Ana Lúcia Hennemann*
Conforme balanço do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) divulgado pelo Ministério da Educação, 6.193.565 candidatos prestaram exame, porém 529.374 participantes obtiveram nota zero na redação da prova, ou seja, 8,5% dos candidatos.
Para alguns especialistas, a
temática da redação “Publicidade infantil em questão no Brasil” é um dos
fatores que prejudicaram os alunos, pois no entender dos mesmos, o enfoque é
bem desconhecido para a maioria dos estudantes.
Paz_ciência como diz a
palestrante Inês Cozzo, mencionar que publicidade infantil é enfoque
desconhecido para os estudantes é o mesmo que dizer que eles não vivem num
mundo globalizado e conectado, ou que não tem acesso aos veículos de
comunicação e extensa programação das quais a publicidade infantil está presente.
Os 7,8 mil estudantes que não
conseguiram escrever mais do que sete linhas na redação me deixaram com um sentimento
de que ainda há muito por fazer, nosso empenho é muito pouco, pois eles não
receberam somente um título de algum conteúdo a ser abordado, receberam um título
e 3 propostas motivadoras para desenvolver um texto argumentativo-dissertativo,
ou seja, os alunos fazem escolhas, mas não conseguem justificar o porquê optaram pelas mesmas.
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| Redação Enem 2014 |
Paralelo a isso, percebe-se o
aumento do analfabetismo funcional, ou seja, o indivíduo sabe ler, mas não
consegue interpretar aquilo que está lendo. E nesta perspectiva percebe-se
claramente que o problema não é somente no ensino médio, nas provas do Enem. O “buraco”
é mais embaixo, precisamos melhor a qualidade de ensino nas séries iniciais,
dedicar mais tempo à leitura, mais tempo à escrita.
Conforme Alexandre Garcia,
repórter e comentarista no Programa Bom Dia Brasil: “Para tirar zero em redação não é algo que se consiga de um ano para
o outro, isso é resultado de muitos anos de falta de leitura e falta de
curiosidade que aprimoram a ferramenta de comunicação que é a língua e o
conteúdo dela, que é o conhecimento e sem conteúdo é o vazio. Com o vazio não
se faz um cidadão, nem um país e muito menos uma redação.”
O momento é de colocar o dedo na consciência
e procurar alternativas viáveis que possam ser realizadas durante o período
escolar. Quem sabe não seria a hora de
voltar as famosas fichas de leitura? Criticada por muitos, mas eficientes, pois
vem de acordo com a metacognição,
o pensar sobre o pensar, fazer uma análise daquilo que foi dito/lido e
reelaborar aquela informação.
Pesquisas em neurociência
educacional mostram com evidencias que quanto mais desempenhamos determinada
função, melhores vamos nos tornando na mesma, ou seja, se o aluno quer escrever
bem, ele precisa ler e escrever com frequência. Se a leitura dele for pobre a
escrita também será, não existem fórmulas milagrosas, apenas empenho e
dedicação.
Os resultados da redação do Enem 2014,
certamente serão um convite para todos que trabalham no contexto educacional
repensar suas práticas, investir em melhorias, traçar metas mais audaciosas
para a educação, pois diante a realidade que 15,2% das crianças brasileiras
chegam aos oito anos sem estar alfabetizadas, mostra que a qualidade das redações
não é resultado de um processo iniciado no Ensino Médio, mas sim de todo um
sistema educacional que precisa ser reestruturado.
Fontes
Bibliográficas:
GARCIA,
Alexandre. Língua está virando um dialeto
confuso. http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/01/lingua-esta-virando-um-dialeto-confuso-comenta-alexandre-garcia.html
HENNEMANN,
Ana Lúcia. Literatura Infantil: Auxílio
no Processo de Alfabetização e Letramento. http://pt.slideshare.net/analuciah/literatura-infantil-auxilio-no-processo-de-alfabetizao-e-letramento-13089364
MEC. Ministro planeja exame como forma de
avaliar ensino médio. http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=21027
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* Especialista em Alfabetização/ Educação Inclusiva/ Neuropsicopedagogia.
Pós-graduanda em Neuroaprendizagem/ Professora em cursos de pós-graduação nas disciplinas voltados às Neurociências, Neuropsicopedagogia, Educação Inclusiva, Alfabetização.
Email: ana.hennemann@outlook.com
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* Especialista em Alfabetização/ Educação Inclusiva/ Neuropsicopedagogia.
Pós-graduanda em Neuroaprendizagem/ Professora em cursos de pós-graduação nas disciplinas voltados às Neurociências, Neuropsicopedagogia, Educação Inclusiva, Alfabetização.
Email: ana.hennemann@outlook.com

