Mostrando postagens com marcador brainworms. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador brainworms. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A música não sai da minha cabeça...porquê?

Imagem adaptada da página Seja Excelente

  
  Esses dias saiu um post da página “Seja Excelente”, sobre o refrão de uma música...  sem fazer alusão à pergunta que a mesma fez, mas ao refrão em si, surgiu a dúvida: o que acontece no cérebro da pessoa quando para que nos deixamos influenciar por uma música, um jingle? É o ritmo? é o som? a repetição? ou o despertar de associações emocionais?
   A questão é que independente da música ser boa ou não, ela domina o cérebro atrapalhando outras atividades no decorrer do dia. Por causa da necessidade inexplicável de ficar repetindo o tempo todo aquele refrão... se trata dos Earworms – Vermes de ouvido, que são reativados pelo simples ato de pensar neles.
     No livro intitulado “Alucinações musicais”, o neurologista Oliver Sacks discute as relações entre a música e o cérebro, onde ele aborda várias situações neurológicas nas quais seus pacientes apresentam uma espécie de perseguição pela música, os brainworms ou earworms, como ele os denomina, vermes do cérebro ou do ouvido. Sabe aquela música que não sai da sua cabeça, e você nem gosta muito dela? Às vezes queria deixar de ouvi-la e lá está ela, e você não sabe onde fica o botão para desligá-la. Há pessoas que ouvem, possuem uma música que toca dentro de suas cabeças, atrapalhando as atividades cotidianas. Sacks cita pacientes que possuem um ipod na cabeça e não conseguem desligá-lo.
    Mas não precisam se preocupar, o fato de ouvir estas tais músicas contagiantes,  se faz presente em 90% das pessoas. Algumas canções pops contém estes “vermes de ouvido”: agradavelmente melódicas, fácil de lembrar com "ganchos" que têm os atributos de um típico jingle. Psicólogos e neurologistas que estudam os efeitos da música no cérebro descobriram que a música que tem uma forte ligação emocional com o ouvinte é difícil de esquecer. Por isso que algumas músicas são utilizadas em propagandas de publicidade ao invés dos jingles.
   Geralmente este estilo de música, bem como os Jingles de sucesso tem três características: eles são curtos, de fácil compreensão e facilmente reconhecível. Essas músicas têm uma melodia alegre, simples; letra repetitiva e fácil de lembrar; e uma surpresa, como uma batida extra ou um ritmo incomum - os mesmos fatores que tornam as canções ou jingles populares em primeiro lugar. Se um jingle ou mesmo uma música (ou o refrão da mesma) não possuem estas características, é quase certo para ser esquecido. Portanto, não é a toa que se dá tanta ênfase ao “tchererete...”.
      De acordo com o Quad, a revista on-line da Universidade de Boston, em 1974, Baddely e Hitch descobriram o que eles chamaram de repetição fonológica, que é composta pelo estoque fonológico (seu "ouvido interno", que se lembra de sons em ordem cronológica) e pelo sistema de ensaio articulatório (sua "voz interior" que repete esses sons com o propósito de se lembrar deles). Essa área do cérebro é vital na primeira infância para o desenvolvimento do vocabulário e nos adultos para a aprendizagem de novos idiomas.
Cientistas britânicos tentaram compreender as origens dos earworms. Eles observaram como os vermes de ouvido, que os psicólogos chamam de imaginário musical involuntário, começam e chegaram as seguintes causas:
1-     A mais comum foi à exposição à música, seja ter ouvido uma música recentemente ou repetidamente ouvi-la.
2-     Desencadeamento  da memória, o que significa que ver uma determinada pessoa ou palavra, ouvir uma batida específica, ou estar em uma determinada situação o lembra de uma canção.
3-     O quadro emocional da sua mente, ou “estado afetivo”. Se está sentindo-se estressado, surpreso ou feliz quando você ouve uma música pode fazê-la ficar em sua cabeça.
4-     Um estado de atenção baixa. Uma mente dispersa, seja por devaneios ou sonhos, pode ser um gatilho para esse imaginário involuntário musical.
    Inicialmente, os pesquisadores estavam surpresos com a frequência dos vermes de ouvido. Depois, acharam que faz sentido, uma vez que essas músicas espontâneas na mente parecem ser uma consequência típica e diária do caminho que nosso cérebro processa música.
       Um site de publicidade norte americano, o Faris Wheel Productions traz como abertura de página o seguinte slogan: Está cientificamente provado que música são torneiras  em nossos sistemas límbico (nossos reservatórios emocionais ). É por isso que a música é parte de tudo o que fazemos.
      Na verdade creio que eles resumiram tudo, pois dificilmente alguém falará que não gosta de música...

Referência:
ROMANZONTI, Natasha. Porque músicas pegajosas grudam na nossa mente. Disponível online em: http://hypescience.com/porque-musicas-pegajosas-grudam-na-nossa-mente/
SACKS, Oliver. Alucinações Musicais: Relatos sobre a música e o cérebro. São Paulo: Companhia das Letras. 2007.