sexta-feira, 16 de junho de 2017

Introdução à neuropsicopedagogia – Santa Cruz do Sul


     O que te faz escolher determinada pós-graduação? Você simplesmente escolhe em virtude do nome? Ou por achar que vai ser legal? Ou talvez porque tem algumas disciplinas que tem interesse? Estes alguns questionamentos que me fiz ao optar pela neuropsicopedagogia. E também insisto em perguntar para as turmas às quais leciono: - Quais as expectativas que você faz desta pós? – Quais expectativas dos que convivem com você tem ao mencionar sobre a pós que está cursando?
     Podem parecer perguntas simples, com respostas óbvias, mas certamente há um objetivo amplo dentro destes questionamentos, ou seja, instigar o aluno a refletir sobre a profissão de neuropsicopedagogo, a entender as bases que estruturam esta ciência, saber diferenciar a neuropsicopedagogia de ciências próximas, no entanto com características bem diferenciadas, tais como a neuropsicologia e psicopedagogia.
    Conforme o Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia, no capítulo II, artigo 10, encontramos a seguinte definição desta ciência:
A Neuropsicopedagogia é uma ciência transdisciplinar, fundamentada nos conhecimentos da Neurociências aplicada à educação, com interfaces da Pedagogia e Psicologia Cognitiva que tem como objeto formal de estudo a relação entre o funcionamento do sistema nervoso e a aprendizagem humana numa perspectiva de reintegração pessoal, social e educacional. (SBNPP, 2016, p. 3)
     Na leitura desta definição percebemos a tríade: neurociências aplicadas à educação, pedagogia e psicologia cognitiva. Se comparamos com a psicopedagogia, entenderemos que ela não prioriza a psicologia cognitiva, se compararmos com a neuropsicologia também podemos entender que a mesma não faz menção apenas ao foco da neurociência voltada à educação. Então, nestes simples aspectos, já há um grande diferencial, pois são estas as estruturas que vão fundamentar inclusive o tipo de avaliação que o profissional de cada área fará uso dentro do seu contexto de atuação.
    Também nesta perspectiva, os alunos dos cursos de pós-graduação do Censupeg já iniciam a pesquisa nos documentos básicos da SBNPP, ou seja: o Código de Ética Técnico Profissional, Nota Técnica 01/2016, Nota Técnica 02/2017, bem como recebem a informação de como se associar a esta sociedade que é uma entidade de maior referência  no universo da neuropsicopedagogia e suas extensões, onde o associado adquire vantagens e benefícios, tais como: - contribuir para o reconhecimento da profissão do neuropsicopedagogo; - orientação básica de como abrir seu espaço após a conclusão da pós-graduação; - acesso ao boletim informativo que traz publicações recentes e importantes sobre a Neuropsicopedagogia; -desconto de 20% na compra do livro da Dra Rita Russo (Neuropsicopedagogia Clínica – Introdução, conceitos, teoria e prática); - descontos em eventos da SBNPp e também em livrarias conveniadas a esta sociedade.
    Portanto, esta disciplina de Introdução à Neuropsicopedagogia tem como objetivo mostrar toda contextualização estrutural do curso, ou seja, mostrar um panorama do conceito de neuropsicopedagogia, as bases que a compõe, perfil profissiográfico do neuropsicopedagogo, diferenças entre os campos de atuação, que tipo de instrumentos utilizará para fazer avaliação e intervenção, bem como entender a importância da leitura dos documentos que fundamentam esta ciência. Por isso, que no dia 10/06 a turma de Neuropsicopedagogia de Santa Cruz do Sul realizou atividades que visavam desde a contemplação de power point contendo estas informações até mesmo a consulta do Código de Ética Técnico Profissional como forma de pesquisar estudos de caso envolvendo a conduta profissional de neuropsicopedagogos, ou seja, casos fictícios criados como forma de exercitar a pesquisa deste documento. O interessante de tudo foi a oportunidade de trocas de saberes, de expor as dúvidas, de buscar o entendimento de todo contexto que envolve a neuropsicopedagogia.

Bibliografia:
SBNPP. RESOLUÇÃO SBNPp N° 03/2014, Joinville: SBNPP, 2014

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Avaliação e Intervenção Psicopedagógica – Lajeado - RS


Apostar na educação é uma das ferramentas mais poderosas que podemos proporcionar ao país. Preocupar-se com os processos de ensino aprendizagem é dever de todo e qualquer profissional que trabalha no contexto educativo, no entanto, nem sempre há o entendimento do que fazer quando o aluno não aprende, principalmente quando o professor expressa que já fez tudo e mesmo assim não conseguiu um retorno positivo.
Muitas vezes, tratando-se da não aprendizagem, se faz necessário, um olhar de um profissional que se utiliza de instrumentos capazes de avaliar quais os aspectos que se mostram deficitários na aprendizagem da criança, ou seja, o psicopedagogo.
O psicopedagogo é um profissional que cujos conhecimentos dos processos cognitivos, emocionais e corporais, auxiliam no processo ensino aprendizagem, contribuindo de forma significativa para a melhoria acadêmica do estudante.
Através da disciplina de Avaliação e Intervenção Psicopedagógica - Clínica (do curso de Psicopedagogia Institucional e Clínica do Censupeg), o futuro psicopedagogo irá “entender e elaborar a contextualização das avaliações psicopedagógicas em situações clínicas verificando quais os procedimentos técnicos e encaminhamentos psicopedagógicos no atendimento de sujeitos com dificuldades de aprendizagem, bem como, elaborar pareceres e devolução de diagnóstico”.
A avaliação psicopedagógica tem como objetivo principal investigar quais as dificuldades ou entraves do sujeito no seu processo de aprender diante do esperado pelo meio social, ou seja, identificar dificuldades que possam estar impedindo o sujeito de desenvolver o processo ensino aprendizagem de forma eficaz, procurando deste modo, descobrir a forma de como o conhecimento é elaborado por esse sujeito.
Como se pode perceber, avaliação e intervenção, requerem muitas horas de estudo, escolhas de instrumentos adequados para cada contexto e técnicas de intervenções que contemplem os resultados mostrados na avaliação. Nesse sentido, podemos afirmar que a formação do psicopedagogo se faz mediante muito empenho, leituras constantes e trocas de saberes (práticos e teóricos).  

domingo, 16 de abril de 2017

“Chuvinha” de neurotransmissores

Como a escolha de uma música pode mudar seu dia


Ana Lúcia Hennemann¹ 

“Canta canta minha gente deixa a tristeza prá lá, canta alto forte que a vida vai melhorar.” - Martinho da Vila

     E a atriz coadjuvante de nossas vidas é sempre ela: a música. Estou certa? Ou poderíamos fazer a tentativa de imaginar o mundo sem ela?
    Imagine-se em atividades que precise colocar motivação e empenho: faxina da casa, limpeza do carro ou exercícios na academia. Certamente tudo fica mais prazeroso ao som da música que você tanto gosta. Mas por outro lado, imagine-se acordando desanimado, saiu de casa e encontrou alguém que lhe conta algo triste, e para completar liga o rádio e está tocando justamente aquela música melancólica que te faz lembrar do amor que não deu certo, de brigas com pessoas que tanto ama, do trabalho cansativo?  Sem perceber você acaba transformando algo que já não estava bom, em pior ainda!!! E tem gente que ainda diz: era a música perfeita para o meu dia...
    Nada disso, nada de aumentar o sofrimento. Vamos refletir sobre o assunto:  por que a música exercer tamanha influência sobre nossos sentimentos?  Caso nunca tenha se perguntado sobre isso, saiba que pesquisadores descobriram que a música tem a capacidade de aumentar ou diminuir a produção de neurotrofinas (proteínas responsáveis pela sobrevivência, desenvolvimento e funcionalidade dos neurônios) afetando, assim, o funcionamento do sistema nervoso. O sistema das neurotrofinas é capaz de regular processos celulares vitais como a liberação de neurotransmissores, tais como a dopamina e a noradrenalina. A dopamina é um neurotransmissor relacionado ao prazer, bem-estar e recompensas enquanto que a noradrenalina nos proporciona excitação física, mental, e bom humor. 
    Assim como palavras são gatilhos que fazem pensar em determinadas situações, sons ou imagens, a música faz isso com maior abrangência, pois ela ativa diversas regiões cerebrais ao mesmo tempo, envolvendo áreas responsáveis por interpretar as diferentes alturas, timbres, ritmos e modulação do sistema de prazer e recompensa envolvido na experiência musical.
     De acordo com Tolstói (1889 apud Miranda, 2013):

 A música obriga a esquecermo-nos da nossa verdadeira personalidade, transporta-nos a um estado que não é o nosso. Sob a influência da música temos a impressão de que sentimos o que não sentimos; que compreendemos o que na realidade não compreendemos; que podemos o que não podemos[...] A música transporta-nos, de surpresa e imediatamente, ao estado de alma em que se encontrava o artista no momento da criação, confundimos a nossa alma com a dele e passamos de um estado a outro sem saber por que o fazemos.

      Quanto maior a sensação de prazer relacionada a uma música maior é a quantidade de associações que o nosso cérebro realiza com a mesma e maior será a liberação de dopamina ou noradrenalina. A música pode alterar nosso estado fisiológico através dos sistemas nervoso e endócrino.
Portanto, se você se quer ter um dia agradável ouça músicas que lhe despertam sensações que promovam o seu bem-estar. Do mesmo modo quando pensamos em questões de aprendizagem, a música pode ser um aliado altamente eficaz. Por exemplo: que tal começar a aula com uma boa música? Automaticamente os alunos estão sendo preparados para a recepção do conteúdo, pois relaxam, ficam mais descontraídos (o que promove a interação professor X aluno). Ouvir música exige o desenvolvimento da capacidade de concentração, além de promover a criatividade pois sensibiliza o aluno.
    Outra alternativa é solicitar que eles criem músicas relacionada ao conteúdo da disciplina, com isso, há muito maior aprendizagem, pois eles terão que utilizar os conhecimentos prévios e evidenciá-los através das habilidades de leitura, escrita, interpretação, ritmo, entonação de voz, e por aí adiante. Portanto, dentro do contexto educacional a música traz o benefício de ampliar e facilitar a aprendizagem.
   Seja por motivos pessoais, na execução de uma atividade ou situação de aprendizagem, o importante mesmo é seguir a ordem do poeta, mas com o entendimento de que ao cantar, alto e forte, a vida vai melhor, pois “chuvinhas” de substâncias prazerosas estarão modulando seu cérebro e, consequentemente, todo o seu organismo.  

Referências:
MIRANDA, Matheus. A música e as emoções. Disponível online em: http://migre.me/oNqAy
MUSZKAT, Mauro. Música, Neurociência e Desenvolvimento humano.   http://migre.me/oNlcG
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[1]Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325
Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L.  “Chuvinha” de neurotransmissores.  Novo Hamburgo, 16 de abril/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/04/chuvinha-de-neurotransmissores.html

segunda-feira, 27 de março de 2017

Habilidades Matemáticas – Cruz Alta - RS


Em meados de março,  lecionei na cidade de Cruz Alta, a disciplina de Fundamentos e Prática Multiprofissional V- Habilidades Matemáticas. Nesta cidade a gestora é a Cristina Librelotto Rubin, que por falar em habilidades, ela tira de letra.
 Imagem vocês que ela se encontrava fora do país, mas se fazia presente em todo e qualquer momento da aula. É muita dedicação provinda destas gestoras do Censupeg, no caso da Cristina, toda a organização do ambiente se encontrava impecável, tudo pensando com muito carinho para que nossas pós-graduandas pudessem estudar com tranquilidade. E também, volta e meia se ouvia uma das meninas anunciando que ela estava solicitando notícias do dia!!!
A disciplina de Habilidades Matemáticas, como já foi mencionada em outras publicações, estuda alguns pré-requisitos que as crianças precisam ter desenvolvido para que a aprendizagem flua com maior facilidade.
Já nos primeiros anos de vida a criança já vai adquirindo noções de quantidade numérica, por exemplo: quando os cuidadores da mesma pedem para ela mostrar com os dedos quantos anos ela tem ou então contar determinados objetos, estas atividades proporcionam a noção de número, ou seja, consciência numérica.
Outro fator importante é que a criança desenvolva a percepção visuoespacial, e aí os jogos de encaixe podem auxiliar e muito, pois ela precisa ter noção de virar as peças para que as mesmas sejam inseridas no local certo. Do mesmo modo, também é fundamental que já no ambiente familiar se trabalhe noções de perto, longe, por exemplo, quando alguém diz: - vem para perto da mamãe...próximo do papai...ao lado da titia...através de instruções como estas, a criança já vai aumentando a sua percepção visuoespacial.
Outro fator de destaque é a linguagem matemática, que aparece através de símbolos, representação por escrito dos números e interpretação de enunciados. Então, desde placas que aparecem na rua, ou mesmo, teclas de computador, celular, há a possibilidade de despertar o interesse da criança por esta linguagem. Leitura de livros, jornais, revistas, jogos com números e seus respectivos nomes apresentam-se como recursos lúdicos capazes de fazer a interação: criança x linguagem matemática.
O que se destaca em todas as habilidades de aprendizagem é questão da atenção. Se a criança apresenta dificuldade atencional, certamente ela terá muita dificuldade em ter a “concentração” necessária para aprender matemática. E isto também se relaciona com as funções executivas, pois a inibição de comportamento é um tópico importante para a aprendizagem.
Quantas vezes, nos deparamos com indivíduos que começam a atividade e insistem em resolver a questão do mesmo modo, modo este que talvez já tenha se mostrado incorreto. Nesse sentido, o bom funcionamento das funções executivas faz com que os indivíduos tenham um planejamento, uma organização sequencial, consigam fazer autocorreção da atividade que estão desempenhando.

Enfim, estes foram apenas alguns pequenos tópicos da aula, no entanto, há muito mais, por isso que o Censupeg é a referência número um em curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia, porque investe na excelência educacional.

Fundamentos e Prática em Equipe Multiprofissional – Igrejinha - RS

     

Me sentindo em débito com as amadas de Igrejinha!!!

     A aula ocorreu no início de março, no entanto o encanto dessas meninas pela neuropsicopedagogia é algo contagiante que perpassa a barreira do tempo/espaço.
    Igrejinha, cidade aqui do Rio Grande do Sul, na qual os cursos de pós-graduação do Censupeg ocorrem sob a responsabilidade da gestora Sigrid Becker. Gente, essa mulher é um show! Está presente em muitos momentos da aula procurando auxiliar em tudo que for necessário tanto para os alunos quanto os professores. Nela também fica evidente o “jeito Censupeg de ser”.
    Antes que me perguntem: - Afinal de conta que jeito é esse? Já esclareço com propriedade que existem muitas definições para o “jeito Censupeg de ser”, sendo que, uma em especial carrego dentro do meu coração, a mesma ecoa através das palavras do diretor presidente Sandro A. Albano, quando ele diz: [...]o que não dá para faltar em educação é AMOR e CARÁTER [...] quando você aprende que fazer o bem é muito gostoso e que ajudar os outros fica perfume nas suas mãos, a gente vai entender que dá para fazer um mundo melhor, como a gente já está fazendo.
    Como professora, amante da profissão, tento dar o meu melhor, contudo jamais posso deixar de perceber que aqueles que estão dentro da sala de aula, também estão dando o melhor deles, buscando melhorar sua qualificação para “perfumar a vida de tantos outros”, e é isso que estas amadas neuropsicopedagogas de Igrejinha me fizeram perceber durante as disciplinas de Fundamentos e Prática em Equipe Multiprofissional IV e V, ou seja Linguagem e Habilidades Matemáticas. Foram dois dias de estudo, prática profissional, exercício de aplicação de testagens e interpretação dos resultados obtidos como forma de sistematizar quais as intervenções a serem propostas.
    A estrutura curricular do curso de Pós-Graduação em Neuropsicopedagogia, proposta pelo Censupeg, apresenta ao todo 5 disciplinas de Fundamentos, todas elas voltadas a áreas que o neuropsicopedagogo deverá avaliar e intervir, fundamentadas desde a base neurobiológica, desenvolvimento típico e atípico, bem como quais instrumentos podem ser utilizados na avaliação e intervenção.  
    Nossos alunos são orientados em conformidade com o Código de Ética Técnico Profissional de Neuropsicopedagogia, a Nota Técnica 01/2016 e o livro Neuropsicopedagoga Clínica da Drª Rita Russo. Nesse sentido, como instituição, temos certeza de que estamos formando profissionais altamente qualificados e que farão a diferença no contexto neuropsicopedagógico, principalmente porque  foram ensinados nos princípios do AMOR e CARÁTER. 

domingo, 26 de março de 2017

Avaliação e Intervenção Neuropsicopedagógica - Clínica

     Santa Cruz do Sul - RS
    Na cidade de Santa Cruz do Sul -RS os cursos de neuropsicopedagogia estão em alta, graças a dedicada gestora Marcia Gewehr (http://cursoposneuro.com.br/ ) que tem um “jeito Censupeg de ser”, ou seja, apresenta um cuidado especial para com todas as turmas que estão sob sua responsabilidade procurando atender as especificidades de cada turma, mas sem esquecer que há todo um conjunto de orientações maiores a serem cumpridas.
     Em especial, esta sala de aula composta de 36 neuropsicopedagogas, há dois anos vem se preparando para desempenhar com maestria esta nova profissão. São horas e horas de aula, estudo, empenho, dedicação, atenção seletiva (foco no que realmente deve ser feito) e eliminação de distratores. Enfim, precisam dizer não, a muitas coisas que também são essenciais, para que se tenha pleno êxito acadêmico.
     E a “bola da vez” foi a disciplina de Avaliação e Intervenção Neuropsicopedagógica, onde o Censupeg, instituição que administra o curso, tem uma preocupação que os alunos realmente saibam quais são os tópicos essenciais para uma boa avaliação e intervenção. A disciplina visa preparar o neuropsicopedagogo para a futura prática clínica, trazendo a contextualização e aprendizagens de todas demais disciplinas da grade curricular do curso.
    Portanto, para que isso aconteça, se faz necessário que os alunos tenham o conhecimento do conteúdo da Nota Técnica 01/2016, que atendendo Resolução 03/2014 (capítulo II)  descreve os princípios fundamentais e diretrizes para a ação do neuropsicopedagogo.
     Do mesmo modo, o Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia, em seu artigo 31, que descreve a atuação do Neuropsicopedagogo Clínico, priorizando a:
d) Utilização de protocolos e instrumentos de avaliação e reabilitação devidamente validados, respeitando sua formação de graduação; 
     Nesse sentido, cabe ressaltar que quando temos o entendimento que um dos princípios da avaliação neuropsicopedagógica é a investigação das funções cognitivas, entendemos o porquê do uso de instrumentos padronizados, pois não há como avaliar habilidades de linguagem, raciocínio, atenção, percepção, abstração, memória, aprendizagem, funções motoras e executivas, pautado apenas na subjetividade, se faz necessário ter parâmetros de comparação embasado na cientificidade.
     Um dos elementos primordiais desta disciplina, se dá através da leitura dos capítulos IV  e V, do livro Neuropsicopedagogia Clinica – Introdução, Conceitos, Teoria e Prática, o qual traz detalhadamente o “como, para que e porquê”, fazer a avaliação e intervenção neuropsicopedagógica. Também é importante salientar que na atualidade este livro é o único chancelado pela SBNPp, pois sua escrita está de acordo com o Código de Ética Técnico Profissional da Neuropsicopedagogia.
   Nesse sentido, não há como ser neuropsicopedagogo sem saber o conteúdo descrito nestes materiais. E certamente essa turma de Santa Cruz do Sul, aproveitou cada minuto da aula para aprimorar a sua qualificação. 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Pão e circo cativando seus neurônios-espelho

Ana Lúcia Hennemann[1]

“[...] quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhece-se nas imagens dominantes da necessidade, menos ele compreende a sua própria existência e o seu próprio desejo.” Guy Debort

      Já aconteceu com você estar passando por algum local e de repente uma ou duas pessoas começam a olhar para algum ponto no céu e sem perceber você imita o gesto? É algo instintivo. Há um vídeo no youtube intitulado “Face the Rear” que retrata o seguinte cenário: alguém entra no elevador e em seguida 2 ou 3 atores entram e se posicionam de costas, inicialmente a pessoa olha com indignação, mas aos poucos o indivíduo vai virando e fica na mesma posição que os demais.
Imagem: Revista MeuCérebro/ Fev_2015
       Já imaginou se alguém ou um grupo se utilizasse de todo esse conhecimento para uma grande massa social? Induzissem pessoas a imitarem outras? Chorar quando outras chorassem, rir quando elas rissem, ficar indignado se elas passassem por situações de injustiça, enfim se preocuparem com a vida alheia e esquecer suas próprias vidas? Pois bem, isso aconteceu há muito tempo em Roma e ficou conhecida como a política do “Pão e Circo”.
        O povo trabalhava demais para sustentar o luxo de poucos; a comida escassa, mas recebiam trigo gratuitamente, então satisfazia as necessidades básicas; haviam livros, entretanto apenas alguns dominavam a arte da leitura. Os mais ousados começaram a criticar a forma de governo e perguntar sobre o valor dos impostos arrecadados; os reis, governantes da época perceberam a desmotivação e entenderam que precisavam agir, não poderiam abdicar de todo aquele luxo para satisfazer as vontades alheias.
       Naquele tempo não se entendia nada sobre cérebros humanos, de como se processava os pensamentos, de neurônios-espelho, rapport, empatia, projeção, mas era necessário modificar o padrão de pensamento, as conexões neurais daqueles indivíduos, caso contrário a insatisfação iria tomar conta de seus corpos e como eram muitos poderiam acabar com o privilégio da minoria.
        Os governantes reuniram-se e logo concluíram que o povo precisava de entretenimento, algo com o que se identificassem, sofredores, guerreiros em busca de vitória, liberdade, desejo de vencer a todo custo. Mas não eram todos que venceriam, somente alguns, aqueles que conquistassem a admiração de todos e mostrassem garra para esta conquista...e foi assim que corpos esculpidos apareceram em plateias de 50.000 mil a 90.000 mil espectadores. Em troca da tão sonhada liberdade, presentes caros, fama e glória, os gladiadores submetiam-se às exposições vis e banhadas de sangue e suor. E o povo ali, apenas dando uma espiadinha, rindo, divertindo-se em família, achando graça do infortúnio alheio. Projetando seus sonhos, suas necessidades, esquecendo suas angústias.
      Aos poucos, o sentimento de descontentamento era trocado pelo desejo de ver quem sairia vitorioso na próxima batalha, quem seria derrotado pelos demais, alguns criticavam toda essa artimanha, mas eles já não tinham voz, pois o povo em geral estava feliz.  Mas lógico, isso tudo ocorreu num século onde as pessoas da época não tinham os recursos e conhecimentos que temos na atualidade para entender todo o entorno que se passa por trás dos bastidores.
       No século XXI, o cenário modificou, mas as estratégias usadas no primeiro século continuam as mesmas: “Pão e circo” ativando os neurônios-espelho! Dentro do nosso cérebro temos regiões especificas que quando ativadas faz com que sentimos emoções e sentimentos de outros como se fossem nossos. É o sentir com o outro e como o outro. Estas células especializadas nos fazem perceber expressões, sentimentos e antever reações de outros indivíduos. Conforme o neurocientista Rizzolatti:  "Os neurônios-espelho nos permitem captar a mente dos outros não por meio do raciocínio conceitual, mas pela simulação direta. Sentindo e não pensando."
      Assim como na Roma antiga, milhares de pessoas sentiam simpatia e desprezo pelos gladiadores, hoje temos de forma mais mascarada o mesmo espetáculo, os famosos reality shows. Mesmo que for para dar a famosa espiadinha, o fato é que muitos se deixam contagiar pelo enredo deste grande circo. Os neurônios-espelho são ativados e fazem com que o povo comece a vivenciar as reações de seu “jogador” preferido.
      Goleman, no livro Inteligência Social, menciona que em 1970 uma equipe de pesquisadores de Israel reuniu um grupo de voluntários para assistir vários clipes de filmes procurando entender parte dos mecanismos neurais envolvidos entre a tela e o espectador. Exames de ressonância magnético funcional eram realizados simultaneamente entre todos os envolvidos e percebeu-se que o cérebro dos espectadores agia como se a história imaginária estivesse acontecendo com eles, evidenciando assim que o cérebro faz pouca distinção entre realidade virtual (imaginária) e real. Conforme Goleman (2011, p.23), “quando o cérebro reage a cenários imaginados da mesma maneira que reage aos cenários reais, o imaginário tem consequências biológicas.[...] quanto mais notável e surpreendente o acontecimento, maior a atenção do cérebro.”
       Quando as pessoas estão aborrecidas e entediadas, tornam-se disfuncionais, começam a perceber fatos que desagradam todo o sistema à sua volta. Todavia, quando dominadas pelas emoções, focando a atenção em pequenos grupos, projetam-se ali, nem que seja apenas para uma “espiadinha”. Séculos se passaram e o homem ainda não dominou a arte de dominar a si mesmo. isso traz significativas consequências sociais. De agora em diante é preciso lembrar que “Pão e o Circo” anseiam dissimuladamente pelos seus neurônios-espelho.

Referências:
GOLEMAN, Daniel. Inteligência social: o poder das relações humanas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011.
GUARINELLO, Norberto. Violência como espetáculo: http://migre.me/orEaQ
Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L.   Pão e circo cativando seus neurônios-espelho. Novo Hamburgo, 25 fevereiro/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/02/pao-e-circo-cativando-seus-neuronios.html




[1] Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. Professora de Pós-Graduação pelo CENSUPEG / Membro do Conselho Técnico Profissional da SBNPp - whatsApp - 51 99248-4325

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

“Pseudo”- transtornos específicos de aprendizagem

Ana Lúcia Hennemann[1]

Talvez não tenha conseguido fazer o melhor, mas lutei para que o melhor fosse feito. Não sou o que deveria ser, mas graças a Deus, não sou o que era antes. (Marthin Luther King)

Toda criança ao cursar os primeiros anos de escolaridade formal evoca, naqueles que interagem com ela, expectativas relacionadas ao processo de aprendizagem. Será um período de continuidade do todo o trabalho já desenvolvido na Educação Infantil, no qual a criança no findar dos três primeiros anos do Ensino Fundamental I deverá ter condições de ler, escrever, interpretar, calcular, ou seja, adquirir habilidades básicas que servirão de suporte para os demais anos acadêmicos.
Enfatizamos uma educação que tenha o olhar na individualidade do aluno, mas também é na escola que as crianças estão inseridas num ambiente de coletividade e muitas vezes os seus pares (seus colegas) é que servem de parâmetro para identificar como está o processo de aprendizagem de cada indivíduo. E quando esta aprendizagem se mostra mais lenta comparada aos demais, se faz necessário um olhar mais abrangente dos profissionais da educação principalmente procurando investigar se há ou não critérios que sinalizam um Transtorno Específico de Aprendizagem.
Os Transtornos específicos de aprendizagem são aqueles onde há déficits específicos relacionados a capacidade do indivíduo perceber ou processar informações com eficiência e precisão. Eles geralmente se manifestam durante os primeiros anos de escolaridade formal, cujas características marcantes são as dificuldades persistentes e prejudiciais nas habilidades acadêmicas de leitura, escrita  e/ou  matemática.
Numa leitura superficial, certamente muitas crianças poderiam aí ser classificadas; e percebe-se que muitas delas são enviadas ao atendimento especializado pautados nas dificuldades persistentes das habilidades acadêmicas. O DSM-V (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais), que inicialmente era material de referência para aqueles que trabalham na área da saúde, atualmente, tem se mostrado leitura obrigatória para todos aqueles que atuam na área educacional principalmente porque nele há a descrição detalhada dos Transtornos específicos de aprendizagem.
O DSM-V, traz critérios de classificação destes transtornos, subdivididos em 4 níveis e especificados em subitens, o que faz com se tenha bem claro a diferença entre crianças com dificuldades das que realmente apresentam transtornos. Por exemplo: logo no critério A, existe a questão dos sintomas a serem elencados persistirem durante 6 meses APÓS INTERVENÇÃO.
Não há muita clareza, sobre quais os tipos de intervenções a serem realizadas, no entanto elas abrangem desde o contexto educacional e até mesmo o clínico. Mousinho e Navas (2016, p. 39) observam que
O texto que inicia o critério A traz uma das maiores novidades dessa edição do DSM para os transtornos específicos de aprendizagem, que é a inclusão da proposta de resposta à intervenção (response to intervention – RTI). Trata-se de um modelo em que o diagnóstico não é dado a priori; inicialmente, pode ser estabelecida uma hipótese diagnóstica, que deve ser confirmada após um período de intervenção eficaz e cientificamente embasada.
Quando a criança não está aprendendo devemos sim, investir em todos recursos necessários para entender o que está dificultando a sua aprendizagem, contudo, como professores não podemos nos eximir do nosso dever de ensinar e também proporcionar qualidade neste ensino para que a mesma venha obter resultados satisfatórios. Cada indivíduo tem seu próprio ritmo de aprendizagem, sendo que muitas vezes isto é desconsiderado, avaliando todos utilizando-se de mesmo critérios. Por exemplo: digamos que uma criança provenha de um lar onde não há estímulo para a leitura, onde talvez a linguagem entre os moradores deste local seja pobre de conteúdo e não exista hábitos de estudo. Certamente, esta criança vai apresentar um ritmo de aprendizagem diferente das crianças que tenham qualidade de estímulos, talvez a escrita dela apresente frases curtas e com muitos erros ortográficos, mas isto não quer dizer que ela tenha um transtorno de aprendizagem, mas sim que ela necessita de maior intervenção pedagógica. E o interessante aqui é verificar o quanto esta criança, ao longo do tempo, melhorou seu desempenho acadêmico usando como parâmetro ela mesma.
Salles et al (2013) em seu artigo “Normas de desempenho em tarefa de leitura de palavras/pseudopalavras isoladas (LPI) para crianças de 1º ano a 7º ano” comprovam que o desempenho das crianças em leitura melhora no decorrer dos anos escolares, através de boas intervenções. E também outro dado significativo deste artigo é que crianças de escolas públicas no primeiro ano de educação formal apresentam índices mais baixos de leitura comparadas às de escola privada, no entanto quando chegam ao final do terceiro ano, o desempenho delas se igualam, o que nos leva a perceber o quanto a educação promove a neuroplasticidade das crianças, ou seja, é o “meio modificando o meio”.
Jaime Luiz Zorzi, em seu livro “Aprendizagem e distúrbios da linguagem escrita: Questões clínicas e educacionais” utiliza uma expressão que há muito tempo me inquieta e tem sido fruto de longas reflexões e debates com outros colegas da área. O autor menciona sobre os “Pseudo Distúrbios de Aprendizagem”, ou seja, quando todas as deficiências do ensino aprendizagem são depositadas no aprendente. Como o livro foi publicado em 2003, e o DSM-V em 2013, poderíamos dizer que Zorzi faz menção aos “Pseudo- transtornos específicos de aprendizagem”
Pseudo transtornos de aprendizagem ocorrem quando deixamos de proporcionar nosso melhor na educação, quando pensamos que cada criança tem seu tempo de aprender e nos “poupamos” de prover recursos que promovam a aprendizagem desta criança.
Esta situação nos faz perceber o quanto se faz necessário qualificar ainda mais os profissionais que trabalham nos anos iniciais, que são os voltados ao período de alfabetização e isto não se redireciona somente a leitura e escrita, mas sim a todos os comprometimentos que envolvem este contexto.
 A educação escolar poderia ser comparada como a construção de um edifício onde a educação infantil deveria se preocupar com todo a estrutura que fica abaixo da terra, que dará o suporte para as etapas posteriores do prédio, mas logo em seguida, se as primeiras paredes não forem bem assentadas, que é justamente o papel dos anos iniciais, este prédio pode não resistir aos primeiros vendavais, trepidações e assim por diante. Os andares posteriores do prédio correspondem ao ensino fundamental, ensino médio, graduação, pós-graduação ou seja, cada andar necessita ser bem-acabado para dar suporte ao próximo. Mas também temos que ter o entendimento que se ocorreram lacunas de anos anteriores, não adianta procurar quem falhou, mas sim, quais são as falhas e de que modo elas podem ser remediadas, pois educação é acima de tudo investimento no ser humano.
Devemos lembrar que existem sim, transtornos de aprendizagem, mas jamais devemos confundi-los com os pseudo transtornos, como forma de justificar algo que deixamos de fazer.

Referências Bibliográficas:

MOUSINHO, Renata, NAVAS, Ana. Mudanças apontadas no DSM-5 em relação aos Transtornos Específicos de Aprendizagem em leitura e escrita. Disponível online em: http://www.abp.org.br/rdp16/03/RDP_3_201604.pdf

SALLES, Jerusa. Et al. Normas de desempenho em tarefa de leitura de palavras/pseudopalavras isoladas (LPI) para crianças de 1º ano a 7º ano. Disponível online em: http://www.revispsi.uerj.br/v13n2/artigos/pdf/v13n2a02.pdf

ZORZI, Jaime. Aprendizagem e distúrbios da linguagem escrita: Questões clínicas e educacionais. Porto Alegre, Artmed, 2003.

Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L.  “Pseudo”- transtornos específicos de aprendizagem. Novo Hamburgo, 23 fevereiro/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/02/pseudo-transtornos-especificos-de.html







[1] Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem.  Professora de Pós-Graduação pelo CENSUPEG / Membro do Conselho Técnico Profissional da SBNPp  - whatsApp - 51 99248-4325

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Estágio Supervisionado III – Tubarão SC

Estágio em Neuropsicopedagogia Clínica

"Trate um homem como ele é, e continuará sendo como é. Trate-o como ele pode e deve ser, e ele se tornará o que pode e deve ser".
 Goethe

O curso de Neuropsicopedagogia Clínica do Censupeg é atualmente organizado em uma grade curricular com 600 horas/aula, sendo que 135 horas são destinadas ao estágio.  Praticamente são seis meses de atuação no contexto clínico. Seis meses, nos quais os alunos iguais as crianças no findar de seu primeiro ano de vida, vão experimentar seus primeiros passos e nós como professores, representantes da instituição Censupeg nos faremos presentes.
Primeiros passos são instigantes, despertam o desejo de ir além, servem de suporte para que no futuro nossa caminhada se torne mais ágil. Entretanto, num primeiro momento estes passos podem acontecer de modo desequilibrado, com doses de medo, sensação de insegurança, porém, tal qual os pais fazem com as crianças, que se mostram receosas diante o medo da queda, nós professores, nos posicionamos um passo a frente de nossos estagiários, olhamos em seus olhos ao mesmo tempo que estendemos os braços e dizemos: - “Vem, você consegue!”
E é com este sentimento de pais que se emocionam ao perceber que seu filho já está andando sozinho, nos orgulhamos também ao perceber que nossa primeira turma de Neuropsicopedagogia Clínica da cidade de Tubarão (SC) já deu seus primeiros passos.
Para 18 pós-graduandas da instituição Censupeg, o sábado do dia 18 de fevereiro será marcado com o sentimento de muita alegria, pois nesta data fizeram o relato de suas primeiras experiências como neuropsicopedagogas clínicas, o relato de seus primeiros passos.
Isso mesmo, cada aluna em seu estágio se responsabilizou por um consulente, um estudo de caso, ou seja, alguém para quem pudessem fazer alguma diferença, para quem pudessem olhar através da realidade o qual este se encontrasse e pudesse lhe apontar caminhos. Mas não caminhos pautados no achismo, mas sim caminhos pautados em muito estudo, em resolução de hipóteses, em troca de saberes com outros profissionais.
Nossas estagiárias tiveram que olhar para cada consulente e não ver apenas o óbvio que todos que estão a volta dele veem, porque apenas ver o óbvio não provoca mudanças, se fez necessário ver além, ver o que fazer a partir daquilo que está sendo evidenciado. E eis aí o motivo de nossa alegria, o motivo de nossa euforia, pois ao receberem o retorno da escola ou dos familiares de que algo estava mudando com aquele indivíduo, isso sim é sinal de dever cumprido. Sinal de que todos vencemos!
E nossos agradecimentos se estendem além das fronteiras do contexto Censupeg, pois dessa vez tivemos a oportunidade de contar com o apoio da Clínica de Psicologia Sistêmica ((48) 9938-3656) que recebeu de braços abertos nossas estagiárias, um gesto de bondade que mostra toda a grandeza de amor e caráter do Sr Jucemar Honório, proprietário da clínica. Gesto esse que me fez lembrar das palavras do presidente do Censupeg Sandro Albino Albano: [...] o que não pode faltar em educação é amor e caráter e quando aprendemos que fazer o bem é muito gostoso [...] que ajudar aos outros deixa um perfume em suas mãos, a gente vai verdadeiramente aprender que é possível fazer um mundo melhor, como a gente já está fazendo. 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Neuropsicopedagogia e Aprendizagem

Ana Lúcia Hennemann[1]

A aprendizagem, ao longo da história da humanidade, sempre se mostrou um fator inquietante e elemento de profundas reflexões nas mais diversas áreas do saber. Inquietações que acompanharam Aristóteles, filósofo grego, estudioso de diversas ciências e como muitos de nós, apaixonado pela biologia. Desprovido de toda e qualquer tecnologia da atualidade, apenas com os rudimentares instrumentos da época, Aristóteles cria hipóteses sobre a natureza da lembrança e dos esquecimentos, os quais deram origem a grande número de experimentos na área da aprendizagem. O ato de aprender, de construir conhecimento, já fazia parte do olhar investigativo deste grego e retratava a construção do que já era um esboço das atuais pesquisas em neurociências: “[...]segundo Aristóteles, o conhecimento se constitui de uma série de filtragens, seleções e estruturações progressivas, que começam nos sentidos (na experiência) e culminam na estruturação racional do conhecimento. ” (DE CARVALHO 1996, p. 67-68)
Se Aristóteles, séculos antes, percebeu que os sentidos eram a porta de entrada da aprendizagem, Jean Piaget, atravessa a porta e descreve como ela se transforma em conhecimento. Além dos sentidos, que perpassam o sujeito, é preciso mais, é necessário a interação com o objeto, ou seja, a aprendizagem requer a interação do sujeito com o objeto (com tudo aquilo que não é o sujeito), e cada nova aprendizagem vai servindo de estrutura para novos conhecimentos, por isso, através de Piaget, podemos ter o entendimento de que a “ação” é elemento essencial da aprendizagem. Não há construção do saber, sem interação com o objeto de estudo, sem a experimentação, sem a ação. Nesse sentido Lima (1980, p.130) enfatiza:
Piaget chega a afirmar, paradoxalmente, que “tudo que se ensina à criança impede que ela invente ou descubra por si mesma” (o que a criança descobre ou inventa por si mesma, reestrutura, fundamentalmente, suas atividades motora, verbal e mental).

A aprendizagem pode ser sim algo complexo, repleta de descobertas e reestruturações, mas também existe simplicidade no aprender, há chaves que abrem este segredo. Chaves que aparecem através da descoberta de vias da aprendizagem e memória em moluscos, estudos realizados por Eric Kandel, Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina. Kandel, nos mostra que a base do aprendizado está na criação e no fortalecimento de conexões entre os neurônios. Se o estímulo é fraco, a aprendizagem não se consolida, se o estímulo é forte, há alteração nas células nervosas e estas geram uma mudança. Podemos dizer que sempre ocorre  aprendizagem, no entanto ela só “cria raízes” no momento em que se transforma numa memória. Riesgo (2016, p.9), ao falar de aprendizado afirma que:  “Quando chega ao SNC[2] uma informação inteiramente nova, ela nada evoca, mas produz uma mudança na estrutura e/ou na função do SNC – isto é aprendizado, do ponto de vista estreitamente neurobiológico.”
Aprendizagens são chaves para mudanças, mas para toda chave, se faz necessário uma fechadura que podem ser o simbolismo de sentimentos e emoções. Então, surge Damásio e nos mostra que não há como separar “razão da emoção”. A aprendizagem passa pela esfera da emoção, não há como aprender sem sentir o gostinho do tempero da emoção, pois conforme Oliveira (2013) “em um nível básico, as emoções são parte da regulação homeostática e constituem-se como um poderoso mecanismo de aprendizagem”.
E assim, com o auxílio de chaves, portas e fechaduras, a aprendizagem foi mapeada e resultou num grande mapa representado por todo nosso sistema nervoso, que reduzidamente intitulamos “cérebro”. O processo de aprender envolve a decodificação do mesmo e entendimento que estamos diante de um mapa moldável, onde cada indivíduo vai se modificando conforme as modificações ambientais.
O ato de aprender, expertise do nosso cérebro, inquietou Aristóteles, Piaget, Kandel, Damásio e tantos outros que promovem ciência, desacomodou aqueles que transitam pela educação, desacomodou um grupo de pesquisadores que os fizera pensar numa nova ciência focada na aprendizagem. Uma ciência, descrita pela SBNPp[3] (2016), que transitasse pela psicologia cognitiva, pedagogia e neurociência aplicada à educação, que fosse desse modo transdisciplinar, que trouxesse respostas não somente para aqueles que aprendem tivessem facilidade em aprender, mas também proporcionasse aprendizagem a todos aqueles que se veem diante de algum empecilho.
Se há uma fisiologia da aprendizagem, o porquê não a trazer para a educação? O porquê não tornar a aprendizagem mais eficaz? E assim novamente a inquietação promoveu mudanças, e eis que surge a Neuropsicopedagogia que traz um novo olhar para a aprendizagem, um olhar que é capaz de reconhecer as limitações, mas também enxergar todas as capacidades do indivíduo. Não há como pensar em aprendizagem sem ter o entendimento de onde ela se localiza em nosso sistema nervoso, de qual a metodologia mais eficaz para determinado indivíduo e o porquê ela se consolida ou não nas memórias de cada um.
Neuropsicopedagogos são profissionais da Neuropsicopedagogia, que têm o compromisso com a constante busca do saber, do aprimoramento, de melhorar o ensino-aprendizagem e ter conhecimento sobre o neurodesenvolvimento do indivíduo, pois dessa forma “permite a utilização de teorias e práticas pedagógicas que levem em conta a base biológica e os mecanismos neurofuncionais, otimizando as capacidades do seu aluno” (OLIVEIRA, 2014, p.16) e também de seus pacientes.
O neuropsicopedagogo, trabalhando em conjunto com demais profissionais, procurará identificar o que realmente é importante para o educando, o que levará o mesmo a possíveis reestruturações cerebrais: - somente socialização?; - aprendizado de letras, palavras, frases?; - melhoria na coordenação motora?; - estimulação sensorial?; enfim, diante cada situação, se faz necessário criar uma estratégia de reabilitação do indivíduo. Por mínimas que sejam as condições, ainda assim, o foco tem que ser na potencialidade do indivíduo, mas também ter consciência de suas limitações, sejam momentâneas ou não.
A Neuropsicopedagogia entende que por mais simples que possa parecer a aprendizagem diante aos olhares de outros, por exemplo: a aprendizagem do simples ato de conseguir tirar o material escolar de dentro de uma mochila; esta aprendizagem provocou mudanças na organização funcional e anatômica do indivíduo, pois houve a construção de novas conexões entre os dendritos de diferentes neurônios, localizados em diferentes regiões cerebrais, e cada vez que este indivíduo chega à escola, ou mesmo à sua casa, ele por si só conseguirá pegar um lápis, um caderno, sem que outros o façam por ele.
Isto é aprendizagem, isto é provocar mudanças, é entender que a partir deste ato se abrem possibilidades para novas aprendizagens, que talvez alguns indivíduos, nunca cheguem ao aprendizado de escrever um livro, mas o simples fato de sozinho pegá-lo em suas mãos, talvez folheá-lo, já é digno de aplausos.

Referências Bibliográficas:

DE CARVALHO, Olavo. Aristóteles em Nova Perspectiva. Rio de Janeiro: TOPBOOKS, 1996.

LIMA, Lauro de Oliveira. Piaget para principiantes. São Paulo: Summus, 1980.

OLIVEIRA, Nythamar. Damásio, Neurociência e Neurofilosofia. Porto Alegre, Fronteiras do Pensamento, 2013. Disponível online em: http://www.fronteiras.com/artigos/damasio-neurociencia-e-neurofilosofia. Acesso em 12/07/2016.

OLIVEIRA, Gilberto Gonçalves de. Neurociências e os processos educativos: um saber necessário na formação de professores. Educação Unisinos. V. 18, número 1, jan/abr 2014

RIESGO, Rudimar. Anatomia da Aprendizagem. In. ROTTA; OHLWEILER; RIESGO [et al]. Transtornos da Aprendizagem: abordagem neurobiológica e multidisciplinar. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.

SBNPp. O que é Neuropsicopedagogia? Joinville: Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia, 2016.  Disponível online em: http://www.sbnpp.com.br/o-que-e-neuropsicopedagogia/ Acesso em 14/07/2016.

Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L.  Neuropsicopedagogia e Aprendizagem. Novo Hamburgo, 12 fevereiro/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/02/neuropsicopedagogia-e-aprendizagem.html





[1] Especialista em Alfabetização/Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva/Neuropsicopedagogia Clinica/Neuroaprendizagem. Professora de Pós-Graduação pelo CENSUPEG / Membro do Conselho Técnico Profissional da SBNPp WhatsApp +55 51 992484325 
[2] SNC – Sistema Nervoso Central
[3] SBNPp – Sociedade Brasileira de Neuropsicopedagogia 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Uma empresa chamada cérebro

Funções executivas para uma vida de sucesso!
Ana Lúcia Hennemann[1]

     Como nosso cérebro faz associações, se alguém ler a expressão “Funções executivas” sem ter conhecimento prévio do assunto, vai lembrar de? Isso mesmo, num primeiro momento lembrará a imagem de algum executivo ou algo ligado à organização empresarial. Digamos que a associação está parcialmente correta, pois tais funções localizam-se dentro de uma “grande empresa”: seu cérebro.
     As Funções Executivas referem-se a um conjunto de habilidades mentais que trabalham de modo cooperativo para ajudar as pessoas a alcançarem metas. Estas habilidades são coordenadas pelo córtex pré-frontal, sendo que a região dorsolateral responsabiliza-se pelo planejamento e a flexibilidade do comportamento; a região medial pelas atividades de autorregulação e da correção de erros; região orbitofrontal se encarrega da avaliação dos riscos envolvidos em determinadas ações e da inibição de respostas inapropriadas.
   Guerra (2011, p.92) salienta que: “Como as histórias individuais são diferentes, também o desenvolvimento das funções executivas terá́ trajetórias desiguais para cada pessoa, e as habilidades adquiridas serão provavelmente distintas.”
     Numa concepção neuropsicológica, pode-se dizer que estas funções compreendem fenômenos de flexibilidade cognitiva e tomada de decisões. Por exemplo: Vamos pensar em algumas capacidades que crianças/adultos precisariam ter interagindo num jogo de memória: - gerir o tempo e atenção; - controle de foco; planejar e organizar jogadas (isso exige flexibilidade, pois terá que mudar suas ações conforme a jogada do outro); lembrar-se de detalhes; inibir o comportamento (a criança tem de ter controle inibitório, ela para tudo o que está fazendo e deixa a outra criança ter a vez); integrar experiências passadas com o presente (ou seja, construir estratégias para ter um desempenho no jogo).
     O exemplo do jogo, pode ser aplicado a qualquer outra atividade que realizamos no dia-a-dia, pois ter o bom funcionamento de nossas funções executivas nos permitem maior desempenho em tudo que fizermos.
   Quando um indivíduo apresenta déficit nestas funções, o comportamento/desempenho torna-se ineficiente afetando a capacidade de manter relações sociais adequadas, pois precisamos ser aptos a trabalhar efetivamente com os outros, com as distrações, ou seja, com as múltiplas demandas provindas do meio. Porém, conforme Guerra (2011, p.89) existem indivíduos que apresentam “disfunções executivas”, ou seja:
 Indivíduos com lesões pré-frontais podem apresentar uma série de problemas que caracterizam as chamadas “disfunções executivas”. Alguns, embora apresentem um nível de inteligência inalterado, podem se tornar apáticos e serem incapazes de tomar decisões necessárias no dia a dia. Ou as tomam de uma forma desastrada, que não leva em conta prioridades, consequências ou os riscos envolvidos, além de não conseguirem perceber e avaliar os próprios erros. Outros podem ser impulsivos, incapazes de inibir comportamentos inadequados ou de flexibilizar sua conduta, mesmo constatando que suas ações não levam ao objetivo determinado. Podem ter uma tendência a perseverar, ou insistir em ações já em andamento, mesmo que elas se mostrem ineficientes, ou podem deixar de avaliar as consequências de suas ações no futuro e comportar-se de forma inadequada e antissocial."

     Distúrbios e transtornos tais como TDAH (Transtornos de Déficit de Atenção e Hiperatividade), TID (Transtornos Invasivos do Desenvolvimento), TGD (Transtornos Globais do Desenvolvimento) ou vítimas de lesões cerebrais traumáticas podem apresentar dificuldades nas funções executivas, por causa das alterações na área pré-frontal, mas com o auxílio de profissionais , tais como psicólogos (neuropsicólogos), psicopedagogo (neuropsicopedagogo), entre outros, há possibilidades de realizar atividades que auxiliem no melhor desempenho das funções executivas.
    Suponha que um indivíduo tenha um trabalho acadêmico a ser apresentado num período de 10 dias, mas apenas um dia anterior comece a organizá-lo. Ou quem sabe, nem o faça.  Se pensarmos em questões de organização, o ideal seria iniciar uns dias antes, mas, para isso, é preciso disciplina, autorregulação, ou seja, dizer não para algumas coisas que são desnecessárias e sim para o que realmente é essencial.
     Imagine: uma criança recebeu um dinheiro x para comprar seu lanche ou algum material escolar de que necessita, mas no percurso para a escola viu algum brinquedo e resolveu gastar seu dinheiro com o mesmo.... Ficou sem lanche, gastou desnecessariamente... Talvez você pense: - mas é só uma criança!!!
     O fato é que a construção do bom desempenho das funções executivas inicia-se “no berço”. Cada fase da vida exige o aprimoramento destas funções, pois se não desenvolvermos essas habilidades durante a infância e adolescência, estaremos fadados a ter sérios problemas quando adultos: seja para manter um emprego, manter um casamento, criar filhos, relacionar-nos com os outros, interagir em sociedade.
   Vejamos outro exemplo: um adulto que tem um dinheiro x para sobreviver durante um certo período de tempo, mas gastou este dinheiro. Encontrou comprando algo que supôs interessante e acabou sem recursos financeiros. Gastou, mais uma vez, desnecessariamente... Todos os exemplos, alertam para a importância de funções executivas bem desenvolvidas.
     Como pais e professores podemos auxiliar e muito no desenvolvimento destas funções, pautados na organização (regras) e metacognição (pensar sobre o pensar). O simples fato de criar rotinas e regras pré-estabelecidas servem de grande auxilio, mas se faz necessário, juntamente com as crianças/adolescentes o “sentipensar” sobre as ações e atitudes que tiveram em determinada situação, promovem a metacognição = o que foi feito, que ações/estratégias usei, quais os resultados, o que posso fazer diferente numa próxima oportunidade.
     Nesse sentido, Guerra (2011) mencionando Gardner, nos diz que muito se fala sobre o aprender a aprender, entretanto pouco se ensina como realmente aprender, mas se quisermos bom desempenho na vida, precisamos de um bom funcionamento de nossas funções executivas e só conseguiremos isso quando praticarmos o exercício da metacognição revendo constantemente nossas metas, estratégias e possibilidades de readaptações,  assim nossa aprendizagem se mostra muito mais eficaz, pois numa concepção neurobiológica “aprender é modificar comportamentos”. 

Fonte: COSENZA, Ramon. GUERRA, Leonor. Neurociência e Educação – Porto Alegre: Artmed, 2011.
Como fazer a citação deste artigo:

HENNEMANN, Ana L.  Uma empresa chamada cérebro. Novo Hamburgo, 08 fevereiro/ 2017. Disponível online em:  http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2017/02/uma-empresa-chamada-cerebro.html 





[1] Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - whatsApp - 51 99248-4325