sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O surgimento da Neuroeducação



Ana Lúcia Hennemann*
Nota: artigo publicado na Revista Meucerebro

 As práticas pedagógicas começaram a modificar-se com a Educação Inclusiva, sendo que esta trouxe novos desafios, novas formas de percepção do contexto educacional. Por isso, surge um diferencial na Educação: a Neuroeducação, a percepção do sujeito na sua individualidade e nesse sentido vamos refletir sobre o que precisa modificado, quais são os novos olhares que precisamos ter com este indivíduo que diariamente está dentro da sala de aula.
Um dos primeiros relatos que temos sobre a educação com um olhar mais global se dá se dá através das Paideias, na Grécia. As mesmas eram constituídas a partir da concepção de que a comunidade e o indivíduo são responsáveis uns pelos outros e dessa forma vão se transformando, integrando-se e evoluindo.  O indivíduo era percebido sobre seus diversos aspectos e fazia parte de uma cadeia social, cada um era importante. Cada um tinha contribuições para a evolução daquele contexto social.
Entretanto, as concepções mudaram e a educação “abandonou” a  percepção individual e integral do sujeito para um outro aspecto muito diferenciado, o indivíduo valia o quanto ele produzia, em outras palavras, o melhor aluno era aquele que conseguia acumular mais conhecimento. Mas até aqui a escola ainda não era para todos. Apenas alguns privilegiados estudavam.
Conforme Tracey Espinosa, mesmo tendo os direitos assegurados pela Declaração Universal do Direitos Humanos, é somente na década de 1980 que a educação em massa começa fazer parte do cenário educacional e através dessa maior diversidade que se percebe que o sistema educacional necessitava de muitas melhorias.
Todo o conhecimento que se tinha em educação, aprendizagem e comportamento humano, ainda era fruto de pesquisas anteriores ao escaneamento cerebral, e as grandes mudanças começam a ocorrer com o surgimento da Neurociência, que é responsável pelo estudo do sistema nervoso.
A Psicologia, uma das áreas que sempre auxiliou a educação, ao agregar conhecimentos da Neurociência começou a trazer abordagens diferenciadas para o contexto educacional e, dessa forma, a Pedagogia pautada na Educação e Aprendizagem percebeu que se faz necessário um novo olhar educacional, voltar às origens da Paideia e perceber o ser humano como um ser global. Todas as áreas que antes eram “especializadas em” modificam-se e começam a atuar de modo interdisciplinar agregando a nomenclatura de Neuroeducação.
A Neuroeducação não é uma nova área do conhecimento, trata-se da junção dos conhecimentos da Psicologia, Educação e Neurociência. (Figura 1).

A Neuroeducação nos traz uma abordagem diferenciada do que é aprendizagem. Anteriormente, numa visão mais direta poderia se dizer que: “Aprender é a aquisição de novos conhecimentos”. A mesma Neuroeducação nos mostra agora que “Aprender é modificar comportamentos”.
Quando pensamos numa educação inclusiva o significado de aprender dentro destas concepções tem um valor muito significativo. Porque se o sujeito é somente avaliado pelo viés do conhecimento adquirido dentro do contexto escolar certamente a educação não estará sendo inclusiva, mas se ela consegue perceber o educando como alguém que modificou seu comportamento inicial, seja ele, psicomotor, cognitivo ou emocional, desse modo sim, estamos diante de uma educação inclusiva, que prima pelos direitos humanos.
Percebemos indivíduos Downs atuando na sociedade, seja como repórteres, cineastas, professores, e demais profissões, temos entendimento do quão é importante a interação com o meio. Mais ainda, do quão é importante o trabalho de um profissional que tem o entendimento do funcionamento do sistema nervoso.
O neuroeducador, profissional da Neuroeducação, resgata a práxis das Paideias. Ele observa o indivíduo em seus aspectos que precisam ser melhorados e em  suas potencialidades e, através disso, constrói um planejamento individualizado para cada educando. Porém, todos aprendem, pois há modificação de comportamento tanto para o neuroeducador quanto para os educandos, ambos necessitam sair de suas zonas de conforto e dessa forma alcançar patamares mais elevados. Através disso resgata-se um valor primordial que os gregos já conheciam: a cooperação. A sociedade se constitui pelo entendimento da responsabilidade que temos uns com os outros e só podemos mudar a sociedade se mudarmos nossos comportamentos.

Referência Bibliográficas:

TOKUHAMA – ESPINOSA, Tracey. Why Mind, Brain, and Education Scienceis the "New" Brain-Based Education. Disponível online em http://migre.me/lXgK3

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Especialista em Alfabetização, Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia e Pós-graduanda em Neuroaprendizagem. E-mail: ana.hennemann@outlook.com

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