terça-feira, 25 de outubro de 2016

Neuropsicopedagogia: Cuidado com os equívocos


Ana Lúcia Hennemann[1]

Você saberia dizer o que é Neuropsicopedagogia?
Quais as ciências e práticas que compõem a Neuropsicopedagogia?
Você já leu o Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia?

A Neuropsicopedagogia conceituada pela SBNPp (Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia) como:
“Uma ciência transdisciplinar, fundamentada nos conhecimentos da Neurociências aplicada à educação, com interfaces da Pedagogia e Psicologia Cognitiva que tem como objeto formal de estudo a relação entre o funcionamento do sistema nervoso e a aprendizagem humana numa perspectiva de reintegração pessoal, social e educacional”. (SBNPp, 2016, p. 3)

vem se mostrando uma das ciências que tem se destacado rapidamente nos últimos anos, fomentando venda de cursos, livros e materiais correlacionados a mesma, porém se faz necessário um olhar mais minucioso a cerca de tudo que compõe o universo neuropsicopedagógico.
Embora a conceituação seja clara enfatizando a fundamentação e o objeto de estudo, a mesma tem se mostrado em alguns contextos de maneira equivocada: tanto na sua conceituação, quanto na prática do profissional de Neuropsicopedagogia. Um dos grandes fatores que contribuem para estas situações fazem menção ao não conhecimento do conteúdo do Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia, sendo que este é disponibilizado gratuitamente no site da SBNPp,  cujo, seu contexto abrange desde a formação do neuropsicopedagogo até mesmo a sua atuação como profissional.
Por exemplo, o capítulo IV faz menção aos instrumentos da atuação neuropsicopedagógica, ressaltados no artigo 68, parágrafos 1, 2 e 3 as seguintes orientações:
§1° Toda avaliação e intervenção deverá ter um olhar neuropsicopedagógico. [...] É vetado o uso de procedimentos, técnicas e recursos não reconhecidos como neuropsicopedagógicos. §2° O Neuropsicopedagogo deverá utilizar protocolos de avaliação e intervenção que contemplem fundamentos básicos sobre a aprendizagem e desenvolvimento, como as funções executivas, atenção, linguagem, habilidades sociais, raciocínio lógico-matemático e desenvolvimento neuromotor.  §3º A formação do Neuropsicopedagogo prioriza o estudo e pesquisa sobre a aprendizagem relacionada ao funcionamento do sistema nervoso, incluindo estudos a cerca do cérebro, assim faltam-lhe condições técnica para realizar um trabalho com alguns aspectos do desenvolvimento humano. Desta forma, o Neuropsicopedagogo não pode avaliar a inteligência, os transtornos de humor e personalidade, bem como fazer uso de testes projetivos. (SBNPP, 2016, p. 15)

A breve leitura destes parágrafos esclarece o grande equívoco que vem ocorrendo em algumas grades curriculares de instituições que não são associadas a SBNPp, mas vendem cursos de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia. Por exemplo, estes dias estava lendo sobre a grade curricular de uma destas instituições e no site fazia menção aos eixos temáticos aos quais o curso estava pautado, para minha surpresa, todo eixo era fundamentado na Psicopedagogia. Nesse sentido, faz-se necessário relembrar que os eixos temáticos que compõe a Psicopedagogia e a Neuropsicopedagogia são diferentes, pois a primeira tem base na Epistemologia Convergente e a segunda na Neurociência aplicada à Educação e a Psicologia Cognitiva, no entanto ambas se fundamentam na Pedagogia. Por isso que a Neuropsicopedagogia não se utiliza de testes projetivos durante o processo de avaliação, muito menos do Teste do Par Educativo (TPE), cujo objetivo é investigar vínculo com a aprendizagem. Dentro da Neuropsicopedagogia o que seria avaliado dentro da perspectiva do desenho infantil é apenas se o indivíduo se encontra dentro dos parâmetros correspondentes ao seu desenvolvimento.
Outro fator que merece destaque é a questão da nomenclatura de Neuropsicopedagogo, pois conforme artigo 69: “A formação educacional do Neuropsicopedagogo se dá através de curso de pós-graduação (especialização lato sensu) com a titulação mínima certificada de Neuropsicopedagogia[...]” sendo assim, se o profissional possui a titulação de Psicopedagogia e faz uma pós em Neurociências, ele não é um neuropsicopedagogo. Cada profissional tem um perfil profissiográfico e devemos ter a ética de respeitar o espaço de atuação de cada um.
Portanto, relativo a Neuropsicopedagogia, se faz necessário entender que existe uma entidade que representa esta categoria de profissionais, a SBNPp, a mesma possui um selo indicando quais livros, cursos de pós-graduação e demais materiais que são chancelados pela mesma. Portanto devemos investir na profissão do neuropsicopedagogo, mas ficar alerta quanto as orientações da SBNPp evitando dessa forma cometer equívocos relativos a conceituação e a prática profissional da Neuropsicopedagogia.

Referência:
SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEUROPSICOPEDAGOGIA- SNBPp (Brasil). Resolução nº 03/2014. Código de Ética Técnico-Profissional da Neuropsicopedagogia, Joinville, 30 de jul.2014.

Nota: Se você tem dúvidas relativas a Neuropsicopedagogia, consulte o site da Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia: www.sbnpp.com.br

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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Emoções_aprendizagem através de aplicativo

     Todos nascemos com um “kit básico emocional” que são fenômenos expressivos, de curta duração mas que envolvem a ativação de estados de sentimentos que servem para nos auxiliar na adaptação ao ambiente. As emoções teriam como função: coping (enfrentamento) e socialização. Por exemplo: se percebemos que alguém está sorrindo, associamos o sentimento de felicidade e dessa forma já temos um feedback de como interagir com aquele indivíduo naquele determinado momento.
     Mas como fazer esta associação se não nos foi trabalhado estas noções? Pois temos o kit básico emocional, mas isso não é garantia de que sabemos usá-lo, portanto, emoções precisam ser trabalhadas desde o nascimento até a morte!
     Goleman (2013) menciona que a compreensão emocional básica se inicia na primeira infância: por volta de 2 a 3 anos, é possível relacionar palavras a sentimentos e classificar expressões faciais. No entanto, a partir dos 6 meses de idade começa a ser ativado um circuito de empatia que nos permite modelar as expressões/emoções daqueles que interagem conosco, são os “neurônios-espelho”. São circuitos que nos colocam em sintonia com alguém ao despertar o estado emocional identificado no outro. Contudo é lá na adolescência que já é possível 'ler' os sentimentos com precisão, sendo essa a base de interações sociais mais tranquilas.
    Como se pode perceber as emoções exigem um trabalho de “lapidação” durante toda a infância. Necessita a realização de um trabalho integrado onde a criança não apenas reconheça a emoção, mas que também saiba nomeá-la e compreender o significado da mesma.  E por isso, venho compartilhar com vocês um aplicativo que pode ser utilizado em diferentes contextos, familiar, escolar e clínico. É o ”Emoji Game” criado pela Educação Futura, cujo responsável é o professor Tiago B. J. Eugênio.
    O Emoji proporciona a identificação das expressões faciais fazendo com que a criança através do lúdico se aproprie de conhecimentos que agreguem valor as suas habilidades socioemocionais. Esta interação com o jogo fará com que a mesma comece a prestar mais atenção em si e nos outros, noções básicas e essenciais as quais descrevi no artigo “As crianças estão mudando o foco”.
    No contexto escolar e clínico há toda a possibilidade de criação de estratégias de intervenção, tais como: jogos de memória de emoções, dados de sentimentos, trilhas das emoções e quem sabe até criar um jogo de detetive de emoções.
    O jogo contribui também para indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) favorecendo o autoconhecimento, a empatia e a compreensão destes fatores.
 Ou então assistam no youtube um tutorial do jogo: