Mostrando postagens com marcador Psicologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Psicologia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Pesquisando sobre o cérebro - 4

Ana Lúcia Hennemann - Maio/2012
Parte 3- Lobos Cerebrais

2.Lobo Parietal

Lobo Parietal:  Segundo SILVA (2012), o lobo parietal situa-se acima do sulco lateral e posteriormente ao sulco central.  Seu limite posterior vai até uma linha imaginária que passa do sulco parieto-occipital à incisura pré-occipital. O limite inferior corresponde a uma linha imaginária que vai do sulco lateral à intersecção da linha imaginária que liga o sulco parieto-occipital à incisura pré-occipital. O lobo parietal se relaciona com as sensibilidades em geral, ou seja, sensibilidade térmica, algésica e táctil, também conhecidas como sensibilidades superficiais, além das sensibilidades profundas: vibratória, cinético postural (posições das partes do corpo), a capacidade de sensação de pressão e a dor profunda, que é captada pelos tendões, músculos e articulações. O lobo parietal também se relaciona com gustação e motricidade voluntária.
O lobo parietal relaciona-se com a sensibilidade geral, ou seja, com a sensibilidade exteroceptiva e a proprioceptiva. 
Exteroceptiva também é conhecida como sensibilidade superficial e é constituída pela: - a algésica (dor), - a táctil e - a térmica. 
Proprioceptiva também chamada de sensibilidade profunda é constituída pela vibratórica ou palestésica (capta vibrações), a cinético-postural (capta a posição das partes de nosso corpo), a barestésica (capta a sensação de pressão) e a dolorosa profunda (capta sensação de dor nos tendões, articulações e músculos).O lobo parietal também se relaciona com a motricidade voluntária e a gustação. 
O lobo parietal sente qualquer toque que temos em nosso corpo. Na gravura do homúnculo há uma representação de áreas em que a sensibilidade se mostra mais ativa.
No homúnculo sensorial, os lábios e as bochechas e as pontas dos dedos eram as que apareciam com maiores áreas, uma vez que são as mais sensíveis do nosso corpo, por terem mais sensores por centímetro quadrado que qualquer outra área do corpo, e ocupando, portanto, uma área desproporcionalmente maior do córtex.(SABATTINI,1998)
Numa lesão do lobo parietal a pessoa pode ter alteração da sensibilidade (por exemplo, não sentir o braço e/ou a perna de um lado do corpo). Também pode ter agnosia, ou seja, incapacidade de reconhecer as sensações de sensibilidade relativas às sensibilidades exteroceptivas e/ou proprioceptivas. 

Kapczinski (2011,p.26) nos diz lobos parietais:
...estão envolvidos na percepção e na integração da informação somatossensorial (tato, pressão, temperatura e dor), no processamento visuoespacial, na atenção, na orientação espacial e na representação numérica. Apresentam como subestruturas o córtex somestésico, os lobos parietais superior e inferior e o précúneo.
A lesão dos lobos parietais pode levar a perda da habilidade em localizar e reconhecer objetos e partes do corpo (heminegligência), dificuldade em discriminar a informação sensorial, desorientação e falta de coordenação.

Fonte:
SILVA, Cléber R. A. Aspectos Funcionais do Sistema Nervoso. Novo Hamburgo, Feevale, 2012

KAPCZINSKI, QUEVEDO, IZQUIERDO & COLLS. Bases Biológicas dos Transtornos Psiquiátricos. 3 ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.


terça-feira, 15 de maio de 2012

Pesquisando sobre o cérebro - 3

Ana Lúcia Hennemann- Maio/2012
Parte 3- Lobos cerebrais

O córtex cerebral divide-se em 5 lobos, sendo que cada um tem sua função diferenciada e especializada. Os lobos cerebrais são designados pelos nomes dos nossos ossos cranianos nas suas proximidades e que os recobrem. O lobo frontal localiza-se na região da testa; o lobo occipital, na região da nuca; o lobo parietal, na parte superior da cabeça; o lobo temporal, nas regiões laterais da cabeça, por cima das orelhas e por fim, o lobo da ínsula (que também é conhecido como ilha de Reil), se localiza na profundidade dos lobos frontal, parietal e temporal.

Imagem: http://www.riversideonline.com/health_reference/Nervous-System/DS00266.cfm



Lobo da ínsula


1.Lobo Frontal:
Imagem: Saúde e Lar


Localiza-se acima do sulco lateral e à frente do sulco central. Ele é um lobo encarregado de motricidade, linguagem de expressão, psíquica (relacionada a funções psíquicas e também neurovegetativas). Psíquica= humor, caráter, iniciativa. Uma pessoa que vai ter uma atividade diferente em sua vida, o lobo frontal pode fazer com que a pessoa fique “ligada”, nervosa, ficando vermelha (aumento dos batimentos cardíacos). Lobo frontal nos dá atenção, atividade, caráter (no sentido de característica). Também está relacionado com transtorno de humor.

SILVA (2012) enfatiza que o Lobo Frontal tem como funções principais:
            èMotricidade: voluntária (dependente do sistema piramidal), automática  (relacionada ao sistema extrapiramidal ) e reflexa.
            èPsíquicas: relacionadas ao humor, caráter, iniciativa.
            è Linguagem motora, também conhecida como de expressão ou de Broca.
            èNeurovegetativas: relaciona-se com o controle da pressão arterial, peristaltismo, respiração e controle de esfíncter urinário.
            Processos patológicos que comprometem o lobo frontal podem ocasionar algumas das situações abaixo:
v Hemiplegia ocorre nos membros contrários ao do lobo envolvido. Por exemplo, se a lesão atingir o lobo frontal direito, os membros superior e inferior esquerdos são comprometidos, ficando total ou parcialmente sem força muscular;
v Alteração do humor;
v Dificuldade de atenção;
v Incontinência esfincteriana (por exemplo, não controla a urina;
v Apatia e abulia;     
v Afasia motora ou de Broca: a pessoa tem um comprometimento cortical da linguagem. Esta pessoa fica com um vocabulário bem reduzido.
 

Em 1848, Phineas Gage, de 25 anos, trabalhava na construção da linha do caminho-de-ferro transcontinental, na América. Era responsável por preparar a zona de assentamento das linhas, e, para isso, tinha que fazer explodir rochas, usando uma técnica vulgar na época: furava um buraco profundo na rocha, onde colocava uma certa quantidade de pólvora, por cima da qual colocava areia. Tudo era compactado com o auxílio de uma barra de ferro. Depois, pegava fogo ao rastilho e afastava-se, em segurança. Naquele dia, 13 de setembro, por alguma razão, o seu colaborador não cobriu a pólvora com a areia, e quando Phineas bateu com o ferro, para compactar, a pólvora explodiu, lançando o ferro, como um míssil, contra a cara de Phineas. O ferro atravessou a face do rapaz, de baixo para cima, e saiu pelo crânio, destruindo uma boa parte do seu lobo frontal cerebral. Embora ficasse vivo e recuperasse fisicamente, aquele trabalhador e pai de família correto, empenhado, atencioso, com uma moral irrepreensível e amado por todos, nunca mais foi o mesmo. Passou a revelar progressivamente sinais de violência, irritava-se facilmente, perdeu o interesse pelas coisas espirituais e a sua moral decaiu completamente. Tornou-se irresponsável e irreverente perante as normas sociais. De empregado modelo e louvado, passou a desempregado, porque não conseguia realizar de forma responsável as suas funções.

Imagem: Saúde e Lar
Deste, e de muitos outros casos, poderemos concluir que os danos provocados ou existentes no lobo frontal do nosso cérebro destroem completamente a nossa identidade, a nossa personalidade, o nosso ser interior. Veja o caso de uma enfermeira que teve o lobo frontal removido e devido a isso ocorreram mudanças em sua personalidade.

Imagem: Saúde e Lar
 Segundo a reportagem da revista Saúde&Lar, o lobo frontal controla a nossa capacidade de atenção e de avaliação, os nossos juízos de valor, o nosso comportamento. Ao usarem drogas, as pessoas sofrem danos no lobo frontal, perdem a noção dos limites, das conveniências e do valor do que as rodeia e acabam por se envolver em comportamentos irresponsáveis, de risco e antissociais. E isto é válido não só para as drogas ilícitas, mas também para alguns fármacos usados em situações do dia-a-dia. É o caso de certos medicamentos para a asma ou para a hipertensão arterial, tranquilizantes e soníferos, medicamentos contra úlceras, anti-inflamatórios, analgésicos e narcóticos, anti-histamínicos, descongestionantes, etc.. Estes medicamentos afetam o sistema nervoso central, e uma das partes mais afetadas é o lobo frontal. O uso destes medicamentos deprime as funções do lobo frontal e, desse modo, afeta o caráter, o comportamento, a personalidade de quem os ingere. Quanto ao álcool, à cafeína e à nicotina, o seu consumo é poderosamente destruidor para o sistema nervoso central, sobretudo para o lobo frontal.
Fontes de Consulta:
FERRO, Manuel. PC sob ataque. Revista Saúde&Lar. Fev.2012/nº 772 Disponível online em: http://www.saudelar.com/edicoes/2012/fevereiro/principal.asp?send=11_saber_e_viver.htm Acesso em 15/05/2012
SILVA, Cléber R. A. Aspectos Funcionais do Sistema Nervoso. Novo Hamburgo, Feevale, 2012

Desenvolvimento Neural e Comportamental na Adolescência



ADOLESCÊNCIA: LAPIDAÇÃO SINÁPTICA E MIELINIZAÇÃO AXÔNICA

         O processo que forma uma grande massa de conexões sinápticas durante a infância apresenta seu ápice durante os 8 a 10 anos de idade, quando começa a se estabelecer o período da pré-adolescência, este momento já nos alerta de que transformações dramáticas no corpo e no cérebro irão acontecer.

            Até o século XIX, a adolescência se estabelecia em termos biológicos aos 16, 17 anos, socialmente, era um fenômeno bastante negligenciado pelo ocidente, tendo em vista que mesmo antes de deixar de ser criança muitas pessoas já estavam no mercado de trabalho. Esta idade caiu para 12,5 anos no Brasil durante a década de 1970 e parece estar ocorrendo cada vez em mais tenra idade.

            O corpo de meninos e meninas começa a armazenar energia na forma de lipídios na camada de pele denominada hipoderme, cujos adipócitos, células especializadas em armazenar ácidos graxos e triglicerídeos, aumentam o seu volume. Isso já pode ser visualizado durante a pré-adolescência. Com mais lipídios armazenados na hipoderme deve haver um mecanismo para comunicar isso ao cérebro, como as moléculas de lipídios são muito grandes para passar a barreira hematoencefálica, àquela barreira entre o sangue e o tecido nervoso, produzida pelos capilares sangüíneos e pelos astrócitos, uma outra molécula denominada Leptina, produzida pelos adipócitos à medida que acumulam lipídios, passa a barreira e informa o hipotálamo destas reservas.

         O hipotálamo, como discutido em outros tópicos do caderno de estudos, é a porção do diencéfalo que controla todas as glândulas do corpo, e que, graças ao aumento da leptina passa a reativar o eixo Hipotálamo-hipófise-gônadas, ativo no início da infância. Mais lipídios, mais leptina, significa um corpo preparado para uma gestação e o cuidado das crias no caso das meninas e um corpo preparado para defender o território, competir pelo acesso às fêmeas e mesmo a dominância do bando. No entanto, maior exposição e estimulação erótica podem diminuir a idade média da menarca em meninas, bem como fatores genéticos são determinantes da faixa etária em que adolescentes de ambos os sexos apresentam a puberdade (Sisk e Foster, 2004).

           O fenômeno da adolescência estabelecido leva a alteração brusca e extensa do corpo e da mente. Em um primeiro momento a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-gônadas propicia a produção e liberação de testosterona nos meninos e de estrógenos nas meninas, de grande relevância para determinar os caracteres sexuais secundários próprios desta faixa etária. Os meninos passam a produzir espermatozóides, a testosterona define melhor os músculos (maior síntese de proteínas) promove também o espessamento das cordas vocais, o aumento de pelos nas pernas, região pubiana e aparecimento da barba, uma agressividade em relação a outros machos aumentada, bem como um desejo por sexo. Nas meninas, a ativação do eixo promoverá a menarca, a primeira menstruação, desenvolvimento de pêlos na região pubiana principalmente, aumento dos seios e dos quadris, uma maior síntese de lipídios e aumento do desejo sexual. Um estirão do crescimento é comum neste período. Em termos neurais as principais ocorrências são as podas sináptica, uma perda de até 30% dos neurônios e sinapses e a mielinização axônica proeminente nas áreas mais utilizadas (Herculano-Houzel, 2005; Giedd et. al., 1999) como pode ser visto no esquema.



Representação esquemática dos processos de exuberância sináptica da infância, poda sináptica da adolescência e a mielinização axônica entre a adolescência e a fase adulta.
FONTE: FRIEDRICH, G. e PREISS, G. Educar com a cabeça. Viver: Mente e Cérebro, XIV(157), 2006.p.55.

          O estirão do crescimento que marca a adolescência no seu início promove uma perda da identidade corpórea. Isso ocorre por termos na região do córtex parietal o mapa somatotópico, um mapa cortical da topografia do nosso corpo. O corpo muda de configuração mais rápida do que o cérebro tem condições de mapear, e a representação do corpo no cérebro fica reduzida em proporção às diversas partes do corpo. As conseqüências são os desastres na mesa do jantar, pois o cérebro comanda um braço e uma mão maiores do que os representados por ele, e são comuns os adolescentes derrubarem coisas à mesa. O andar desajeitado de muitos adolescentes, e a postura por vezes arqueada de gente que cresce rápido e vertiginosamente também são característicos deste momento do desenvolvimento. De forma similar as mulheres grávidas esbarram o ventre com freqüência nos objetos e móveis, pois a representação do ventre na mente é diferente da extensão e formato do mesmo.

          Adolescentes adeptos de esporte com regularidade e que tocam algum instrumento musical irão superar esta perda da identidade corpórea mais rápida, pois o cérebro promove com mais sintonia e agilidade o ajuste das representações que forma do corpo. O comportamento corriqueiro de se prostrar na frente do espelho verificando cada pedaço do rosto e do corpo parece estar em sintonia com esta necessidade de ajuste de uma imagem corpórea, os meninos verificando a espessura e rigidez dos músculos e as meninas atestando o formato e tamanho dos seios, pernas e nádegas, e ambos os sexos olhando muito o rosto, agora um pouco transformado e muitas vezes com as famigeradas espinhas e cravos que tanto mal fazem para a auto-estima já ferida de um corpo que não é mais o de criança, mas que tampouco é de um adulto; um corpo em transformação radical.

          Juntamente com a perda da identidade corpórea e amplificada por esta, ocorre a perda da identidade social. O adolescente não é mais criança e ao mesmo tempo é tratado por muitos como o sendo, também não é ainda adulto e apresenta desejos e necessidades parecidos com um adulto. O estabelecimento de uma identidade social ocorre principalmente no contato com outros de sua mesma faixa etária, o que pode ser inferido do ponto de vista evolucionista. No passado primitivo humano e em muitas outras espécies de mamíferos, os indivíduos juvenis do bando devem dispersar, formando novos bandos ou ainda migrando para bandos já estabelecidos. Isso ocorre em particular quando meninos passaram a produzir espermatozóides e a desafiar a hierarquia e mesmo ameaçar o acesso privilegiado de outros machos adultos a sexo. O mesmo ocorrendo com as meninas que deveriam competir por recursos para seus futuros filhotes, caso viessem a acasalar com os machos do bando.

           A puberdade e o período da adolescência eram momentos decisivos para ser convidado a se retirar do bando, isso explica em muitas medidas a necessidade que os jovens têm de formar grupos (as tribos urbanas são exemplos marcantes deste comportamento) e também o motivo pelo qual muito se escondem quando estão em público com seus pais e são vistos por um colega, o que lhes parece uma vergonha, afinal: “está pensando que eu ainda sou criança”. Muitos dos comportamentos de revolta apresentados pelos adolescentes retratam uma necessidade neural de criar a sua visão de mundo e não mais incorporar a visão de mundo dos pais e das gerações agora “ultrapassadas”. As tribos urbanas refletem esta necessidade por espaço, por uma ideologia. A música parece ter um efeito também mediador deste processo na medida em que movimenta o corpo por meio da dança, melhorando a imagem corpórea, e se for a alto som e na companhia dos amigos, melhor, pois facilita esta integração entre imagem corpórea e imagem social, o que lembra a frase que acompanha todos os discos da banda Legião Urbana: “ouça no volume máximo”.

            Uma das conseqüências mais fortes da adolescência é a perda de até 30% das sinapses do núcleo acumbente, área do córtex relacionada ao prazer. Esta redução considerável de sinapses dopaminérgicas faz com que o adolescente se engaje nos chamados comportamento de risco, relacionados aos prazeres consumatórios: não basta pensar em sexo, tem que fazer sexo, não dá mais prazer brincar de roda, mas sim esportes radicais, aquela transa em um lugar bem perigoso, correr em alta velocidade de carro e o uso de drogas psicoestimulantes, principalmente cocaína e anfetaminas. Ou seja, 30% menos sinapses do prazer significa atividades que possam liberar uma quantidade maior de dopamina para suprir as demandas de um cérebro carente. A principal conseqüência é que o jovem passa a procurar novidades, passa a procurar os riscos que o conduzirão a fase adulta, caso contrário nosso cérebro continuaria fazendo as mesmas coisas da infância e não amadureceria. Outra característica disso é o tédio e a falta de motivação da idade; é necessária maior estimulação para ativar um cérebro carente de prazer.

        A diminuição das áreas de recompensa do cérebro expõe os adolescentes aos comportamentos impulsivos próprios da idade, mas principalmente ao uso de drogas de abuso, entre elas o álcool, as drogas estimulantes, que aumentam as concentrações de dopamina na fenda sináptica e o tabaco, que coopta amplas áreas do cérebro, incluindo os sistemas de recompensa e apresenta alto potencial aditivo.

               Por último, a adolescência é marcada pelo processo de mielinização axônica, ou seja, depois da poda sináptica é chagada a hora de reforçar aquelas vias neurais que continuaram a ser usadas, afinal, se estão sendo usadas deverão continuar servindo no futuro. Um bom exemplo para se fixar estes processos de desenvolvimento neural é a busca pelo prazer, se aprendemos desde pequeno a sentir prazer com coisas simples, formamos sinapses para estes prazeres, mesmo que diminua a quantidade destas no cérebro adolescente, as que sobram podem ser mielinizadas, portanto, reforçadas e mais rápidas ao longo do processo, originando adultos também mais simples nas suas buscas pelo prazer.

              A adolescência será um período de exercícios de tudo aquilo que nós seremos na fase adulta, um período de maturação das vias neurais construídas ao longo da infância e um instante para delegar um segundo plano para aquilo que já não havia sido muito estimulado durante o início do processo. Neste sentido, há um jargão em neurociências de que “menos é melhor”, que vale também para a memória, num sentido de que precisamos “esquecer para lembrar”.

           Para Giedd e seus colaboradores (1999) a adolescência num sentido neural pode se estender até os 30 anos de idade, momento no qual o córtex pré-frontal e as áreas de tomadas de decisões sofrem por último seus processos de mielinização. É quando conseguimos antecipar os resultados danosos dos nossos atos e projetar nossas vidas a mais longo prazo.


REFERÊNCIAS:

FRIEDRICH, G. e PREISS, G. Educar com a cabeça. Viver: Mente e Cérebro, XIV(157), p.50-57, 2006.
GIEDD, J. N., BLUMENTHAL, J., Jeffries N. O., CASTELLANOS, F. X., Liu H., ZIJDENBOS, A., Paus T., EVANS A. C., RAPOPORT J. L. Brain development during childhood and adolescence: a longitudinal MRI study. Nature Neuroscience 2:861-863, 1999.
HERCULANO-HOUZEL, Suzana. O cérebro em transformação. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.
SISK, Cheryl L. e FOSTER, Douglas L. The neural basis of puberty and adolescence. Nature Neuroscience. 7(10):1040-1047, 2004.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Aprendizagem e Desenvolvimento Humano

Ler bons materiais sobre Avaliações e Intervenções deve fazer parte da praxis de todo profissional que interage com o processo ensino-aprendizagem. O livro Aprendizagem e Desenvolvimento Humano, disponibilizado na web, pela Cultura Acadêmica, faz parte de estudos realizados por discentes e docentes de um curso de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Ciência do Desenvolvimento Humano


A Ciência do Desenvolvimento Humano é um livro voltado à Psicologia que nos traz contibuições importantes sobre avanços desta área e novos conhecimentos contextualizados em nossa realidade. Conforme Dessen (2005, p.25),
            A concepção de desenvolvimento na perspectiva do ciclo de vida coloca o pesquisador diante de questões que têm reflexos diretos na sua prática de pesquisa. Por exemplo: O que são as interações dentro de um contexto? O que significa continuidade e mudança no desenvolvimento humano? O que se entende por coação e por influências bidirecionais no desenvolvimento? Como as experiências contribuem para o desenvolvimento?

A Ciência do Desenvolvimento Humano - Tendências atuais e perspectivas futuras.
Maria A. Dessen, Áderson L. Costa Jr, Colaboradores.
Editora: Artmed
Ano: 2005