sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Desamparo Aprendido

Ana Lúcia Hennemann
Imagem: Cena do filme “A História sem fim”(1984), onde Atrax o cavalo, atolado no pântano, ficou tão deprimido e parou de se mover, tornando-se assim impotente quando fez  esta escolha. 

O desamparo aprendido é quando as pessoas se sentem impotentes para lidar com  situações negativas porque as experiências anteriores mostram-lhes que elas não têm como resolver a situação.
Em 1965, o psicólogo Martin Seligman, da Universidade de Pensilvânia, realizou um experimento baseado no condicionamento clássico de Pavlov, (cada vez que um sino tocava, os cães salivavam pois sabiam que receberiam um alimento em seguida). Porém, no experimento de Seligman ele usou dois grupos de cães.  Um dos grupos foi colocado em uma jaula na qual o chão estava conectado a uma corrente elétrica, que disparava de tempos em tempos pequenos choques, de baixa intensidade. O outro grupo foi colocado em outra jaula, porém, havia um dispositivo onde eles conseguiam facilmente desligar o sistema que provocava os choques.
Após um período inicial em que os cães ficaram acostumados às suas jaulas, Seligman mudou-os de ambiente, colocando-os em jaulas, com o mesmo sistema de choques, mas com uma barreira muito baixa, que qualquer um dos animais podia pular sem dificuldade.
Mas algo inesperado aconteceu, ao invés de tentarem se livrar do choque, os cães do primeiro grupo se deitavam e permaneciam naquele local.
Mas no segundo grupo, constituído de cães que não haviam passado pelo condicionamento do choque, rapidamente eles descobriram estratégias para fugir daquele local.  
Os cães, do primeiro grupo, haviam “aprendido” que não havia nada que pudessem fazer para evitar os choques, e por isso nem tentavam sair daquela situação. O experimento de Seligman ficou conhecido como DESAMPARO APRENDIDO, ou seja, não adianta tentar sair de uma situação negativa porque o passado ensinou que tudo iria acontecer do mesmo jeito.
E qual a relação disso para nossas vidas?
Simples, se alguém experimenta situações desfavoráveis durante muito tempo, pensam que não há como escapar das situações e acabam sendo coniventes com tudo que lhes acontece. Perdem a vontade de buscar mudanças, acostumam-se com a ideia de que não há alternativas.
Um exemplo disso: você vota? Para você seu voto é importante? Ou nenhum dos políticos prestam e o seu voto não vai fazer diferença nenhuma?
É estranho isso!!! Mas, quando lemos a respeito dos cães, nos perguntamos porque eles simplesmente não saiam daquela condição? Entretanto, o desamparo aprendido faz com que muitos adultos deixam de lutar, de tentar algo melhor, de buscar outras alternativas.
A política é apenas um exemplo, mas existem diversas outras situações em que as pessoas preferem “levar choque”, ao invés de ampliar seu campo de visão e olhar para outros lados. Sim, olhando por esta perspectiva é muito estranho, mas é muito mais comum do que imaginamos!
Outro exemplo: alunos com baixo desempenho escolar a longo prazo tendem a criar uma autoimagem de não aprendizagem, antecipam para o si o fracasso e com isso deixam de buscar alternativas eficazes para a mudança. Conforme Smith e Strick (2011) “Uma vez que um estudante desista de tentar, o fracasso está praticamente garantido.”
O desamparo aprendido mexe com questões primordiais de todo ser humano: a motivação e a autoestima. O indivíduo que não tem um motivo para lutar, ele não vive, ele não consegue ter perspectivas de melhoras, qualquer caminho está bom; da mesma forma se o indivíduo não consegue olhar para si mesmo e se enxergar como um sujeito de mudança, então sua autoestima se transforma numa “baixaestima”, e assim como os cães de Seligman, a única alternativa que resta é deitar e saber que irá receber choques de qualquer maneira...
Entretanto, sempre é relevante lembrar que motivação é algo que vem de dentro de nós, e no momento em que tomamos a decisão da mudança, ela já começa a acontecer, pois, nossos pensamentos influenciam na nossa realidade. Alguma dúvida? Que tal conhecer a história de Viktor Frankl? Certamente ele é um exemplo de que sempre há novas perspectivas, independente da situação!


Referências:
MYERS, David. Psicologia Social. 10ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2010
ROGERS, Bill. Gestão de relacionamento e comportamento em sala de aula. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
SMITH, Corine. STRICK, Lisa. Dificuldades de Aprendizagem de A-Z. 2 ed. Porto Alegre: Penso, 2011.

2 comentários:

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  2. Excelente matéria. Eu comento com as pessoas essa estratégia sem conhecer o experimento. Elucida tudo. Importantíssimo.

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