Fonte: Revista Ciranda
da Inclusão- ano II número 20
A classificação Estatística Internacional de Doenças
relacionadas à Saúde (CID), em sua última versão (10), define o Transtornos
Globais de Desenvolvimento como: “Grupo de transtornos caracterizados por
alterações qualitativas das interações sociais recíprocas e modalidades de
comunicação e por um repertório de interesses e atividades restrito,
estereotipado e repetitivo. Estas anomalias qualitativas constituem uma
característica global do funcionamento, em todas as ocasiões.”.
Muitos professores se sentem desamparados quando recebem alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento. Acreditamos que um dos motivos para o surgimento dessa sensação seja certo desconhecimento sobre o assunto. Um exemplo disso é a falta de produção acadêmicas a respeito do tema.
Carla Karnoppi afirma que e 28 anos de pesquisa em trabalhos
acadêmicos no Brasil, foram realizados 366 mil estudos, sendo que, dentre
estes, somente 264 eram sobre assuntos referentes ao autismo e à psicose. As
áreas de interesse são descritas abaixo:
De acordo com a autora, os trabalhos a respeito de TGD
concentram-se em três áreas específicas, sendo que na Educação foram
desenvolvidos apenas 53 estudos sobre o tema, registrando assim a carência de
pesquisas a respeito.
Dentro dos Transtornos Globais de Desenvolvimento, também
encontramos a psicose.
A psicose é a perda de sentido de realidade ou incapacidade
de distinguir entre as experiências reais e imaginárias. É uma deficiência
grave e continua de relacionamento emocional com pessoas, juntamente com
segregação e tendência para preocupar-se com objetos inanimados.
A psicose é um estado incomum de funcionamento psíquico.
Mesmo não sabendo exatamente como são as patologias psiquiátricas, podemos
imaginar algo semelhante ao compará-las com determinadas experiências pessoais.
A tristeza e a alegria assemelham-se à depressão e à mania, o medo e a
ansiedade perante situações corriqueiras têm relações com os transtornos
fóbicos e de ansiedade. Da mesma forma, outros transtornos psiquiátricos podem
ser imaginados a partir de experiências pessoais. No caso da psicose não há comparações,
nem mesmo um sonho, por mais irreal que seja, é semelhante à psicose.
O aspecto central da psicose é a perda do contato com a
realidade, dependendo da sua intensidade. Os psicóticos quando não estão em crise,
zelam pelo seu bem-estar, alimentam-se, evitam machucar-se, tem interesse
sexual, estabelecem contato com pessoas reais. Isso tudo é indício da existência
de um relacionamento com o mundo real. A psicose propriamente dita começa a
partir do ponto em que o paciente relaciona-se com objetos e coisas que existem
no nosso mundo. Modifica seus planos, suas ideias, suas convicções, seu
comportamento por causa de ideias absurdas, incompreensíveis, ao mesmo tempo em
que a realidade clara e patente significa pouco ou nada.
Algumas características:
·
Deficiência no desenvolvimento da fala ou perda
do desenvolvimento da fala;
·
Distúrbio na percepção sensorial;
·
Conduta ou padrões de movimento bizarros na
rotina ou no ambiente;
·
Acessos de pânico intensos e, frequentemente,
imprevisíveis;
·
Falta do sentido de identidade pessoal;
·
Desenvolvimento intelectual embotado,
fragmentado ou desigual.
Fonte:
CID10,
Classificação Estatística internacional de Doenças e Problemas Relacionados à
saúde.
VASQUES, Carla
Karnoppi – Transtornos Globais do Desenvolvimento e Educação: Análise da
Produção Científico – Acadêmica.
HONORA, Márcia;
FRIZANCO, Mary L. – Esclarecendo as deficiências - Aspectos teóricos e Práticos
para contribuir com uma sociedade inclusiva.





