segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Reflexões sobre o ensinar e o aprender

     Ana Lúcia Hennemann*

   Para a eficácia de uma aprendizagem pautada nos Quatro Pilares da Educação (Delors,1999): “aprender a conhecer” , “aprender a fazer” , “aprender a ser” , “aprender a viver junto”, os profissionais da educação devem ter conhecimento dos processos cerebrais, pois:
- Como ensinar “a conhecer” se nossos conhecimentos forem limitados?
- Como ensinar “a fazer”, se desconhecemos os processos que levam à aprendizagem?
- Como ensinar “a ser”, se nossa inteligência emocional se mostra prejudicada?
- Como ensinar “a viver junto”, se desconhecemos que nem sempre precisamos concordar ou discordar das situações, mas simplesmente compreender?
     Ter conhecimento do funcionamento cerebral é entender como o conhecimento humano vem a se organizar, de que forma as emoções influenciam na aprendizagem, enfim postular aquilo que Sócrates já dizia: “Conhece-te a ti mesmo”.
E conhecer a nós mesmos, nos proporciona o maior conhecimento do outro, pois conforme Herculano-Houzel (2009, p.6),

[...] quando nós entendemos as bases do aprendizado, como o cérebro forma novas conexões, forma as memórias, a importância da motivação para a formação de talentos, para o desenvolvimento de habilidades, é muito mais fácil lidar com alunos, lidar com os nossos colegas, lidar com a nossa família, com nossos amigos, e entendo que há por trás de como nós pensamos, como nós fazemos as coisas, como nós somos o que somos.

       Se não temos conhecimento de como funciona nossa fisiologia, de que maneira iremos promover um ensino no qual a aprendizagem seja realmente eficaz?
Se ao organizarmos o nosso planejamento não contemplamos atividades que priorizem estes quatro pilares básicos, de que forma estamos contribuindo para que a nossa prática profissional seja exercida com maestria?
      A informação e a tecnologia, disponível a todos, evidencia que a mesma informação que está presente na vida do educador também está presente na vida do educando. No entanto, “informação” não é “conhecimento”. E esse é o grande diferencial do educador, ele não é um ser somente de informação, mas ele sabe, ou deveria saber, ensinar melhor métodos para que os alunos possam “consolidar”  o conhecimento. Ter a clareza que os conteúdos são comuns a todos, mas a metodologia de trabalho deve estar pautada em práticas que contemplem o indivíduo como seres únicos, capazes de aprender independente de suas limitações. 
       A aprendizagem se dá de forma contínua e multifacetada, não se limitando somente a aquisição de conhecimentos, ela precisa envolver o “aprender a conhecer”, “aprender a fazer, “aprender a conviver” e “aprender a ser”. O educador que não primar para que sua aula seja elaborada contemplando estes quatro pilares da educação, ele não estará agregando quase nada, mas simplesmente reproduzindo o que o aluno poderá encontrar em qualquer mídia disponível na atualidade.

Bibliografia:
HERCULANO-HOUZEL, Suzana. Neurociências na Educação. Coleção Neurociências. São Paulo: Atta, 2009. 
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* Especialista em Alfabetização/ Educação Inclusiva/ Neuropsicopedagogia. Pós-graduanda em Neuroaprendizagem/ Professora em cursos de pós-graduação nas disciplinas voltados às  Neurociências, Neuropsicopedagogia, Educação Inclusiva, Alfabetização.

2 comentários:

  1. Parabens pelo texto, exatamente como voce acredito que a forma como ensinamos,
    tem tanta importancia quanto o conteudo.

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  2. Parabens pelo texto, exatamente como voce acredito que a forma como ensinamos,
    tem tanta importancia quanto o conteudo.

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