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| Imagem: www.mediaspin.com |
Há menos de uma década atrás o Facebook
nem existia... As maiores preocupações de pais, pedagogos, psicólogos, enfim
todos que interagem com crianças e adolescentes giravam em torno da Internet e
jogos de computadores, pois esses sim representavam um “risco viciante” para
essa geração. Nesta recente época nem se
cogitava compartilhar detalhes íntimos de nossas vidas em frações de minutos.
Hoje isso tudo mudou. São milhões de pessoas
que possuem páginas no Facebook. São pessoas dos mais diferentes perfis,
idades, condições econômicas, grau de escolaridade, sem enumerar as diversas profissões.
E o interessante é que para se utilizarem dos recursos disponíveis pelo Facebook,
todos devem passar pelo caminho da experimentação, observação e enfim
aprendizagem ou seria processo de “alfabetização facebookiana”?!
Aprender a
curtir, compartilhar, enviar mensagens, o que para alguns parece algo fácil e
corriqueiro, para outros requer certo tempo de aprendizagem. Mas, como tudo é alvo de
pesquisas, na Universidade de Chicago “Booth School of Business”, um recente
estudo concluiu que “twittar” ou verificar e-mails podem ser muito mais difícil
de resistir do que deixar o vício de cigarros ou álcool, e alguns dos
entrevistados revelaram que sente mais vontade de estar nas mídias sociais do
que dormir ou manter relações sexuais.
E o Facebook?
Bem, o Facebook apresenta um lado bom, positivo,
pois segundo Deborah Serini,
ele serve como um caminho para recuperar o atraso, marcos importantes de
amigos... familiares, verificar as fofocas ou experiências dos outros. É como
se fosse um jogo de controle social, ou seja, uma forma de nos ligar com os
outros.
Para Elika Kormeill, a
razão pela qual o Facebook se mostra tão viciante é devido à gratificação
instantânea que ele oferece: existe um sentimento de satisfação cada vez que alguém
“curte” ou comenta sua atualização de status, aumentando assim nossa autoestima
e alimentando dessa forma o ciclo do Facebook.
Para Kormeill, “as pessoas são criaturas sociais que anseiam interação humana,
e a mídia social nos permite encontrar informações sobre os outros de uma
maneira que é socialmente aceitável e, na maior parte desconhecida para outros.
Podemos nos conectar com nossos amigos,
familiares, encontrar pessoas com estilos de vida semelhantes aos nossos, o que
nos dá a noção de que o mundo não parece ser um lugar tão grande e solitário.”
Enfim, você nunca sabe quando poderá ter
uma nova mensagem, solicitação de amizade ou ver uma atualização de status de
alguma outra página. Há sempre um convite para voltar, não se demonstrando
muito diferente de uma máquina caça-níquel: Você coloca o dinheiro e nunca sabe
quando poderá ganhar, pode ser agora ou quem sabe a partir de determinado momento.
O reforço ocasional ou a vitória é o que fornece a esperança para manter você
jogando...
As pessoas através do Facebook criam uma identidade online selecionada, pois de
certa forma estão sempre mostrando o que há de melhor nelas. Escolhem suas
melhores fotos, pensamentos com mensagens positivas, criando nos outros uma “imagem” ou “memória” de alguém
completamente seletivo.
Alguns terapeutas comentam casos de pacientes que passam horas e horas tentando
criar frases para postar em seu status, como forma de impressionar seus “amigos”
do Facebook.
Mas qual a relação Cérebro X Facebook?
Logo que se faz o logon no Facebook, o sistema de recompensa do cérebro é
ativado, subindo os níveis de neurotransmissores dopaminérgicos, os quais nos
trazem sensação de bem estar. O problema é que para alguns isso dura pouco tempo, então
para ocorrer nova sensação de prazer, eles necessitam de mais experiências
sociais, verificando com frequência, quantos curtiram, compartilharam ou
comentaram suas postagens.
Um estudo recente por neurocientistas da
Harvard descobriu que falar de nós mesmos nos traz uma espécie de prazer
semelhante ao que sentimos ao comer, fazer sexo ou receber dinheiro. Quanto
mais envolvimento a pessoa tem no Facebook, mais feedback e atenção vai ter, o que reforça a necessidade de continuamente
gastar tempo em melhorar a sua imagem no
Facebook.
Em crianças, isso pode levar a resultados problemáticos, pois o cérebro
não está completamente desenvolvido, então quando elas logon em uma rede
social esperando elogios, comentários positivos, pode mexer com
suas mentes.
Nota: numa recente pesquisa, cerca de
quatro em cada cinco estudantes experimentaram sofrimento mental, pânico,
confusão e isolamento extremo quando forçados a desligar da tecnologia por um
dia inteiro.
Obs.: O texto acima encontra-se com boa parte traduzida da postagem "Why is Facebook so hard to quit?" onde as demais fontes me serviram de fundamentação para leitura e entendimento de algumas das questões abordadas pelos pesquisadores acima. Na postagem "Science Why We Brag So Much" existe a possibilidade de ver através de gravura de neuroimagem as áreas ativadas quando as pessoas falam de si mesmas, seja em uma conversa pessoal ou em sites de mídia social tais como o Facebook e o Twitter. Para fazer um teste de quanto está seu comprometimento com as redes sociais, baste acessar a postagem "Seu cérebro pode estar viciado no Facebook" e a relação sexo X mídias sociais, pode ser lida com maior fundamentação na postagem "Postar no Facebook, para o cérebro, é igual fazer sexo".
Fontes de pesquisa: