segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Currículo oculto

Imagem: Mauricio de Sousa

Vivemos num mundo repleto de linguagem, tanto verbal, quanto não-verbal. A linguagem é o modo que nos utilizamos para nos comunicar com os outros, e  ela não necessita de palavras, nem de escrita, pode simplesmente ser expressada através de símbolos, placas, gestos...
Lá pela década de 1920, a arte cinematográfica era constituída por filmes mudos. O artista tinha que saber transmitir através do corpo todo o enredo da história, e o público por sua vez aprendia a focar nos detalhes, a perceber o outro por aquilo que ele não disse, mas sim pelo que ele fez.
Oscar Wilde dizia que "A vida imita a arte", mas também é correto afirmar que  "a arte imita a vida", e o cinema nada mais fez do que enfatizar aquilo que mais fazemos no cotidiano: Expressar-se através do corpo, pois ele é um veículo de linguagem, tudo em nós fala. Nossos atos valem mais que nossas palavras, eles são o nosso currículo oculto. É o que não dizemos, mas praticamos, consciente ou inconscientemente, ou seja, tudo aquilo que é feito, mas nem sempre entra em conformidade com aquilo que se diz.
Por exemplo: quando um pai diz para o filho: - Coloque o lixo na lixeira! Porém, em determinados momentos o filho vê o pai agindo em contradição, praticando justamente o contrário do que ele diz, eis aí um currículo oculto se instalando na percepção da criança;

E crianças são assim, atentas a tudo e a todos, ávidas para entender o mundo ao qual estão inseridas. 

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