segunda-feira, 31 de março de 2014

Psicoterapias Cognitivos Comportamentais

    Na terapia cognitiva, uma das principais tarefas do terapeuta é demonstrar para o paciente a conexão existente entre pensamento, sentimento e comportamento. É tornar o paciente atento a essa interação, envolvendo um conjunto de técnicas e estratégias terapêuticas com a finalidade de mudança de padrões de pensamento. A Psicoterapia Cognitivo Comportamental mostra-se como uma linha de psicoterapia breve, proposta e desenvolvida pelo psicólogo Aaron Beck.  Seu modelo cientificamente fundamentado apresenta eficácia comprovada através de estudos empíricos.  O processo pode levar de três a seis meses onde trabalha-se a criação de estratégias para lidar com o sofrimento. A primeira coisa que o terapeuta faz é encorajar seus pacientes a entenderem seus problemas para em seguida identificar novas formas de enfrentá-los.


   No Livro Psicoterapias Cognitivas Comportamentais: Um diálogo com a psiquiatria, além de trazer toda a fundamentação teórica do que é a psicoterapia, nos proporciona uma reflexão de práticas a serem feitas nestas terapias.


Segundo RANGÉ & COLS (2011, p.32),
      A terapia cognitiva, no seu formato original e nos seus desdobramentos, é uma construção que, sem dúvida, proporcionou uma nova, clara e eficaz estrutura conceitual psicoterápica para uma série de transtornos mentais, um sólido instrumento terapêutico para que nossos pacientes se tornem capazes de lidar com e controlar sua doença. 

Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais - Um Diálogo com a Psiquiatria
2ª Edição
Autor: Bernard Rangé; Colaboradores
Editora: Artmed
Ano: 2011

quarta-feira, 26 de março de 2014

Que histórias você conta para si mesmo?


Em 1997, membros do culto “Porta do Céu”, prepararam-se para a vinda de uma nave espacial vinda na cauda do cometa Halley. Porém, esta nave nunca veio. Muitos deles envolveram-se num suicídio coletivo, outros desistiram alguns dias antes. E estes que não se mataram retornaram à loja onde haviam comprado um telescópio caríssimo que lhes ajudaria a detectar a chegada da tal nave, com a desculpa de que o telescópio apresentou problemas, pois conseguiram ver somente o cometa e a nave não. Exigiram reembolso do dinheiro empregado no investimento.

   Muitos de nós temos dificuldade em admitir quando estamos errados, principalmente não gostamos de perceber que nossa lógica (sistema de crenças) é falha. Por isso que precisamos justificar, racionalizar e criar histórias para minimizar nossos erros e escolhas.

     A racionalização é que nos ajuda a dormir melhor à noite. Talvez muitos pensem que não seriam capazes de cair em falsas crenças, mas em algum momento percebemo-nos dentro desse contexto. Ninguém está imune a autojustificação e nosso cérebro funciona com mecanismos de preservar nossa autoimagem e apoiar nossas atitudes, mesmo quando as evidências indicam o contrário. Além de tentar fazer sentido para nossos erros e más decisões, a autojustificação permite desfocar a discrepância entre as nossas ações e as nossas convicções morais.

      Leon Festinger, psicólogo social, cunhou o termo chamado “dissonância cognitiva”, que é quando uma pessoa possui duas ideias conflitantes, crenças ou opiniões e tenta encontrar uma maneira de tranquilizar nossa mente. Por exemplo: mesmo sabendo que o cigarro faz mal para sua saúde, a pessoa que fuma utiliza-se de justificativas para o seu ato: “fumar me ajuda a relaxar e evitar o estresse”.

    Outro exemplo: a pessoa pode estar sedentária, necessitando fazer atividade física, mas sempre arrumando uma desculpa para a não realização desta prática, como por exemplo: não faço atividade física, mas estou bem...

     Segundo Festinger, a dissonância cognitiva sempre envolve um processo de “redução”, que consistem em diminuir a importância dos fatos que contradizem a expectativa em relação a realidade e acrescentar algum elemento de consonância (por exemplo: a expectativa seria a prática de uma atividade para melhorar a saúde, mas quando a pessoa diz “mas estou bem” ela acrescenta um elemento pra não deixar dúvidas a ela mesma que o que ela está fazendo está correto).

      Mauro Pennafort, utiliza-se da terminologia “Confabulação mental”, que é a criação de uma história pra justificar as atitudes e comportamentos, por mais ilógicos que possam ser. Inclusive em muitos de seus cursos de Gestão Emocional costuma perguntar: - Que histórias você conta para si mesmo?

       Segundo ele: “Nós tomamos uma decisão INCONSCIENTEMENTE, baseada em nossos programas automáticos e hábitos, e depois a mente consciente percebe isso e confabula, inventando uma justificativa. Isso faz com que você coma o que faz mal, mesmo sabendo disso! Leva você a não fazer o que sabe que precisa fazer e a deixar pra depois tantas coisas.”

   Enfim, estamos sempre tentado justificar nossos atos, deixando de enxergar aquilo que nos desagrada ou que nos faça refletir sobre nossos comportamentos e convicções. Sempre nos dizem que temos que aprender a partir de nossos erros, mas como podemos aprender se nos recusamos a admiti-los?

terça-feira, 25 de março de 2014

Foco na atividade


Você já baixou o volume do rádio (do carro) quando estava procurando algum endereço?

Se você algum dia se encontrou dirigindo a noite, procurando algum endereço, e ao perceber que estava com dificuldade de encontrá-lo, simplesmente baixou o volume do rádio almejando maior êxito na sua busca: Parabéns! Você fez corretíssimo!!!

O ato de ouvir é um dos focos principais de nossa atenção. Quando a atenção está centrada no ato da escuta (no caso aqui, o rádio do carro) a visão também é afetada, mesmo que em apenas alguns estágios de percepção visual. Ou seja, é muito difícil de prestarmos atenção em duas tarefas ao mesmo tempo. No simples ato instintivo, de baixar o volume do rádio, estamos conduzindo nossa capacidade de atenção para um foco mais objetivo.

Por exemplo, muitas pessoas podem pensar: “Usar o celular enquanto estiver dirigindo não tem problema nenhum, ainda mais se ele tem viva-voz automotivo”. Mas, quando dirigimos é preciso olhar para vários lugares ao mesmo tempo, é necessário ler sinais, tomar decisões sobre onde ir com o carro. E é muito difícil fazer isso, enquanto usamos o celular, porque necessitamos de nosso "ouvido interno" e "discurso interior" que poderá estar ocupado imaginando sobre o que a pessoa ao telefone está falando.”

Outro exemplo é dos estudantes que tentam conciliar várias coisas ao mesmo tempo enquanto fazem a lição de casa: - bate-papo com amigos, - atualização do Facebook, - audição de música, - rápidas olhadas para a tela da TV para pegar alguns segundos de algum programa...

Enfim, mesmo que o estudante diga que consegue realizar várias ações ao mesmo tempo, ele não tem o foco necessário para a aprendizagem, pois quando as distrações nos forçam a prestar menos atenção no que estamos fazendo, não aprendemos de modo eficaz quanto aprenderíamos se nossa atenção fosse integral.

Quando falamos de foco, falamos em armazenamento de aprendizagem, por isso a melhor coisa que podemos fazer para reter a aprendizagem é prestar atenção às coisas que realmente queremos lembrar.

Portanto, reduza suas distrações e procure foco no que realmente precisa fazer!