domingo, 11 de dezembro de 2016

Linguagem – Araranguá - SC

Ana Lúcia Hennemann¹
A Linguagem é um dos fatores primordiais do desenvolvimento humano. Através dela que nos comunicamos, que expressamos o que queremos, sentimos, que nos relacionamos com outros. Dentro do curso de Neuropsicopedagogia Clínica o enfoque é para a linguagem relacionada à leitura e escrita, pois quando estas não se encontram em pleno funcionamento podemos estar diante de um Transtorno Especifico de Aprendizagem que exige uma boa bagagem de conhecimento para fazer a avaliação e a intervenção.
Desta vez, a disciplina ocorreu em Araranguá, cidade de Santa Catarina. Como já havia mencionado na publicação Habilidades Matemáticas – Araranguá – SC, a cidade é belíssima e possui um maravilhoso ponto turístico que mercê destaque: o balneário Morro dos Conventos.
Embora a cidade já tenha outros profissionais de neuropsicopedagogia formados pelo CENSUPEG, esta é a primeira turma de neuropsicopedagogos clínicos que por sinal estão nas últimas disciplinas do curso, e, justamente no mês em que o “corre-corre” das atividades profissionais é imenso, principalmente para quem atua na área educacional (elaboração de provas, correção, registro de notas, escrita de pareceres, ensaio para apresentação de final de ano, etc) ainda assim há aqueles que encontram tempo para estudar, se aperfeiçoar, buscar subsídios que agreguem valor na melhora da qualidade de vida daqueles com os quais interagem ou futuramente irão interagir.
E por isso, estas pós-graduandas de Araranguá, tiveram que deixar em “modo de espera” o convívio com a família, amigos, atividades profissionais e mantiveram o foco na aula aprendendo a diferenciar quando estamos diante de uma criança que sofreu um processo de “não alfabetização” de uma que tem um Transtorno Específico de Aprendizagem, por isso passamos o dia estudando diversos aspectos que envolvem a Linguagem (Fundamentos, bases neurológicas, desenvolvimento normal e alterações).
O DSM-V nos traz critérios importantíssimos que servem de base para a avaliação da leitura e escrita, bem como, o livro Neuropsicopedagogia Clínica, de Rita Russo, foi referência essencial o qual nos apropriamos do conteúdo do capítulo III, que retrata as dificuldades de aprendizagem e principalmente nos dá subsídios para entender a complexa integração dos processos neurológicos e a evolução das habilidades básicas necessárias para a alfabetização.
Dentre os diversos instrumentos que se encontram para avaliar questões relacionados à Linguagem (Leitura e Escrita) priorizamos o estudo do CONFIAS, que tem como objetivo avaliar a consciência fonológica de forma mais abrangente e sequencial, comparando com o que é esperado com cada hipótese de escrita (psicogênese).
Como forma de aliar todo conhecimento provindo dos referencias teóricos com a pratica clínica, foi proporcionado as alunas atividades práticas, contemplando intervenção relacionada aos pressupostos da prontidão para alfabetização, e também a leitura e escrita.  

Referências:

MOOJEN, Sônia Maria. CONFIAS: Consciência Fonológica: instrumento de Avaliação Sequencial. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.

RUSSO, Rita. Neuropsicopedagogia Clínica: Introdução, Conceitos, Teoria e Prática. Curitiba: Juruá, 2015.

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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Auxiliando as crianças no desenvolvimento das funções executivas!

Ana Lúcia Hennemann¹
Aprender demanda tempo e empenho, se alguém diz que tem facilidade para a aprendizagem, na verdade o que está pessoa está demonstrando é que ela já teve apropriação de demais aprendizagens bases que serviram de estruturas para aprendizagens posteriores.  Por exemplo, vamos pensar no caso de duas crianças: - a primeira, teve estimulação precoce relacionada ao mundo letrado: - familiares liam livros para ela, brincavam com jogos onde havia letras, palavras, números; ela contemplava momentos onde a família utilizava de instrumentos de escrita (bilhetes, cartas, e-mails, etc); brincava de brincadeiras que envolviam rimas, músicas, etc....
- a segunda criança, poderia até ter um lar de boas condições econômicas, entretanto, vamos pensar numa situação em que os familiares não tivessem tempo de ler, jogar, brincar cantar com a mesma, onde esta criança passasse a maior tempo apenas com o estímulo visual-auditivo (assistindo televisão, por exemplo)
Certamente a primeira criança teve a oportunidade de construir uma base de aprendizagem muito mais “estruturada” do que a segunda, o que futuramente lhe dará mais condições para as demais aprendizagens...
Nestas atividades que iniciam no contexto familiar e continuam na escola, sociedade em geral, a criança vai desenvolvendo funções cerebrais imprescindíveis para a aprendizagem: atenção, memória, emoção, planejamento, auto regulação (conseguir regular o comportamento, ter vontade de fazer algo, mas conseguir se manter na atividade atual), funções estas que conhecemos como executivas.
Moriguchi & Hiraki (2013 apud Santos, 2015) nos diz que “As funções executivas (FEs) referem-se ao controle cognitivo de ordem superior necessário para a realização de um objetivo específico”, no entanto precisamos ter o entendimento de que o controle cognitivo de ordem superior é algo complexo que envolvem capacidade de planejar, executar a atividade ao mesmo tempo que lida com demandas e mudanças ambientais. Por exemplo: vamos pensar numa criança que necessita fazer a cópia da atividade do quadro para o caderno, aparentemente é algo muito simples, mas talvez o simples fato do colega do lado pegar um apontador que seja, pode fazer com que a criança se distraia, perca o foco naquilo que estava fazendo, demore para se localizar onde havia parada, etc... por este simples exemplo somos capazes de deduzir o que Cypel (2006, p. 375) elenca como principais fatores do bom funcionamento das funções executivas: “o estado de alerta, a atenção sustentada e seletiva, o tempo de reação, a fluência e a flexibilidade do pensamento”.
As funções executivas englobam também fatores cognitivos, emocionais e sociais pois se faz necessário regular o comportamento para alcançar as metas (ex. terminar de copiar a atividade do quadro), abandonar estratégias ineficazes (se ficar olhando para o apontador do colega o indivíduo não irá terminar a cópia) e se utilizar de ações mais eficientes.
Entretanto, se faz necessário ter o entendimento que um dos principais lobos responsáveis por este controle executivo é o frontal, no entanto há muito mais estruturas envolvidas tais como núcleos de base (striatum), o tálamo, as estruturas límbicas e demais vias que se encontram nestas regiões. Outro aspecto importante, diz respeito a maturação destas estruturas, pois é justamente através da experimentação de diversas situações que esta maturação ocorre com maior propriedade, com maior elaboração. Por isso, que a criança do primeiro exemplo, citada no início do artigo, apresenta muito mais chances de ter suas funções executivas com melhor estado de funcionamento.
No entanto, todas as crianças desde cedo podem ser auxiliadas com brincadeiras simples que aguçam o seu foco atencional e o controle de impulsos e dessa forma vão melhorando o desempenho de suas funções executivas. Por exemplo, a brincadeira de “Morto e vivo” ou então o “Jogo de Estátua Modelo”
No Jogo de Estátua Modelo, as crianças vão dançando ao som de alguma música e o professor vai segurando na mão a ficha com a estátua modelo, ou seja, a posição em que elas devem ficar assim que ouvirem um apito ou não escutarem mais o som da música. Esta atividade faz com que a criança vai executando uma tarefa (dança) e mantenha seu foco atencional no que precisa fazer após (estátua modelo). Nesse sentido elas vão fazendo um planejamento prévio, criando estratégias para alcançar o objetivo final e lógico se não conseguirem ficar na posição prevista devem fazer novas tentativas, que seria a flexibilização da tarefa (replanejamento das estratégias usadas).

Enfim, esta foi apenas uma dica de atividade, mas CENSUPEG e faça lá sua inscrição.
existem várias outras que são estudadas no curso de Neuropsicopedagogia. Então, se achou interessante, acesse a página do

Referência bibliográfica:

CYPEL, S. O papel das funções executivas nos transtornos de aprendizagem. In: ROTTA, N. OHLWEILER, L. RIESGO, R. Transtornos da aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2006.

SANTOS, F., ANDRADE, M, BUENO, O. Neuropsicologia Hoje. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2015. 
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Linguagem – Cruz Alta - RS



Ana Lúcia Hennemann¹
Neste sábado (03/12/2016) lecionei em Cruz Alta – RS, a cidade é uma verdadeira relíquia cultural-histórica, com 188 anos de emancipação e nacionalmente conhecida como a terra natal de grandes personalidades brasileiras, tais como: o escritor Érico Veríssimo, os políticos José Gomes Pinheiro Machado, Júlio Prates de Castilhos e Salvado Pinheiro Machado, bem como o artista plástico Saint Clair Cemin.  
Cruz Alta em 2010 contabilizava 62.776 habitantes e possui pontos turísticos belíssimos, sendo que aqui destaco o Museu Érico Veríssimo, que é a casa onde o escritor nasceu e lá pode-se encontrar manuscritos do escritor, inúmeras fotos, sua máquina de escrever, livros, entre outros objetos. A casa que foi reformada em 2007 e é Patrimônio Histórico do Estado, atualmente é palco para o Projeto Acústico no Museu e recebe a visita de milhares de pessoas anualmente.
Cruz Alta, no presente ano, já conta com a terceira turma de Neuropsicopedagogia se formando através do CENSUPEG. Isto é um fator muito importante, tanto no aspecto institucional da educação, quanto no aspecto clinico. Pois, o neuropsicopedagogo é um profissional comprometido com o processo de aprendizagem, que está em constante processo de formação, estudando:
[...] a neurofisiologia, a neuroanatomia, a memória, as emoções, percepções do mundo, e principalmente dominar conhecimentos sobre o funcionamento do sistema nervoso, sob o comando cerebral, relacionando as funções executivas, englobando toas as possibilidades de aprendizagem humana. (SANT’ANNA & FULLE, 2016, p.12)

Quando há o entendimento do desenvolvimento do sistema nervoso do indivíduo, há maior possibilidade de se ter o entendimento do que é o normal e o que é o patológico, e nesse sentido o neuropsicopedagogo cursa disciplinas voltadas as mais diversas áreas, procurando desta forma ter amplos conhecimentos que lhe servirão de subsidio para a prática profissional.
Desta vez, a disciplina estudada pela turma de Cruz Alta foi de Linguagem. Na mesma, foram abordados conteúdos tais como: Conceito de Linguagem, Desenvolvimento da Linguagem, Alterações na Linguagem, Avaliação, Intervenção e Prevenção na Linguagem
Como forma de nos prepararmos para a disciplina de Estágio Supervisionado, simulamos uma das testagens voltadas a Linguagem, ou seja, o TDE (Teste de Desempenho Escolar). Ele é um instrumento psicométrico que auxilia na avaliação das capacidades fundamentais para o desempenho escolar: escrita, aritmética e leitura. Porém, como a disciplina é Linguagem, focamos apenas na parte do teste que avalia escrita e leitura.

A importância destas atividades de simulações é que trazem a aproximação do futuro neuropsicopedagogo com estes instrumentos, oportunizando o estudo de como se deve seguir as instruções do manual, ou de que forma se avalia os resultados obtidos pelo indivíduo que fez a testagem.
Entretanto, também foi ressaltado que antes de saber o como fazer uso destas testagens o importante é se apropriar do conteúdo do livro “Neuropsicopedagogia Clínica” da autora Rita Russo, principalmente no capítulo III, intitulado “Dificuldade de Aprendizagem”.
O maravilhoso deste dia foram as contribuições trazidas pelas alunas ressaltando os conhecimentos já enfocados em outras disciplinas do curso, bem como a grande adesão que esta turma teve em fazer a sua carteirinha de associação a Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia (SBNPp), pois desta forma já estão procurando contemplar a seriedade, o profissionalismo e comprometimento ético que a profissão exige, além de ter exclusividade no acesso a todas notícias e artigos sobre a Neuropsicopedagogia.

Referências:

RUSSO, Rita. Neuropsicopedagogia Clínica: Introdução, Conceitos, Teoria e Prática. Curitiba: Juruá, 2015.

SANT’ANNA, Clarice. FULLE, Angelita. Neuropsicopedagogo Pesquisador: A importância da constante formação. In:  Boletim SBNPP- Agosto 2016. Joinville: SBNPp, 2016.

STEIN, Lilian. TED: Teste de Desempenho Escolar: manual para aplicação e interpretação. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2015.


NotaSe você tem dúvidas relativas a Neuropsicopedagogia, consulte o site da Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia: www.sbnpp.com.br
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domingo, 27 de novembro de 2016

Habilidades Matemáticas – Santa Cruz do Sul - RS

Ana Lúcia Hennemann¹
Ontem (26.11.2016), uma das diversas turmas de Neuropsicopedagogia Clínica de Santa Cruz do Sul, teve a disciplina de Habilidades Matemáticas. Para quem não conhece, Santa Cruz do Sul é uma das cidades do estado do Rio Grande do Sul, cuja população em 2010 era de 102.891 habitantes. A cidade é conhecida por ser a sede da maior Oktoberfest do Rio Grande do Sul, receber um dos maiores festivais de arte amadora, o Encontro de Arte e Tradição, e pelo Autódromo Internacional de Santa Cruz do Sul.
E pela quantidade de alunos de Neuropsicopedagogia que por este local estão se formando através do CENSUPEG, certamente em futuro bem próximo, a cidade também será conhecida pela qualidade de profissionais desta área de atuação e por fazer um diferencial na aprendizagem de muitos indivíduos. Pois, conforme o Código de Ética Técnico-Profissional da SBNPp (2016),
A Neuropsicopedagogia é uma ciência transdisciplinar, fundamentada nos conhecimentos da Neurociências aplicada à educação, com interfaces da Pedagogia e Psicologia Cognitiva que tem como objeto formal de estudo a relação entre o funcionamento do sistema nervoso e a aprendizagem humana numa perspectiva de reintegração pessoal, social e educacional.

Diante o entendimento da fundamentação da Neuropsicopedagogia é que nossos alunos têm disciplinas voltadas a toda estas interfaces, e sendo assim precisam de subsídios para compreender como ocorre o processo de avaliação e intervenção dos transtornos específicos de aprendizagem, além de outros. E é neste sentido que ocorreu a disciplina de Habilidades matemáticas, cujos objetivos já foram descritos na publicação “Habilidades Matemáticas – Araranguá SC”.
A turma de Santa Cruz do Sul também recebeu orientações de como fazer testagem em aritmética, através da “Prova de Aritmética” de Seabra, Dias e Capovilla, e teve a oportunidade de manusear um dos mais recentes instrumentos de sondagem das habilidades matemáticas nos anos iniciais do ensino fundamental, o “CORUJA PROMAT”. O mesmo tem por objetivo verificar se as competências numéricas básicas foram adquiridas e, em caso de defasagem indicar a(s) área(s) de concentração das dificuldades. Deste modo é possível identificar com maior exatidão áreas prioritárias para a intervenção especializada.
Também como forma de entendimento de “disfuncionalidades” relacionadas a aritmética, nos utilizamos de KOSC (1974, apud RUSSO 2015) explicando os seis tipos de discalculia: verbal, practognóstica, léxica, gráfica, ideognóstica e operacional.

E como não poderia faltar nas atividades finais da disciplina: utilizamos alguns jogos e atividades de intervenção voltados a aritmética, enriquecidos através de relatos e amostras de práticas já utilizadas por nossas aulas dentro do seu contexto do trabalho.

Referências:

RUSSO, Rita. Neuropsicopedagogia Clínica: Introdução, Conceitos, Teoria e Prática. Curitiba: Juruá, 2015.

SEABRA, DIAS e CAPOVILLA. Avaliação Neuropsicológica Cognitiva: Leitura, Escrita e Aritmética. Vol. 3. São Paulo: Memnom, 2013.

SBNPp. NOTA TÉCNICA Nº 01/2016. Joinville, SBNPp, 2016.  Disponível online em: http://www.sbnpp.com.br/wp-content/uploads/2016/11/Nota-T%C3%A9cnica-01-2016-agosto.pdf

WEINSTEIN, Monica. Coruja PROMAT: roteiro para sondagem em habilidades matemáticas ensino fundamental I. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2016.


NotaSe você tem dúvidas relativas a Neuropsicopedagogia, consulte o site da Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia: www.sbnpp.com.br
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domingo, 20 de novembro de 2016

Habilidades Matemáticas – Araranguá SC

 
                                                                                      Ana Lúcia Hennemann¹

          Araranguá, cidade de Santa Catarina, em 2010 era constituída por 66.442 habitantes. Consta no site do município que a mesma foi fundada em 1880, entretanto há vestígios de ocupação histórica desde 6.000 a.C. feitas por índios sambaquieiros, caçadores-coletores, Xoklengs e Guaranis.

E foi nesta linda e mega cidade histórica que lecionei neste sábado no curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia Clínica, pelo grupo CENSUPEG.
Este curso tem como objetivo qualificar profissionais das mais diversas áreas (Pedagogia, Psicologia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e áreas afins) no sentido de instrumentalizá-los a partir de uma fundamentação teórica/técnica conforme o perfil profissiográfico do neuropsicopedagogo.
Neste último sábado (20/11/2016) as pós-graduandas tiveram uma das disciplinas que caracteriza os fundamentos e prática em equipe multiprofissional, as Habilidades Matemáticas. Através da mesma estudamos a aprendizagem dos processos neurobiológicos relacionados a esta área do conhecimento e conhecemos alguns instrumentos de avaliação voltados a Aritmética. Como forma de entender o modo de aplicação, como se faz a contagem da pontuação e verificação dos resultados obtidos pelo indivíduo, simulamos a aplicação de um destes instrumentos de avaliação.
A testagem estudada com maior profundidade neste dia foi a “Prova de Aritmética” de Seabra, Dias e Capovilla, que tem como finalidade avaliar a competência aritmética em crianças e adolescentes.

A importância desta avaliação se dá justamente por ser um instrumento que permite verificar no que exatamente a criança pode ter maior dificuldade, pois segundo os autores a Prova de Aritmética:
[...] pode ter grande utilidade, na medida em que permitirá ao profissional identificar áreas de maior ou menor comprometimento, assim como compreender as dificuldades apresentadas por uma criança face aos modelos cognitivos da competência aritmética. (SEABRA, DIAS E CAPOVILLA, 2013, p. 145)

Como atividades finais da disciplina, utilizamos alguns jogos e atividades de intervenção voltados a aritmética. Sendo assim, ressalto novamente que o grupo CENSUPEG prima pela qualificação do neuropsicopedagogo procurando alinhar o conteúdo de seus cursos em conformidade com o que prevê a SBNPp (Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia)

Referências:


SEABRA, DIAS e CAPOVILLA. Avaliação Neuropsicológica Cognitiva: Leitura, Escrita e Aritmética. Vol. 3. São Paulo: Memnom, 2013.

SBNPp. NOTA TÉCNICA Nº 01/2016. Joinville, SBNPp, 2016.  Disponível online em: http://www.sbnpp.com.br/wp-content/uploads/2016/11/Nota-T%C3%A9cnica-01-2016-agosto.pdf


NotaSe você tem dúvidas relativas a Neuropsicopedagogia, consulte o site da Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia: www.sbnpp.com.br
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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Avaliação e Intervenção Neuropsicopedagógica – Orleans SC





Ana Lúcia Hennemann¹

Orleans é um município do estado de Santa Catarina, cuja população em 2014 era de 22.311 habitantes. A mesma traz marcos relevantes na sua história envolvendo o casamento de Conde d’Eu e a princesa Isabel Cristina L. A. M. G. R. Gonzaga de Bragança, no século XIX. No entanto, somente em 1913 que obteve sua emancipação política.  

No ano de comemoração de 103 anos, a cidade também terá como novidade: 19 profissionais de neuropsicopedagogia que estão concluindo o curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia e Educação Especial Inclusiva, pelo grupo CENSUPEG.
A importância de ter um profissional de neuropsicopedagogia no contexto educacional oportuniza avaliação e intervenção precoce relacionados aos transtornos de aprendizagem. O neuropsicopedagogo recebe na sua formação toda orientação do funcionamento do sistema nervoso e quais as implicações que comprometem a aprendizagem quando o mesmo apresenta prejuízo no seu funcionamento.
Neste último sábado (14/11/2016) as alunas tiveram a penúltima disciplina: Avaliação e Intervenção Neuropsicopedagógica, a qual tive a honra de lecionar. Foram 30 horas de estudos voltados a: - qual o papel do neuropsicopedagogo no contexto institucional, - quais as áreas a serem avaliadas, - quais os instrumentos de avaliação que o neuropsicopedagogo dispõe e - de que forma intervir mediante as situações encontradas.
As primeiras 15 horas da aula, enfocaram todo o entendimento do conteúdo elencado pela Nota Técnica nº 1 – 2016, disponibilizado pela SBNPp (Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia). Num momento posterior, as alunas receberam estudos de casos já realizados, contendo elementos de avaliação e intervenção, os quais deveriam identificar e se apropriar deste conhecimento para apresentar às colegas.
Nas últimas 15 horas, aprendemos a usar na prática a “Escala de avaliação das estratégias de aprendizagem para o ensino fundamental: EAVAP-EF” que é um instrumento que possibilitará as neuropsicopedagogas a auxiliar os alunos a melhorarem suas estratégias de estudo, intervindo de modo precoce, objetivando dessa forma, melhor desempenho acadêmico dos estudantes. Trata-se de um instrumento que identifica as estratégias cognitivas e metacognitivas que o aluno usa durante o estudo, bem como a ausência das mesmas.  Nesse sentido, Boruchovitch (2006 apud Silva e de Sá 1997) esclarece que:
[...]a instrução em estratégias de aprendizagem possibilita aos estudantes ultrapassar dificuldades pessoais e ambientais de forma a obter um maior sucesso escolar. Estratégias de aprendizagem podem ser ensinadas para alunos de baixo rendimento escolar. É possível ensinar a todos os alunos a expandir notas de aulas, a sublinhar pontos importantes de um texto, a monitorar a compreensão da leitura, usar estratégias de memorização, fazer resumos, entre outras.

E como atividade final e de contextualização de toda disciplina, foram ofertados novos estudos de caso, para os quais deveriam pensar na proposta da Neuropsicopedagogia no contexto institucional, ou seja: atendimento coletivo, e montar uma Oficina Temática Neuropsicopedagógica voltada a áreas específicas de construção de habilidades para indivíduos que apresentam dificuldades semelhantes.
E desta forma, não somente por causa desta disciplina, mas por toda a grade curricular organizada no Código de Ética Técnico- Profissional da Neuropsicopedagogia, o grupo CENSUPEG mostra-se como a instituição que prima pela qualificação dos novos profissionais no mercado de trabalho, e estes, certamente farão toda diferença, pois têm a teoria aliada a prática.

Referências:

BORUCHOVITCH, Evely et al. A construção de uma escala de estratégias de aprendizagem para alunos do ensino fundamental. Brasília, Revista Psicologia: Teoria e Pesquisa, 2016.

OLIVEIRA, Katya. BORUCHOVITCH, Evely. SANTOS, Acácia. Escala de estratégias de aprendizagem para alunos do ensino fundamental: EAVAP-EF. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2010.


SBNPp. NOTA TÉCNICA Nº 01/2016. Joinville, SBNPp, 2016.  Disponível online em: http://www.sbnpp.com.br/wp-content/uploads/2016/11/Nota-T%C3%A9cnica-01-2016-agosto.pdf


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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Neuropsicopedagogia: Cuidado com os equívocos


Ana Lúcia Hennemann[1]

Você saberia dizer o que é Neuropsicopedagogia?
Quais as ciências e práticas que compõem a Neuropsicopedagogia?
Você já leu o Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia?

A Neuropsicopedagogia conceituada pela SBNPp (Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia) como:
“Uma ciência transdisciplinar, fundamentada nos conhecimentos da Neurociências aplicada à educação, com interfaces da Pedagogia e Psicologia Cognitiva que tem como objeto formal de estudo a relação entre o funcionamento do sistema nervoso e a aprendizagem humana numa perspectiva de reintegração pessoal, social e educacional”. (SBNPp, 2016, p. 3)

vem se mostrando uma das ciências que tem se destacado rapidamente nos últimos anos, fomentando venda de cursos, livros e materiais correlacionados a mesma, porém se faz necessário um olhar mais minucioso a cerca de tudo que compõe o universo neuropsicopedagógico.
Embora a conceituação seja clara enfatizando a fundamentação e o objeto de estudo, a mesma tem se mostrado em alguns contextos de maneira equivocada: tanto na sua conceituação, quanto na prática do profissional de Neuropsicopedagogia. Um dos grandes fatores que contribuem para estas situações fazem menção ao não conhecimento do conteúdo do Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia, sendo que este é disponibilizado gratuitamente no site da SBNPp,  cujo, seu contexto abrange desde a formação do neuropsicopedagogo até mesmo a sua atuação como profissional.
Por exemplo, o capítulo IV faz menção aos instrumentos da atuação neuropsicopedagógica, ressaltados no artigo 68, parágrafos 1, 2 e 3 as seguintes orientações:
§1° Toda avaliação e intervenção deverá ter um olhar neuropsicopedagógico. [...] É vetado o uso de procedimentos, técnicas e recursos não reconhecidos como neuropsicopedagógicos. §2° O Neuropsicopedagogo deverá utilizar protocolos de avaliação e intervenção que contemplem fundamentos básicos sobre a aprendizagem e desenvolvimento, como as funções executivas, atenção, linguagem, habilidades sociais, raciocínio lógico-matemático e desenvolvimento neuromotor.  §3º A formação do Neuropsicopedagogo prioriza o estudo e pesquisa sobre a aprendizagem relacionada ao funcionamento do sistema nervoso, incluindo estudos a cerca do cérebro, assim faltam-lhe condições técnica para realizar um trabalho com alguns aspectos do desenvolvimento humano. Desta forma, o Neuropsicopedagogo não pode avaliar a inteligência, os transtornos de humor e personalidade, bem como fazer uso de testes projetivos. (SBNPP, 2016, p. 15)

A breve leitura destes parágrafos esclarece o grande equívoco que vem ocorrendo em algumas grades curriculares de instituições que não são associadas a SBNPp, mas vendem cursos de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia. Por exemplo, estes dias estava lendo sobre a grade curricular de uma destas instituições e no site fazia menção aos eixos temáticos aos quais o curso estava pautado, para minha surpresa, todo eixo era fundamentado na Psicopedagogia. Nesse sentido, faz-se necessário relembrar que os eixos temáticos que compõe a Psicopedagogia e a Neuropsicopedagogia são diferentes, pois a primeira tem base na Epistemologia Convergente e a segunda na Neurociência aplicada à Educação e a Psicologia Cognitiva, no entanto ambas se fundamentam na Pedagogia. Por isso que a Neuropsicopedagogia não se utiliza de testes projetivos durante o processo de avaliação, muito menos do Teste do Par Educativo (TPE), cujo objetivo é investigar vínculo com a aprendizagem. Dentro da Neuropsicopedagogia o que seria avaliado dentro da perspectiva do desenho infantil é apenas se o indivíduo se encontra dentro dos parâmetros correspondentes ao seu desenvolvimento.
Outro fator que merece destaque é a questão da nomenclatura de Neuropsicopedagogo, pois conforme artigo 69: “A formação educacional do Neuropsicopedagogo se dá através de curso de pós-graduação (especialização lato sensu) com a titulação mínima certificada de Neuropsicopedagogia[...]” sendo assim, se o profissional possui a titulação de Psicopedagogia e faz uma pós em Neurociências, ele não é um neuropsicopedagogo. Cada profissional tem um perfil profissiográfico e devemos ter a ética de respeitar o espaço de atuação de cada um.
Portanto, relativo a Neuropsicopedagogia, se faz necessário entender que existe uma entidade que representa esta categoria de profissionais, a SBNPp, a mesma possui um selo indicando quais livros, cursos de pós-graduação e demais materiais que são chancelados pela mesma. Portanto devemos investir na profissão do neuropsicopedagogo, mas ficar alerta quanto as orientações da SBNPp evitando dessa forma cometer equívocos relativos a conceituação e a prática profissional da Neuropsicopedagogia.

Referência:
SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEUROPSICOPEDAGOGIA- SNBPp (Brasil). Resolução nº 03/2014. Código de Ética Técnico-Profissional da Neuropsicopedagogia, Joinville, 30 de jul.2014.

Nota: Se você tem dúvidas relativas a Neuropsicopedagogia, consulte o site da Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia: www.sbnpp.com.br

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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Emoções_aprendizagem através de aplicativo

     Todos nascemos com um “kit básico emocional” que são fenômenos expressivos, de curta duração mas que envolvem a ativação de estados de sentimentos que servem para nos auxiliar na adaptação ao ambiente. As emoções teriam como função: coping (enfrentamento) e socialização. Por exemplo: se percebemos que alguém está sorrindo, associamos o sentimento de felicidade e dessa forma já temos um feedback de como interagir com aquele indivíduo naquele determinado momento.
     Mas como fazer esta associação se não nos foi trabalhado estas noções? Pois temos o kit básico emocional, mas isso não é garantia de que sabemos usá-lo, portanto, emoções precisam ser trabalhadas desde o nascimento até a morte!
     Goleman (2013) menciona que a compreensão emocional básica se inicia na primeira infância: por volta de 2 a 3 anos, é possível relacionar palavras a sentimentos e classificar expressões faciais. No entanto, a partir dos 6 meses de idade começa a ser ativado um circuito de empatia que nos permite modelar as expressões/emoções daqueles que interagem conosco, são os “neurônios-espelho”. São circuitos que nos colocam em sintonia com alguém ao despertar o estado emocional identificado no outro. Contudo é lá na adolescência que já é possível 'ler' os sentimentos com precisão, sendo essa a base de interações sociais mais tranquilas.
    Como se pode perceber as emoções exigem um trabalho de “lapidação” durante toda a infância. Necessita a realização de um trabalho integrado onde a criança não apenas reconheça a emoção, mas que também saiba nomeá-la e compreender o significado da mesma.  E por isso, venho compartilhar com vocês um aplicativo que pode ser utilizado em diferentes contextos, familiar, escolar e clínico. É o ”Emoji Game” criado pela Educação Futura, cujo responsável é o professor Tiago B. J. Eugênio.
    O Emoji proporciona a identificação das expressões faciais fazendo com que a criança através do lúdico se aproprie de conhecimentos que agreguem valor as suas habilidades socioemocionais. Esta interação com o jogo fará com que a mesma comece a prestar mais atenção em si e nos outros, noções básicas e essenciais as quais descrevi no artigo “As crianças estão mudando o foco”.
    No contexto escolar e clínico há toda a possibilidade de criação de estratégias de intervenção, tais como: jogos de memória de emoções, dados de sentimentos, trilhas das emoções e quem sabe até criar um jogo de detetive de emoções.
    O jogo contribui também para indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) favorecendo o autoconhecimento, a empatia e a compreensão destes fatores.
 Ou então assistam no youtube um tutorial do jogo:

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Alfabetização na Perspectiva de Linnea Ehri

Ana Lúcia Hennemann[1]

     O ato de ler pode modificar as concepções que o indivíduo faz do mundo. Traz autonomia, expande a imaginação e aumenta a capacidade cognitiva. No entanto, ler é uma evolução histórico cultural (SOUZA, 2003), não nascemos com nenhuma área cerebral específica da leitura, mas sim, “há uma grande complexidade na forma como o cérebro processa a linguagem, com áreas de especialização para as diferentes dimensões da linguagem”.(SOUZA, 2003, p. 3)
    Diante desse fato, a de se entender que para que o indivíduo adquira a propriedade da leitura, várias áreas necessitam ser estimuladas e deve-se investir em atividades que auxiliem a criança na construção simbólica. Sendo que “[...]muitos educadores não se dão conta de como o tornar-se alfabetizado afeta a competência linguística dos falantes, tanto na fala como na escrita. ” (EHRI, 2016, p.50)
    Pesquisas desenvolvidas por Linnea Ehri[2] evidenciam que a aquisição da leitura se dá através de palavras e que estas ativam significados dentro do nosso cérebro, que nos fazem dar uma atenção especial à escrita das palavras e reconhece-las automaticamente. Conforme a neurocientista, existem vários processos utilizados para ler palavras, mas 4(quatro) deles são essenciais: decodificação (que envolve o uso do conhecimento grafema-fonema), analogia (que envolve o uso de partes de palavras conhecidas para ler palavras  desconhecidas quando ambas possuem o mesmo padrão ortográfico, ex: mola, bola), predição (que envolve o uso de informações contextual de uma ou mais letras para inferir a identidade das palavras, por exemplo: Maria brinca com sua....(imã, amiga... tia) e memória (que envolve a capacidade de leitura por reconhecimento automatizado).
    Sendo assim, em casos quais a criança não consegue se alfabetizar, os professores podem sim, trabalhar na perspectiva da memorização de um pequeno grupo de palavras (relativos ao nome da criança e/ou de demais familiares, bem como nomes de objetos significativos para a mesma) que uma vez memorizados, serviriam de conhecimentos prévios para reestruturar a construção de novas palavras.
    Ehri, diferente do que já se conhecia em termos de aquisição da leitura e escrita evidenciado por Ferreiro, contribui com fases naturais do processo de leitura: pré-alfabética, alfabética parcial, alfabética plena e alfabética consolidada.
    A velocidade com que cada criança ultrapassa estas diferentes fases varia muito de acordo com o ambiente, com a língua e também com a capacidade individual, mas de modo geral a sequência é sempre a mesma e a transição de uma para outra é sempre gradativa.
Fase Pré- Alfabética

    A criança não apresenta ainda um reconhecimento da correlação fonema-grafema, lembrando apenas de pistas visuais da palavra como o “M” de McDonald ou o “S” da Sadia e assim pode interpretar erroneamente, palavras similares, que contenham estas iniciais.
    Durante a fase pré-alfabética, as crianças não parecem prestar atenção às letras na grafia das palavras. Ao invés disso, elas aprendem a ler com base na formação de uma conexão entre um aspecto saliente na grafia da palavra ou ao seu redor (p. ex., o arco dourado que aparece atrás do rótulo McDonald’s) e seu significado e/ou pronúncia.
  Com efeito, as crianças em idade pré-escolar que participaram do estudo de Masonheimer, Drum e Ehri(1984) mostraram-se alheias às trocas de letras introduzidas em uma série de rótulos familiares (p. ex., Xepsi no lugar de Pepsi ou OcDonald’s no lugar de McDonald’s) e continuaram a ler os rótulos como se nada tivesse sido alterado (p. ex., lendo Pepsi em vez do Xepsi).
Fase Alfabética Parcial

    À medida que as crianças aprendem os nomes e os sons das letras, elas começam a compreender que as letras representam sons na pronuncia das palavras e passam a ler por meio do processamento e do armazenamento de relações entre as letras e os sons. Inicialmente, contudo, a criança só é capaz de processar relações letra-som para algumas letras nas palavras, talvez a primeira e a última letra. Por exemplo, ao ver e escutar a palavra bebê, a criança pode notar que a letra “b” no início e no meio da palavra corresponde ao som/be/que ela é capaz de detectar na pronúncia da palavra. Essa compreensão permite-lhe usar informação de natureza visuofonológica para criar uma via de acesso à memória, de maneira que, ao ver a grafia da palavra novamente, ela consegue se lembrar tanto do seu significado quanto de sua pronúncia. Contudo, uma vez que a criança só é capaz de processar relações letra-som parcialmente, a representação da palavra é ainda incompleta, algo como B_B_.
    A criança identificaria apenas algumas letras de cada palavra, como por exemplo o “S” e o “O” da palavra sono, o que poderia implicar em dificuldade de interpretação quando estivesse diante da palavra sino, por exemplo.
Fase Alfabética Plena

    Caracteriza-se pela habilidade de ler por meio da recodificação fonológica e requer o processamento de todas as relações letra-som na palavra. Essa habilidade permite ao leitor armazenar representações completas da grafia das palavras na memória. Como consequência a leitura torna-se mais acurada. Ou seja, o leitor nessa fase é capaz de identificar uma palavra familiar, como por exemplo, gato, a despeito de sua semelhança com outras palavras também familiares como, por exemplo, gata, gado, galo, gota, gola, pato, jato, etc.
   Caracteriza-se pela completa identificação de todas as letras de cada palavra e sua respectiva correspondência sonora, permitindo assim uma leitura correta, que vai ser muito mais rápida em uma fase posterior.
Fase Alfabética Consolidada

   Na qual o leitor é capaz de ler sequências de letras que ocorrem com uma grande frequência, como por exemplo ENTE, que está presente em dente, mente, carente, saliente, etc., em vez de ler cada letra isoladamente.
    À medida que o vocabulário visual aumenta, sequencias de letras que ocorrem em diversas palavras (e seus respectivos sons) são consolidadas em unidades maiores, tornando os leitores capazes de operar com unidades correspondentes a morfemas e/ou sílabas. Essas unidades são mais econômicas, por que ajudam a reduzir o número de conexões entre a escrita e a fala, necessárias para processar e armazenar a grafia das palavras na memória.
    Um fator interessante da alfabetização consolidada é que o leitor alfabetizado, e com a leitura já automatizada, terá dificuldade em ignorar um estimulo escrito (EHRI, 2007).
    Uma das funções da neuropsicopedagogia é procurar entender de que forma ocorrem os processos de aprendizagem, principalmente os novos estudos pautados numa visão neurocientífica e dentro disso procurar articulações que possam trazer maiores benefícios para os aprendentes e ensinantes, pois aprendizagem é isso, busca, renovação, ressignificação e compartilhamento de saberes.
  

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

EHRI, Linnea. Aquisição da habilidade de leitura de palavras e sua influência na pronuncia e na aprendizagem do vocabulário. In MALUF, Maria Regina. CARDOS-MARTINS, Cláudia. [et al] Alfabetização no século XXI: como se aprende a escrever.

OLIVEIRA, Marta. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio-histórico. 5 ed. São Paulo: Scipione, 2010.

SANCHEZ- CANO, Manuel. Manual de Assessoramento Psicopedagógico. Porto Alegre: Artmed, 2011.

SNOWLING, Margaret. HULME, Charles. A ciência da leitura. Porto Alegre: Penso, 2013.

SOUZA LIMA, Elvira. Quando a criança não aprende a ler e a escrever. São Paulo: Sobradinho 107, 2003.

______. Neurociência e Aprendizagem.2 ed. São Paulo: Inter Alia Comunicação e Cultura, 2010.


Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L. Alfabetização na Perspectiva de Linnea Ehri Novo Hamburgo, 20 julho/ 2016. Disponível online em: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2016/07/
alfabetizacao-na-perspectiva-de-linnea.html






[1] [1] Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 9248-4325
[2] Drª em Psicologia da Educação pela Universidade da Califórnia.