajuda” baseadas em casos isolados e sem comprovação. Na verdade, eles são derivadas diretamente das mais recentes contribuições da neurociência para a aprendizagem. Vale, portanto, prestar um pouco mais de atenção a eles.


[i] Autora do livro “Histórias de Aprendizagem” (http://www.amazon.com.br/Hist%C3%B3rias-de-Aprendizagem-ebook/dp/B00B8BRKYY/
e do vídeo-blog VideoAulas ByAna (http://www.facebook.com/VideoAulasByAna ), Ana Lopes tem Doutorado em Ciência da Computação e paixão irremediável por aprendizagem.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Ensinar e aprender...



Para a eficácia de uma aprendizagem pautada nos Quatro Pilares da Educação (Delors,1999): “aprender a conhecer” , “aprender a fazer” , “aprender a ser” , os profissionais da educação devem ter conhecimento  dos processos cerebrais, pois:
- Como ensinar “a conhecer” se nossos conhecimentos forem limitados?
- Como ensinar “a fazer”, se desconhecemos os processos que levam à aprendizagem?
- Como ensinar “a ser”, se nossa inteligência emocional se mostra prejudicada?
- Como ensinar “a viver junto”, se desconhecemos que nem sempre precisamos concordar ou discordar das situações, mas simplesmente compreender?
Ter conhecimento do funcionamento cerebral é entender como o conhecimento humano vem a se organizar, de que forma as emoções influenciam na aprendizagem, enfim postular aquilo que Sócrates já dizia: “Conhece-te a ti mesmo”.
Como estamos na era da informação, o saber por si só não evidencia que somos bons educadores (aliás, esta afirmativa pode se fazer presente em qualquer profissão), o diferencial de hoje é justamente saber como transmitir o nosso saber, que mecanismos utilizar para que a aprendizagem realmente seja eficaz, pois como escrito antes, estamos na era da informação, mesmo o aluno com a menor idade que tiver, ao vir para o mundo escolar, ele já traz muitas informações agregadas a ele.
No entanto, existe algo a ser lembrado: “informação” não é “conhecimento”. E esse é o grande diferencial do educador, ele não é um ser somente de informação, mas ele sabe, ou deveria saber, “transmitir” o conhecimento. 

O que está retratado aqui?



    Brown, Barns & Bell no ano de 1881, auto descreveram-se como “Os maiores fotógrafos do mundo”, eram especialistas em pinturas e fotografias. A imagem faz parte de sua vasta coleção.
     Logo que a vi fui tentando imaginar a época e analisar sobre o que a mesma estava procurando demonstrar... Confesso que não acertei, mas, e você...É capaz de dizer se há alguma síndrome aí, bem visível?

    Está bem, vou explicar, muitas vezes nossos olhos ficam focados para tal direção que seguimos a teoria de Maslow “ Quem é bom com um martelo, acha que tudo é prego”. E nestas que a gente se engana, e feio. Por isso, é melhor não emitirmos nossa opinião sem analisar todas as hipóteses primeiro. Pensei em pareidolia, e apostei no caso do homem elefante, que inicialmente foi descrito como elefantíase, mas na verdade se tratava da  Síndrome de Proteus:

Joseph Carey Merrick nascido em 5 August 1862, foi  expulso de casa ainda criança por causa de suas deformidades que começaram aos três anos de idade, tentou vender livros, mas não obteve sucesso após isso foi integrado a um circo de aberrações onde o título de seu espetáculo era “A parte mais degradante do ser humano”. Em 29 de agosto de 1884 conheceu o médico Frederick Treves, mas sua ida para o Hospital de Londres não foi de imediato. Após o encontro com médico, Merrick foi para Bélgica onde foi roubado e abandonado por um empresário. Após um incidente na estação de trem de Liverpool com o cartão do médico em mãos, Joseph foi levado para o hospital onde o Dr. Treves conseguiu um quarto permanente para ele e lá ele veio a falecer em  11 de abril de 1890 aos 27 anos, provavelmente por tentar dormir deitado, já que o fazia sentado e o seu pescoço não aguentou o peso de sua cabeça causando um deslocamento acidental em seu pescoço. Merrick apresentava deformidades em 90% de seu corpo. Após sua morte seu esqueleto foi preservado e há um pequeno museu no hospital para Merrick. Como dito anteriormente, inicialmente se tratava de um caso de elefantíase, mas com o avançar da ciência e novos estudos laboratoriais, em 1986, foi postulado que Joseph Merrick sofria na verdade da síndrome de Proteus, previamente diagnosticada pelo médico Michael Cohen em 1979. Em junho de 2001, Paul Spiring propôs na revista Biologist um novo diagnóstico para Joseph Merrick, que teria sofrido de uma combinação de neurofibromatose tipo I e síndrome de Proteus.
    Mas voltando à imagem acima, bastava dar uma viradinha à direita, para ver a surpresa que Brown, Barns & Bell haviam ocultado na mesma...



Perceberam como cada um só enxerga aquilo que quer ver, ou tem a capacidade de ver no momento...por isso, muito discernimento pra cada um de nós...pois as vezes uma situação pode parecer muito estranha, mas de acordo como vamos percebendo, reestruturando nossos padrões de pensamento, elas simplesmente podem se transformar em "um meigo cachorrinho"...

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Quem é você?


Nova pesquisa mostra que os traços de personalidade são espelhados por mudanças em nossos cérebros. Essas mudanças definem quem somos. Para alterar a sua personalidade você precisa reconfigurar seu cérebro!



O CÉREBRO DINÂMICO

Nas artes marciais, assim como em outros esportes, há um fenômeno chamado "memória muscular[1]". Um movimento especial que é praticado repetidas vezes - lentamente no início, mas depois a velocidade vai aumentando. 


Eventualmente, um impulso complexo ou um movimento defensivo que envolve muitos passos precisos está codificado nos músculos do corpo, onde ele pode ser executado perfeitamente, sem pensamento consciente. Nossas atitudes e emoções são assim também. Nós aprendemos como reagir ao mundo exterior, muitas vezes sem ter que tomar decisões conscientes.
Mas e se nossas reações não são positivas e estão causando problemas, como fazer se está deprimido ou autodestrutivo? E se a nossa personalidade nos mantém sentindo solitário ou instiga conflitos com a nossa família, os amigos? Nada pode ser feito?

Recentemente Colin G. DeYoung, da Universidade de Minnesota, publicou o resultado de um estudo que abordava os traços de personalidade e as mudanças em regiões específicas do cérebro.
DeYoung utilizou-se de estudos anteriores feitos Janina Boyke, usando malabaristas adultos, pois conforme ele:
"Primeiro de tudo, é incorreto dizer que os neurônios não aumentam em número, após determinada idade. Há neurogênese mesmo em cérebros adultos ..."


Um total de 93 indivíduos idosos de ambos os sexos foram rastreados para qualquer história de demência, doença de Parkinson, diabetes, ou hipertensão.
Os participantes foram divididos em dois grupos – o primeiro recebeu seis semanas de treinamento de malabarismo e praticaram a atividade 30 minutos por dia. O segundo grupo permaneceu sem a atividade.
Para identificar as possíveis mudanças no cérebro dos adultos, os pesquisadores realizaram exames de ressonância magnética nos participantes no início e no final das seis semanas.
Os resultados indicam que os adultos que praticaram malabarismo apresentaram um aumento de 5% na chamada massa branca. O aumento foi identificado na parte posterior do cérebro chamada de sulco intraparietal, que contém nervos que reagem quando tentamos alcançar objetos incluídos na visão periférica.

 Segundo DeYoung, o estudo com os malabaristas adultos prova que o cérebro configura os neurônios para processar nossa capacidade de lidar com o meio ambiente. Isso vai além de malabarismo. Nossos cérebros mudam sua estrutura de acordo com o nosso comportamento:

"Aquele que eu alimento mais."

Isto significa que a nossa reação ao mundo - as características que fazem de nós o que somos (personalidade) - tornam-se “hardwired” de acordo com os tipos de comportamento que acoplamos dentro de nós. Isso significa que, se estamos em situações que permitem recompensas positivas de socialização, então vamos nos tornar uma pessoa extrovertida, cheio de otimismo. Pelo contrário, se somos obrigados a lidar constantemente com o perigo, o medo e a dor, vamos desenvolver estruturas que reportam a sermos mais  pessimistas e negativos.

A pesquisa mais impressionante sobre os efeitos de comportamento no cérebro humano foi feito por Daniel G. Amen, MD, neurologista clínico e psiquiatra, em seu livro "Transforme seu cérebro, transforme sua vida." Meticulosamente comprovado através de varreduras do cérebro, a partir de um número de pacientes que sofriam de dependência, depressão, obsessão, raiva e impulsividade, o Dr. Amen prova que estes comportamentos estão ligados a regiões específicas do cérebro.
Mas isso não foi tudo o que o Dr. Amen descobriu. Ele observou que a terapia bem sucedida pode ser alcançada através da alteração do comportamento que propiciem certas regiões do cérebro para reconfigurar-se. Este, então, é a definição biológica de uma "cura" para a doença mental. O Dr. Amen descobriu que o cérebro não pode discriminar entre o comportamento real e o imaginário.
Assim, imaginando um comportamento, tais como em técnicas de visualização, é um método terapêutico eficaz para a cura da doença e alterar a patologia em algumas personalidades.

Um livro que se tornou viral, em alguns anos atrás, chamado "O Segredo", tinha como premissa básica a visualização, uma espécie de técnica de meditação em que um indivíduo evoca imagens visuais de um objetivo desejado, e que de alguma forma, faz com que este objetivo venha a ser alcançado. O livro foi comercializado como um meio de ganhar "o amor,  a riqueza e felicidade." Eventualmente, o livro foi criticado onde se afirmava que as únicas pessoas gerando riqueza e felicidade através do livro foram o autor e as editoras. Isso criou certa descrença à proposta do livro.
Mas, na verdade, a visualização correta é um método eficaz para a mudança de personalidade.
Mas, o assunto poderá ser abordado em uma próxima postagem...

FONTE: Viewzone.com



[1] Uma das dicas de jiu-jitsu  descritas no site  APRENDA JIU- JITSU é justamente sobre a memória muscular:       10) Faça seu dever de casa: Essa é uma das dicas que considero mais importantes. Repense seu treino em casa, e tente lembrar tudo que você fez certo, e o que fez errado. Tente, por mais que seja complicado no começo, pensar em novas soluções. Sabe-se que ao visualizar a si próprio na luta, seu cérebro manda impulsos elétricos para os músculos envolvidos em cada movimento. É o que alguns chamam de “memória muscular”, e ajuda você a lembrar-se do que fazer na próxima vez.