quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Redação do Enem 2014 – Um convite para repensar as estratégias de ensino aprendizagem



                                                                         Ana Lúcia Hennemann*
         
 Conforme balanço do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) divulgado pelo Ministério da Educação, 6.193.565 candidatos prestaram exame, porém 529.374 participantes obtiveram nota zero na redação da prova, ou seja, 8,5% dos candidatos. Segundo informações do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) , 250 estudantes obtiveram desempenho significativo, alcançando a nota 1000, 35 mil obtiveram notas dentro da média., porém, 248.471 redações foram anuladas, pois: - fugiam ao tema proposto (217,3 mil); copiaram o texto motivador (13 mil); texto insuficiente, com menos de sete linhas (7,8 mil); não atendimento ao tipo textual proposto, inserindo partes desconectadas ao mesmo (3,3 mil), e textos que “ferem” os direitos humanos.
      Para alguns especialistas, a temática da redação “Publicidade infantil em questão no Brasil” é um dos fatores que prejudicaram os alunos, pois no entender dos mesmos, o enfoque é bem desconhecido para a maioria dos estudantes.
     Paz_ciência como diz a palestrante Inês Cozzo, mencionar que publicidade infantil é enfoque desconhecido para os estudantes é o mesmo que dizer que eles não vivem num mundo globalizado e conectado, ou que não tem acesso aos veículos de comunicação e extensa programação das quais a publicidade infantil está presente.
   Os 7,8 mil estudantes que não conseguiram escrever mais do que sete linhas na redação me deixaram com um sentimento de que ainda há muito por fazer, nosso empenho é muito pouco, pois eles não receberam somente um título de algum conteúdo a ser abordado, receberam um título e 3 propostas motivadoras para desenvolver um texto argumentativo-dissertativo, ou seja, os alunos fazem escolhas, mas não conseguem   justificar o porquê optaram pelas mesmas.
Redação Enem 2014

    Paralelo a isso, percebe-se o aumento do analfabetismo funcional, ou seja, o indivíduo sabe ler, mas não consegue interpretar aquilo que está lendo. E nesta perspectiva percebe-se claramente que o problema não é somente no ensino médio, nas provas do Enem. O “buraco” é mais embaixo, precisamos melhor a qualidade de ensino nas séries iniciais, dedicar mais tempo à leitura, mais tempo à escrita.
       Conforme Alexandre Garcia, repórter e comentarista no Programa Bom Dia Brasil: “Para tirar zero em redação não é algo que se consiga de um ano para o outro, isso é resultado de muitos anos de falta de leitura e falta de curiosidade que aprimoram a ferramenta de comunicação que é a língua e o conteúdo dela, que é o conhecimento e sem conteúdo é o vazio. Com o vazio não se faz um cidadão, nem um país e muito menos uma redação.”
     O momento é de colocar o dedo na consciência e procurar alternativas viáveis que possam ser realizadas durante o período escolar.  Quem sabe não seria a hora de voltar as famosas fichas de leitura? Criticada por muitos, mas eficientes, pois vem de acordo com a metacognição, o pensar sobre o pensar, fazer uma análise daquilo que foi dito/lido e reelaborar aquela informação.
Pesquisas em neurociência educacional mostram com evidencias que quanto mais desempenhamos determinada função, melhores vamos nos tornando na mesma, ou seja, se o aluno quer escrever bem, ele precisa ler e escrever com frequência. Se a leitura dele for pobre a escrita também será, não existem fórmulas milagrosas, apenas empenho e dedicação.
       Os resultados da redação do Enem 2014, certamente serão um convite para todos que trabalham no contexto educacional repensar suas práticas, investir em melhorias, traçar metas mais audaciosas para a educação, pois diante a realidade que 15,2% das crianças brasileiras chegam aos oito anos sem estar alfabetizadas, mostra que a qualidade das redações não é resultado de um processo iniciado no Ensino Médio, mas sim de todo um sistema educacional que precisa ser reestruturado.

Fontes Bibliográficas:

HENNEMANN, Ana Lúcia. Literatura Infantil: Auxílio no Processo de Alfabetização e Letramento.  http://pt.slideshare.net/analuciah/literatura-infantil-auxilio-no-processo-de-alfabetizao-e-letramento-13089364
MEC. Ministro planeja exame como forma de avaliar ensino médio. http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21027
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* Especialista em Alfabetização/ Educação Inclusiva/ Neuropsicopedagogia.
   Pós-graduanda em Neuroaprendizagem/ Professora em cursos de pós-graduação nas disciplinas voltados às  Neurociências, Neuropsicopedagogia, Educação Inclusiva, Alfabetização.
   Email: ana.hennemann@outlook.com  

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