Ter uma visão geral da Educação Inclusiva é uma das propostas na elaboração da cartilha "Caminhos da Inclusão" organizada pela Faculdade Estácio de Sá. Nela encontramos noções de materiais a serem utilizados dentro de diferentes contextos inclusivos...
Páginas
- Início
- Neurociências
- Neuropsicopedagogia
- Neurociências e Educação
- Contato
- Educação
- Dicas de Leitura
- Cérebro
- Jogos para sala de aula
- Vídeos
- Leitura - Letramento - Alfabetização
- Enigmas para o cérebro...
- Atenção, Percepção e Concentração
- Reflexão
- Vamos pensar juntos...
- Memória
- Psicologia
- Síndromes, Transtornos e Distúrbios
Mostrando postagens com marcador Deficiência Mental. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Deficiência Mental. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Caminhos da Inclusão
Marcadores:
Comprometimento Cognitivo,
Deficiência Mental,
Deficiência Visual,
Desenvolvimento cerebral,
Dificuldades de Aprendizagem,
E-book,
Educação Especial,
Libras,
Livro Grátis,
Livro para Download,
PDF
Local:
Novo Hamburgo - RS, Brasil
segunda-feira, 30 de abril de 2012
EDUCAÇÃO INCLUSIVA: ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA A DEFICIÊNCIA MENTAL
Ana Lúcia Hennemann - Abril/2012
Batista (2006),
procurando oportunizar aos sistemas de ensino melhores condições de atendimento
aos alunos com necessidades educativas especiais, nos traz importantes
orientações e informações que se postas em práticas propiciam um atendimento de
caráter qualitativo para todos os alunos da rede regular de ensino.
Tendo como
foco a “Deficiência Mental”, o presente documento procura elencar as mais
diversas conceituações desta deficiência, pois segundo a autora,
O conhecimento da deficiência mental precisa ser clarificado, dada
a facilidade de se confundir os problemas de ensino e de aprendizagem causados
por essa deficiência com o que é barreira para o aproveitamento escolar de todo
e qualquer aluno. (BATISTA, 2006, p. 9)
O processo de
inclusão de indivíduos com deficiência mental, bem como em qualquer outra
“deficiência” é antes de tudo uma aceitação das diferenças e uma
co-responsabilização para obviar às necessidades de outros, então se percebe
que os educadores necessitam mudanças de atitude diante do processo educativo,
pois a Educação para Todos trouxe consigo maior diversidade de alunos nas
escolas, mostrando toda a fragilidade e ao mesmo tempo superação a qual o ser
humano pode ser submetido.
Precisamos ter
clareza que numa escola inclusiva, todos fazem parte do processo, pois é na relação
do eu com o outro que nossas construções cognitivas se fazem. Por isso, não
podemos admitir escolas que se dizem inclusivas, mas fazem atividades que não
desafiam as habilidades e competências de seus alunos. Atividades que somente
enfatizam cópias, pinturas, “amassar bolinhas de papel”, entre outras. Além de
não dar credibilidade nas potencialidades que os indivíduos com necessidades
especiais possam ter.
A escola necessita de reestruturação de nova
filosofia educacional, novas práticas educativas, oferta de qualidade de
ensino, bem como a reflexão da postura educacional nas salas de aulas, pois os educadores
necessitam estar atentos em cada um de seus alunos, reconhecendo seus
progressos escolares e procurando novas alternativas de ensino, pois educação
não se dá de modo linear, mas sim, na relação de trocas entre todos os
envolvidos.
A transposição de “o que era”
para “o que precisa ser” ainda necessita ser trabalhada com toda a comunidade
escolar e principalmente com os educadores. Leituras constantes, educação continuada,
trabalho em conjunto com diferentes profissionais são algumas propostas para
que esta mudança ocorra, porém no caso da Deficiência Mental, Batista (2006, p.
21) nos alerta que “O aluno com deficiência mental, como qualquer outro aluno,
precisa desenvolver a sua criatividade, a capacidade de conhecer o mundo e a si
mesmo, não apenas superficialmente ou por meio do que o outro pensa”, então se
analisarmos por esta perspectiva podem-se concluir que independente de suas
limitações, estamos diante de um ser que pensa, tem emoções e muitas
potencialidades.
Entretanto,
cada caso é um caso, cada ser é único, com cada um existe um jeito de se lidar,
uma maneira de tentar chegar à interação da relação professor-aluno, às vezes
esta maneira não se dá rapidamente, se faz necessário muito investimento e às
vezes pouco retorno, visto pelo lado de uma estrutura tradicionalista, mas
quando se fala de inclusão, qualquer modificação de qualidade de vida para
estes indivíduos é motivo de muita alegria. Contudo, longo ainda é o caminho
que temos a seguir quando se pensa em escola inclusiva, maior ainda é a
responsabilidade que atualmente se tem quando professor, mas sempre existem
possibilidades de mudança, de superações e um ótimo exemplo disso, nos foi proporcionado
pelo relato da experiência da APAE de Contagem, descrito pela autora no
presente documento. As experiências relatadas pelos educadores que atuam nas
SATs (Salas Ambientes Temáticas), nos fazem perceber que existem infinitas
possibilidades de criar, modificar, proporcionar atendimento de qualidade a
qualquer indivíduo, desde que se tenha boa vontade, planejamento e objetivos
pautados na verdadeira prática da inclusão.
Senti-me muito
privilegiada ao ler todo este referencial teórico e perceber que dentro da rede
de ensino que trabalho praticamos propostas similares ao que as autoras propõe,
pois nosso trabalho se encontra pautado em conjunto com diversos profissionais,
estudos constantes sobre novas propostas da neurociências para o desenvolvimento
cognitivo do aluno, currículos flexíveis, credibilidade por parte da direção no
trabalho docente, alunos participantes do processo de ensino-aprendizagem.
Dentro dessa realidade encontram-se alunos Autistas, síndrome de Down que
apresentam desenvolvimento às vezes superior aos demais alunos, que
aparentemente não apresentam nenhum problema de aprendizagem. Nesse sentido,
minha maior dificuldade não é a de trabalhar com alunos de necessidades
especiais na rede regular de ensino, mas sim, a de entender como ainda existem
discriminações nesse sentido, ou mesmo, como ainda se perpetua a ideia de
somente integração e não inclusão. Por isso, ressalto as palavras da autora ao
falar sobre o papel do professor na educação inclusiva,
O
professor, na perspectiva da educação inclusiva, não é aquele que ministra um
“ensino diversificado”, para alguns, mas aquele que prepara atividades diversas
para seus alunos (com e sem deficiência mental) ao trabalhar um mesmo conteúdo
curricular. As atividades não são graduadas, para atender a níveis diferentes
de compreensão e estão disponíveis na sala de aula para seus alunos as escolham
livremente, de acordo com o interesse que têm por elas. (BATISTA, 2006, p.
13-14)
Por fim, percebo a grande conquista dos
alunos com necessidades educativas especiais estarem frequentando o ensino
regular, por outro percebo o quanto ainda a escola e os educadores têm que
evoluir em todos os sentidos, para que de fato possamos atender cada aluno
respeitando a sua individualidade. Na minha opinião, muitas dessas melhorias
cabem a nós, educadores, uma vez que precisamos buscar novos referenciais
teóricos, trabalharmos em equipe com todos os profissionais que já atenderam
estes alunos, fazendo assim, ano a ano, um processo de continuidade e não um
processo de reinício permanente.
Precisamos acreditar que os professores frente à
Inclusão, e especial, no caso da Deficiência Mental, deixarão de ser
“conteudistas”, preocupados apenas com a transmissão do ensino e procurem
centrar-se na aprendizagem, no modo como os alunos aprendem. Sendo assim
almejem um trabalho voltado aos Quatro Pilares da Educação[1](Delors,1999):
aprender a conhecer[2],
aprender a fazer[3],
aprender a ser[4]
e aprender a viver junto[5]. Quero
ressaltar porém que, antes de tentar ensinar dentro destes quatro pilares,
todos os educadores deveriam tê-los como filosofia de vida, aplicando-os em sua
prática pedagógica, pois se a educação se organiza dentro desses pilares ela
estará fazendo juz ao princípio primordial de todas as leis da inclusão:
“garantir a todas as pessoas os conhecimentos básicos a uma vida digna.”
[1]
O Relatório Jacques Delors, como assim se tornou conhecido, iniciado em março
de 1993 e concluído em setembro de 1996, teve a contribuição de especialistas
de todo o mundo, característica que o torna imprescindível diante do processo
de globalização das relações econômicas e culturais que estamos vivenciando. O
relatório aponta que a educação deve organizar-se em torno de quatro
aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida, serão de algum modo
para cada indivíduo, os pilares do conhecimento.
[2]
Aprender para conhecer supõe, antes de tudo, aprender a aprender, exercitando a
atenção, a memória e o pensamento. O processo de aprendizagem do conhecimento
nunca está acabado, e pode enriquecer-se com qualquer experiência.
[3]
Como ensinar o aluno a pôr em prática os seus conhecimentos e, também como
adaptar a educação ao trabalho futuro quando não se pode prever qual será a sua
evolução?
[4]
A educação tem por missão, por um lado, transmitir conhecimentos sobre a
diversidade da espécie humana e por outro, levar as pessoas a tomar consciência
das semelhanças e da interdependência entre todos os seres humanos do planeta.
[5]
Este desenvolvimento do ser humano, que se desenrola desde o nascimento até à
morte, é um processo dialético que começa pelo conhecimento de si mesmo para se
abrir, em seguida, à relação com o outro.
REFERÊNCIAS
BATISTA, Cristina Abranches Mota. MANTOAN, Maria Teresa Egler. Educação Inclusiva: atendimento educacional especializado para a deficiência mental.2.ed. Brasília: MEC, SEESP, 2006. 68 p.
DELORS, Jacques. Educação um tesouro a descobrir: relatório a UNESCO, da Comissão Internacional para o século XXI. São Paulo: Cortez, Brasília MEC: UNESCO,1999.
Assinar:
Postagens (Atom)

