Ana Lúcia Hennemann
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Imagem: Cena
do filme “A História sem fim”(1984), onde Atrax o cavalo, atolado no pântano, ficou
tão deprimido e parou de se mover, tornando-se assim impotente quando fez esta escolha.
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O desamparo
aprendido é quando as pessoas se sentem impotentes para lidar com situações negativas porque as experiências anteriores
mostram-lhes que elas não têm como resolver a situação.
Em 1965, o
psicólogo Martin Seligman, da Universidade de Pensilvânia, realizou um
experimento baseado no condicionamento clássico de Pavlov, (cada vez que um
sino tocava, os cães salivavam pois sabiam que receberiam um alimento em
seguida). Porém, no experimento de Seligman ele usou dois grupos de cães. Um dos grupos foi colocado em uma jaula na
qual o chão estava conectado a uma corrente elétrica, que disparava de tempos
em tempos pequenos choques, de baixa intensidade. O outro grupo foi colocado em
outra jaula, porém, havia um dispositivo onde eles conseguiam facilmente
desligar o sistema que provocava os choques.
Após um
período inicial em que os cães ficaram acostumados às suas jaulas, Seligman
mudou-os de ambiente, colocando-os em jaulas, com o mesmo sistema de choques,
mas com uma barreira muito baixa, que qualquer um dos animais podia pular sem
dificuldade.
Mas algo
inesperado aconteceu, ao invés de tentarem se livrar do choque, os cães do
primeiro grupo se deitavam e permaneciam naquele local.
Mas no
segundo grupo, constituído de cães que não haviam passado pelo condicionamento
do choque, rapidamente eles descobriram estratégias para fugir daquele local.
Os cães, do
primeiro grupo, haviam “aprendido” que não havia nada que pudessem fazer para
evitar os choques, e por isso nem tentavam sair daquela situação. O experimento
de Seligman ficou conhecido como DESAMPARO APRENDIDO, ou seja, não adianta tentar
sair de uma situação negativa porque o passado ensinou que tudo iria acontecer
do mesmo jeito.
E qual a
relação disso para nossas vidas?
Simples, se
alguém experimenta situações desfavoráveis durante muito tempo, pensam que não
há como escapar das situações e acabam sendo coniventes com tudo que lhes
acontece. Perdem a vontade de buscar mudanças, acostumam-se com a ideia de que
não há alternativas.
Um exemplo
disso: você vota? Para você seu voto é importante? Ou nenhum dos políticos
prestam e o seu voto não vai fazer diferença nenhuma?
É estranho
isso!!! Mas, quando lemos a respeito dos cães, nos perguntamos porque eles
simplesmente não saiam daquela condição? Entretanto, o desamparo aprendido faz
com que muitos adultos deixam de lutar, de tentar algo melhor, de buscar outras
alternativas.
A política é
apenas um exemplo, mas existem diversas outras situações em que as pessoas
preferem “levar choque”, ao invés de ampliar seu campo de visão e olhar para
outros lados. Sim, olhando por esta perspectiva é muito estranho, mas é muito
mais comum do que imaginamos!
Outro
exemplo: alunos com baixo desempenho escolar a longo prazo tendem a criar uma
autoimagem de não aprendizagem, antecipam para o si o fracasso e com isso
deixam de buscar alternativas eficazes para a mudança. Conforme Smith e Strick
(2011) “Uma vez que um estudante desista de tentar, o fracasso está
praticamente garantido.”
O desamparo
aprendido mexe com questões primordiais de todo ser humano: a motivação e a
autoestima. O indivíduo que não tem um motivo para lutar, ele não vive, ele não
consegue ter perspectivas de melhoras, qualquer caminho está bom; da mesma
forma se o indivíduo não consegue olhar para si mesmo e se enxergar como um
sujeito de mudança, então sua autoestima se transforma numa “baixaestima”, e assim
como os cães de Seligman, a única alternativa que resta é deitar e saber que irá
receber choques de qualquer maneira...
Entretanto,
sempre é relevante lembrar que motivação é algo que vem de dentro de nós, e no
momento em que tomamos a decisão da mudança, ela já começa a acontecer, pois, nossos
pensamentos influenciam na nossa realidade. Alguma dúvida? Que tal conhecer a
história de Viktor Frankl? Certamente ele é um exemplo de que sempre há novas
perspectivas, independente da situação!
Referências:
MYERS, David. Psicologia Social. 10ª ed. Porto
Alegre: Artmed, 2010
ROGERS, Bill. Gestão de relacionamento e comportamento em
sala de aula. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
SMITH, Corine. STRICK, Lisa. Dificuldades de Aprendizagem de A-Z. 2
ed. Porto Alegre: Penso, 2011.

Sou Coach e Mentor e atuo com Neurociência+Neuromarketing+Neurosales na área comercial em: vendas-negociação-liderança-treinamentos-palestras.Fantásticas formas de comunicação bem recebidas pelas empresas emergentes e profissionais em ascensão. Melhora desempenho em vendas com impactos positivo na vida pessoal e profissional. É a linguagem de cérebro e cérebro que funciona no momento da negociação.
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Excelente matéria. Eu comento com as pessoas essa estratégia sem conhecer o experimento. Elucida tudo. Importantíssimo.
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