Quem consegue entender a paixão e o amor... são sentimentos
que desafiam a neurociência. Dependendo da intensidade dos mesmos ficamos sem
controle de nossas próprias ações. Como diz o poeta: E quem um dia irá dizer que
existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe
razão?
No cérebro, ver a pessoa amada ou até mesmo uma fotografia dela ativa o nosso sistema de recompensa - que é o responsável pela mediação dos sistemas de euforia e prazer. Ele nos faz querer tudo o que é bom, e a paixão está incluída aqui. Dependendo dos indivíduos envolvidos, uma experiência de
paixão desenfreada pode provocar alteração de humor semelhante à provocada por
drogas como a cocaína e a anfetamina.
Através de neuroimagem funcional foram mapeadas regiões
cerebrais ativadas e desativadas durante a paixão e o amor. As áreas cerebrais
envolvidas passam a apresentar maior irrigação sanguínea, metabolismo mais
intenso e maior atividade dos neurônios. As estruturas cerebrais envolvidas na
paixão são a Amígdala e o Córtex pré-frontal. A amígdala é responsável pelos
nossos sentimentos primitivos, como medo, raiva, euforia, tristeza. O córtex
frontal é responsável pelo discernimento da razão.
Na fase inicial da paixão ativamos a Amígdala e desativamos
o córtex pré-frontal, portanto existe uma gama de sentimentos primitivos
misturados, com ausência total de razão. Essa turbulência emocional foi
denominada pelo psicólogo social Stanley Schachter de "estranho elixir da
paixão".
Se o cérebro está apaixonado faz com que o coração comece a bater mais rápido, a pressão
arterial subir, as pupilas dilatar, a temperatura variar bruscamente, o
estômago apertar e as mãos tremer. Por uma questão de preservação da espécie,
portanto, o ser humano não foi programado para viver constantemente apaixonado.
"Se a paixão durasse muito tempo, o organismo entraria em colapso",
diz o neurocientista Renato Sabbatini, professor da Universidade Estadual de
Campinas, em São Paulo.
Estima-se que a paixão seja um estado com data de validade
não superior a 36 meses, mas varia de pesquisa para
pesquisa. No entanto, observa-se que o fundamental é a paixão passar
naturalmente, o que acontece em alguns meses, com o cérebro descarregando menos
dopamina e reduzindo as endorfinas. O certo é que no auge da paixão as
alterações químicas são tão intensas e tão estressantes que, se durarem tempo
demais, o organismo entra em colapso.
Mas se tratando de amor, a neurociência ainda necessita
ampliar maiores estudos. A revista Superinteressante (maio-2010) descreve muito
bem estes estágios:
1º) Vivenciando a aproximação: Olhares que se encontram,
corpos que se comunicam, coisa de pele. Sim isso realmente existe, o corpo
percebe essa avalanche química através do cheiro. Aí, nos conectamos com
pessoas com identidade imunológica complementar a nossa.
2º) Do primeiro encontro a paixão: A partir deste momento,
depois da atração irresistível inicial, a química cerebral produz uma
turbulência de impulsos.
1. Começa
com atração sexual, com aumento da testosterona em ambos os sexos, inclusive
nas mulheres
2. Depois
vem a paixão avassaladora, um não vive sem o outro, o dia não começa enquanto
você não me telefonar, e ai o cérebro esta repleto de dopamina.
3. Depois
vem a ligação afetiva mais sólida o companheirismo, manifestado nas mulheres
pela ocitocina e nos homens pela vasopressina.
3º) Bem vindos ao Amor: Aqui é tudo bem mais complexo,
"Enquanto crescemos, vamos criando um conceito da pessoa por quem iremos
nos apaixonar", explica Semir Zeki, neurologista da University College
London e autor de estudos sobre o cérebro das pessoas apaixonadas.
Bom se quiserem passar por todas as fases acima, aqui vão umas dicas de estudos que ajudam a cultivar paixões
saudáveis que propiciam amores duradouros:
- Evitem brigas pelo telefone ou via internet. Quando
estamos pertinho, olho no olho a energia de paz prevalece;
- Exercite o senso de humor;
- Iniciem novas atividades em conjunto;
- Exercitar o perdão é fundamental, às vezes ser feliz é
mais importante do que brigar para saber quem tem razão; - Manter ativa a
paixão reafirma sentimentos de proximidade e carinho.
- E por último: comprometimento. Pessoas cujos
comprometimentos sejam fracos interpretam o comportamento do seu parceiro mais
negativamente, opõe com o tempo pode se destruir uma relação. Quando se tem
firme intenção de manter um relacionamento, os problemas conjugais são mais
facilmente relativizados.
Fontes:
- http://www2.uol.com.br/vivermente/
- http://exame.abril.com.br/
- http://super.abril.com.br/




