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sábado, 16 de março de 2013

“Neurônios podem ser comparados com usuários do FACEBOOK”




Nossos neurônios agem como os usuários mais populares do Facebook, segundo uma pesquisa da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos.

De acordo com o estudo, apenas uma pequena parte das células nervosas é responsável por um grande número de funções importantes. Na comparação com o Facebook, apenas uma pequena parcela dos usuários corresponde pela maior parte dos conteúdos compartilhados no site. A maioria dos neurônios – assim como os membros do Facebook – realizam menos atividades.
Os pesquisadores descobriram que a população de neurônios com mais atividade fica no neocórtex, parte do córtex cerebral formada pela camada enrugada de matéria cinzenta. Ele é responsável por várias funções importantes, como percepção sensorial, funções motoras, localização espacial, pensamento e linguagem.
Os neurônios mais ativos lembravam a atividade dos membros populares de uma rede social, os outros neurônios lembram os usuários menos participativos. A maioria dos usuários da rede não atualiza muito, uma pequena parte deles é responsável pelo grande volume de informações da rede. Essas pessoas mais ativas costumam ser também conectadas com mais gente. Assim, enquanto compartilham mais informação, também recebem mais dados de sua rede de contatos, que também inclui internautas mais ativos.

Entre as células nervosas, a pequena, mas significante parcela ativa é mais conectada com outras, também mais ativas. E, por isso, recebe e troca mais informações, ou impulsos nervosos.
A descoberta pode ajudar os neurocientistas a saber quais células cerebrais são mais ativas e o quão estável é sua atividade. Novos estudos serão feitos com estes neurônios para descobrir qual seu papel no aprendizado.


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Cada vez mais os ”feeds” tem invadido seu cérebro

Tente se lembrar da última linha do mais recente livro que você leu.  Ou, se você não é um grande leitor, procure lembrar o rosto da última pessoa que você conheceu. Agora tente lembrar sua última atualização de status no Facebook.
Se você lembrou mais rapidamente da última proposta, então você aumentaria o índice da pesquisa publicada na revista Memory & Cognition....


      De acordo com um novo estudo publicado nesta revista, nosso cérebro pode lembrar com mais facilidade as atualizações de status do Facebook, ao invés  de trechos de livros ou rostos. A autora principal do estudo,  Dr. Laura Mickes do Departamento de Psicologia da Universidade de Warwick, disse: "Ficamos realmente surpresos quando vimos o quanto mais forte eram as memórias de mensagens do Facebook, comparado a outros tipos de estímulos."
    Pesquisadores dizem que essas descobertas podem mudar a forma como nos relacionamos com a educação, a comunicação e a publicidade. Eles também revelam algo surpreendente sobre a evolução da mente humana. Nosso cérebro é evolutivo, então a teoria dos pesquisadores é que as mensagens on-line são gravadas em um formato que os torna mais digerível pelo nosso cérebro. Elas tendem a usar o discurso mais casual e mais direcionadas para a ação. Conforme os autores “ Escrita que é fácil e rápida de gerar, também é fácil de lembrar “.  
   Estaríamos voltando ao “tempo das cavernas”? Pois apesar de parecer banal, a linguagem online parece que está nos trazendo de volta às nossas raízes... A maioria daqueles “rabiscos” em cavernas e pirâmides eram curtos e de ação, baseados em relatórios sobre os acontecimentos do dia. Isso soa familiar?


    Mas o que isto  está querendo nos mostrar? Nossa linguagem será reduzida a uma série de curtidas em status? Não haverá mais leitura de livros? Não lembraremos mais de rostos que não sejam virtuais?
     Nada disso, pois no geral, a indústria de livros está crescendo, graças à tecnologia moderna. Além disso, a leitura de livros é benéfica para a nossa capacidade cognitiva. Ler boas obras literárias podem, obviamente, aumentar as habilidades memória de longo prazo também.
     Por outro lado, os pesquisadores apontam que os livros em si apresentam uma linguagem mais “polida”, uma fala melhor elaborada, onde muitos ainda têm a dificuldade da compreensão desta leitura. A conclusão? Os cérebros tem maior facilidade de processar rapidamente  a linguagem comum.  E as mensagens do Facebook se prestam a isso.
          Nesse sentido o  estudo aponta que as mensagens online tendem a chegar direto ao ponto. Ou seja, nossa atenção está cada vez menor e não estamos conseguindo ficar focado em algo por  mais de 30 segundos. Entretanto, voltando ao “tempo das cavernas”:  nossos ancestrais descobriram  que era simplesmente demasiado perigoso manter o foco por um logo período de tempo, pois os predadores poderiam pegá-los desprevenidos, então de certa forma parece que estamos diante de um subproduto de nossa evolução... Será?
    Algo interessante desta pesquisa é que as pessoas têm interagido mais e lembrado de artigos e comentários de notícias publicados no “face”.
    Como na maioria das coisas na vida, o segredo está no equilíbrio, pois através desta pesquisa talvez devêssemos tomar mais cuidado sobre o que postar no Facebook, ou em outras redes sociais, porque estas postagens ao que tudo indica serão lembradas com maior facilidade.

Fonte: digitaltrends.com

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Por que é tão difícil sair do Facebook?


Imagem: www.mediaspin.com

Há menos de uma década atrás o Facebook nem existia... As maiores preocupações de pais, pedagogos, psicólogos, enfim todos que interagem com crianças e adolescentes giravam em torno da Internet e jogos de computadores, pois esses sim representavam um “risco viciante” para essa geração.  Nesta recente época nem se cogitava compartilhar detalhes íntimos de nossas vidas em frações de minutos.
Hoje isso tudo mudou. São milhões de pessoas que possuem páginas no Facebook. São pessoas dos mais diferentes perfis, idades, condições econômicas, grau de escolaridade, sem enumerar as diversas profissões. E o interessante é que para se utilizarem dos recursos disponíveis pelo Facebook, todos devem passar pelo caminho da experimentação, observação e enfim aprendizagem ou seria processo de “alfabetização facebookiana”?!
 Aprender a curtir, compartilhar, enviar mensagens, o que para alguns parece algo fácil e corriqueiro, para outros requer certo tempo de aprendizagem.  Mas, como tudo é alvo de pesquisas, na Universidade de Chicago “Booth School of Business”, um recente estudo concluiu que “twittar” ou verificar e-mails podem ser muito mais difícil de resistir do que deixar o vício de cigarros ou álcool, e alguns dos entrevistados revelaram que sente mais vontade de estar nas mídias sociais do que dormir ou manter relações sexuais.


E o Facebook?

Bem, o Facebook apresenta um lado bom, positivo, pois segundo Deborah Serini[1], ele serve como um caminho para recuperar o atraso, marcos importantes de amigos... familiares, verificar as fofocas ou experiências dos outros. É como se fosse um jogo de controle social, ou seja, uma forma de nos ligar com os outros.
 Para Elika Kormeill[2], a razão pela qual o Facebook se mostra tão viciante é devido à gratificação instantânea que ele oferece: existe um sentimento de satisfação cada vez que alguém “curte” ou comenta sua atualização de status, aumentando assim nossa autoestima e alimentando dessa forma o ciclo do Facebook.

Para Kormeill, “as pessoas são criaturas sociais que anseiam interação humana, e a mídia social nos permite encontrar informações sobre os outros de uma maneira que é socialmente aceitável e, na maior parte desconhecida para outros. Podemos  nos conectar com nossos amigos, familiares, encontrar pessoas com estilos de vida semelhantes aos nossos, o que nos dá a noção de que o mundo não parece ser um lugar tão grande e solitário.”

Enfim, você nunca sabe quando  poderá ter uma nova mensagem, solicitação de amizade ou ver uma atualização de status de alguma outra página. Há sempre um convite para voltar, não se demonstrando muito diferente de uma máquina caça-níquel: Você coloca o dinheiro e nunca sabe quando poderá ganhar, pode ser agora ou quem sabe a partir de determinado momento. O reforço ocasional ou a vitória é o que fornece a esperança para manter você jogando...

As pessoas através do Facebook criam uma identidade online selecionada, pois de certa forma estão sempre mostrando o que há de melhor nelas. Escolhem suas melhores fotos, pensamentos com mensagens positivas, criando  nos outros uma “imagem” ou “memória” de alguém completamente seletivo.

Alguns terapeutas comentam casos de pacientes que passam horas e horas tentando criar frases para postar em seu status, como forma de impressionar seus “amigos” do Facebook.



Mas qual a relação Cérebro X Facebook?



Logo que se faz o logon no Facebook, o sistema de recompensa do cérebro é ativado, subindo os níveis de neurotransmissores dopaminérgicos, os quais nos trazem sensação de  bem estar. O problema é que para alguns isso dura pouco tempo, então para ocorrer nova sensação de prazer, eles necessitam de mais experiências sociais, verificando com frequência, quantos curtiram, compartilharam ou comentaram suas postagens.

Um estudo recente por neurocientistas da Harvard descobriu que falar de nós mesmos nos traz uma espécie de prazer semelhante ao que sentimos ao comer, fazer sexo ou receber dinheiro.  Quanto mais envolvimento a pessoa tem no Facebook, mais feedback e atenção vai ter,  o que reforça a necessidade de continuamente gastar tempo em  melhorar a sua imagem no Facebook.  

Em crianças, isso pode levar a resultados problemáticos, pois o cérebro não está completamente desenvolvido, então quando elas logon em uma rede social esperando elogios, comentários positivos, pode mexer com suas mentes.

Nota: numa recente pesquisa, cerca de quatro em cada cinco estudantes experimentaram sofrimento mental, pânico, confusão e isolamento extremo quando forçados a desligar da tecnologia por um dia inteiro. 
Obs.: O texto acima encontra-se com boa parte traduzida da postagem "Why is Facebook so hard to quit?" onde as demais fontes me serviram de fundamentação para  leitura e entendimento de algumas das questões abordadas pelos pesquisadores acima. Na postagem "Science Why We Brag So Much" existe a possibilidade de ver através de gravura de neuroimagem as áreas ativadas quando as pessoas falam de si mesmas, seja em uma conversa pessoal ou em sites de mídia social tais como o Facebook e o Twitter. Para fazer um teste de quanto está seu comprometimento com as redes sociais, baste acessar a postagem "Seu cérebro pode estar viciado no Facebook" e a relação sexo X mídias sociais, pode ser lida com maior fundamentação na postagem "Postar no Facebook, para o cérebro, é igual fazer sexo". 


Fontes de pesquisa:

HOTZ, Robert. Science Reveals Why We Brag So Much. Disponível on line em: http://online.wsj.com/article/SB10001424052702304451104577390392329291890.html?mod=rss_Health
MURDOCH, Cassie. Seu cérebro pode estar viciado no Facebook. Disponível online em http://jezebel.uol.com.br/seu-cerebro-pode-estar-viciado-no-facebook/
RELPH, Mridu. WHY IS FACEBOOK SO HARD TO QUIT? Disponível online em: http://brainworldmagazine.com/why-is-facebook-so-hard-to-quit



[1] Conferencista, professora, terapeuta e autor do livro “Vivendo com Depressão”;
[2] terapeuta clínica em Los Angeles