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A questão é que independente da música ser
boa ou não, ela domina o cérebro atrapalhando outras atividades no decorrer do
dia. Por causa da necessidade inexplicável de ficar repetindo o tempo todo
aquele refrão... se trata dos Earworms – Vermes de ouvido, que são reativados
pelo simples ato de pensar neles.
No livro intitulado “Alucinações musicais”,
o neurologista Oliver Sacks discute as relações entre a música e o cérebro, onde
ele aborda várias situações neurológicas nas quais seus pacientes apresentam
uma espécie de perseguição pela música, os brainworms ou earworms, como ele os
denomina, vermes do cérebro ou do ouvido. Sabe aquela música que não sai da sua
cabeça, e você nem gosta muito dela? Às vezes queria deixar de ouvi-la e lá
está ela, e você não sabe onde fica o botão para desligá-la. Há pessoas que
ouvem, possuem uma música que toca dentro de suas cabeças, atrapalhando as
atividades cotidianas. Sacks cita pacientes que possuem um ipod na cabeça e não
conseguem desligá-lo.
Mas não precisam se preocupar, o fato de
ouvir estas tais músicas contagiantes, se faz presente em 90% das pessoas. Algumas canções pops contém estes “vermes
de ouvido”: agradavelmente melódicas, fácil de lembrar com "ganchos"
que têm os atributos de um típico jingle. Psicólogos e neurologistas que
estudam os efeitos da música no cérebro descobriram que a música que tem uma
forte ligação emocional com o ouvinte é difícil de esquecer. Por isso que
algumas músicas são utilizadas em propagandas de publicidade ao invés dos
jingles.
Geralmente este estilo de música, bem como
os Jingles de sucesso tem três características: eles são curtos, de fácil
compreensão e facilmente reconhecível. Essas músicas têm uma melodia alegre,
simples; letra repetitiva e fácil de lembrar; e uma surpresa, como uma batida
extra ou um ritmo incomum - os mesmos fatores que tornam as canções ou jingles
populares em primeiro lugar. Se um jingle ou mesmo uma música (ou o refrão da
mesma) não possuem estas características, é quase certo para ser esquecido.
Portanto, não é a toa que se dá tanta ênfase ao “tchererete...”.
De acordo com o Quad, a revista on-line da
Universidade de Boston, em 1974, Baddely e Hitch descobriram o que eles
chamaram de repetição fonológica,
que é composta pelo estoque fonológico
(seu "ouvido interno", que se lembra de sons em ordem cronológica) e
pelo sistema de ensaio articulatório
(sua "voz interior" que repete esses sons com o propósito de se
lembrar deles). Essa área do cérebro é vital na primeira infância para o
desenvolvimento do vocabulário e nos adultos para a aprendizagem de novos
idiomas.
Cientistas britânicos tentaram compreender
as origens dos earworms. Eles observaram como os vermes de ouvido, que os
psicólogos chamam de imaginário musical involuntário, começam e chegaram as
seguintes causas:
1- A
mais comum foi à exposição à música,
seja ter ouvido uma música recentemente ou repetidamente ouvi-la.
2- Desencadeamento da memória, o que
significa que ver uma determinada pessoa ou palavra, ouvir uma batida
específica, ou estar em uma determinada situação o lembra de uma canção.
3- O
quadro emocional da sua mente, ou
“estado afetivo”. Se está sentindo-se estressado, surpreso ou feliz quando você
ouve uma música pode fazê-la ficar em sua cabeça.
4- Um
estado de atenção baixa. Uma mente
dispersa, seja por devaneios ou sonhos, pode ser um gatilho para esse
imaginário involuntário musical.
Inicialmente, os pesquisadores estavam
surpresos com a frequência dos vermes de ouvido. Depois, acharam que faz
sentido, uma vez que essas músicas espontâneas na mente parecem ser uma
consequência típica e diária do caminho que nosso cérebro processa música.
Um site de publicidade norte americano, o
Faris Wheel Productions traz como abertura de página o seguinte slogan: Está
cientificamente provado que música são torneiras em nossos sistemas límbico (nossos
reservatórios emocionais ). É por isso que a música é parte de tudo o que
fazemos.
Na verdade creio que eles resumiram tudo, pois dificilmente alguém falará que não gosta de música...
Referência:
ROMANZONTI, Natasha. Porque músicas pegajosas grudam na nossa mente. Disponível online
em: http://hypescience.com/porque-musicas-pegajosas-grudam-na-nossa-mente/
SACKS, Oliver. Alucinações Musicais: Relatos sobre a música e o cérebro. São
Paulo: Companhia das Letras. 2007.
