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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Neurociências: as novas rotas da educação


 Fgª. Lana Bianchi e Fgª. Vera Mietto 
Imagem:  http://teens.drugabuse.gov/blog/tag/neuroscience/
Os avanços e descobertas na área da neurociência ligada aos processos de aprendizagem é sem dúvida, uma revolução para o meio educacional. A Neurociência da aprendizagem é o estudo de como o cérebro trabalha com as memórias, como elas se consolidam, como se dá o acesso ás informações e como elas são armazenadas.

Quando falamos e pensamos em Educação e Aprendizagem, falamos em processos neurais, redes que estabelecem conexões e que realizam sinapses.

Mas como entendemos Aprendizagem?

Aprendizagem nada mais é do que esse maravilhoso e complexo processo pelo qual o cérebro reage aos estímulos do ambiente, e ativa suas sinapses (ligações entre os neurônios por onde passam os estímulos), tornando-as mais “intensas” e velozes. A cada estímulo, cada repetição eficaz de comportamento, torna-se consolidado, pelas memórias de curto e longo prazo, as informações, que guardadas em regiões apropriadas, serão resgatadas para novos aprendizados.

A Neurociência vem-nos descortinar o que antes conhecíamos sobre o cérebro, e sua relação com o Aprender. O cérebro, esse órgão fantástico e misterioso, é matricial nesse processo. Suas regiões, lobos, sulcos, reentrâncias tem cada um sua função e importância no trabalho conjunto, onde cada área necessita e interage com o desempenho do hipocampo na consolidação de nossas memórias, com o fluxo do sistema límbico (responsável por nossas emoções) possibilitando desvendar os mistérios que envolvem a região pré-frontal, sede da cognição, linguagem e escrita ecompreender as vias e rotas que norteiam a leitura e escrita (regidas inicialmente pela região visual mais específica (parietal) que reconhece as formas visuais das letras e depois acessa outras áreas para a codificação e decodificação dos sons para serem efetivadas.
Imagem:  http://www.psiquiatriainfantil.com.br/biblioteca_de_pais_ver.asp?codigo=58
 Faz-se mister entender os mecanismos atencionais e comportamentais de nossas crianças padrão das crianças TDAH e estudar suas funções executivas e sistema de comando inibitório do lobo pré-frontal, hoje muito relevante na educação.

Compreender as vias e rotas que norteiam a leitura e escrita (regidas inicialmente pela região visual mais específica (parietal) que reconhecem as formas visuais das letras e depois acessa outras áreas para a codificação e decodificação dos sons para serem efetivadas.

Penetrar nos mistérios da região temporal relacionado à percepção e identificação dos sons onde os reconhece por completo (área temporal verbal) possibilitando a produção dos sons para que possamos fonar as letras. Não esquecer a região occipital, que abriga como uma de suas funções o coordenar e reconhecer os objetos, assim como o reconhecimento da palavra escrita.

Assim, cada órgão se conecta e interliga-se no processo, onde cada estrutura com seus neurônios específicos e especializados desempenham um papel na base do Aprender.

Estudos na área neurocientífica centrados no manejo do aluno em sala de aula nos esclarece que o processo aprendizagem ocorre quando dois ou mais sistemas funcionam de forma inter relacionada (conectada). Assim podemos entender como é valioso aliar a música, os jogos, e movimentos em atividades escolares e ter a possibilidade de trabalhar simultaneamente mais de um sistema: auditivo, visual e até mesmo o sistema tátil com atividades lúdicas, esportivas, e todos os movimentos surgindo de dentro para fora (psico-motricidade), desempenho este que leva-nos ao Aprender

Podemos então eferir, desta forma, que o uso de estratégias adequadas em um processo de ensino dinâmico e prazeroso provocará conseqüentemente alterações na quantidade e qualidade destas conexões sinápticas melhorando assim o funcionamento cerebral, de forma positiva e permanente, com resultados satisfatórios e eficazes.

Os games (adorados por crianças e adolescentes) ainda em discussão no âmbito acadêmico são fantásticos na forma de manter os alunos “plugados” e podem ser mais uma ferramenta mediadora que possibilita estimular o raciocínio lógico, atenção, concentração, conceitos matemáticos através de atividades como: cruzadinhas, caça-palavras e jogos interativos que desenvolvem a ortografia, de forma desafiadora e prazerosa para alunos.

O grande desafio dos educadores é viabilizar uma aula que “facilite” esse disparo neural, este gatilho, a sinapse e o funcionamento desses sistemas, sem que necessariamente o professor tenha que saber como lidar individualmente com cada aluno. Quando ciente da modalidade de aprendizagem do aluno, (e isso não está longe de ser inserida na grade de formação de nossos educadores) o professor saberá quais e melhores estratégias utilizar e certamente fará uso desse meio facilitador no processo Ensino – Aprendizagem.

Outra descoberta é que através de atividades prazerosas e desafiadoras o “disparo” entre as células neurais acontece mais facilmente: as sinapses fortalecem-se e as redes neurais são estabelecidas com mais rapidez (velocidade sináptica).
Sinapse


Rede neural


                                                                                           
                                                 





comunicação entre neurônios

Mas como desencadear isso em sala de aula? Como o professor pode ajudar nesse “fortalecimento neural”?

Todo ensino desafiador ministrado de forma lúdica tem esse efeito: aulas dinâmicas, divertidas, ricas em conteúdo visual e concreto, onde o aluno não é um mero observador de o seu próprio saber o deixam “literalmente ligado”, plugado, antenado.

Imagem:  http://neurosci.umin.jp/e/sensory_motor_neuroscience.html
O conteúdo antes desestimulador e cansativo para o aluno é substituído por um professor com nova roupagem que propicia novas descobertas, novos saberes; é dinâmico e flexível, plugado em uma área informatizada, aonde a cada momento novas informações chegam ao mundo desse aluno. Professor e aluno interagem ativamente, criam, viabilizam possibilidades e meios de fazer esse saber, construindo juntos a aprendizagem com todas as rotas: auditivas, visuais, táteis e neste universo cheio de informações, faz-se a nova Educação e um novo modelo de Aprender.

Uma aula enriquecida com esses pré-requisitos é envolvente e dinâmica: é o saber se utilizar de possibilidades onde conhecimento Neurocientífico e Educação caminham lado a lado.

Mas como isso é possível? O que fazer em sala de aula?

A seguir algumas sugestões adotadas:

(1) Estabelecer regras para que haja um convívio harmonioso de todos em sala de aula, onde alunos sejam responsáveis pela organização, limpeza e utilização dos materiais. Ao opinar e criar regras e normas adotadas, eles se sentirão responsáveis pela sala e espaço escolar.

(2) Utilizar materiais diversificados que explorem todos os sentidos. Visual: mural, cartazes coloridos, filmes, livros educativos; Tátil: material concreto e objeto de sucata planejado. Há uma riqueza de sites na internet que nos disponibilizam atividades produtivas e prazerosas. A criatividade aflora e a aula torna-se muito divertida; Auditivo: música e bandinhas feitas com material de sucata, sempre com o conteúdo pedagógico inserida nelas. A criação de músicas e paródias sobre conteúdos é uma forma muito divertida de aprender. Talentos apareceram em salas de aula. E quem não gosta de cantar? Aulas com dinâmica treinam as memórias de curto prazo e a auditiva (elas são trabalhadas em áreas hipocampais) e assim retidas em memória de longo prazo, efetivando o Aprendizado!

3) O cantinho da “leitura” é um pedaço de criar idéias, deixar o “Novo” entrar na mente, através dos signos e símbolos. (Significados e significante)

4) Estabelecer rotinas onde possam realizar trabalhos individuais, em dupla, em grupos (rotinas estabelecidas reforçam comportamentos assertivos e organização). Crianças com TDAH, que apresentam mal funcionamento das funções executivas se beneficiam com rotinas e regras pré estabelecidas. O trabalho em equipe é relevante, ativa as regiões límbicas (responsáveis pelas emoções) e como sabemos o aprender está ligado à emoção, e a consolidação do conteúdo se faz de maneira mais efetiva. (hipocampo)

(5) Trabalhar o mesmo conteúdo de várias formas possibilita aos alunos “mais lentos” oportunidades de vivenciarem a aprendizagem de acordo com suas possibilidades neurais. Dê aos mais rápidos atividades que reforcem ainda mais esse conteúdo, mantendo-os atentos e concentrados para que os alunos com processos mais lentos não sejam prejudicados com conversas e agitação do outro grupo de crianças.

A flexibilidade em sala de aula permite uma aprendizagem mais dinâmica e melhor percebida por toda a classe. O professor que administra bem os conflitos em sala de aula possui “jogo de cintura” e apresenta o conteúdo com prazer, mantendo seus alunos “plugados”, com interesse em aprender mais, movidos pela novidade: o prazer faz uma internalização de conceitos de maneira lúdica e eficaz.

Desta forma, somos sabedores deste mecanismo neural que impulsiona a aprendizagem, das estratégias facilitadoras que estimulam as sinapses e consolidam o conhecimento, da magia onde cada estrutura cerebral interliga-se para que todos os canais sejam ativados. Como numa orquestra afinadíssima, onde a melodia sai perfeita, de posse desses conhecimentos e descobertas, será como reger uma orquestra onde o maestro saberá o quão precisamente estão afinados seus instrumentos e como poderá tirar deles melodias harmoniosas e perfeitas!

A Neurociência veio para ser grande aliada do professor na atualidade, em identificar o individuo como ser único, pensante, atuante, que aprende de uma maneira pessoal, única e especial. Desvendar os segredos que envolvem o cérebro no momento do Aprender, facilita nosso professor.

Surge um novo professor (neuroeducador), a buscar conhecimento sobre como se processam a linguagem, memória, esquecimento, humor, sono, medo, como interagimos com esse conhecimento e conscientemente envolvido na aprendizagem formal acadêmica. Em posse desses novos conhecimentos é imprescindível desenvolver uma pedagogia moderna, ativa, contemporânea, que capacite novos professores, para formar novos alunos às exigências do aprendizado em nosso mundo globalizado, veloz, complexo e cada vez mais exigente.

Conceitos como neurônios, sinapses, sistemas atencionais, (que viabilizam o gerenciamento da aprendizagem), mecanismos mnemônicos (consolidação das memórias), neurônios espelho (que possibilitam na espécie humana progressos na comunicação e compreensão no aprendizado), plasticidade cerebral (ou seja, o domínio de como o cérebro continua a desenvolver-se e a sofrer mudanças) serão discutidos por neurocientístas, neuropedagogos e família. A sala de aula será palco da ciência e neurociência, onde o educador domina os processos do cérebro para Aprender, e assim possibilita criar novas estratégias para Ensinar.

Através desta neurociência, os transtornos comportamentais e de aprendizagem passam a ser vistos e compreendidos com clareza pelos educadores, que aliados a esta novidade educacional encontram subsídios para a elaboração de estratégias mais adequadas a cada caso. Um professor qualificado e capacitado, com método de ensino adequado e uma família facilitadora dessa aprendizagem são fatores para que todo o conhecimento que a neurociência nos viabiliza seja efetivo, interagindo com as características do cérebro de nosso aluno e do professor. Esta nova aliada habilita o educador a ampliar suas atividades educacionais, abrindo uma nova rota no campo do aprendizado e da transmissão do saber, cria novas faces do Aprender, consolida o papel do educador, como um mediador e o aluno como participante ativo do pensar e aprender.


Bibliografia

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CAPOVILLA, F. C., & CAPOVILLA, A. G. S. (2001). Compreendendo a natureza dos problemas de aquisição de leitura e escrita: Mapeando o envolvimento de distúrbios cognitivos de discriminação fonológica, velocidade de processamento e memória fonológica. Cadernos de Psicopedagogia, 1(1), 14-37.

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FONSECA, Vítor (2004). Dificuldades de Aprendizagem, Abordagem Neuropsicológica e Psicopedagógica ao Insucesso Escolar. Editora Âncora. Lisboa

FONSECA, V. da. Aprender a Aprender: a educabilidade cognitiva. Porto Alegre: Artmed, 1998.

FRASSON, M.A. – Programa de Prevenção e Identificação Precoce dos Distúrbios da Audição. In SCHOCHAT, E. – In: In: SCHOCHAT, E. (org.) - In: Processamento Auditivo - Série Atualidades em Fonoaudiologia, Vol II. São Paulo, LOVISE, 1996. p. 65-105.

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LENT, Roberto.Cem bilhões de neurônios. São Paulo: Ed Atheneu-2006

LURIA, A. R. (1974). EL CEREBRO EN ACCÍON. (P.127-140). Barcelona: Fontanella. Marcilio, L. F. (no prelo) Relações entre Processamento Auditivo, Consciência Fonológica, Vocabulário, Leitura e Escrita.

MIETTO ,Vera e BIANCHI, Lana. http://www.projetogatodebotas.org.br/-artigo: “Dislexia: Como Suspeitar e Identificar Precocemente o Transtorno na Escola”,2010 acesso em 03-01-2010

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PEREIRA, L. D., NAVAS, A. L. G. P., & SANTOS, M. T. M. (2002). Processamento auditivo: uma abordagem de associação entre a audição e a linguagem. Em M. T. M. Santos, & A. L. G. P. Navas (Ed.), Distúrbios de Leitura e Escrita: teoria e prática. São Paulo, SP: Ed. Manole.

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ROTTA, Newra Tellecha…[et al.] Transtornos da Aprendizagem: Abordagem Neurobiológica e Multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed,2006

ZORZI,J.L. – Aprendizagem e Distúrbios da Linguagem escrita – questões clínicas e educacionais. Porto Alegre, Artmed, 2003

Revista Cérebro & Mente – O livro do cérebro – no 1 e 2 – São Paulo-SP: Dueto, 2009
 http://pt.photaki.com/picture-ativa-as-celulas-nervosas-sinapses-sinapse-sinapses-as-sinapses_150205.htm


Vera Lucia de Siqueira Mietto, Fonoaudióloga, Psicopedagoga, Neuropedagoga, atuação em fonoaudiologia e neurociências em crianças e adolescentes com Distúrbios da Aprendizagem- CFfa 3026-1979-UESA - Rio de Janeiro- RJ e Tutora EAD do www.chafic.com.br e docente da UNICEAD na pós graduação de Monte Claros-MG.


Lana Cristina de Paula Bianchi, Fonoaudióloga, Pedagoga, Psicopedagoga, Atuação em Neurociências em Crianças e Adultos na FAMERP- FUNFARME- São Jose Rio Preto- SP- Especialista em linguagem no Projeto Gato de Botas- Distúrbios de Aprendizagem; www.projetogatodebotas.org.br; CRFª: 2907- 1982- PUCC- Campinas-SP- Profª na Disciplina de Psicologia-UNILAGO- São Jose Rio Preto-SP- Linguagem e Cognição- 2010- Orientadora em monografias no curso de pós-graduação de Psicopedagogia- Famerp- 2010- Campo de pesquisa: Linguagem infantil e adulto-

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quarta-feira, 9 de maio de 2012

terça-feira, 8 de maio de 2012

Neuropsicologia ajuda no diagnóstico de Alzheimer


Por: AVOL
Imagem: http://www.aboutalzheimerscare.com/
Perda de memória não é própria do envelhecimento. Problema precisa ser investigado.
        À medida que a população envelhece, cresce a incidência de demências, dentre elas, a Doença de Alzheimer. Um dos desafios lançados aos profissionais de saúde é o de assegurar um diagnóstico preciso e formas de tratamento visando à qualidade de vida desta população. Diante dessa realidade, faz-se necessário realizar um diagnóstico precoce para que se obtenha maior eficácia no tratamento, destaca a psicóloga Silviane Andrade, especialista em Neuropsicologia.
            A também Mestre em (Neuro)ciências pela Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina divide com a terapeuta ocupacional e especialista em Neuropsicologia, Débora Câmara, a direção do Neuropsicocentro. Esta clínica disponibiliza a avaliação neuropsicológica, exame feito por neuropsicólogos e cujo objetivo principal é realizar o mapeamento cerebral através do qual é possível verificar se possíveis alterações estão compatíveis com a idade ou se já se configuram como um déficit.
        Diante da dificuldade de chegar a um diagnóstico, descreva a importância do tratamento precoce e das possibilidades de melhorar a qualidade da vida do paciente. Ao falarmos em diagnóstico precoce, estamos nos reportando a uma fase anterior à instalação da demência, que é o Comprometimento Cognitivo Leve (CCL). O CCL é de difícil diagnóstico, uma vez que se confunde com o envelhecimento normal, já que os déficits são ainda muito sutis e, como no processo de envelhecimento, há um rebaixamento da memória (próprio da idade), isso mascara os sintomas do CCL. Muitas pessoas pensam que, pelo fato de estarem envelhecendo, é normal terem problemas de memória. Porém, isso não é verdadeiro, pois pode haver uma diminuição de memória, mas até determinado limite. Além desse limite, já se configura como patologia, devendo ser investigada e tratada. Para tanto, a Neuropsicologia é uma ciência nova que vem contribuir sobremaneira para esse diagnóstico.

O que é Neuropsicologia e suas áreas de atuação? 
         É uma área da ciência relativamente recente que surgiu da confluência da neurologia com a psicologia e que tem duas vertentes: a avaliação neuropsicológica e a reabilitação neuropsicológica. Ela atua tanto no diagnóstico de doenças neurológicas (demências, parkinson, AVC, epilepsia, TDAH, distúrbios de aprendizagem, etc.) e psiquiátricas (depressão, transtorno bipolar, etc.) e no tratamento das mesmas.

 No que consiste uma avaliação neuropsicológica? 
         Trata-se de um exame feito por psicólogos especializados em Neuropsicologia, por meio do qual é feito um mapeamento cerebral, em que são avaliadas as funções cerebrais superiores do paciente, como memória, atenção, raciocínio, linguagem, percepção, ou seja, todas as funções responsáveis pela eficiência intelectual. O exame possibilita quantificar as alterações dessas funções, assim como verificar se essas alterações estão compatíveis com a idade ou se já se configuram como um déficit. Para um bom funcionamento da memória, há um envolvimento de motivação, atenção e intenção. No caso das pessoas que não possuem um humor positivo (depressivas ou ansiosas) tendem a apresentar dificuldades de memória bastante graves, não conseguindo organizar seu dia-a-dia de forma adequada. Por isso, a avaliação neuropsicológica é importante, uma vez que possibilita um diagnóstico diferencial entre problemas de memória decorrentes de depressão (quadro extremamente comum no idoso), ou se são decorrentes de demência. Realizando o diagnóstico e encontrando alteração de memória, mesmo que ainda sutil, existe a reabilitação neuropsicológica, cujo objetivo é estimular a memória e as demais funções cognitivas para que o déficit não evolua de forma intensa e rápida, e assim, possa retardar a instalação da demência. A reabilitação também atua no tratamento das pessoas que já foram diagnosticadas com demência.

Como é realizada a reabilitação neuropsicológica em pacientes com Alzheimer?
          É feita por uma equipe multi e interdisciplinar formada por neuropsicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos etc. A reabilitação neuropsicológica consiste no atendimento psicoterápico, na estimulação cognitiva, atendimento em grupo e no apoio aos familiares.

Qual a importância de cada um deles? 
          A psicoterapia se faz necessária quando há comorbidades, ou seja, associação da demência com depressão, pois além de trabalhar as perdas sofridas, ajuda no enfrentamento da nova realidade na vida do paciente e familiares. A estimulação cognitiva baseia-se no que as neurociências têm descoberto recentemente sobre a neuroplasticidade, que é capacidade do cérebro de se regenerar mediante seu uso e potenciação: no sentido de moldar o cérebro através da atividade. Daí propõe-se atividades que estimulem não apenas a memória, como as demais funções responsáveis pelo bom funcionamento intelectual. Pois o que acontece é que o ser humano, após aposentar-se e, à medida que avança em idade, tende a diminuir seu contexto profissional e social, fazendo com que não use e nem estimule mais seu cérebro. Uma comparação grosseira que podemos fazer é quando utilizamos um eletrodoméstico (ex: liquidificador), e passamos um ano sem usá-lo. Quando formos ativá-lo novamente, ele não funcionará mais, pois estará enferrujado. É como se acontecesse mais ou menos assim com o cérebro, quanto mais utilizamos o cérebro no nosso trabalho, em leituras, atividades intelectuais, melhor ele funciona, pois precisa de estímulos e, quando não recebe mais esses estímulos, acaba por atrofiar.

E como é realizado o atendimento em grupo e sua importância no contexto geral do tratamento? 
          É extremamente importante, pois como o idoso tem seu contexto social reduzido, o atendimento em grupo possibilita uma ressocialização, na qual o paciente pode criar novos laços de amizade, sair para outros lugares. Costumamos levar os pacientes para visitar museus e exposições, estimulando sua criatividade e atividade expressiva, como forma de tornar o tratamento uma atividade prazerosa. Pois como diz uma de nossas pacientes que tem Alzheimer, em fase moderada, ao chegar para o atendimento em grupo: ´eu não sei o que vim fazer aqui, mas quando chego aqui, eu gosto tanto´. Resgatar esse sentimento de alegria e de que, mesmo com demência, pode-se dar qualidade de vida a esses pacientes é o nosso grande objetivo. Por fim, não há como tratar um paciente de Alzheimer e não cuidar da família. Realizamos reuniões mensais com os familiares de pacientes, momento no qual prestamos esclarecimentos sobre a doença, assim como propiciamos um espaço de desabafo dos familiares-cuidadores sobre as experiências vividas por essa doença, tão sofrida para todos.

 De quais ferramentas o neuropsicólogo lança mão para realizar a estimulação cognitiva e conseguir a ativação cerebral? 
        Numa sessão de grupo, por exemplo, iniciamos com uma fase de relaxamento, cujo objetivo é esquecer preocupações e ajudar a se concentrar nas tarefas que serão propostas. A seguir, realizamos as atividades de estimulação e, por último, explicamos como e quais as áreas que as atividades realizadas ativaram o cérebro. Portanto, a estimulação cognitiva lança mão desde o fornecimento de informações de como o cérebro funciona ao próprio paciente como, por exemplo, os fatores que interferem na memória, como estresse, preocupação, desinteresse, falta de motivação, entre outros, até a realização de atividades que promovam a estimulação das várias esferas cognitivas. Para ajudar na orientação têmporo-espacial, propomos estratégias compensatórias como agendas, cronogramas, calendários. Para a memória, podemos solicitar que resgatem informações de histórias contadas previamente, que falem sobre atividades realizadas no dia anterior ou o que tem para fazer no dia seguinte (que estaria relacionada à memória prospectiva). Para estimular linguagem, podemos dar algumas letras aleatórias e solicitar que formem o máximo de palavras com essas letras. Para a percepção, podemos pedir que o paciente procure um estímulo específico no meio de vários outros. Enfim, esses são apenas alguns exemplos dentro de uma infinidade de outras atividades que possibilitam a estimulação cerebral. Ao longo do tratamento, também incluímos atividades artísticas/expressivas que ajudam a estimular o hemisfério cerebral direito do paciente.

Qual a real necessidade de se manter o cérebro sempre em atividade? 
          Manter o cérebro sempre ativo pode ajudar a retardar a instalação da doença, pois como a demência é uma doença degenerativa e para a qual ainda não há cura, é importante estar sempre realizando atividades intelectuais. Uma vez que as conexões entre os neurônios estejam bem consolidadas, mais tempo levará para elas se desfazerem, ou seja, mais tempo o cérebro ficará funcionante. Isso é o que chamamos de reserva intelectual, na qual as pessoas que usarem mais o cérebro terão mais proteção em relação aos sintomas demenciais. Para isso, realizamos também um trabalho com idosos que ainda não apresentam problemas demenciais, mas que já apresentam algumas queixas de memória. O objetivo principal é ativar o cérebro, protegendo-o.

Qual a idade média desse grupo ou a partir de qual idade os que possuem histórico familiar de Alzheimer ou demências devem observar mais atentamente o comportamento do cérebro/memória?
          A idade considerada crítica é a partir dos 65 anos, pois é quando aumenta a incidência dos estados de demências em geral. Portanto, quem perceber nessa faixa etária o surgimento de alterações de memória ou que tiveram antecedentes de Doença Alzheimer na família, estão aptos e podem se beneficiar do trabalho de estimulação cognitiva.O importante é investigar os níveis dessa perda.

Fique por dentro

         A doença pode manter-se invisível durante anos Forma mais comum de demência, a Doença de Alzheimer foi descrita pela primeira vez em 1906 pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer. Acomete geralmente pessoas acima de 65 anos, embora seu diagnóstico seja possível também em pessoas de outras faixas etárias. O número de portadores é crescente no mundo inteiro.
       Embora existam pontos em comum, cada paciente sofre a doença de forma única. A perda de memória é o sintoma primário mais freqüente. A dificuldade maior em fechar o diagnóstico reside no fato de os primeiros sintomas serem confundidos com problemas decorrentes da idade ou de estresse.
     Com o avançar da doença, aparecem novos sintomas: confusão, irritabilidade e agressividade, alterações de humor, falhas na linguagem, perda de memória a longo prazo e das funções motoras. A doença pode se desenvolver em um período indeterminado de tempo.
Fonte de Consulta: http://www.assistiva.org.br