Neuropsicopedagogia
Clínica
A Neuropsicopedagogia Clínica, aos poucos
vem conquistando espaço no território brasileiro surgindo como uma nova área do
conhecimento e pesquisa na atuação interdisciplinar, abarcando conhecimentos
neurocientíficos e tendo seu foco nos processos de ensino aprendizagem. Está
pautada em atividades que avaliam e intervêm nos processos de aprendizagem procurando
obter informações de todas as ciências que possam contribuir para formar o
entendimento mais detalhado da aprendizagem de cada indivíduo. Assim sendo, a Neuropsicopedagogia que "agrega
conhecimentos da neurociência aplicada à educação, psicologia cognitiva e pedagogia" (SBNPp, 2016) realiza um trabalho de
prevenção, pois avalia e auxilia nos processos didático-metodológicos e na
dinâmica institucional para que ocorra um melhor processo de
ensino-aprendizagem.
A Neuropsicopedagogia, já era conhecida em alguns países tais como Espanha, Colômbia, México, sendo assim, o portal mexicano de
Psicopedagogia, voltado para definições de conceitos a cerca das ciências, tendo
como referência o Dr Alberto Montes de Oca Tamez (2006), PhD em Neurociência, define
a Neuropsicopedagogia como:
...
um exercício de trabalho interdisciplinar sobre o processamento de informações
e modularidade da mente em termos de Neurociência Cognitiva, Psicologia,
Pedagogia e Educação, que ocorre na formação multidisciplinar de profissionais
voltados à área educacional. O neuropsicopedagogo deve ter amplo conhecimento
dos diferentes modelos, teorias e métodos de avaliação, planejamento, currículo
dos diferentes níveis de ensino. Além disso, deve ter amplo conhecimento da
base neurobiológica do comportamento psico-educacional e da reabilitação
neurocognitiva tanto em crianças, adolescentes, sujeitos idosos e pessoas com
necessidades especiais. (tradução minha)
No
mesmo ano que TAMEZ elabora esta definição de Neuropsicopedagogia, Suárez
publicou um artigo intitulado “Desmitificación de La Neuropsicopedagogía”, sendo
que o mesmo traz toda evolução histórica da Neuropsicopedagogia,
constituindo-se assim um documento importante dentro dessa área de
conhecimento. Suárez (2006 apud De La Peña 2005), no transcorrer de seu
trabalho científico nos traz essa importante contribuição:
A
Neuropsicopedagogia agrega os conhecimentos da Psicologia e Neuropsicologia,
compreendendo o funcionamento dos processos mentais superiores (atenção,
memória, função executiva,....) de explicações psicológicas e instruções
pedagógicas tem como objetivo fornecer uma estrutura de conhecimento e de ação
para a descrição completa: o tratamento, explicação e valorização do ensino -
aprendizagem que ocorrem ao longo da vida do aluno, promovendo uma educação
integral com impacto além da escola e o período de tempo e tipo de aprendizagem
estabelecido como válido. (tradução minha)
No
Brasil a Especialização em Neuropsicopedagogia é muito recente, mas em países
tais como Espanha, através da Universidade de Girona, o curso de Mestre em
Diagnóstico e Intervenção Neuropsicopedagógica irá para sua 14ª edição e em
Barcelona ocorrerá a 5ª edição. Nestes dois municípios também constam o curso
em Especialização em Neuropsicopedagogia Clínica na modalidade à distância.
Na Colômbia,
através da Universidade de Manizales, desde 2007 já se tem notícias de especializações
nesta área. Inclusive numa das páginas do site desta Universidade, a
Neuropsicopedagogia é citada da seguinte maneira:
...um
campo interdisciplinar de ação, em que as contribuições da Psicologia e
Neuropsicologia permitem uma maior compreensão dos processos de
ensino-aprendizagem proporcionando ao ser humano melhores condições
educacionais e sociais. Partindo de uma reflexão conceitual particular,
disciplinar, social e cultural no processo de aprendizagem escolar, exigindo
uma abordagem que não pode ser concebida através da fragmentação do indivíduo,
mas a partir da necessidade de análise crítica de fenômenos complexos que
influenciam e afetam a capacidade de aprender e suas demandas clínicas e
educacionais. A Neuropsicopedagogia está se tornando uma prioridade, através da
integração de diferentes abordagens e colaboração de várias disciplinas que
ampliam a compreensão e as estratégias de intervenção clínica e / ou
educacional, obtendo assim respostas práticas, conceituais e metodológicas. (tradução
minha)
No Brasil, por volta do ano 2007, surgem
relatos de um trabalho, a nível de mestrado, intitulado “A avaliação
neuropsicopedagógica de crianças surdas: O estudo dos processos corticais
simultâneos de sucessivos, visuo-motores e verbais, através de testes
neuropsicológicos”. O presente trabalho promovido pelo Laboratório de
Neuropsicologia Cognitiva e Neurociências da Surdez do INES (NEUROLAB – INES)
em parceria com o Centro de Informação das Nações Unidas (UNIC Rio) e com o
NCE-LABASE-UFRJ apresentava várias linhas de pesquisa tendo como base o
desenvolvimento de dez plataformas computadorizadas. A metodologia consistia em
“um conjunto de mil jogos neuropsicopedagógicos e metacognitivos, construídos
de acordo com um modelo lúdico isomórfico às funções mentais superiores e aos
sistemas de processamento da consciência”, porém o objetivo era oferecer meios
que facilitassem o desenvolvimento cognitivo-linguístico de crianças com
deficiência, patologias ou atrasos no desenvolvimento, através da ludicidade e
da informática. Este projeto na área tecnológica contribuiu e muito para o
processo de inclusão utilizando dos conhecimentos neurocientíficos, sendo que uma
das colaboradoras do projeto menciona a Neuropsicopedagogia como uma área que:
...estuda
a interação entre o cérebro, a mente e o aprendizado, possibilitando, através
de métodos rigorosamente científicos, o planejamento de intervenções precisas
que promovam o desenvolvimento de sujeitos epistêmicos. (MARQUES, 2008, p.11)
Em entrevista
para a Associação Brasileira de Psicopedagogia - ABPb, através de Racy e Vieira
(s.d.), Dr Marco Tomanick Mercadante, contextualiza a Neuropsicopedagogia com as seguintes palavras:
Um
campo do conhecimento que procura reunir os avanços advindos das neurociências
com a psicopedagogia. Assim, o profissional com essa perspectiva deve ter
conhecimento amplo das bases neurobiológicas do aprendizado, do comportamento e
das emoções, e dominar os elementos clássicos da psicopedagogia. Além disso,
uma coerência epistemológica que garanta uma adequada articulação dessas áreas
dispares do conhecimento é fundamental para a atuação na área.
Em
2009, percebendo a necessidade de um curso que resgatasse as interfaces do
cérebro e do desenvolvimento humano, a Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul, apresenta como curso de extensão, na condição de Educação à
Distância, o curso “Desenvolvimento Neuropsicopedagógico: Contribuições das Neurociências
para a Educação”. Para referido evento,
consta na apresentação do curso o conceito de Neuropsicopedagogia, entendida
como:
...contribuições da neurociência no processo
de ensino e aprendizagem, como uma possibilidade de aproximar as descobertas
sobre as funções cerebrais que interferem na cognição e como podemos explorar
determinadas características do funcionamento cerebral em diferentes contextos
de ensino. [...] visa discutir o desenvolvimento neurológico, a plasticidade
cerebral e alguns desvios a fim de repensar estratégias e recursos que possam
interferir de modo positivo nos processos de desenvolvimento humano, aprendizagem
e ensino.
(PUCRSVIRTUAL, 2009)
E nesta
linha de concepção Krug (2011 apud Rodrigues 1996, p.40) apresenta o conceito
de Neuropsicopedagogia com as seguintes palavras:
Abordagem
neurológica de distúrbios e de incapacidades de aprendizagem. A
Neuropsicopedagogia é de grande utilidade para o psicopedagogo clínico, pois
possibilita o diagnóstico de processos anormais na estrutura, na organização e
no funcionamento do sistema nervoso central, por meio de testes de avaliação
neuropsicológica, aplicáveis a indivíduos portadores de problemas de
aprendizagem.
Pode-se perceber que a terminologia
Neuropsicopedagogia, apesar de não estar explicita em nenhum dos dicionários já
vem sendo utilizada no contexto brasileiro. Nos estados do sul do Brasil,
universidades tais como: PUC e UFRGS apresentam como disciplina nos cursos de
graduação, voltados a Pedagogia, os Estudos Neuropsicopedagógicos, os quais Forner
(2009, p71-72) faz a seguinte referência:
No
nível I, a disciplina Estudos Neuropsicopedagógicos chama a atenção, por
enfatizar aspectos que contemplam as ideias do estudo. Eis a sua ementa: Estudo do desenvolvimento humano na
perspectiva da genética e da Neuropsicopedagogia, aproximando estes saberes com
foco nas bases biológicas da aprendizagem, na busca de melhores formas de
ensinar e de aprender. Os objetivos da disciplina convertem para a real
necessidade de os futuros professores reconhecerem as dificuldades de
aprendizagem de seus alunos, bem como as possíveis alternativas de trabalho.
Isto é, terem subsídios para planejamento que atenda às demandas que surgem nas
salas de aula. A disciplina se propõe a fazer com que os estudantes de
Pedagogia conheçam o funcionamento neural, o desenvolvimento neuropsicológico,
desde a concepção até a morte, destacando a neuroplasticidade, bem como as
bases biológicas e influência do uso de drogas pelos pais de crianças, bases
neurológicas da entrada, processamento e saída da visão, audição, tato,
movimento e atenção. A partir desses conhecimentos, enfim, busca contribuir
para que os professores possam realizar as intervenções, considerando aspectos
do desenvolvimento normal e das dificuldades de aprendizagem.
O
grande avanço da Neuropsicopedagogia no Brasil se deu através do Centro Sul
Brasileiro de Pesquisa e Extensão - CENSUPEG. Dentro deste contexto educacional
os profissionais da Neuropsicologia Clínica
são capacitados para:
•
Compreender o papel do cérebro do ser humano em relação aos processos
neurocognitivos na aplicação de estratégias pedagógicas nos diferentes espaços
da escola, cuja eficiência científica é comprovada pela literatura, que
potencializarão o processo de aprendizagem.
•
Intervir no desenvolvimento da linguagem, neuropsicomotor, psíquico e cognitivo
do indivíduo.
•
Adquirir clareza política e pedagógica sobre as questões educacionais e
capacidade de interferir no estabelecimento de novas alternativas
neuropsicopedagógicas e encaminhamentos no processo educativo.
•
Compreender e analisar o aspecto da inclusão de forma sistêmica, abrangendo
educandos com dificuldades de aprendizagem e sujeitos em risco social.
Dessa
forma, na releitura das citações anteriores pode-se afirmar que a
Neuropsicopedagogia apresenta-se como um novo campo de conhecimento que através
dos conhecimentos neurocientíficos, agregados aos conhecimentos da pedagogia e
psicologia vem contribuir para os processos de ensino-aprendizagem de
indivíduos que apresentem dificuldades de aprendizagem. A partir do ano de
2011, mais centros educativos tem ofertado este curso, que é o caso da UNOPAR-
Universidade Norte do Paraná e da CEEDI (Centro de Excelência em Educação
Integrado – Balneário Camboriú, SC).
2. OBJETIVOS DO ESTÁGIO CLÍNICO
O estágio
clínico apresenta-se como um elemento indispensável que proporciona
aprendizagens significativas reforçando a importância do olhar
Neuropsicopedagógico, que pautado na aprendizagem do indivíduo e na estimulação
das áreas “debilitadas”, visará o intercâmbio das produções teóricas
apreendidas na Pós-Graduação através das práticas ofertadas.
O
enfoque Neuropsicopedagógico ainda carece de bibliografia com mais efetivo
reconhecimento científico, entretanto ressalto as palavras de Andrade (1998,
p.40) ao contextualizar a Psicopedagogia Clínica e enfatizo que a
Neuropsicopedagogia Clínica contempla esta mesma prática,
A Psicopedagogia Clínica não é uma prática confinada a
consultórios particulares. Ela é muito mais uma maneira de olhar o processo
ensino/aprendizagem, maneira esta que não se limita ao sintoma, mas busca as
causas deste sintoma. Desta forma sua prática tanto pode se dar no consultório
particular, como na escola ou no hospital.
O
estágio neuropsicopedagógico vem trazer um novo olhar sobre as dificuldades de
aprendizagem, uma visão neurocientífica, contemplando o que Chedid (2007, p.298)
já escrevia a cerca da neurociência no contexto educativo,
Para
a sala de aula, para a educação, as Neurociências são e serão grandes aliadas, identificando
cada ser humano como único e descobrindo a regularidade, o desenvolvimento, o
tempo de cada um. [...] Em pleno século XXI, nos deparamos com outras formas de
informação além do letramento formal, é necessário conhecer e ensinar outras
linguagens que dão acesso a informações imprescindíveis para a comunicação. [...]
precisamos conhecê-las e entender as modificações que estão ocorrendo, olhar
estes cérebros para saber como eles funcionam e determinar mudanças em como
ensiná-los.
Dentro
da mesma estrutura proposta por Chedid, a Universidade de Manizales(2007),
citada anteriormente, classifica o estágio de Neuropsicopedagogia como forma de
consolidar equipes interdisciplinares alavancando assim as competências e
habilidades cognitivas, emocionais e aspectos sociais procurando aprofundar o
teórico com a pergunta, com a prática mas ao mesmo tempo praticar os aspectos
transcendentais, clínicos e educacionais, relacionados a cada tipo de
experiência e na individualidade de cada caso.
3 O PAPEL DO NEUROPSICOPEDAGOGO NA INSTITUIÇÃO ESCOLAR
Socialização
das crianças por meio de sua participação e inserção nas mais diversificadas
práticas sociais é o objetivo de qualquer ambiente educativo. É na escola em
que a inserção das crianças nos grupos podem ser avaliadas e onde elas podem
ser comparados com seus pares, com seu grupo etário e social. Com preparo e
sensibilidade, o professor, melhor do que qualquer outro profissional está
preparado para detectar problemas cruciais na vida de toda e qualquer criança
que por ele passar. Entretanto, o ato de educar e incluir não são atos
solitários, eles necessitam de parcerias, de trocas, de profissionais que
percebam cada indivíduo nos mais diferentes modos de ser e estar no grupo,
enfim uma equipe multidisciplinar.
A inclusão no
contexto educativo traz como metáfora um diamante (Figura 1), ele tem
diferentes lados; é “multifacetado”. Muitos, ao contemplar um diamante,
percebem somente o seu brilho, outros percebem somente sua superfície, alguns
voltam seus olhos para a profundidade, mas há aqueles que têm a visão mais
ampla, observam as “multifacetas” (brilho, superfície, profundidade,
fragilidade e por ai a diante). Isso é um trabalho multidisciplinar, um
trabalho de equipe onde cada um na sua especialidade consegue ver focos diferentes
dentro de um mesmo contexto e por consequência disso, o brilho final aparece
reluzindo o trabalho de todos.
Figura 1- Inclusão é como um diamante. Existem vários
ângulos pelos quais se podem perceber o mesmo indivíduo.
Percebendo
a importância do psicopedagogo na instituição escolar, mas acompanhando as
novas descobertas neurocientíficas, o Centro-Sul Brasileiro de Pesquisa e Extensão
– CENSUPEG, apresentando-se como uma das instituições pioneiras no Brasil,
quanto a questão das primeiras turmas de Pós em Neuropsicopedagogia,
especializam profissionais intitulados Neuropsicopedagogos que dentro da
instituição escolar, além de todo aparato preventivo, abarcam conhecimentos que
possibilitarão a otimização dos processos de ensino e aprendizagem.
Profissionais estes, que junto aos demais, vem contemplar as “multifacetas” dos
diversos diamantes presentes no contexto educativo. Nesse sentido, eles vêm
somatizar conhecimentos com todos os demais envolvidos no processo educativo,
ofertando qualidade na educação e uma aprendizagem comunitária.
DEWEY (1943) já fazia relatos de
aprendizagem comunitária, ele preocupava-se com o isolamento escolar da vida
comunitária típica e com a rotina natural da aprendizagem na sala de aula, e
pregou a utilização do trabalho e das atividades comunitárias como o foco de
aprendizagem. Fazendo isso, Dewey exigia que as escolas unissem as crianças e
criassem oportunidades para a aprendizagem por meio da ação e de relacionamentos
de apoio mútuo. Assim como na sociedade, a escola também necessita ser
remodelada para que as pessoas tenham cada vez mais relacionamentos
interpessoais, trocas entre os diferentes profissionais, ter uma visão de que
se faz necessário profissionais que tenham conhecimentos neurocientíficos, pois
a vida está se reciclando, a cada dia novos conhecimentos vem surgindo, a
neurociência a cada dia mais vem abrindo seu espaço.
A atuação do neuropsicopedagogo na
instituição escolar contribui para que se desenvolvam metodologias que abordam
as várias barreiras para aprendizagem apresentadas pelas crianças no ambiente
escolar, procurando ligar vários intervenientes deste processo, tais como:
pais, professores e colaboradores que juntos almejam uma melhoria significativa
no desempenho acadêmico, social e emocional da criança.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estágio sempre é um contexto desafiador, nos
faz provocações daquilo sabemos, do que não sabemos e do que necessitamos
buscar. É o elo entre nossas teorias e nossas práticas. SAVIANI (2003) em
muitos de seus textos referiu-se à curvatura da vara. E o estágio é isso, é a
busca do equilíbrio dessa curvatura, não tanto a um extremo, nem tanto ao
outro. É um relembrar de tudo que se aprendeu, um perceber que através da
observação muito se aprende e um refletir sobre o que pode ser feito a partir
disso.
Discorrendo sobre as palavras de Chedid (2007,
p. 300) falando do enfoque neurocientífico na educação, transcrevo as seguintes
palavras:
Os alunos de hoje merecem uma educação
exemplar baseada na atual investigação sobre o cérebro. Isto não pretende
sugerir que tudo o que os professores e as escolas fizeram até aqui estava
errado, mas sim, que temos uma nova informação, baseada na própria biologia da
aprendizagem do cérebro, que pode melhorar a educação. Como o cérebro processa
a informação que recebe, como ocorre o registro sensório, como funciona a
memória, como os ritmos biológicos afetam o aprender e o ensinar são algumas
das perguntas que nos fazemos e que já começa a ter delineadas suas respostas
pelas Neurociências. Quem compreende o processo de aprender como uma atividade
deve pensar nas condições essenciais para que esta atividade seja otimizada.
Precisamos iniciar uma discussão entre professores e psicopedagogos sobre a
necessidade de uma visão neurocientífica em nossa ação.
Muito bem explanado por Chedid, uma das
primeiras propostas da necessidade da Neuropsicopedagogia, pois conforme a
autora se faz necessária a visão neurocientífica dentro da ação pedagógica e
psicopedagógica. E foi dentro dessa linha de pensamento que esse estágio teve
como proposta.
Estudos e intervenções no campo da
Neuropsicopedagogia ainda necessitam conquistar espaços, mas aos poucos vem
abrindo caminhos e sutilmente vem aparecendo em citações bibliográficas, tais
como as de Cavasotto e Chagas (2011, p.172) ao falar sobre vivências no
atendimento pedagógico: “Estudos da neurociência têm confirmado e destacado a
importância do ambiente para o desenvolvimento neuropsicopedagógico”.
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Marcos Tomanik Mercadante (São Paulo, 1960 - São Paulo, 2011) foi um médico, escritor, professor e investigador brasileiro.
Nascido na cidade de São Paulo em 1960, onde viveu e atuou profissionalmente, é autor de estudos
que são referência no País em Psiquiatria da Infância e Adolescência, principalmente a respeito
de autismo, tem livros publicados sobre o assunto e é autor do
primeiro estudo de epidemiologia de autismo na América Latina. Mercadante possuia
graduação em Medicina pela Universidade de São Paulo (USP), mestrado em Psicologia (Psicologia Clínica) pela Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
e doutorado em Psiquiatria pela USP. Era médico pesquisador da USP, professor da
pós-graduação da Escola Paulista de
Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp),
pesquisador associado da Universidade de Yale (EUA) e
foi professor-adjunto da Universidade Presbiteriana
Mackenzie. Com experiência na área de
Medicina, com ênfase em Psiquiatria da Infância, atuou principalmente nos
seguintes temas: autismo e transtorno invasivo
do desenvolvimento (TID), transtorno obsessivo
compulsivo (TOC), diagnóstico, e coréia de Sydenham.
Recebeu o prêmio "Prof. Zaldo Rocha" 2010, da Associação
Brasileira de Psiquiatria. Em 2010, Mercadante idealizou e foi um dos fundadores da ONG Autismo & Realidade, em São Paulo.
Mesmo ano em que foi convidado pelo Senado Federal do Brasil para explanar sobre autismo na discussão de uma lei federal para criação da
Política Nacional de Proteção aos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro
Autista. Morreu em 2 de Julho de 2011, em São Paulo, SP, aos 51 anos. (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Marcos_Tomanik_Mercadante)