terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Metacognição – O pensar sobre o pensar

     
Ana Lúcia Hennemann* 
     Um dos temas que gosto de abordar é justamente a questão do ensinar a pensar, como desenvolver estratégias para que as crianças cresçam com um raciocínio mais elevado.
     É frequente na sala de aula nos deparamos com indivíduos que possuem o raciocínio hipotético-dedutivo bem elaborado. Por exemplo, há sempre aqueles indivíduos que o professor propõe uma atividade e alguns já tem a resposta para tal enunciado ou então conseguem perceber hipóteses bem diferenciadas fazendo com que todos percebam aspectos que não haviam sido planejados.
      Pessoas tem ritmos de aprendizagem diferentes, cada uma tem seu tempo, mas de que modo alguns conseguem ter um desempenho acadêmico tão eficaz, e com tanta propriedade de conhecimento na fase que Piaget cunhou como Estágio Operatório Concreto? Contudo, ele mesmo já traz a resposta quando fala sobre os “esquemas de assimilação”.
        Para Piaget, os esquemas dependem das experiências anteriores, das abstrações realizadas, sendo que hoje numa abordagem da neurociência educacional poder-se-ia mencionar as experiências armazenadas na memória de longo prazo.  
      Quanto mais estímulos é proporcionado a uma criança, mais experiências ela vai armazenar. Porém, a qualidade dos estímulos é que faz o diferencial. Por exemplo, crianças que crescem em ambientes onde pais ou cuidadores interagem com as mesmas, estimulando-as a refletir sobre suas ações e, também, utilizam-se de jogos que as façam elaborar possíveis jogadas, apresentam muito mais chance de desenvolver estratégias metacognitivas.
       Andretta (2010), diz que: “A metacognição não é apenas um conhecimento sobre a cognição, mas uma etapa do processamento de nível elevado, que é adquirida e desenvolvida pela experiência e pelo conhecimento específico que é armazenado.” Na abordagem de Piaget sobre o esquema de assimilação trata-se de uma “rede de conhecimento”, entretanto na metacognição, o indivíduo vai além disso, pois utiliza-se dessa rede para encontrar soluções mais viáveis para sua aprendizagem.
     Indivíduos que conseguem pensar sobre o pensar, ou seja, metacognizar, conseguem elaborar estratégias que promovam a sua própria aprendizagem, Por exemplo, numa situação de leitura quando a criança aprende a ler e já está em processo de letramento, ela já consegue utilizar-se de metacognição, conseguindo monitorar estratégias que possam lhe ajudar, tais como: ler mais devagar, reler passagens difíceis, tentar visualizar a informação e pensar em exemplos sobre o que está lendo. Segundo a National Reading Panel (2000 apud Papalia, 2008, p.365) “Tarefas como recapitular, resumir e fazer perguntas sobre o que leem pode aumentar a compreensão do texto.”
    Quando aumentamos a compreensão daquilo que estamos fazendo, vamos ampliando a nossa memória de longa duração e apresentamos melhores condições de fazer análises mais eficazes do assunto. Alguns autores enfatizam que a metacognição exerce influência sobre a motivação, pois conforme Morais e Valente (1991 apud Ribeiro 2003) “o fato dos alunos poderem controlar e gerir os próprios processos cognitivos lhes dá a noção da responsabilidade pelo seu desempenho escolar e gera confiança nas suas próprias capacidades.”
     Entretanto, para se ter estratégias de metacognição é preciso ter o entendimento que a mesma envolve planejamento, observação e revisão de estratégias cognitivas. Ou seja, a criança precisa ter se apropriado de informações que lhe façam repensar sobre o que está sendo dito, o que está sendo feito. A escola, tem procurado se utilizar de muitas estratégias que promovam a metacognição, mas a família também pode auxiliar muito nesse sentido, em termos de gerenciamento emocional: - fazer a criança pensar sobre suas atitudes, o porquê de ter feito tal coisa, o que poderia ter feito diferente...Também para auxílio de estratégias de raciocínio, uso de jogos são muito eficazes. 
    Enfim, ações simples podem promover grandes mudanças, principalmente às crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem, pois através de atividades que melhorem o desempenho do raciocínio cognitivo elas podem se perceber capazes de promover estratégias que lhe auxiliem nos momentos de dificuldades, e através disso aumentam sua autoconfiança, pois conforme Lent ela tem a ver com a personalidade de cada um, mas também é algo que vamos construindo através da capacidade de refletir sobre nossos atos e pensamentos. 





Referências Bibliográficas:

ANDRETTA, Ilana. Et al. Metacognição e Aprendizagem: como se relacionam? Disponível online em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistapsico/article/viewFile/3879/5209 Acesso em 13/01/2015.

RIBEIRO, Célia. Metacognição: Um apoio ao Processo de Aprendizagem. Disponível online em: http://www.scielo.br/pdf/prc/v16n1/16802.pdf Acesso em: 13/01/2015.

PAPALIA, E. OLDS. O Mundo da Criança - Da Infância à Adolescência , 11ª ed. Porto Alegre:  ArtMed, 2010. 
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* Especialista em Alfabetização/ Educação Inclusiva/ Neuropsicopedagogia.
   Pós-graduanda em Neuroaprendizagem/ Professora em cursos de pós-graduação nas disciplinas voltados às  Neurociências, Neuropsicopedagogia, Educação Inclusiva, Alfabetização.
   Email: ana.hennemann@outlook.com 

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