Por Ana Lúcia Hennemann, Carlos José
Schierholt, Daiane Tais Wames, Scheila Rogéria
Flesch
Epilepsia é um sintoma de perturbação
cerebral que se caracteriza pela ocorrência de ataques periódicos e
recorrentes. Os ataques de epilepsia podem ser de diversos tipos, variando
entre ataques de duração curta, com perturbações do estado de consciência e
ataques com convulsões graves e perda de consciência.
Classificação – CID 10
ü G40.0
Epilepsia e síndromes epilépticas idiopáticas definidas por sua localização
(focal) (parcial) com crises de início focal;
ü G40.1
Epilepsia e síndromes epilépticas sintomáticas definidas por sua localização
(focal) (parcial) com crises parciais simples;
ü G40.2
Epilepsia e síndromes epilépticas sintomáticas definidas por sua localização
(focal) (parcial) com crises parciais complexas;
ü G40.3
Epilepsia e síndromes epilépticas generalizadas idiopáticas;
ü G40.4
Outras epilepsias e síndromes epilépticas generalizadas;
ü G40.5
Síndromes epilépticas especiais;
ü G40.6
Crise de grande mal, não especificada (com ou sem pequeno mal);
ü G40.7
Pequeno mal não especificado, sem crises de grande mal; ou
G40.8 Outras epilepsias
TIPOS
Ataque Epilético
Parcial: Envolvem apenas uma zona do cérebro, apenas uma zona do corpo é afetada
ou apenas um certo nível de consciência é afetado.
ü Ataques parciais de
sintomas simples originam contrações súbitas de certos músculos, como por exemplo, os
músculos que controlam um braço ou uma perna; se a zona do cérebro afetada
controlar a visão, a audição ou outros órgãos dos sentidos, a pessoa terá
breves alucinações visuais, auditivas ou outras, sem contudo perder a
consciência.
ü Ataques parciais com
sintomas complexos podem envolver momentos de perdas de consciência e atos complexos
involuntários. Durante um ataque deste tipo a pessoa parece estar consciente,
mas não reage ou então reage de forma inadequada ao ambiente que a rodeia
executando ações sem objetivo concreto. A sua duração pode ser curta, de várias
horas ou evoluir para um ataque generalizado.
Ataques Epilépticos
Generalizados: afetam todo o cérebro, podendo ser divididos em:
ü Crises de ausência consistem em perdas
breves de consciência, podendo durar entre cinco a trinta segundos. Neste tipo
de ataques a pessoa poderá apresentar um olhar fixo e dar a impressão de estar
sonhando acordada, ou sentir leves contrações dos músculos da face ou dos
braços. Após a crise, a pessoa continua a fazer o que estava fazendo antes do
ataque, sem perceber do que aconteceu.
ü Tônico-clônicos são entendidos pelas
pessoas em geral como a epilepsia, o ataque inicia-se com uma perda súbita de
consciência, a pessoa cai, os seus músculos tornam-se rígidos (a chamada fase
tônica), pode surgir um grito agudo em consequência da contração dos músculos
abdominais e a pele pode tornar-se azulada devido à breve interrupção da
respiração. Inicia-se depois a fase clônica, que consiste em movimentos bruscos
de contração dos principais grupos musculares, a respiração faz-se de uma forma
profunda e irregular levando à produção de espuma e saliva. Durante o ataque a
pessoa pode morder a língua ou perder o controle da bexiga. A duração de um
ataque deste tipo dura geralmente entre três a cinco minutos.
EPIDEMOLOGIA
Estima-se que a
prevalência mundial de epilepsia ativa esteja em torno de 0,5% - 1,0% da população e que cerca de 30% dos pacientes
sejam refratários, ou seja, continuam a
ter crises, sem remissão, apesar de tratamento adequado com medicamentos
anticonvulsivantes. A incidência estimada na população ocidental é de 1 caso
para cada 2.000 pessoas por ano. A
incidência de epilepsia é maior no primeiro ano de vida (principalmente entre 3
e 7 meses) e volta a aumentar após os 60 anos de idade. A probabilidade geral
de ser afetado por epilepsia ao longo da vida é de cerca de 3%. Observa-se
prevalência no sexo masculino. No Brasil, Marino e colaboradores e Fernandes e
colaboradores encontraram prevalências de 11,9:1.000 na Grande São Paulo e de 16,5:1.000 para
epilepsia ativa em Porto Alegre.
CAUSAS DA EPILEPSIA
Os ataques de
epilepsia são provocados por uma descarga descontrolada de energia elétrica
pelas células cerebrais. Em cerca de 50% das pessoas não se consegue determinar
a causa do descontrole da atividade elétrica, sendo nestes casos designada por
epilepsia idiopática. Na outra metade, em que é possível determinar a
causa, a epilepsia é designada por sintomática.
As causas mais
vulgares são as lesões pré-natais, lesões ocorridas durante o parto, tumores
cerebrais, pancadas fortes na cabeça, doenças cerebrovasculares e infecções
graves durante a infância.
DIAGNÓSTICO
• CLÍNICO- através da
obtenção de uma história detalhada e de um exame físico geral, com ênfase nas
áreas neurológica e psiquiátrica. A história deve cobrir a existência de
eventos pré e perinatais, crises no período neonatal, crises febris, qualquer
crise não provocada e história de epilepsia na família. Trauma craniano,
infecção ou intoxicações prévias também devem ser investigados.
• COMPLEMENTAR- Os
exames complementares devem ser orientados pelos achados da história e do exame
físico.
TRATAMENTO
• O objetivo do
tratamento da epilepsia é propiciar a melhor qualidade de vida possível para o
paciente, pelo alcance de um adequado controle de crises, com um mínimo de
efeitos adversos.
• A determinação do
tipo específico de crise e da síndrome epiléptica do paciente é importante, uma
vez que os mecanismos de geração e propagação de crise diferem para cada
situação, e os fármacos anticonvulsivantes agem por diferentes mecanismos que
podem ou não ser favoráveis ao tratamento.
• Os fármacos
anticonvulsivantes atuam através de um ou de vários dos seguintes mecanismos:
bloqueio de canais de sódio, aumento da inibição gabaérgica, bloqueio de canais
de cálcio ou ligação à proteína SV2A da vesícula sináptica .
• A decisão de iniciar
um tratamento anticonvulsivante baseia-se fundamentalmente em três critérios: risco
de recorrência de crises, consequências da continuação de crises para o
paciente e eficácia e efeitos adversos do fármaco escolhido para o tratamento.
• O risco de
recorrência de crises varia de acordo com o tipo de crise e com a síndrome
epiléptica do paciente, e é maior naqueles com descargas epileptiformes ao EEG,
defeitos neurológicos congênitos, crises sintomáticas agudas prévias e lesões
cerebrais e em pacientes com paralisia de Todd.
• Incidência de novas
crises epilépticas são inaceitáveis para pacientes que necessitam dirigir,
continuar empregados ou ser responsáveis por familiares vulneráveis. A decisão
de iniciar tratamento fica bem mais fortalecida após a ocorrência de 2 ou mais
crises epilépticas não provocadas com mais de 24 horas de intervalo.
• A seleção do fármaco
deverá levar em consideração outros fatores além da eficácia, tais como efeitos
adversos, especialmente para alguns grupos de pacientes (crianças, mulheres em
idade reprodutiva, gestantes e idosos), tolerabilidade individual e facilidade
de administração.
• Mesmo utilizando
fármacos adequados ao tipo de crise, um controle insatisfatório ocorre em cerca
de 15% dos pacientes com epilepsia focal, sendo estes candidatos a tratamento
cirúrgico da epilepsia.
• Em caso de falha do
primeiro fármaco, deve-se tentar sempre fazer a substituição gradual por outro,
de primeira escolha, mantendo a monoterapia.
PROFILAXIA
• A prevenção liga-se
diretamente às condições de vida e à assistência médico-sanitária: cuidados
pré-natais e de parto às gestantes, cumprimento do calendário de vacinações nas
crianças, controle de doenças infecciosas e parasitárias e seus sintomas,
cuidado com a febre em crianças.
• O controle da
hipertensão arterial sistêmica e do alcoolismo, e a prevenção do uso de drogas,
entre outros, contribuem para a profilaxia na idade adulta.
• E em geral, evitar
lesões na cabeça, não usar medicamentos sem orientação médica.
• É importante que o
paciente saiba quais os fatores desencadeiam as crises convulsivas e faça o
possível para evitá-los. Para isso ele
precisará mudar hábitos de vida, como:
• -evitar consumo excessivo de álcool;
-sobrecarga e fadiga, com noites
mal dormidas;
-estimulação luminosa intensa:
televisão, videogames e computadores, festas noturnas.
• Para as crianças
pequenas, é essencial administrar antipiréticos (medicamentos que diminuem a
febre) quando a temperatura corporal estiver acima de 38,5°C. Uma temperatura
acima pode provocar convulsões em crianças.
• Os fatores de
prevenção são poucos, o tratamento mesmo consiste em controlar, não existe cura
conhecida para a epilepsia.
COMO AJUDAR ALGUÉM QUE ESTÁ TENDO UMA CRISE EPILÉTICA:
PARA SABER MAIS:
ANTUNIUK, Sérgio. Epilepsia
na Infância. Paraná: UFPR, 2008.
BRASIL. Portaria
SAS/MS nº 492/2010. Disponível online em http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/pcdt_epilepsia_.pdf
Acesso em 02/06/2012
CASTRO. Luiz H. M.,
PINTO, Lécio F. Crise Epilética. 2009. Disponível Online em http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/2213/crise_epileptica.htm
Acesso em 02/06/2012.
KANASHIRO, Ana L. A.
N. Epilepsia. Campinas, 2008. Disponível online em: http://2009.campinas.sp.gov.br/saude/especialidades/Epilepsia.pdf
Acesso em 15/06/2012
SOUZA. Elisabete. Mecanismos
psicológicos e o estigma na epilepsia. Disponível online em http://www.comciencia.br/reportagens/epilepsia/ep18.htm
Acesso em 10/06/2012.
Epilepsia: dados
básicos de um serviço público do Rio de Janeirohttp://www.scielo.br/pdf/csp/v2n2/v2n2a09.pdf
Acessado em 18/06/2012













