domingo, 18 de novembro de 2018

Esclarecendo dúvidas relativas a testes padronizados não privativos!


Ana Lúcia Hennemann[1]
“[...] o teórico corre o risco de sufocar o saber, se não puder, às vezes, comer poeira.”
Pierre Vianin

O início de uso de testes padronizados no contexto clínico nem sempre se mostra tarefa fácil, sendo que os primeiros contatos com este material, muitas vezes, ocorrem em cursos lato-sensu. O profissional ainda em formação, apresenta dúvidas e nem sempre encontra locais ou profissionais que podem auxiliá-lo no momento exato em que elas surgem. Outro fato perceptível é que muitos manuais de testes apresentam uma linguagem técnica que se mostra de fácil entendimento para quem já está habituado com o campo da pesquisa e/ou comparação de tabelas; porém, para aqueles que estão iniciando nesta área, é necessária uma descrição bem mais detalhada.
O entendimento de que os resultados destes testes evidenciam áreas preservadas e também as deficitárias, requer do aplicador muita perspicácia e necessidade de ter o maior cuidado possível para que não sejam feitas interpretações equivocadas. Nesse sentido, procurando não transgredir nenhum teste em específico, mas sim contribuir com aquele pós-graduando que esteja se especializando em cursos que envolvam tais instrumentos avaliativos, serão descritos alguns passos básicos a serem seguidos na aplicação dos mesmos.
Inicialmente, deve-se lembrar que a leitura do manual de aplicação de todo e qualquer teste é essencial para o entendimento de quais as áreas que estão sendo avaliadas, bem como as evidências de validade do teste. Subsequentemente ao capítulo de avaliação há os dados normativos do teste, ou seja, o teste é considerado padronizado quando ele se utiliza de uma amostra de normatização, que geralmente vem detalhada quanto a idade dos participantes e/ou o ano escolar em que se encontram.
Antes da aplicação do teste de avaliação, o mesmo apresenta uma atividade de treino, de modo a fazer que o paciente, tenha o entendimento do funcionamento do que está sendo proposto. Sendo que o teste somente pode ser iniciado após o paciente mencionar que entendeu o que é para ser feito. Também é importante lembrar que esta tarefa de treino não é contabilizada na pontuação do teste. Por exemplo: Digamos que o teste tenha 2 partes, antes de iniciar cada uma, haverá uma tarefa de treino, no entanto somente serão pontuados os acertos do teste.  
A aplicação do teste em si, sempre se mostra como a parte de mais fácil entendimento; no entanto as maiores dúvidas é o que fazer com os resultados obtidos, por isso, na tentativa de trazer mais detalhado ainda, segue-se um “passo-a- passo” de como analisar a pontuação obtida.
Primeira observação: Geralmente o capítulo destinado aos dados normativos traz uma tabela com a pontuação padrão de todo o teste, como é o caso ilustrado ficticiosamente, na figura 1:


Por exemplo se o teste tem 2 partes (ou 2 questões), soma-se os acertos de todas as partes do teste e então o aplicador deve procurar a tabela cujo título esteja escrito “escore de acertos total”. Logo que a encontrar deve olhar na parte que diz “escore bruto”, ou seja, quantidade de acertos totais do teste, seguindo deste modo na vertical até encontrar o escore encontrado e em seguida na horizontal até chegar a idade da criança, encontrando desse modo a pontuação-padrão. Essa é a pontuação que dará indicador do desempenho do paciente, que deve ser analisada conforme a tabela da figura 2.


Exemplificando: Digamos que o paciente tenha 10 anos, e ele obteve 43 acertos na soma geral das 2 partes do teste... então os 43, corresponde ao escore bruto e seguindo a linha da idade encontraremos a pontuação padrão de 68....comparando o 68 com a primeira tabela, encontraremos a pontuação padrão média, informando que o paciente se encontra dentro que é esperado para a idade dele.
Pode-se verificar a pontuação padrão do escore total, como também há a possibilidade de analisar cada parte do teste, portanto, deve-se ler o título das tabelas subsequentes e verificar quais foram as questões ou partes que correspondem a esta tabulação. Exemplificando novamente, digamos que o paciente na primeira parte do teste tenha feito 15 acertos, então é feito mesmo processo na tabela que corresponde a parte 1, observe na figura 3.


Conforme pode-se analisar, o paciente nesta primeira parte do teste obteve a pontuação padrão 49, a qual sendo analisada com a tabela 1, ele se encontra com pontuação padrão baixa.
Do mesmo modo que foi feito com esta primeira parte do teste, pode-se fazer com as demais partes, desde que se verifique a tabela correspondente a cada uma.
No entanto, o exemplo aqui inserido nos faz refletir que na pontuação geral o paciente está dentro da média, porém seria necessário analisar quais as habilidades que estão sendo avaliadas especificamente na primeira parte do teste, pois ali dá indícios de possíveis déficits, os quais devem ser trabalhados nas intervenções.
Também, faz-se importante ressaltar que além da aplicação do teste, o aplicador deve fazer uso do “raciocínio clínico”, analisando detalhadamente o resultado obtido e comparando com demais instrumentos de avaliação para que dessa forma, possa ter um feedback mais apurado sobre seu estudo de caso.
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Como fazer a citação deste artigo:
HENNEMANN, Ana Lúcia.     Esclarecendo dúvidas relativas a testes padronizados não privativos! Novo Hamburgo, 18 de novembro/ 2018. Disponível online em:   https://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com/2018/11/esclarecendo-duvidas-relativas-testes.html




[1] Especialista em Alfabetização, Neuropsicopedagogia e Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia Clínica e Neuroaprendizagem. - WhatsApp - 51 99248-4325