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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Discalculia - Dicas para a sala de aula



       A discalculia é um distúrbio neurológico que afeta a habilidade com números. Sendo um problema de aprendizado independente, mas que pode estar também associado à dislexia. Tal comprometimento faz com que a pessoa se confunda em operações matemáticas, conceitos matemáticos, fórmulas, sequência numéricas, ao realizar contagens, sinais numéricos e até na utilização da matemática no dia-a-dia. 
          Pode ocorrer como resultado de distúrbios na memória auditiva, quando a pessoa não consegue entender o que é falado e consequentemente não entende o que é proposto a ser feito, distúrbio de leitura quando o problema está ligado à dislexia e distúrbio de escrita quando a pessoa tem dificuldade em escrever o que é pedido (disgrafia).
       É muito importante buscar auxílio para descobrir a discalculia, ou não, no período escolar quando alguns sinais são apresentados, pois alguns alunos que são discalcúlico, são estigmatizados como desatentos e preguiçosos quando possuem problemas quanto à assimilação e compreensão do que é pedido. É válido ressaltar que o distúrbio neurológico que provoca a discalculia não causa deficiências mentais como algumas pessoas questionam. O discalcúlico pode ser auxiliado no seu dia-a-dia por uma calculadora, uma tabuada, um caderno quadriculado, com questões diretas e se ainda tiver muita dificuldade, o professor ou colega de trabalho pode fazer seus questionamentos oralmente para que o problema seja resolvido. O discalcúlico necessita da compreensão de todas as pessoas que convivem próximas a ele, pois encontra grandes dificuldades nas coisas que parecem óbvias. Essa má formação neurológica provoca transtornos na aprendizagem de tudo o que se relaciona a números, como fazer operações matemáticas, fazer classificações, dificuldade em entender os conceitos matemáticos, a aplicação da matemática no cotidiano e na sequenciação numérica. Acredita-se que a causa dessa má formação pode ser genética, neurobiológica ou epidemiológica. 
        Normalmente, crianças e qualquer outra pessoa que possui tal distúrbio apresentam sinais como dificuldade com tabuadas, ordens numéricas, dificuldades em posicionar os números em folha de papel, dificuldade em somar, subtrair, multiplicar e dividir, dificuldade em memorizar cálculos e fórmulas, dificuldade em distinguir os símbolos matemáticos, dificuldade em compreender os termos utilizados. 

     Algumas das dificuldades ainda existentes em pessoas com discalculia é também caracterizada na dislexia, distúrbio que apresenta dificuldade em ler, escrever e soletrar, pois a pessoa com necessidade educativa especial possui dificuldade em interpretar o enunciado dos exercícios e dos conceitos matemáticos. 
      A discalculia já pode ser notada a partir da pré-escola, quando a criança tende a ter dificuldades em compreender os termos já utilizados, como igual, diferente, porém somente após a introdução de símbolos e conceitos mais específicos é que o problema se acentua e sim já pode ser diagnosticado. 
      Existem métodos que podem facilitar a vida dessas pessoas quando necessitam da matemática. Para melhorar o seu desempenho, o professor deve permitir que o indivíduo utilize tabuada, calculadora, cadernos quadriculados e elaborar exercícios e provas com enunciados mais claros e diretos. Ainda pode estimular o indivíduo passando trabalhos de casa com exercícios repetitivos e cumulativos. Nesse sentido, pensamos em trazer algumas dicas para serem utilizadas como forma de intervir e amenizar os sintomas da discalculia:
      Antes de chegar a idade de frequentar o Ensino Fundamental existe o teste de numerosidade, onde as crianças com a idade de 4 anos já conseguem olhar para a gravura e dizer quantos objetos há, sem a necessidade de contar.
          No desenho abaixo, é medido quanto tempo a criança leva para perceber que existem 3 pontos. Crianças com discalculia precisam contar cada bolinha para saber que existem 3 bolinhas.


Sugestões de intervenções psicopedagógicas e neuropsicopedagógicas...

       Atividades para desenvolver a competência de classificação

- Peça ao aluno que classifique objetos em grupos. Pergunte depois que regras utilizou para classificar.
- Entregue ao aluno uma caixinha de ovos vazia e uma caixa que contenha objetos pequenos. Peça que classifique os objetos de acordo com alguma propriedade, por exemplo, cor. Em seguida peça a ele que pense em outras formas de classificar os objetos, por exemplo: tamanho, textura, etc.
- Utilizando variedade de objetos, pedir que  faça um grupo.
Por exemplo. A professora ou outros colegas adivinharão as propriedades dos objetos pertencentes a esse grupo. Por exemplo: figuras geométricas de diferentes tamanhos, cores e formas, etc.
- Utilizar cartões com imagens de alimentos, plantas, brinquedos, pessoas, para fazer diferentes classificações.


        Atividades para desenvolver a seriação

- Entregar ao aluno alguns objetos de diferentes comprimentos e pedir que os coloque em ordem a partir do mais curto até o mais longo.
- Colocar alguns copos com água em diferentes níveis e pedir à criança que os ordene. Em seguida pedir-lhe que explique sua forma de ordenamento.  
  

- Jogo dos Cubos e das Garrafas: inicie o jogo entregando para  as crianças garrafas de plásticos de tamanhos bem diferentes  e alguns cubos de madeira coloridos para que ela enfileire os  objetos sem observar regras. Depois peça que elas separem  as garrafas por critérios estabelecidos pelo professor como:  os maiores dos menores, os de plástico e os de madeira, por  cores e também por critérios estabelecidos pelos alunos.
Essa atividade pode ser registrada pela criança por meio  de desenhos. O objetivo é verificar a noção de tamanho, a  percepção espacial e a atenção da criança.

-Jogo das garrafas coloridas: selecionam-se oito garrafas de  plástico com alturas diferentes. A criança deve ordenar as  garrafas agrupando as de tamanhos quase iguais ou diferentes.
Elas também podem ordená-las em fileiras, da menor para a  maior e da maior para a menor. O objetivo dessa atividade  é verificar as noções de tamanho (maior/menor), estimular a  coordenação motora e a contagem.

- Jogo de Dominó: colocamos à disposição da criança um  jogo de dominó para ela ordenar as peças de acordo com a  numeração de bolinhas contidas nas extremidades, utilizando  as regras do dominó. À medida que é apresentada uma peça,  o aluno deve colocar a correspondente.
Esta atividade visa desenvolver a percepção do sistema de numeração e estimular  a associabilidade, a noção de sequência e a contagem. Uma  variação do jogo é o dominó dos pares. Neste jogo a soma  das peças deve ser um número par. A atividade permite que  o aluno explore a relação entre a soma de números pares. Ou  seja, é possível explorar com os alunos que a soma de dois  números pares é um número par; a soma de dois números  ímpares é um número par; a soma de um número par e um  número ímpar é um número ímpar. Também é possível jogar o dominó dos ímpares, no qual a soma das peças deve ser um  número ímpar e as observações anteriores se repetem.

- Botões matemáticos: separam-se botões de várias cores  e tamanhos. A criança é orientada a separar botões por  tamanhos, na quantidade solicitada, utilizando barbante e  folha de papel. O objetivo dessa atividade é desenvolver a  habilidade de compreensão de sistemas de numeração, a  coordenação motora e a orientação espacial. Também pode  ser proposto que o aluno explique os critérios adotados por  ele e justifique o seu raciocínio.

Desenvolvimento de trabalho com:

Jogo da memória – motricidade fina, memória, hipótese,  cores e estratégias.
Resta um – formas, regras e estratégias.
Quebra-cabeça – motricidade fina e memória, formas,  hipótese, cores, análise-síntese, figura-fundo e estratégias.
Arquiteto – planejamento, equilíbrio, motricidade fina e  estratégias.
Cilada – percepção de formas, encaixe, motricidade fina, organização, plano mental, projeto e criatividade.
Tangran – formas geométricas, buscas de solução, percepção  de figura e formas, hipótese, paciência, regras, motricidade fina e representação mental.
Material dourado – trabalhar o sistema de numeração decimal.


Referenciais Bibliográficos:

CARRAHER, Terezinha Nunes (Org.). Aprender Pensando. Petrópolis, Vozes, 2002.
GARCÍA, J. N. Manual de Dificuldades de Aprendizagem. Porto Alegre, ArtMed, 1998 
JOSÉ, Elisabete da Assunção, Coelho, Maria Teresa. Problemas de aprendizagem. São Paulo, Ática, 2002.
RISÉRIO, Taya Soledad. Definição dos transtornos de aprendizagem. Programa de (re) habilitação cognitiva e novas tecnologias da inteligência. 2003.
http://www.dislexia.org.br/abd/noticias/abdemfoco/024-jul09.html
http://www.brasilescola.com/doenças/discalculia.htm

domingo, 9 de setembro de 2012

DISCALCULIA


           Setembro/2012


“O cientista político Alexandre Barros (foto) sempre foi mal em matemática. Hoje PhD em Ciência Política pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, na infância  e na adolescência chegou a pensar que era incompetente, já que não conseguia multiplicar ou dividir como seus colegas de classe. Segundo ele, todo o período escolar foi um horror. Fui sempre empurrado para professores particulares de matemática. Barros, 68 anos, só foi descobrir a discalculia aos 53 anos, quando já era um profissional reconhecido em sua área e tinha passado por vários obstáculos que o distúrbio poderia lhe causar. Um amigo que lhe ditava um número de telefone percebeu que Barros havia anotado os números numa ordem diferente, e disparou: “Você tem dislexia”. Surpreso, o cientista foi procurar saber mais sobre o assunto e descobriu que tinha um problema parecido com a dislexia. “Descobrir que era discalcúlico lavou a minha alma”, lembra. (Texto extraído do Jornal da Tarde de 29/09/2010).

Assim, como Barros muitas crianças também podem ser discalcúlicas e não estão correspondendo as expectativas satisfatórias de aprendizagem, por isso, pais e professores, devem estar atentos a estas questões e sempre que necessário encaminhar a criança para  atendimento psicopedagógico ou neuropsicopedagógico para que a partir daí sejam feitas possíveis intervenções.
De modo bem exemplificado, a imagem abaixo, mostra alguns tópicos da discalculia:
Se os sintomas abaixo aparecem com muita intensidade, então podemos estar diante de um possível discalcúlico:
• Dificuldades frequentes com os números, confundindo os sinais: +, -, ÷ e x;
• Problemas para diferenciar o esquerdo e o direito (lateralidade);
• Falta de senso de direção (norte, sul, leste, e oeste) e pode também ter  dificuldade com um compasso.
• A inabilidade de dizer qual de dois números é o maior.
• Dificuldade com tabelas de tempo, aritmética mental, etc.
• Melhor nos assuntos que requerem a lógica, do que nas fórmulas de nível elevado que requerem cálculos mais elaborados;
• Dificuldade com tempo conceitual e elaboração da passagem do tempo;
• Dificuldade com tarefas diárias, como verificar a mudança nos dias da semana e ler relógios analógicos;
• A inabilidade de compreender o planejamento financeiro ou incluí-lo no orçamento estimando, por exemplo, o custo dos artigos em uma cesta de compras;
• Dificuldade mental de estimar a medida de um objeto ou de uma distância (por exemplo, se algo está afastado 10 ou 20 metros);
• Inabilidade de apreender e recordar conceitos matemáticos, regras, fórmulas, e sequências matemáticas;
• Dificuldade de manter a contagem durante jogos;
• Dificuldade nas atividades que requerem processamento de  sequências, tal  como etapas de dança ou leitura, escrita e coisas que sinalizem listas, 
• Pode ter o problema mesmo com uma calculadora devido às dificuldades no processo da alimentação nas variáveis.
• A circunstância pode conduzir, em casos extremos, a uma fobia da matemática e de quaisquer dispositivos matemáticos, como as relações com os números.

O psicopedagogo e o neuropsicopedagogo são profissionais indicados para avaliar e acompanhar a criança nesse momento.
Ambos profissionais iniciam a terapia visando melhorar a imagem que a criança tem de si mesma, valorizando as atividades nas quais ela se sai bem, fazendo dessa forma um regate das suas potencialidades.
Num segundo momento, se faz necessário descobrir como é o processo de aprendizagem daquela criança. Às vezes, ela tem um modo de raciocinar que não é o padrão, estabelecendo uma lógica própria que foge ao usual.
Na escola é importante que os professores desenvolvam atividades que contemplem sempre o uso de material concreto, pois essa criança necessita ter o manuseio deste material. E sempre propor atividades em que toda a turma se utilize destes materiais, procurando momentos de troca de interação com o grupo. Também, o aprender através dos jogos se faz de grande valia para crianças discálculicas, propostas de intervenção pedagógicas através desta metodologia serão assunto para próxima postagem deste blog.

Ponto de vista neuropsicopedagógico: Ir mal na disciplina de matemática onde não basta decorar conceitos, mas sim saber aplicá-los, de certa forma é algo opcional de cada indivíduo, pois requer rotinas de estudos, dedicação, empenho... Entretanto, se faz necessário uma investigação mais profunda quando o problema envolve os sintomas alertados anteriormente.

Referências:

ANTUNES, Celso. Jogos para estimulação das Múltiplas Inteligências. 13ª edição. Petrópolis: Vozes, 1998.

BASTOS, J.A. O cérebro e a matemática. São Paulo: Edição do
Autor, 2008

CIASCA, Sylvia M. Distúrbios de aprendizagem: proposta de avaliação interdisciplinar. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

GARCIA, J.N. Manual de dificuldades de aprendizagem. Linguagem, leitura, escrita e matemática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

GRANDO, R.C. O jogo e a matemática no contexto da sala de aula.São Paulo: Paulus, 2004.

SILVA, Willian R. C. Discalculia: Uma abordagem à Luz da Educação Matemática. Projeto de Iniciação Científica. São Paulo: Universidade Guarulhos, 2008. Disponível em: http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/MATEMATICA/Monografia_Silva.pdf